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Santos Campeão da Copa Conmebol de 1998

Recebido a bala em Rosário e com apenas 15 jogadores disponíveis no elenco, Santos conquista a Conmebol

Em 1998 o Santos tinha um bom time mas aos poucos foi perdendo seu elenco. Dos 25 jogadores inscritos na Conmebol, quatro foram negociados durante a competição (Ronaldo Marconato, Dutra, Fumagalli e Baez), três estavam contundidos (Argel, Jorginho e Lúcio) e dois suspensos (Jean e Viola). O resultado é que o Santos contava com apenas 16 jogadores em condições de jogo, sendo que três deles eram goleiros (Fernando Leão, o terceiro goleiro, não viajou com o time para Rosário).

Cheio de improvisações na escalação, com apenas três jogadores no banco e contra um caldeirão de 50 mil torcedores rivais, a tarefa do Peixe era complicada. Segurar um empate diante dos argentinos, inimigos declarados e eternos , seria (e foi) uma barra.

Em pé: Zetti, Anderson, Élder, Sandro, Claudiomiro e Marcos Bazílio. Agachados: Athirson, Eduardo Marques, Alessandro, Fernandes e Narciso.

A rivalidade começou fora de campo. Na chegada ao estádio até tiros foram ouvidos. “Foi a decisão internacional mais difícil que já disputei na minha carreira. Nunca havia sido recebido anes com pedras atiradas pelos torcedores argentinos e até mesmo tiros, disparados para o alto pela polícia.“, disse o goleiro Zetti. O goleiro contou que o grupo santista chegou a discutir se deveria ou não entrar em campo para disputar a final naquele clima de guerra e pressão. “Conversamos com o presidente da Confederação Sul-Americana, Nicolas Leoz, que nos garantiu que as pessoas estranhas seriam retiradas do campo, e só depois disso optamos por entrar para disputar o jogo”.

– Balas de borracha é o caralho! Não era para termos jogado! Fomos coagidos!“, bradou o técnico Émerson Leão ainda no gramado. A polícia argentina tem outra versão. Diz que os tiros eram de borracha e foram disparados contra os torcedores que tentavam se aproximar à força da delegação do Peixe. Leão definiu o ambiente de antes e durante a partida como uma “noite de terror”. “A decisão de levar 20 seguranças foi acertada. Pelo clima que encontramos foi uma conquista heróica.” O treinador garantiu que o jogo só foi disputado porque toda delegação foi ameaçada de morte. [pullquote]”Vieram os presidentes Nicola Leoz da Conmebol e o do Rosário Central. Disseram que seria difícil garantir segurança sem a realização da partida e que poderíamos morrer.”[/pullquote] Diante da situação Leão manteve uma conversa com os jogadores antes da partida começar, a reunião serviu como trabalho psicológico. “Pedi para jogarem com coragem e dignidade. Todos se uniram na base da amizade. Só assim conquistamos o título”, afirmou.

O técnico Leão passou por uma situação curiosa em Rosário. Suspenso por seis partidas internacionais pela Confederação Sul-Americana, o treinador pôde orientar a equipe do banco de reservas devido à falta de segurança no estádio. Leão só foi proibido de levantar para dar instruções, trabalho que ficou a cargo de Pedro Santilli, preparador de goleiros.

Antes de embarcar para a Argentina, Zetti havia dito que faria o “impossível” para confirmar a vantagem do Santos na competição sul-americana e cumpriu a promessa. Mesmo tendo passado recentemente por problemas particulares (seu pai morreu uma semana antes), Zetti comprovou a boa fase. Além de fechar o gol, comandou o jovem e inexperiente time santista como um autêntico líder e em nenhum momento foi dominado pela tensão.

Em campo o ambiente também não era dos melhores para os santistas. Enquanto o Rosário pressionava bastante (e parava nas mãos de Zetti ou no paredão Sandro e Claudiomiro) apenas Alessandro se encarregava de prender a bola no ataque fazendo o tempo passar. E o tempo passou. Empate de 0x0 que deu ao Santos um título internacional, que o Clube não conquistava desde 1969. Um título vencido na marra.

O título serviu para reforçar a política “pés no chão” retomada pela Diretoria após a saída do técnico Wanderley Luxemburgo no início de 1998. Mais do que o título, os dirigentes festejaram a confirmação do talento de vários jovens jogadores que começaram a se firmar na Vila Belmiro como Athirson, Marcos Bazílio, Eduardo Marques, Adiel, Fernandes e Baiano, todos entre 18 e 22 anos.

Elenco:
Clique aqui e conheça o elenco que conquistou a Copa Conmebol 1998.

Artilharia
04 gols – Viola (Santos) e Morales (LDU)

Artilheiros do Santos
04 gols – Viola
02 gols – Jorginho, Lúcio e Claudiomiro
01 gol – Narciso, Argel, Eduardo Marques e Adiel

Regulamento
A sétima edição da Copa foi disputada por 16 equipes em sistema de mata-mata.

Campanha:

# Data Ficha Técnica Local
Vídeo
1 15/07/1998 Santos 2 x 1 Once Caldas Vila Belmiro
N/D
2 21/07/1998 Once Caldas 2 x 1 Santos (penaltis 2×3) Palogrande
N/D
3 05/08/1998 LDU 2 x 2 Santos Casablanca
N/D
4 11/08/1998 Santos 3 x 0 LDU Vila Belmiro
N/D
5 09/09/1998 Santos 0 x 0 Sampaio Corrêa Vila Belmiro
N/D
6 23/09/1998 Sampaio Corrêa 1 x 5 Santos Castelão
N/D
7 07/10/1998 Santos 1 x 0 Rosário Central Vila Belmiro
8 21/10/1998 Rosário Central 0 x 0 Santos Gig. Arroyto

 

Classificação Final
Pos.
PG
J
V
E
D
GP
GC
SG
1 Santos (Bra)
15
8
4
3
1
14
6
8
2 Rosário Central (Arg)
14
8
4
2
2
9
5
4
3 Sampaio Corrêa (Bra)
11
6
3
2
1
6
6
0
4 Atlético-MG (Bra)
9
6
2
3
1
7
5
2
5 LDU (Equ)
7
4
2
1
1
8
7
1
6 Huracán Buceo (Uru)
4
4
1
1
2
6
6
0
7 Deportes Quindío (Col)
4
4
1
1
2
4
5
-1
8 Jorge Wilstermann (Bol)
2
4
0
2
2
2
5
-3
9 Once Caldas (Col)
3
2
1
0
1
3
3
0
10 Audax Italiano (Chi)
3
2
1
0
1
1
2
-1
11 Cerro Corá (Par)
2
2
0
2
0
2
2
0
12 Gimnasia La Plata (Arg)
2
2
0
2
0
1
1
0
13 Deportivo Italchacao (Ven)
1
2
0
1
1
3
4
-1
14 América-RN (Bra)
1
2
0
1
1
1
3
-2
15 River Plate (Uru)
1
2
0
1
1
1
4
-3
16 Melgar (Per)
0
2
0
0
2
2
6
-4

Galeria de fotos:

Jogos inesquecíveis



Vídeos: (1) Melhores momentos, (2) torcida acompanhando jogo em um bar e (3) chegada da delegação em Santos.

Rosario Central 0 x 0 Santos

Data: 21/10/1998, quarta-feira.
Competição: Copa Conmebol – Final – Jogo de volta (decisão)
Local: Estádio Gigante Arroyto, em Rosário, na Argentina.
Público: 50.000
Árbitro: Ubaldo Aquino (PAR).
Cartões amarelos: Cuberas, Cappelletti, Marra e Flores (R); Claudiomiro, Marcos Bazílio, Athirson, Sandro e Narciso (S).
Cartões vermelhos: Daniele (R) e Eduardo Marques (S).

ROSARIO CENTRAL-ARG
Buljubasich, Jara, Marra (Cappelletti), Gerbaudo e Cuberas; H. González (E. González), Daniele, Rivarola e Gaitán; Flores e Maceratesi (Ruiz).
Técnico: Edgar Bauza

SANTOS
Zetti, Anderson, Sandro, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazílio, Élder, Narciso e Eduardo Marques; Fernandes (Baiano) e Alessandro (Adiel).
Técnico: Émerson Leão.



Santos é campeão sob clima de guerra

Time conquista primeiro título internacional após a “era Pelé”; polícia chegou a dar tiros para conter torcida

Em partida marcada por tiros da polícia argentina, ameaças de Leão de não entrar em campo, brigas entre os jogadores e muitos objetos atirados contra os brasileiros, o Santos conquistou a Copa Conmebol empatando por 0 a 0 com o Rosario Central, fora de casa.

Com o resultado, o time da Vila Belmiro ganhou seu primeiro título internacional oficial desde a “era Pelé”. O último havia sido em 1969, quando o Santos conquistara a Recopa mundial, vencendo a Inter, por 1 a 0, na Itália.

Foi também o 13º título de um clube brasileiro nas três principais competições sul-americanas de futebol na década de 90 -Libertadores, Supercopa e Conmebol.

A partida começou com 40 minutos de atraso, porque os brasileiros temiam por sua segurança, depois de quase terem sido agredidos por torcedores argentinos ao chegarem ao estádio.

Para conter a fúria da torcida do Rosario, policiais tiveram de dar pelo menos 12 tiros, o que também serviu para assustar os santistas.

O técnico Emerson Leão, irritado, achava que o time não deveria entrar em campo, mas alegou que eles foram obrigados a jogar “para não morrer”. “Meus jogadores não tinham condições psicológicas para entrar em campo. Não tinham condição nenhuma, nenhuma, são jovens, todos com 20, 20 e poucos anos… Só entramos mesmo porque, se não tivéssemos entrado, poderíamos ter morrido.”

Mesmo com toda a pressão psicológica a que esteve submetido antes do jogo, o Santos surpreendeu no início. Quem esperava que o time de Leão entraria recuado, tentando segurar o empate, resultado que lhe garantiria o título da Conmebol, acabou vendo uma equipe brigando no meio-campo, com a marcação mais adiantada e tentando criar alternativas de ataque.

Mesmo assim, no primeiro tempo as três melhores chances foram do Rosario, duas com o atacante Flores, uma com o meia Rivarola. Nas três ocasiões, quem salvou o Santos foi o goleiro Zetti.

No segundo tempo, o Santos voltou um pouco mais recuado, mas o Rosario, aparentando nervosismo, diminuiu o ritmo, nem sequer conseguindo construir alternativas de gol.

A partir dos 20min da etapa final, com a necessidade de o time da casa marcar pelo menos um gol, levando a decisão para os pênaltis, o jogo ficou ainda mais tenso.

Em pelo menos quatro ocasiões, brasileiros e argentinos trocaram empurrões, causando a interferência do juiz, que acabou expulsando, em primeiro lugar, o santista Eduardo Marques, e depois, o argentino Daniele.
Terminada a partida, os jogadores do Santos nem conseguiram comemorar direito a conquista, com medo de que os torcedores argentinos invadissem o campo.

Os policiais e os seguranças contratados pelo Santos pediram para que o time tentasse deixar logo o campo, evitando problemas.

No final, o goleiro Zetti, emocionado, conclamou a torcida santista a comparecer à praça Independência, em Santos, para comemorar o título obtido na Argentina.

“Estou muito contente, envaidecido até. O coração está muito satisfeito e o título é para todo mundo, para os jogadores que estão machucados, suspensos, que não estiveram aqui”, comentou Leão.

“E estou muito mais contente ainda porque fui bicampeão em cima dos argentinos”, completou o treinador, referindo-se ao título que havia conseguido no ano passado diante do Lanús, quando dirigia o Atlético-MG.

Violência deixa Leão no banco

Suspenso por seis jogos pela Confederação Sul-Americana de Futebol, sob acusação de ter tentado agredir o árbitro Jose Luis da Rosa no primeiro jogo da final, Emerson Leão obteve autorização para assistir a partida de ontem do banco de reservas.

O “perdão”, segundo representantes da própria Confederação Sul-Americana, deveu-se à falta de segurança a que o treinador santista estaria submetido se tivesse visto o jogo das tribunas do estádio Gigante del Arroyito.

“Eu ter ficado no banco é o de menos. Perto de tudo o que aconteceu com a gente antes do jogo nem importância tem. Vocês, no Brasil, não têm idéia do que nós passamos. O jogo tinha que ter sido suspenso, como queria o nosso presidente”, desabafou Leão antes do início da decisão.

Mesmo não parando de reclamar da atitude dos argentinos, o treinador disse que nada se compara ao que ele passou na decisão da Conmebol do ano passado, quando comandava o Atlético-MG.

Na final do torneio de 1997, Leão foi agredido no rosto com uma barra ao tentar apartar uma briga entre atletas de seu time e jogadores, dirigentes e torcedores do Lanús, também da Argentina, que ficou com o vice-campeonato. “Aquilo foi uma loucura, uma barbaridade. Não entendo como a Confederação (Sul-Americana de Futebol) tolera uma coisa dessas”, voltou a vociferar ontem o técnico santista. “Jogar na Argentina é assim mesmo.”

Jogo tem 10% de penetras

A pressão contra os jogadores do Santos, principalmente antes do início da partida, foi ainda maior do que a esperada, porque pelo menos 5.000 penetras conseguiram entrar no estádio.

A capacidade oficial do Gigante del Arroyito é de 50.351 lugares, dos quais 32 mil nas gerais, o restante nas cadeiras.

Os argentinos, no entanto, haviam prometido que não venderiam mais do que 45 mil ingressos, de forma a evitar maiores confusões na arquibancada e, consequentemente, maiores problemas para os santistas, alvos fáceis da torcida local.

Como cerca de 5.000 pessoas conseguiram entrar no estádio, driblando a segurança, mesmo sem ter pago ingresso, o estádio ficou superlotado, contrariando os prognósticos iniciais dos argentinos.

Para Emerson Leão, tudo o que aconteceu na noite de ontem, desde a chegada do Santos ao estádio, representa uma vergonha para o futebol argentino. “Mais uma”, como o treinador fez questão de frisar.

Além da pressão da torcida, os santistas reclamaram do estado do gramado, com muitos rolos de papel higiênico atirados nas duas áreas e nas laterais do campo, rádios e ovos atirados contra os brasileiros e a polícia argentina.



Santos busca título inédito desde Pelé (Em 21/10/1998)

Time adota sigilo na final da Conmebol e leva seguranças para a partida contra o argentino Rosario Central

O Santos decide hoje à noite o título da Copa Conmebol contra o Rosario Central preparado para enfrentar uma batalha campal no estádio El Gigante del Arroyito, em Rosario (Argentina).

“Nossa expectativa é a pior possível. É nesse momento que se prova quem é um grande jogador”, afirmou o zagueiro Sandro, para quem os santistas disputarão uma partida de futebol dentro de uma “praça de guerra”.

A animosidade, decorrente da tradicional rivalidade entre Argentina e Brasil no futebol, foi reforçada pelos incidentes na primeira partida da final, em que o Santos venceu por 1 a 0 na Vila Belmiro.

Naquele jogo, a violência prevaleceu. Os argentinos tiveram três jogadores expulsos (Scotto, Carracedo e Bustos Montoya) e os santistas, dois (Jean e Viola). Nenhum deles atuará hoje. O resultado deu ao Santos a vantagem do empate hoje para chegar ao título, mas os argentinos deixaram o gramado comemorando. Se ganharem por dois gols de diferença, serão campeões. Uma eventual vantagem argentina por apenas um gol leva a decisão para a disputa por pênaltis.

Caso conquiste o título, o Santos voltará a ser campeão de um torneio internacional oficial pela primeira vez desde a “era Pelé”. A última conquista foi em 1969, quando o time foi campeão da Recopa Mundial, ao vencer a Internazionale por 1 a 0 na Itália.

Uma conquista do Santos também consolidaria a hegemonia brasileira na Conmebol. Desde 1992, ano de estréia do torneio, três brasileiros venceram quatro vezes a competição -Atlético-MG (92 e 97), Botafogo (93) e São Paulo (94). Os argentinos Rosario e Lanús ganharam em 95 e 96, respectivamente.

Para enfrentar os rivais na Argentina, o Santos montou uma operação “militar” para tentar contornar as adversidades no terreno inimigo. A delegação viajou ontem à tarde e iria passar a noite em Buenos Aires, a fim de que o sono dos jogadores não fosse perturbado pela torcida do Rosario.

“Os argentinos fizeram isso na Copa de 78 com a seleção brasileira e no ano passado não deixaram o Atlético-MG dormir”, afirmou o técnico Emerson Leão.

O técnico, campeão da Conmebol pelo clube mineiro em 1997, dirigirá o Santos das tribunas, por ter sido expulso na outra partida.

Por razões de segurança, Leão não autorizou a divulgação antecipada dos hotéis em que o Santos se hospedará em Buenos Aires e Rosario, para onde viajará de avião somente hoje pela manhã.

Como forma de evitar hostilidades, Leão abriu mão inclusive do treino de reconhecimento do gramado, ao qual o Santos teria direito, pelas regras da Conmebol.

Segundo o gerente Marco Aurélio Cunha, dez seguranças acompanham a delegação santista.

A diretoria do clube convidou para assistir a partida o presidente em exercício da Confederação Brasileira de Futebol, Alfredo Nunes. O objetivo é ter o dirigente como “testemunha” se o Santos vier a sofrer algum prejuízo. “Já comuniquei à Federação Paulista, à CBF e à Confederação Sul-Americana que se houver qualquer senão, qualquer coisa estranha, o Santos não entra em campo”, declarou o presidente Samir Jorge Abdul-Hak.

A indicação do árbitro paraguaio Ubaldo Aquino desagradou aos santistas. O juiz é o mesmo acusado de prejudicar o São Paulo no ano passado na decisão da Supercopa, ao marcar um pênalti supostamente inexistente em favor do River Plate, da Argentina.

Leão usa rádio para guiar time

O técnico Leão vai dirigir o time do Santos das tribunas do estádio Gigante del Arroyito. Munido de um aparelho de rádio, o treinador transmitirá suas instruções ao preparador de goleiros, Pedrinho Santilli, no banco de reservas.

Leão não estará em campo porque foi suspenso por seis jogos pela Confederação Sul-Americana, acusado de tentar agredir o juiz uruguaio Jose Luis da Rosa no primeiro jogo da final, em Santos.

“Não avisaram ninguém sobre o julgamento, e não me deram direito de defesa. O que interessava para eles era tirar o treinador do Santos. Isso é jogo de cartas marcadas, já estamos sabendo”, declarou.

Leão volta hoje a Rosario pela primeira vez desde 1978, quando defendeu a seleção brasileira como goleiro na partida contra a Argentina (0 a 0), pela Copa do Mundo. “Não tenho boas recordações e não gosto deles (os argentinos).”

A aversão do técnico aos rivais latino-americanos se acentuou após a decisão da Conmebol-97, contra o Lanús, em que foi agredido no rosto com uma barra de ferro ao tentar apartar uma briga.

No jogo de hoje, o técnico tem pouquíssimas opções para escalar o Santos. Devido às suspensões e contusões, somente 15 jogadores integram a delegação.

O atacante Alessandro viajou machucado. Ele sente dores na virilha, devido a uma pancada, mas diz pretender atuar mesmo assim. “Treinei com dores, mas acredito que não vão me incomodar durante o jogo”, disse.

Narciso não teme ser alvo

O volante Narciso, capitão santista, diz não acreditar que será o jogador mais visado pelos argentinos na final da Conmebol.

Narciso foi um dos protagonistas do lance que resultou na expulsão do santista Jean, na primeira partida da final, na Vila Belmiro, dando uma cotovelada no meia González. (FS)

Repórter – Você ficou marcado pelos rivais por causa da cotovelada?
Narciso – Acho que não, porque eles também bateram e, se fizerem isso de novo, será melhor para a gente, porque perderão jogadores (expulsos).

Repórter – Como os santistas vão se comportar em relação à arbitragem?
Narciso – Não podemos deixar a equipe deles crescer para cima do árbitro. Tem de haver uma pressão nossa também, porque dessa maneira o juiz terá de tentar apitar certo. Estamos jogando contra os adversários e contra os bandeirinhas e os árbitros.

Repórter – Como capitão, pretende conversar com o juiz antes da partida?
Narciso – Claro. Em jogos Brasil-Argentina, é sempre muito difícil. A partida fica truncada, e o árbitro tem de estar sempre perto do lance para ver a jogada corretamente, porque o jogador argentino é muito catimbeiro.


Santos 1 x 0 Rosário Central

Data: 07/10/1998
Competição: Copa Conmebol – Final – Jogo de ida
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Árbitro: José Luiz da Rosa (Uruguai)
Público: 14.715 pagantes
Cartões amarelos: Anderson (S); Gerbaudo, Cappelletti, Marra, Daniele, Cuberas (R).
Cartões vermelhos: Viola e Jean (S); Scotto, Carracedo e Bustos Montoya (R).
Gol: Claudiomiro (28-2).

SANTOS
Zetti, Anderson, Jean, Claudiomiro (Gustavo Nery) e Athirson; Marcos Bazílio, Narciso, Eduardo Marques (Fernandes) e Lúcio; Alessandro (Adiel) e Viola.
Técnico: Émerson Leão

ROSÁRIO CENTRAL
Buljubasich, Marra, Gerbaudo, Cuberas e Jara; Hugo González, Daniele, Cappelletti (Villarreal) e Gaitán (Bustos Montoya); Carracedo e Scotto.
Técnico: Edgardo Bauza



Santos bate Rosario e fica a um empate do título da Conmebol

O Santos perdeu boa oportunidade de marcar mais gols, tendo sido prejudicado no primeiro tempo quando teve dois jogadores expulsos contra um dos argentinos.

As duas primeiras expulsões foram aos 10 minutos, quando o zagueiro Cuberas empurrou o goleiro Zetti, iniciando uma série de empurrões entre atletas adversários e cartões vermelhos para os atacantes Viola do Santos e Scotto, do Rosario.

Sem Viola, Leão pediu para Lúcio atuar mais adiantado, sobrecarregando Athirson, que passou a fazer simultaneamente os papéis de ponta e lateral.

Aos 28 minutos, aproveitando cruzamento de do lateral direito Anderson e a saída insegura do goleiro Buljubasich, zagueiro Claudiomiro de cabeça abriu o placar.

Quando parecia que o Santos cresceria (chegou a perder boa chance em chute de Eduardo Marques que o goleiro colocou para escanteio), o juiz Jose Luis da Rosa, do Uruguai, expulsou erroneamente o zagueiro Jean por agressão, prejudicando o time brasileiro que ficou com nove jogadores.

No intervalo, seguranças do Santos teriam feito ameaças ao trio de arbitragem, que ameaçou não retornar para a etapa final.

Protegido por policiais militares, o juiz deu início ao segundo tempo, e o Santos mesmo com um homem a menos mostrou que estava disposto a ampliar o placar, para poder atuar com maior vantagem no jogo de volta, na Argentina.

E quando também o meia Carracedo, do Rosario, acabou sendo expulso a pedido de um dos bandeirinhas, a pressão santista aumentou, e o time começou a criar e desperdiçar várias oportunidades.

A maior delas foi aos 27 minutos, quando Athirson foi derrubado na área e Narciso, que fazia grande partida, teve a chance de fazer 2×0. O pênalti, no entanto, não foi bem batido, e a bola acabou saindo à esquerda do goleiro argentino.

Mas mesmo a perda da penalidade máxima não foi suficiente para diminuir o ânimo do Santos, que continuou atacando insistentemente. Mas, quando superou a defesa argentina, com Adiel, aos 45 minutos, o árbitro anulou o gol,a legando impedimento.

Os argentinos, que terão que vencer em casa por dois gols de diferença, (se ganharem por uma decisão será nos pênaltis), comemoram a de rota mínima, principalmente por terem terminado esse primeiro jogo decisivo com apenas oito jogadores em campo, depois da expulsão de Montoya, que entrará no lugar de Gaitán.

Fontes: Jornais Diário Popular e Folha de São Paulo e Revista Lance.

Sampaio Corrêa 1 x 5 Santos

Data: 24/09/1998, quinta-feira, 20h30.
Competição: Copa Conmebol – Semifinais – Jogo de volta
Local: Estádio Castelão, em São Luís, MA.
Público: 95.720 (recorde do estádio)
Renda: R$ 957.200,00
Árbitro: Francisco Dacildo Mourão Albuquerque (CE).
Cartões amarelos: Carlos Henrique (SC); Eduardo Marques e Élder (S).
Gols: Ivan (32-1), Lúcio (39-1), Argel (49-1); Eduardo Marques (01-2), Adiel (20-2) e Viola (24-2).

SAMPAIO CORRÊA
Carlos Alberto; Paulinho, Remerson, Nei e Ivan; Toninho (Marcinho), Oliveira (Cal), Massei e Adãozinho; Junior (Carlos Henrique) e Paulo Roberto.
Técnico: Julio Espinosa

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel, Jean e Athirson (Gustavo Nery); Marcos Bazílio, Narciso, Eduardo Marques (Élder), Lúcio (Adiel); Alessandro e Viola.
Técnico: Émerson Leão



Santos goleia e vai à final da Conmebol

Equipe de Leão vence por 5 a 1 o Sampaio Corrêa

O Santos goleou ontem o Sampaio Corrêa por 5 a 1 no estádio Castelão, em São Luís (MA), e conseguiu se classificar para a final da Copa Conmebol.

O time do técnico Leão vai decidir o torneio sul-americano contra o Rosario Central, da Argentina, que anteontem venceu o Atlético-MG por 1 a 0 no Mineirão.

No primeiro confronto das semifinais contra o Sampaio Corrêa, o Santos não havia passado de um empate sem gols, mesmo jogando na Vila Belmiro.

A equipe maranhense montou uma promoção especial para atrair torcedores, na qual notas fiscais podem ser trocadas por ingressos, e obteve resultado, como já vem acontecendo no Campeonato Maranhense. O Castelão, que recebeu a seleção brasileira na quarta-feira, contou ontem com 95.720 pessoas, recorde do estádio.

Apoiado pela torcida, o Sampaio Corrêa tomou a iniciativa do jogo. O time dirigido pelo técnico Julio Espinosa conseguiu abrir o placar aos 32min, com um gol de Ivan.

O Santos, que até a abertura do placar não tinha se arriscado tanto no ataque, foi à frente e acabou empatando a partida com um gol do meia Lúcio, aos 39min.

Nos acréscimos do árbitro cearense Francisco Dacildo Mourão, aos 49min, o zagueiro Argel colocou o Santos em vantagem.

No segundo tempo, o time maranhense partiu para o ataque e cedeu mais espaços para os contra-ataques santistas.

O time de Leão se aproveitou desses espaços e ampliou a vantagem logo a 1min. Eduardo Marques foi o autor do gol.

O Sampaio Corrêa tentou ainda descontar o placar, mas o Santos, com a classificação quase garantida, soube tocar a bola e chegar à marcação de outros dois gols.

Aos 20min, Adiel anotou. Quatro minutos depois, foi a vez de Viola aumentar. Depois o Santos apenas administrou o resultado.

As partidas finais contra o Rosario estão marcadas para os dias 7 e 21 de outubro. O Santos terá problemas de calendário para o primeiro jogo, na próxima quinta-feira. Segundo a tabela original do Brasileiro, o Santos enfrentaria a Ponte Preta na quarta-feira.

Situações opostas

Enquanto o técnico Julio Espinosa, do Sampaio Corrêa, ficou com o cargo ameaçado após a desclassificação de sua equipe da Copa Conmebol, o técnico Leão mostrou-se muito satisfeito com o poder de reação de seu time.

Além de decidir pela primeira vez em sua história a Copa Conmebol, o Santos também faz grande campanha no Brasileiro -está em segundo lugar, com 28 pontos, mas com um jogo a menos que o líder Corinthians, que tem 32.

A equipe santista tem retorno marcado para hoje a São Paulo, devendo chegar apenas no final da tarde ao aeroporto de Cumbica, em Guarulhos.

A pedido dos próprios jogadores, a delegação retorna logo em seguida a Santos, pois o time não quer perder tempo. Amanhã pela manhã já será feito um treinamento na Vila Belmiro.

O motivo de tanta pressa é o jogo decisivo de domingo contra o Corinthians, marcado para as 17h, no estádio do Morumbi. Os jogadores santistas planejam manter “concentração máxima” para a partida, que opõe os dois melhores times da competição.

Os jogadores do Santos ficaram ainda mais animados após a derrota de 2 a 1 do Corinthians para o Cruzeiro, ontem à noite. A equipe voltou a depender apenas de si para terminar a primeira fase do Brasileiro com a melhor campanha do torneio e enfrentar assim, teoricamente, o pior time entre os classificados à próxima fase.



Santos tenta ir à final da Conmebol (Em 24/09/1998)

Temendo pane elétrica, equipe joga hoje contra o Sampaio Corrêa, no Maranhão

Além de se preocupar com os cerca de 70 mil torcedores que devem apoiar o Sampaio Corrêa, hoje, às 20h30, no Maranhão, o Santos torce para que a iluminação do estádio não o prejudique na tentativa de chegar à final da Conmebol, torneio sul-americano de clubes.

A preocupação com a iluminação é plenamente justificada pelo que aconteceu segunda-feira e terça-feira, quando primeiro o Brasil e depois a Iugoslávia treinaram no estádio Castelão para o amistoso de ontem à tarde.

Na segunda, assim que Wanderley Luxemburgo começou a treinar seus 21 jogadores, metade dos refletores do estádio se apagaram. Anteontem, na hora do treino da Iugoslávia, o problema voltou a acontecer. Sem luz no Castelão, os europeus tiveram de encerrar o treinamento após dez minutos.

“Espero que isso não aconteça na nossa partida, porque seria uma lástima ter que jogar em outra data, já que para chegar a São Luís são quase sete horas de viagem, e o calendário brasileiro já é apertado”, disse o atacante Viola.

O jogador afirmou que está ansioso pelo clássico de domingo, no Morumbi. “Vai ser um jogão.”

O técnico Leão e o goleiro Zetti não falam no Corinthians. “Minha cabeça está voltada para o Sampaio Corrêa”, afirmou o treinador.

“O empate na Vila (0 a 0 contra o time maranhense, no jogo de ida das semifinais) está atravessado na nossa garganta”, desabafou Zetti.

Leão, no entanto, afirmou não acreditar que o Santos terá tantos problemas em São Luís quanto os que enfrentou na Vila Belmiro.

“Lá, o Sampaio jogou todo atrás, não tinha a obrigação de atacar. E o juiz, para piorar, não marcou dois pênaltis para o Santos. Jogando em casa, eles abrirão espaço para a gente, e ficará mais fácil ganhar.”

Se houver empate na partida de hoje, a decisão será nos pênaltis. O vencedor da partida enfrentará na final o ganhador do confronto entre Atlético-MG e Rosario Central, da Argentina, que jogariam ontem à noite em Belo Horizonte.

Conquistando o título, Leão será bicampeão, já que, em 97, venceu a Conmebol com o Atlético-MG.

A psicóloga da seleção brasileira, Suzy Fleury, elogiou ontem o perfil de Leão. Para ela, treinadores autoritários e disciplinadores têm maior possibilidade de conseguir resultados positivos do que os que não sejam tão “durões”.

Ele tem um perfil parecido com o do Wanderley Luxemburgo”, disse ela. “Não se trata de uma simples observação, mas de uma afirmação com base científica. Uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo mostra que técnicos que pregam a disciplina costumam se sair melhor.”



Narciso em ação contra o Sampaio Corrêa pela Conmebol.