Santos 4 x 1 Flamengo

Data: 20/09/1998, domingo, 17h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 1ª fase – 13ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 15.904 pagantes
Renda: R$ 165.640,00
Árbitro: Sidrack Marinho (SE).
Cartoes amarelos: Romário, Pimentel e Clemer (F); Argel e Elder (S).
Gols: Romário (10-1), Viola (20-1); Eduardo Marques (09-2), Viola (38-2) e Viola (46-2).

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Claudiomiro, Argel e Athirson; Narciso, Élder, Eduardo Marques e Lucio (Baiano); Alessandro (Adiel) e Viola.
Técnico: Emerson Leão

FLAMENGO
Clemer; Pimentel, Luiz Alberto, Fabiano e Wagner; Jamir, Marcos Assunção (Caio), Jorginho (Iranildo) e Beto; Rodrigo Fabri e Romário.
Técnico: Evaristo de Macedo



Viola faz 3 e aumenta crise do Flamengo

Atacante do Santos chega aos 11 gols e se iguala a Marcelinho na liderança da artilharia; time carioca é o 18º

O Santos goleou o Flamengo, de virada, por 4 a 1, na Vila Belmiro. A vitória manteve o time no segundo lugar isolado do Brasileiro, com 28 pontos, quatro a menos do que o líder Corinthians.

No próximo domingo, as duas equipes se enfrentam no estádio do Pacaembu, em São Paulo.

A derrota aprofundou a crise do Flamengo, que caiu para 18º lugar (14 pontos) e voltou à zona de rebaixamento do Brasileiro.

O atacante Viola fez três gols e, com 11 gols no torneio, se igualou na liderança da artilharia ao meia Marcelinho, do Corinthians.

Os outros dois destaques da partida foram o meia Eduardo Marques, autor de um gol olímpico, e o lateral Athirson, principal articulador, pelo lado esquerdo, das jogadas ofensivas do Santos.

O jogo começou nervoso, com lances ríspidos de ambos os lados.

O Santos tentava abrir o placar com chutes de fora da área, mas falhava na marcação de Romário. A defesa santista marcava à distância, dando espaço ao atacante.

Em uma dessas falhas, aos 10min, o atacante recebeu um cruzamento de Rodrigo, da direita. Argel e Ânderson não subiram e Romário, sozinho, completou de cabeça para o gol.

O Santos conseguiu o empate aos 20min. Athirson recebeu lançamento de Narciso, avançou pela esquerda e cruzou. Clêmer não conseguiu segurar a bola, que sobrou para Viola. O atacante completou com um chute forte.

Após o gol, o Santos passou a dominar, explorando principalmente as falhas de marcação do lado direito da defesa do Flamengo.

A melhor chance da equipe santista para ampliar o placar aconteceu aos 45min. Lúcio recebeu livre na grande área, com um drible curto tirou o zagueiro do lance e tocou no canto direito de Clêmer. A bola passou perto da trave.

O Flamengo respondeu aos 46min, com o meia Beto, que avançou sozinho pela esquerda e cruzou para Romário. Zetti, porém, saiu bem e interceptou a jogada.

No intervalo, o técnico Leão trocou Alessandro por Adiel, no ataque, dando mais movimentação ao setor ofensivo do Santos.

Aos 9min, o Santos fez o segundo gol. Eduardo Marques cobrou escanteio, a bola veio rasante, passou por toda a defesa e tocou no chão antes de entrar no gol.

Animado pela torcida, o Santos passou a pressionar o adversário em busca do terceiro gol, que aconteceu aos 38min, em cobrança de pênalti por Viola. O goleiro Clêmer havia derrubado Eduardo Marques dentro da área.

Romário perdeu dois gols no segundo tempo, aos 20min e aos 40min, ao receber livre bolas dentro da área. Nas duas vezes, ele chutou para boas defesas de Zetti.

A goleada se confirmou aos 46min, em jogada de Athirson, que escapou pela esquerda e tocou para o volante Narciso. Ele cruzou para a área, onde Viola completou de cabeça no canto esquerdo do goleiro Clêmer.

Recuperado, Athirson não quer mais sair

O lateral-esquerdo Athirson disse ter feito ontem contra seu ex-clube, o Flamengo, a melhor partida desde que chegou ao Santos em março, junto com Lúcio, ambos trocados por empréstimo por Marcos Assunção e Caio.

“Aos poucos, estou voltando à minha melhor forma.” Ele diz esperar que, no final do ano, quando o prazo do empréstimo se encerrar, possa permanecer no Santos.

O zagueiro Argel está fora do clássico contra o Corinthians porque levou o terceiro cartão amarelo, ao protagonizar um incidente com Romário no início da partida.

“Eu dei uma cutucada nele por baixo, ele acertou minha cara e veio para cima, xingando”, disse.

Amanhã, o Santos viaja a São Luís (MA), onde na quinta pega o Sampaio Correa, pela semifinal da Conmebol. No jogo de ida, houve empate em 0 a 0.

Evaristo Macedo culpa juiz por derrota

O ambiente entre os jogadores do Flamengo no vestiário após o jogo era de total abatimento. O atacante Romário deixou a Vila Belmiro sem dar declarações.

O meia Rodrigo, sentado isolado em um canto, afirmou que a equipe levou “dois gols bobos”. “Aí, tivemos de sair para o jogo e começamos a levar contra-ataques”.

O técnico Evaristo Macedo responsabilizou o árbitro Sidrack Marinho pelo que chamou de “desequilíbrio” da partida, ao não marcar uma suposta falta sobre Marcos Assunção, no contra-ataque que originou o terceiro gol do Santos. “O erro dele proporcionou um desequilíbrio ao jogo quando estava 2 a 1.”

Ele também afirmou que o goleiro Clêmer falhou ao soltar a bola na pequena área no lance do primeiro gol santista.



Santos tenta repetir na Vila o desempenho como visitante (Em 20/09/1998)

O Santos busca no jogo de hoje contra o Flamengo, às 17h, confirmar na Vila Belmiro o desempenho que vem obtendo fora de casa no Campeonato Brasileiro.

Em 12 jogos na competição, os santistas disputaram seis em casa, seis fora e somaram 25 pontos, o que deu ao time a condição de vice-líder do torneio.

Na Vila Belmiro, porém, a performance não é a mesma de anos anteriores, quando o estádio, apelidado de “alçapão”, provocava temor nos adversários e tornava o Santos quase imbatível em casa.

Neste Brasileiro, o time conquistou na Vila 66,66% dos pontos disputados (três vitórias e três empates). Em gramados adversários, o aproveitamento foi superior (72,22%, com quatro vitórias, um empate e uma derrota).

Na primeira fase do Brasileiro-97, sob o comando de Wanderley Luxemburgo, o desempenho na Vila foi arrasador (87,17% de aproveitamento, com 11 vitórias, uma derrota e um empate), e, fora de casa, medíocre (19,44%, com sete derrotas, uma vitória e quatro empates).

Nas demais competições disputadas pelo Santos neste ano, o time ainda amargou alguns fracassos em casa, como a derrota para o São Paulo (no Paulista) e os empates com o Vila Nova-MG (na Copa do Brasil) e Sampaio Correia (na Conmebol).

Para o técnico Emerson Leão, a dificuldade de impor uma maior supremacia na Vila Belmiro é decorrente de uma conjunção de três fatores -a retranca dos adversários, as falhas do Santos e os erros dos árbitros.

Leão afirma que o “respeito” ao Santos na Vila leva os adversários a jogarem recuados, obrigando o time a sair para o jogo e fazer o resultado, o que deixa a defesa santista exposta.

O jogo que melhor ilustra essa tese é o empate em 4 a 4 com o Atlético-MG, em que o Santos chegou a estar perdendo por 4 a 1. “Quem arrisca mais, também está sujeito a morrer mais cedo”, diz o treinador.

Aos árbitros, o técnico atribui a responsabilidade por não marcarem pênaltis e impedimentos e anularem gols nas partidas em que o time empatou em casa no Brasileiro e na Conmebol. “É uma enorme quantidade de erros contra nós”, reclama.

Para superar esses fatores, Leão propõe paciência, traduzida numa frase que insistentemente diz repetir aos jogadores: “Não tenham pressa de vencer.”

Mesmo em um caso como o de hoje, em que o visitante é um dos chamados “grandes” do futebol brasileiro, Leão desconfia de uma eventual proposta de jogo ofensivo do adversário, o que, segundo ele, facilitaria o futebol do Santos.

Time

No time escalado para a partida de hoje, a principal novidade é a manutenção do meia Eduardo Marques como “coordenador” do meio-campo, papel normalmente exercido pelo capitão Jorginho, afastado devido a uma lesão muscular.

Na frente, Alessandro será o companheiro de Viola.

Já a defesa deverá ter o volante Claudiomiro, improvisado no setor, formando dupla com o zagueiro Argel.