Santos 4 x 1 Cruzeiro

Data: 18/09/1994, domingo
Competição: Campeonato Brasileiro – Grupo C – 9ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 8.441 pagantes
Renda: R$ 43.476,00
Árbitro: Luis Cunha Martins (RS)
Cartões amarelos: Dinho, Gallo e Ranielli (S); Cleison e Arley (C).
Gols: Ranielli (26-1), Macedo (43-1); Cleison (50s-2), Macedo (23-2) e Guga (26-2, de pênalti).

SANTOS
Edinho, Índio, Júnior, Marcelo Fernandes e Silva; Dinho, Gallo, Ranielli e Paulinho Kobayashi (Carlinhos); Guga e Macedo (Serginho Fraldinha).
Técnico: Serginho Chulapa.

CRUZEIRO
Dida; Arley, Célio Lúcio, Luisinho e Nonato; Lelei, Ademir, Jean Carlo (Sorato) e Roberto Gaúcho; Macalé (Mário Tilico) e Cleison.
Técnico: Palhinha



Goleada dá chance de ponto extra ao Santos

O Santos manteve a sua invencibilidade de um ano na Vila Belmiro ao ganhar do Cruzeiro ontem por 4 a 1. Com o resultado, a equipe do técnico Serginho mantém a esperança de conseguir a liderança do Grupo C.

O último jogo do Santos na primeira fase é no próximo domingo, contra o Remo, em Belém. Para terminar líder do seu grupo, o time precisa vencer e torcer para o Guarani não ganhar do Cruzeiro, no Mineirão.

“O objetivo hoje foi cumprido. Continuamos no páreo pelo ponto extra na próxima fase e contribuímos para que a crise na diretoria fique sempre longe do time”, disse Serginho. No primeiro tempo, o Cruzeiro –que teve a estréia do ex-jogador Palhinha como técnico– começou melhor.

A equipe mineira teve duas chances desperdiçadas, primeiro por Roberto Carlos e depois por Macalé.

O meio-campo do Santos, com Ranielli substituindo Neto –suspenso– começou a se acertar aos 14min, com o atacante Macedo perdendo a primeira chance de gol da equipe.

Aos 25min, Macedo cruzou e o meia Ranielli, dentro da área adversária, marcou o primeiro gol do Santos.

Com a vantagem, o time santista recuou e começou a explorar os contra-ataques.

Aos 43min, o centroavante Guga lançou Macedo, que driblou o goleiro Dida e tocou para marcar o segundo gol santista.

No segundo tempo, o Cruzeiro voltou assustando, com um gol aos 50s, marcado pelo meia Cleisson. O Santos não se abalou e, nos contra-ataques, marcou o terceiro gol aos 22min, o segundo de Macedo.

Dois minutos depois, o meia Paulinho Kobayashi sofreu pênalti. Guga cobrou e fez o quarto gol do Santos, sem chance de defesa para Dida.

O meia Ranielli –substituto de Neto e destaque do jogo– disse que a boa atuação pode significar a sua continuação como titular. “Sei que quem vai decidir isso é o Serginho, mas procurei fazer de tudo hoje para continuar no time”, afirmou. Após o jogo, Serginho disse que não tem como escalar Ranielli e Neto juntos.

“Taticamente, dentro do esquema que eu venho tentando implantar, não há espaço para os dois. Mas é muito bom ter esse tipo de problema. O pior seria não ter quem escalar”, afirmou Serginho.

O técnico Palhinha, do Cruzeiro, classificou a derrota como humilhante. “O time não apresentou um pingo de objetividade. Desse jeito, será difícil reverter essa má fase a curto prazo”, afirmou.

Clima entre diretores é tenso

Nem a goleada contra o Cruzeiro diminuiu a tensão entre a diretoria do Santos, os conselheiros do clube e ex-presidentes.

O ex-presidente do Santos entre 90 e 91, Antonio Aguiar, disse que o atual ocupante do cargo, Miguel Kodja, “irá levar o Santos à ruína caso continue na direção do clube”.

Para Marcelo Teixeira, que ocupou a presidência em 92 e 93, “existem dúvidas sérias que Kodja precisa urgentemente esclarecer”.

O atual presidente não quis responder às afirmações feitas por Aguiar e Teixeira. “Eu assumi o clube quando ninguém queria. Agora que não venham perturbar. Eu não tenho telhado de vidro. Acho melhor pararem com essas futricas”, disse.

Segundo Kodja, “todos terão uma grande surpresa” quando ele “provar que as contas do clube estão em ordem”.

Kodja disse que a diretoria não apresentou os balanços dos meses de abril, maio e junho “devido à ausência do diretor de finanças, Luís Mogo” –ele sofreu um infarto no final de abril.

O clima tenso entre membros da diretoria e conselheiros provocou antes do início do jogo uma discussão entre o ex-diretor de futebol Clodoaldo Tavares Santana e o conselheiro Roberto Diz Torres. Torres acusou Clodoaldo de ter aproveitado o cargo para alugar imóveis para jogadores do Santos. Clodoaldo possui uma imobiliária em Santos.

“Já tinha ouvido essa história. Aproveitei para dizer para ele que, para falar mal de mim, precisa ter muita moral”, afirmou.

O presidente do Conselho Deliberativo do Santos, Edmon Atik, marcou para o próximo dia 27 a reunião do Conselho que deverá analisar os possíveis problemas administrativos do clube.