Santos 2 x 1 Corinthians

Data 29/11/1998, domingo, 18h30.
Competição: Campeonato Brasileiro – Semifinais – 1º jogo de 3
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público e renda: não divulgados
Árbitro: Sidrack Marinho (SE)
Cartões amarelos: Claudiomiro e Narciso (S).
Gols: Gamarra (01-1), Robson Luís (33-1) e Viola (36-2).

SANTOS
Zetti; Baiano, Argel, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazílio (Élder), Narciso, Eduardo Marques (Jorginho) e Róbson Luís; Alessandro (Messias) e Viola.
Técnico: Émerson Leão

CORINTHIANS
Nei; Índio, Gamarra, Batata e Silvinho; Gilmar, Vampeta, Rincón e Marcelinho Carioca; Edílson (Amaral) e Didi (Dinei).
Técnico: Vanderlei Luxemburgo



De virada, Santos derrota Corinthians

Mais ofensiva desde o início, equipe de Leão aproveita falha de Nei, faz 2 a 1 e assume vantagem nas semifinais

O Santos obteve ontem importante vitória contra o Corinthians, por 2 a 1, na Vila Belmiro, assumindo vantagem em relação ao time de Luxemburgo nas semifinais do Brasileiro. Obtido de virada, o resultado deixa os santistas a uma vitória ou dois empates da decisão.

O segundo jogo será no próximo fim-de-semana, em São Paulo, no estádio do Pacaembu. Para jogar pelo empate na terceira partida, o Corinthians terá de vencer domingo que vem. Se perder, não haverá o terceiro confronto entre eles.

Ontem, na Vila, os santistas foram mais ofensivos do que os corintianos, que entraram em campo dispostos a empatar.

Com três atacantes na maior parte do jogo, a equipe dirigida por Leão dava espaços para os contra-ataques do Corinthians, mas o time de Luxemburgo não soube explorá-los com eficiência, já que seu meio-campo -principalmente Vampeta e Rincón- foi apático.

Logo a 1min de jogo, o Corinthians surpreendeu os santistas, abrindo a contagem com Gamarra, de cabeça, aproveitando cobrança de escanteio de Marcelinho.

Com a desvantagem no marcador, os santistas lançaram-se ao ataque, criando as melhores chances de gol. Aos 5min, por exemplo, Alessandro passou para Eduardo Marques, que chutou com perigo. Nei espalmou para escanteio.

Aos 25min, foi a vez de Róbson Luís desperdiçar boa chance e, no minuto seguinte, quem chutou para fora foi o atacante Viola.

O empate santista aconteceu aos 34min, quando Róbson Luís, aproveitando falha de marcação da defesa corintiana -em especial do zagueiro Gamarra-, chutou, ainda de fora da área, e anotou o gol.

Depois do empate, o Corinthians passou a explorar mais os contra-ataques, desperdiçando grande chance com o lateral Silvinho, que chutou no travessão.

No intervalo, Emerson Leão, que, como de costume, reclamou muito da arbitragem no primeiro tempo, pediu para que Athirson voltasse mais rapidamente para a defesa, não dando tanto espaço a Marcelinho.

Para o segundo tempo, as duas equipes modificaram seus ataques. O Santos colocou Messias em lugar de Alessandro, e o Corinthians, Dinei no de Didi, tentando ganhar maior movimentação ofensiva.

Em vez de o jogo melhorar, no entanto, piorou. Enquanto o Corinthians continuava com dificuldades para contra-atacar, parando na marcação santista, o time de Leão ia ao ataque, mas criava poucas jogadas de perigo.

Numa delas, Viola empurrou a bola com as mãos, tentando fazer o gol e enganar o juiz. Mas Sidrack Marinho não lhe deu amarelo, que seria o terceiro e o deixaria de fora do próximo jogo.

A melhor chance do Corinthians aconteceu em cobrança de falta de Marcelinho, aos 23min, que Zetti defendeu com dificuldades.

Aos 36min, numa falha de Nei, que rebateu mal cobrança de escanteio, Argel cabeceou, e Viola, também de cabeça, virou para o Santos.

Com a vantagem no marcador, o Santos apenas administrou o resultado, deixando o tempo passar e esperando o apito final de Sidrack Marinho.

Luxemburgo é alvo de chuva de moedas na Vila

Uma estratégia adotada ontem na Vila Belmiro serviu para amenizar a hostilidade dos santistas ao técnico Vanderlei Luxemburgo, ex-treinador do clube.

Mesmo assim, ele foi alvo de uma chuva de moedas ao entrar em campo. Em coro, os torcedores o chamavam de mercenário.

Por determinação da diretoria do Santos e da Polícia Militar da Baixada Santista, o trecho da arquibancada inferior atrás do banco de reservas corintiano ficou destinado aos torcedores do time do Parque São Jorge, evitando um contato direto com os santistas.

Os corintianos ficaram instalados em um trecho que somava cerca de 5.000 lugares, ocupando também parte das arquibancadas inferiores, além das arquibancadas e das cadeiras especiais situadas atrás do gol de fundo.

“Minha integridade física está em jogo. Tenho família. Minhas filhas estão em casa preocupadas comigo. Fui agredido”, disse Luxemburgo irritado, protestando contra o incentivo à violência “por parte de pessoas que deveriam ter mais responsabilidade”.

O técnico disse que ainda é amigo dos diretores do Santos, que tiveram a idéia de dividir os espaços para evitar maiores constrangimentos a Luxemburgo.

“Jogar moedas é uma maneira que o torcedor tem de se expressar. Não sei se é correto, mas é uma forma de se expressar”, disse o jogador santista Jorginho.

A PM se surpreendeu com a torcida corintiana na revista feita em 15 ônibus na via Anchieta.

“Foi um fato atípico. Revistamos minuciosamente os ônibus e não encontramos nada que pudesse causar danos”, afirmou o subtenente Andrezza, que coordenou a operação.

Os PMs foram orientados a permitir a entrada no estádio da Vila Belmiro de torcedores vestindo camisa de torcidas organizadas. “Podem entrar com qualquer camisa, mas com faixas não”, disse.