Corinthians 0 x 3 Santos

Data: 05/10/2006, quinta-feira, 20h30.
Competição: Campeonato Brasileiro – 27ª rodada
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 21.143
Renda: R$ 342.650,00
Árbitro : Wilson Luiz Seneme (Fifa-SP)
Auxiliares: Ednilson Corona e Ana Paula da Silva Oliveira (ambos Fifa-SP)
Cartões amarelos: Magrão, Marquinhos, Marcus Vinícius e Marcelo Mattos (C); Wellington Paulista, Ronaldo, Zé Roberto, Maldonado, Leandro e Kléber (S).
Cartões vermelhos: Magrão (C); Zé Roberto (S).
Gols: Kléber (40-1); Leandro (34-2) e Zé Roberto (35-2).

CORINTHIANS
Marcelo; Marinho, Marquinhos (Ramon) e Marcus Vinícius; Rosinei, Renato (Rafael Moura), Marcelo Mattos, Roger, Magrão e César; Amoroso.
Técnico: Emerson Leão

SANTOS
Fábio Costa (Felipe); Denis, Ronaldo, Luiz Alberto e Kléber; Maldonado, Cleber Santana, André Luiz (Rodrigo Tabata) e Zé Roberto; Rodrigo Tiuí e Wellington Paulista (Leandro).
Técnico: Wanderley Luxemburgo



Santos confirma supremacia, vence Corinthians e mantém metas

O Corinthians bem que tentou, mas o Santos foi mais eficiente. Com um futebol competitivo e excelente aproveitamento das oportunidades criadas, a equipe da Vila Belmiro superou o rival da capital por 3 a 0 nesta quinta-feira, no Pacaembu. Com isso, confirmou seu histórico positivo em clássicos nesta temporada e se manteve na briga por uma vaga na Copa Libertadores do ano que vem e até pelo título do Campeonato Brasileiro de 2006.

“Vencer um clássico é sempre importante. Isso nos dá mais moral para a seqüência do Campeonato Brasileiro e mostra que o Santos tem condições de enfrentar qualquer equipe de igual para igual. Hoje [quinta-feira] nós fomos inteligentes, chegamos ao ataque na hora certa e matamos o jogo quando tivemos as chances”, comemorou o centroavante Leandro, que substituiu Wellington Paulista no intervalo e marcou o segundo gol dos visitantes.

A vitória desta quinta – a sétima em oito clássicos nesta temporada – mantém as chances de o Santos conquistar o título do Campeonato Brasileiro. A equipe da Vila Belmiro chegou a 46 pontos e ascendeu à terceira posição da tabela, a sete pontos do líder São Paulo e a dois do segundo colocado Grêmio. “Estamos vivos. Ainda tem muita coisa pela frente até o fim do ano e nós temos plenas condições de chegar ao título. O resultado contra o Corinthians mostrou isso”, disse o lateral-esquerdo Kléber.

Além de ter mantido suas chances de conquistar o Campeonato Brasileiro e de ter confirmado seu histórico positivo em clássicos desta temporada, o Santos conseguiu apagar um trauma nesta quinta-feira. No ano passado, na última vez em que havia enfrentado o Corinthians no Pacaembu, a equipe da Vila Belmiro (então dirigida por Nelsinho Baptista) foi goleada por sonoros 7 a 1.

O desempenho acima da média do ataque corintiano naquela partida, porém, é coisa do passado. Nesta quinta-feira, apesar de ter sido superior em grande parte do clássico, o time da casa não conseguiu marcar diante do Santos e confirmou a condição de pior ataque do Campeonato Brasileiro (com apenas 25 gols marcados em 27 partidas). “Perdemos gols demais, principalmente no primeiro tempo. Eu mesmo tive uma chance clara. Esse é o tipo de detalhe que faz diferença em um clássico”, lamentou o meio-campista Rosinei.

Com o ataque em queda (não marca mais de uma vez num mesmo jogo do Brasileiro desde o triunfo por 2 a 1 sobre o Fluminense no dia 16 de agosto, na estréia de Emerson Leão), o Corinthians voltou a ser assombrado pelo rebaixamento à segunda divisão. A equipe do Parque São Jorge estacionou nos 32 pontos e está na 16ª posição da tabela, a última entre os que não estão na zona de risco.

O retorno à briga contra o rebaixamento significa uma grande frustração para as pretensões do treinador Emerson Leão, que sofreu sua segunda derrota à frente do Corinthians (ambas no Pacaembu). Quando foi contratado, o comandante alvinegro fez planos para uma ascensão rápida e para brigar até por uma vaga na Copa Libertadores de 2007.

Na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, Corinthians e Santos entrarão em campo neste domingo. O time do Parque São Jorge jogará mais cedo, às 16h, contra o Goiás (no Serra Dourada). Depois, às 18h10, a equipe do litoral receberá o Grêmio na Vila Belmiro.

O jogo

Insatisfeito com a produção ofensiva do Corinthians nas últimas partidas, o técnico Emerson Leão apostou em uma alteração inusitada. O comandante alvinegro escalou sua equipe com três zagueiros e Amoroso isolado na frente. “Mas não é por causa disso que vamos ser menos agudos. A idéia é atacar o Santos desde o começo, com chegada constante dos homens de trás”, disse o volante Magrão antes do início do clássico desta quinta.

Em campo, o Corinthians justificou as palavras de Magrão e foi mais incisivo que o Santos desde o início do jogo. Com muita movimentação no meio-campo, a equipe do Parque São Jorge conseguiu acuar os visitantes no Pacaembu. O problema é que, na hora de concluir, os mandantes sentiram falta de um homem com mais presença de área.

Foi isso que aconteceu aos 13min e aos 18min, em dois lances iniciados por Amoroso. Em ambos, o camisa 10 saiu da área, levou um zagueiro com ele e lançou no meio para Rosinei. O volante conduziu com liberdade, mas errou a conclusão (no primeiro Felipe fez grande defesa; no outro, o meio-campista bateu à esquerda da meta).

Com o Corinthians melhor, o Santos foi mais eficiente. Aos 40min, Kléber aproveitou uma falta cometida por Marcelo Mattos em Dênis na meia direita e colocou a bola no ângulo esquerdo de Marcelo, que nada pôde fazer. “Eles começaram criando mais, mas nós conseguimos tranqüilizar o jogo e mostramos experiência. Depois, abrimos o placar e mudamos totalmente o panorama da partida”, analisou o zagueiro santista Luiz Alberto.

Realmente, o gol do Santos desmoronou a estrutura armada pelo Corinthians. A equipe do Parque São Jorge havia planejado sua estratégia tática em constantes trocas de posições no meio-campo, mas passou a errar muitos passes e facilitou o trabalho da marcação do time do litoral. A evolução dos visitantes também foi motivada por uma alteração tática do técnico Vanderlei Luxemburgo, que deu mais liberdade a Cléber Santana pela direita e abriu Zé Roberto pela esquerda.

Aos poucos, porém, o Corinthians conseguiu recuperar o controle do jogo. O técnico Emerson Leão abandonou o esquema 3-6-1 e voltou ao tradicional 4-4-2, com Ramón e Rafael Moura nos lugares de Marquinhos e Renato (respectivamente). A mudança tática dos donos da casa foi seguida por um recuo excessivo do Santos, que se fechou no campo de defesa.

Com mais posse de bola e diante de um adversário fechado, porém, o Corinthians encontrou muita dificuldade para criar. A equipe alvinegra trocou passes lateralmente, mas não conseguiu criar oportunidades contundentes. Na melhor delas, aos 27min, Magrão recebeu um cruzamento da esquerda, completamente livre, mas deixou a bola escapar ao tentar dominar no peito e foi travado na hora de concluir.

Assim como havia feito no primeiro tempo, porém, o Santos foi mais eficiente que o Corinthians em um momento de pressão dos donos da casa. Kléber lançou Zé Roberto na esquerda e o camisa 10 cruzou rasteiro para Leandro bater de primeira, no canto direito baixo do goleiro Marcelo.

Com o gol, o Corinthians não apenas esmoreceu, mas se desestabilizou. O time da casa se perdeu totalmente na marcação e deu espaço para Zé Roberto selar a vitória dos visitantes aos 35min. O camisa 10 recebeu passe de Rodrigo Tabata no meio, entre os zagueiros da equipe mandante, e tocou na saída de Marcelo para definir o placar.

“O Corinthians ficou perdido depois dos nossos gols, que aconteceram muito rápido. Sinceramente, não deu para entender o que aconteceu. Parece que eles perderam a cabeça e resolveram trocar o jogo por agressões”, comentou o atacante santista Leandro sobre o fim da partida.

O novo Cavalieri?

A participação do goleiro Fábio Costa no clássico desta quinta-feira durou apenas seis minutos. O camisa 1 do Santos tentou cortar um cruzamento de Roger em uma falta cobrada da meia-direita do Corinthians, se chocou no ar com o companheiro Cléber Santana e sofreu uma lesão nos ligamentos do ombro ao cair.

Sem condições de continuar em campo, Fábio Costa abriu caminho para a entrada do goleiro Felipe, de apenas 18 anos, que fez seu terceiro jogo como profissional no Santos. “Fico muito feliz por ter conseguido ajudar meus companheiros e ainda mais feliz por saber que eu fui elogiado”, comemorou o suplente da meta do time da baixada, que foi apontado como um dos grandes destaques do clássico.

Com a boa apresentação, Felipe lembrou muito a trajetória de outro goleiro de um time paulista. No dia 16 de julho deste ano, no clássico contra o Corinthians, o palmeirense Marcos sofreu uma lesão logo aos 2min de jogo e foi substituído por Diego Cavalieri, que assumiu a meta da equipe alviverde e foi um dos destaques.

Aproveitando a ausência de Marcos, Diego Cavalieri tem sido titular do Palmeiras até agora. O antigo titular já voltou a treinar, mas ainda não recuperou a condição de titular no time paulista.