Santos 2 x 1 Flamengo

Data: 04/02/1997, terça-feira, 21h30.
Competição: Torneio Rio São Paulo – Final – Jogo de ida
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 24.236
Renda: R$ 296.016,00
Árbitro: Cláudio Vinícius Cerdeira (RJ).
Cartões amarelos: Robert, Marcos Assunção e Anderson (S); Fabiano (F).
Gols: Alessandro (06-1) e Macedo (29-1); Marcelo Ribeiro (40-2).

SANTOS
Zetti, Anderson, Sandro, Ronaldão e Rogério Seves; Marcos Assunção, Vágner, Alexandre (Caíco) e Robert (Baiano); Macedo (Piá) e Alessandro.
Técnico: Wanderley Luxemburgo

FLAMENGO
Zé Carlos, Fábio Baiano, Júnior Baiano, Fabiano e Gilberto (Leonardo); Moacir (Marcelo Ribeiro), Bruno Quadros, Lúcio (Iranildo) e Nélio; Romário e Sávio.
Técnico: Júnior



Santos vence e agora tem vantagem

O Santos venceu ontem o Flamengo, por 2 a 1, e tornou “inútil” a discussão sobre o regulamento das finais do Rio-São Paulo. Como os cariocas fizeram melhor campanha nas fases anteriores (nove pontos contra cinco), se tivessem vencido teriam se sagrado campeões, independentemente do resultado do jogo de volta.

A partida que decidirá a competição está marcada para amanhã, no Rio de Janeiro. Para ser campeão, o Santos precisa de um empate. O Flamengo, da vitória. Antes do jogo se iniciar, o regulamento provocou muita polêmica. “Chegaram a nos oferecer dinheiro para o modificarmos, mas nós recusamos”, disse Michel Assef, dirigente do Flamengo.

Se tivesse vencido ontem, o Flamengo teria sido campeão. O clube chegou até a cogitar, caso isso ocorresse, disputar amistoso amanhã contra o Corinthians, cancelando o segundo jogo contra o Santos, para atrair mais público. A própria comissão técnica do time paulista admitiu que, se tivesse perdido ontem, optaria por colocar os reservas amanhã.

O jogo

Os principais destaques santistas na vitória de ontem foram o zagueiro Sandro, que fez boa marcação em Romário, e o meia Alexandre, que fez ótima primeiro tempo.

O Santos abriu o placar aos 6min do primeiro tempo, quando Macedo chutou, a bola desviou na zaga e sobrou para Alessandro, diante do goleiro Zé Carlos, fazer 1 a 0.

Em desvantagem, o Flamengo esboçou uma reação. Aos 16min, Sávio bateu, a bola desviou em Alexandre e foi para fora. Aos 18min, Romário teve sua primeira chance de gol, chutando, sem muita força, para defesa de Zetti.

Explorando a velocidade, porém, o Santos voltou a dominar a partida. Aos 29min, Alexandre fez bela jogada, tocou para Alessandro, que cruzou para Macedo, livre, ampliar o marcador.

No segundo tempo, o Flamengo dominou territorialmente a partida, mas demonstrou pouca criatividade. A principal preocupação do time era conseguir faltas.

Como o Santos terminou o jogo com 13 faltas, os cariocas não tiveram direito ao tiro livre direto, que ocorre após a 15ª infração.

O único gol do Flamengo, em falha do zagueiro Ronaldão, foi anotado por Marcelo Ribeiro, aos 38min do segundo tempo.

O meia Robert, suspenso, desfalca o Santos amanhã, no Rio de Janeiro.

Finalistas são contra regra

Os técnicos finalistas do Rio-São Paulo -Wanderley Luxemburgo, do Santos, e Júnior, do Flamengo- empatam nas críticas às regras inovadoras da competição. Os dois desaprovaram a penalização ao excesso de faltas, um tiro livre direto a partir da 15ª infração, mesmo se considerando beneficiados por elas.

Para Júnior, o futebol praticado no Rio-São Paulo se tornou um “jogo para moças, onde ninguém pode encostar em ninguém”.

Luxemburgo concorda. “A regra, que era para beneficiar o craque, acabou prejudicando o futebol. O craque, na verdade, está se jogando no corpo do adversário para cavar faltas. Isso também é antijogo “, disse.

Segundo o técnico, “existem outros modos de coibir a violência”. “Se os árbitros punissem as faltas com rigor, expulsassem os jogadores violentos sem fazer média, não haveria necessidade de limitar as infrações”, disse o técnico do Santos.

Federação
O presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, porém, continua defendendo as penalizações ao excesso de faltas.

“As novas regras melhoraram os jogos, mas, na minha opinião, são boas para torneios curtos, não para campeonatos longos, como o Paulista”, disse. “Assim mesmo, irei enviar um relatório à Fifa, ressaltando os benefícios técnicos que as alterações provocaram no jogo em si.”

Segundo Farah, que “aboliu” a barreira para o Paulista deste ano, a entidade deve testar outras inovações nos próximos anos.