Vídeos: (1) Reportagem especial do Globo Esporte, “A última dança” e (2) Fantástico.

Santos 2 x 3 Santo André

Data: 02/05/2010, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista – Final – Jogo de volta
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 35.001 pagantes
Renda: R$ 2.349.455,00
Árbitro: Sálvio Spinola Fagundes (SP)
Auxiliares: Maria Eliza Barbosa e Daniel Paulo Ziolli
Cartões amarelos: Júlio Cesar, Rodriguinho, Carlinhos, Cicinho, Ale, Rômulo e Halisson (SA); Pará, Neymar e Paulo Henrique Ganso e Edu Dracena (S).
Cartão vermelho: Nunes (S); Léo, Marquinhos e Roberto Brum (S).
Gols: Nunes (30s-1), Neymar (07-1), Neymar (32-1), Alê (20-1) e Branquinho (44-1).

SANTOS
Felipe; Pará, Edu Dracena, Durval e Léo; Rodrigo Mancha, Arouca, Marquinhos e Paulo Henrique; Neymar (Roberto Brum) e Robinho (André) (Bruno Aguiar).
Técnico: Dorival Júnior

SANTO ANDRÉ
Júlio César; Cicinho (Rômulo), Cesinha, Halisson e Carlinhos; Ale (Edson Pio), Gil, Branquinho (Rodrigão) e Bruno César; Rodriguinho e Nunes.
Técnico: Sérgio Soares.



Com 8, Santos segura ‘derrota válida’ contra o Santo André e fatura título

Alvinegro chega ao seu 18º título do Campeonato Paulista

O Santos entrou em campo neste domingo, no Pacaembu, podendo perder por até um gol para ser campeão. Mas em vez de um novo show dos Meninos da Vila, o que se viu foi um Santo André altamente eficiente, uma decisão dramática e um Santos esfacelado após três expulsões. O regulamento do Paulista foi decisivo. Mesmo derrotado por 3 a 2, o time da Baixada conquistou seu 18° título estadual.

O duelo no Pacaembu teve altas doses de tensão, com direito a bola na trave de Rodriguinho nos minutos finais, tento que poderia dar o título ao Santo André. O Santos terminou a partida com apenas oito jogadores em campo. O Santo André perdeu um.

Os 45 min iniciais da decisão enterraram quaisquer projeções de um duelo teoricamente tranquilo para o Santos, que havia vencido o primeiro jogo da final por 3 a 2, no mesmo estádio.

Um breve resumo explica melhor o “pegado” primeiro tempo: cinco gols (três do Santo André e dois do Santos), um gol anulado, bola na trave, três expulsões, seis amarelos e muita reclamação.

Não houve tempo para o Santos respirar no começo do jogo. A torcida alvinegra ainda exaltava o ídolo Giovanni quando o Santo André abriu o marcador, com apenas 30 segundos de jogo. Cicinho foi acionado no ataque, driblou Felipe e chutou ao gol. Nunes encostou na bola antes de cruzar a linha.

O gol do time do ABC assustou os santistas. Pela esquerda, o time da Vila tratou de ameaçar o rival. O empate não tardou.

Recuperado de um ferimento no olho direito, Neymar justificou o clamor da torcida santista e de outras equipes, que pede sua convocação à Copa do Mundo.

Aos 7 min do primeiro tempo, o camisa 11 do Santos marcou um gol antológico. Neymar recebeu passe de Robinho, invadiu a área, driblou o goleiro Julio César e mais um marcador antes de finalizar.

A necessidade de vencer por boa margem de gols impulsionou o Santo André, que envolvia a defesa santista com Rodriguinho e Nunes. O goleiro Felipe passava apuros. Uma bola na trave em sua meta e um gol anulado do Santo André pela arbitragem aumentaram o nervosismo da partida.

A pressão andreense fez efeito. Em cobrança de escanteio, Alê cabeceou, recolocando o time do ABC à frente, 2 a 1.

A decisão, que já estava tensa, sofreu nova faísca pouco após o segundo gol do Santo André. Nunes e Léo se desentenderam na lateral. Sálvio Spinola expulsou os dois jogadores.

O Santos apresentava melhor qualidade técnica; o Santo André respondia com impressionante organização e aplicação em campo.

Do pé de outro queridinho da torcida nacional, Paulo Henrique Ganso, a equipe alvinegra chegou ao 2 a 2. Ganso, na verdade, “lapidou” o segundo gol de Neymar na partida, dando o passe de letra para o camisa 11 marcar.

Aos 37 min, o Santos ficou com nove em campo. Marquinhos cometeu falta violenta no meio-campo, sendo expulso.

O Santo André foi premiado no final da primeira etapa. Bruno César novamente pôs o time do ABC à frente. Sálvio Spínola encerrou a agitada primeira etapa aos 47 min.

O segundo tempo começou no mesmo ritmo alucinante da etapa anterior. Rodriguinho driblou Felipe e chutou. Arouca salvou em cima da linha.

Inferior numericamente em campo, o Santos passou a priorizar a defesa, ameaçando esporadicamente o rival no ataque. Robinho atuava ora como atacante ora como lateral direito, impedindo o avanço de Carlinhos. Já o Santo André tinha maior controle de jogo, explorando a velocidade de Rodriguinho.

Dorival trocou Robinho pelo atacante André durante a segunda etapa. Com a mudança, Neymar passou a ficar mais próximo da linha do meio-campo.

A estratégia de segurar o resultado ficou evidente pouco depois da saída de Robinho. Neymar deu lugar a Roberto Brum. O volante, porém, não durou muito em campo. Ele foi expulso após carrinho no meio-campo. Imediatamente depois da perda de Brum, Dorival sacou André para a entrada do zagueiro Bruno Aguiar.

Ganso segurava a bola no ataque. O Santo André, por sua vez, ameaçava se aventurou no ataque. O time do ABC por pouco não alcançou os 4 a 2 de que precisava. Nos minutos finais, Rodriguinho acertou a trave, última chance de o Santo André no jogo.

Santos vê vitória do futebol-arte em conquista dramática sobre o Santo André

O Santos entende que não apenas o clube celebrou o título estadual obtido sobre o Santo André, neste domingo, no Pacaembu. O futebol-arte “comemorou” a conquista alvinegra, discursou o técnico Dorival Junior e o atacante André, que classificaram como injustiça caso o time do ABC levasse a taça.

“Seria uma grande injustiça se o Santos não fosse o campeão, mesmo com a belas apresentações do Santo André nos dois jogos. Se o Santos não erguesse o título de campeão seria um desrespeito para o futebol. Me desculpe, mas não é nenhum desabafo, mas uma constatação”, comentou Dorival Júnior.

Expoentes da nova geração de Meninos da Vila, Neymar e Paulo Henrique Ganso brilharam no Paulista. Suas atuações renderam cobranças ao técnico Dunga, que jamais os convocou para a seleção brasileira.

Repatriado durante o torneio, Robinho afirmou ter “jogado em prol do grupo”, dispensando pedaladas.

Em 23 jogos disputados no Estadual, o Santos marcou 72 gols, mais de 3 gols de média. Neymar foi o artilheiro do clube na competição, com 14 gols, dois deles anotados neste domingo. Ganso marcou 11 vezes.

“Com todo respeito ao Santo André, esse título tinha que ser nosso. Por tudo que fizemos no campeonato, seria um pecado se o título não fosse nosso. É mais do que merecido. Tinha que ser desse jeito e deu tudo certo”, disse o atacante André, vice-artilheiro do Santos no Paulistão, com 13 gols.

Derrotado neste domingo por 3 a 2, o Santos havia vencido a equipe do ABC no primeiro jogo da decisão, por 3 a 2. Neste “empate” de resultados, o time da Vila levou a melhor e ficou com o título, pois somou mais pontos até as finais do torneio.

Ganso se recusa a sair nos minutos finais e ‘resolve’ o jogo para o Santos

Paulo Henrique Ganso comandou o Santos na decisão do Campeonato Paulista contra o Santo André, neste domingo, no Pacaembu. O meia trabalhou com a posse de bola em boa parte do segundo tempo, e com moral, se negou até a ser substituído nos minutos finais.

Logo após a expulsão de Roberto Brum, o alvinegro ficou com oito homens em campo – Léo e Marquinhos já haviam recebido o cartão vermelho -, Dorival Júnior sinalizou a entrada de Bruno Aguiar no lugar de Ganso. No entanto, o meia recusou-se a sair. Sem imposição, Dorival trocou o substituto e sacou André.

“Chamei a responsabilidade, pois senti que deveria fazer isso. Com a camisa 10 da equipe tenho que ter essa postura. Não quis sair e fui premiado com o título”, disse Ganso, que atuou com a camisa 17 na final, já que Giovanni foi relacionado com a 10 como forma de homenagem do clube.

“Conversamos e ele (Ganso) disse que estava desgastado, arrebentado. Pensei em fazer uma alteração para dar mais sustentação ao time. Foi uma iniciativa dele (a de ficar) e isso deve ser valorizado, não é menosprezo nem desrespeito. Foi uma decisão de um atleta que resolveu o jogo para nós”, comentou Dorival.

No jogo decisivo, Ganso teve atuação de gala. Além de comandar o time nos 45 minutos finais, o meia deu um passe de letra para Neymar marcar o segundo gol do time. O jogador foi um dos mais festejados após o encerramento da partida. Antes de pensar em sacar o meia, Dorival já havia tirado Robinho e Neymar de campo.

O Santo André venceu o jogo por 3 a 2, porém, o Santos ficou com o título. Isso porque a equipe tinha a vantagem da igualdade no marcador após a somatória dos dois confrontos. O placar agregado foi 5 a 5.

Neymar chora com 1º título e se consagra como artilheiro do time sensação

Neymar não economizou lágrimas na comemoração do título paulista do Santos. Festejando sua primeira conquista como profissional, o atacante chorou em diferentes momentos da festa. Começou logo após o apito final deste domingo e continuou mais tarde, quando se ajoelhou no gramado. O camisa 11 foi o autor dos dois gols na derrota para o Santo André por 3 a 2, no Pacaembu, e terminou o campeonato como artilheiro alvinegro.

“Foi a melhor partida da minha vida”, vibrou Neymar, entre abraços com os companheiros e recebendo elogios de todos os atletas.

Neymar foi o artilheiro do Santos no Paulistão. Com os dois gols deste domingo, chegou a 14 e superou o amigo André, autor de 13.

Tão ou mais importante que Neymar na partida desta tarde, Paulo Henrique Ganso não poupou elogios ao companheiro. “O Neymar jogou muito, fez os dois gols e ajudou esse time a ser campeão. Agora é só comemorar”, comentou o meio-campista.

Neymar voltou ao Santos para a final depois de se recuperar de lesão no olho. Na primeira etapa, foi acusado pelos jogadores do Santo André de ser “cai-cai”. Mas chamou a responsabilidade e teve papel decisivo. Ao anotar um dos gols, bateu no peito e gritou: “eu sou f…”.

Até o pai de Neymar entrou na festa, vestindo uma peruca que imitava o corte moicano adotado pelo atacante. “Está paga a promessa. Agora é só comemorar”, comemorou o pai do artilheiro santista.