Santos 2 x 2 Botafogo

Data: 13/07/2008, domingo.
Competição: Campeonato Brasileiro – 11ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 10.080 pagantes
Renda: R$ 104.790,00
Árbitro: Alicio Pena Júnior (MG)
Auxiliares: Márcio Eustáquio Santiago (MG) e Altermir Hausmann (RS).
Cartões amarelos: Roberto Brum, Michael, Maikon Leite e Fábio Costa (S); André Luís, Túlio Souza e Lúcio Flávio (B)
Gols: Zé Carlos (04-1) e Wellington Paulista (17-1); Kléber Pereira (34-2) e Kléber Pereira (42-2).

SANTOS
Fábio Costa; Apodí, Fabão, Domingos e Michael; Adriano, Roberto Brum (Robson) e Kleber; Tiago Luís (Kléber Pereira), Lima (Molina) e Maikon Leite.
Técnico: Cuca

BOTAFOGO
Castillo; Renato Silva, André Luís e Triguinho; Thiaguinho (Túlio Souza), Túlio, Diguinho, Lucio Flavio e Zé Carlos (Vanderlei); Jorge Henrique e Wellington Paulista (Alexsandro).
Técnico: Ney Franco



Reserva, Kléber Pereira garante empate do Santos contra o Botafogo

Atacante sai do banco e salva o Santos da lanterna

Em uma temporada na qual ainda não havia conseguido mostrar valor, o Santos atingiria o fundo do poço no Campeonato Brasileiro neste domingo (13) se não fosse Kléber Pereira. Ele entrou no segundo tempo e garantiu o empate por 2 a 2 com o Botafogo em um jogo que o time não conseguiu se impor no gramado da Vila Belmiro, que em outros tempos ainda servia de alicerce pela pressão que exercia sobre os adversários.

Ao perder a capacidade de partir para cima desde o começo dentro de seu famigerado “alçapão”, o time do litoral paulista, que contou com apoio de sua torcida nesta tarde, precisou de seu centroavante para fazer a diferença, fechando a 11ª rodada na penúltima posição da tabela, com oito pontos.

Esta seria a segunda derrota santista dentro da Vila neste Nacional, e a sexta na competição. Mas a equipe que venceu apenas uma vez até agora e não sabe o que é somar três pontos de uma só vez desde 18 de maio, quando aplicou 4 a 0 no Ipatinga, se recuperou no final.

Alheio às dificuldades santistas, o Botafogo tentou aproveitar o fim do “feitiço” de Urbano Caldeira em sua luta por recuperação. Depois de levar 5 a 2 do Vitória, estreou o treinador Ney Franco e chegou aos 12 pontos para se afastar das últimas posições.

Depois deste final de semana, os cariocas voltam a campo na quarta-feira, contra o Ipatinga, em casa. Já os paulistas visitam o Figueirense no mesmo dia pela 12ª rodada.

Nesta tarde, a marca da manutenção da crise santista veio ironicamente por mudanças. Lima foi titular no lugar de Kléber Pereira, sacado segundo Cuca “para se reciclar”. E Brum, como primeiro volante, tentou ser um falso terceiro zagueiro e deixou o campo aos 25min de jogo para a entrada de Robson.

O esquema com três atacantes e uma falha linha de três defensores viu o Botafogo bailar em campo. Os visitantes ganharam espaços no mau posicionamento santista e aproveitaram bem as chances que tiveram.

Primeiro com Zé Carlos, depois com Wellington Paulista, que passou pelo Santos ainda durante a sua formação, cujo período foi criticado pela torcida. Ele marcou um golaço ao emendar de primeira, de pé esquerdo, um cruzamento longo da direita. E se recusou a comemorar.

O Santos teve chances de empatar e, até, virar. Mas Lima e seus companheiros ofensivos desperdiçaram chances claras de gol. Foi por isso que Kléber Pereira entrou no segundo tempo.

As alterações de Cuca, que também mandou Molina a campo, deixaram o Alvinegro com mais volume de jogo. Mas como na primeira etapa o time não conseguia se impor ao ponto de marcar gols.

Kléber Pereira até colocou a bola nas redes em seu primeiro lance, logo a 1min. Mas, impedido, viu o gol ser anulado e desanimou. Até que, a dez minutos do fim, o centroavante voltou a marcar e diminuiu a vantagem carioca. Antes do apito final Maikon Leite teve duas chances para empatar: na primeira mandou por cima e na segunda mandou a bola na trave.

Mas Kléber Pereira resolveu as coisas. O centroavante empatou quase no final ao driblar Castillo e fazer a torcida gritar de alívio.

Cuca ameaçou pedir demissão no intervalo do jogo

No intervalo do jogo deste domingo, o técnico Cuca ameaçou entregar o cargo se o Santos não reagisse no segundo tempo contra o Botafogo. A ameaça parece ter surtido efeito. Com o empate por 2 a 2, depois de estar perdendo por 2 a 0, a atitude do treinador mudou.

“Quando as coisas não vão bem, não passam coisas boas pela cabeça. Esses dois próximos jogos – Figueirense, quarta-feira em Florianópolis, e Sport, domingo, na Vila Belmiro – vão definir muitas coisas. Não só para a comissão técnica, mas também o futuro de alguns jogadores”, disse.

O técnico contou que, no intervalo, teve uma conversa de homem para homem com os jogadores, sem se exaltar, mas dizendo coisas duras. “Mas não acredito que foi isso que determinou a reação do time. E também não temos o que comemorar porque o empate foi derrota para o Santos”, disse o treinador. “Falei até em mudança de treinador. Se eles vão querer mudança de técnico a toda hora.”

E exigiu que os jogadores tivessem “vergonha na cara”. O treinador voltou a criticar as falhas da defesa. “O Botafogo teve uma falta a favor e fez o primeiro gol. Chegou outra vez e saiu outro gol”, lamentou.

Para Cuca, o desequilíbrio que o time vem apresentado se deve ao fato de sofrer sempre o primeiro gol, até mesmo quando está melhor em campo, e depois tem que correr pensando em fazer dois, em vez de um, para vencer. “É preciso mudar a postura do primeiro ao último minuto. Se isso não acontecer, terá que haver mudança em todos os sentidos. Mas não basta apenas a troca do técnico.”

Cuca continua sem vencer no comando do time santista. Agora são três derrotas – contra Vitória, Goiás e Atlético-PR – e quatro empates – Fluminense, Portuguesa, Grêmio e Botafogo. Embora tenha saído vaiado de campo no final do primeiro tempo, não se queixa da torcida. E justifica as alterações que fez no time no jogo deste domingo.

“Escalei Domingos no lugar de Marcelo porque sabia que o Botafogo iria usar dois atacantes – e eu precisava de um zagueiro mais rápido. Roberto Brum substituiu Rodrigo Souto, mas marcou mais na frente, por isso jogamos com dois alas. E a entrada do Lima foi uma opção técnica, troca de centroavante por centroavante. Mudei o mínimo.”