Santos 0 x 0 São Paulo

Data: 03/04/2005, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio Wilson de Barros, em Mogi Mirim, SP.
Público: 12.380 pagantes
Renda: R$ 200.261,00
Árbitro: Wilson Luiz Seneme
Auxiliares: Francisco Rubens Feitosa e Emerson Augusto de Carvalho.
Cartões amarelos: Danilo, Mineiro, Edcarlos, Josué e Lugano (SP).
Cartões vermelhos: Halisson (S) e Grafite (SP).

SANTOS
Henao; Ávalos, Halisson e Domingos; Bóvio, Zé Elias (Preto), Rogério, Rossini e Flávio; Robinho e William (Fábio Baiano) (Deivid).
Técnico: Gallo

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Edcarlos; Cicinho, Mineiro (Renan), Josué, Danilo (Marco Antônio) e Júnior; Grafite e Diego Tardelli (Luizão).
Técnico Leão



Com 0 a 0 contra o Santos, São Paulo é campeão

O título mais anunciado dos últimos anos finalmente foi confirmado matematicamente na tarde deste domingo. Com um empate por 0 a 0 contra o rival Santos, em Mogi Mirim, o São Paulo chegou ao vigésimo título estadual de sua história.

A equipe do Morumbi chegou a 42 pontos em 17 rodadas realizadas até agora e não pode mais ser alcançado pelo Corinthians, único time que, antes do início da rodada ainda podia pensar, matematicamente, em tirar o título do São Paulo.

A equipe do Parque São Jorge, que tinha 32 pontos, enfrentou também neste domingo, no Pacaembu, o Ituano e não passou de um empate por 0 a 0. Com este resultado, o São Paulo garantiria o título mesmo se fosse derrotado pelo Santos.

A conquista da equipe comandada por Emerson Leão veio com uma das melhores campanhas da história do clube em campeonatos estaduais. Em 17 rodadas, foram conquistadas 13 vitórias e três empates. A equipe tricolor perdeu apenas um jogo, justamente contra a Portuguesa, na última quinta-feira.

Na partida que garantiu o título, Leão teve à sua disposição todos os jogadores do elenco são-paulino. E a partida ainda marcou a volta aos gramados do volante Josué, que começou jogando, e do atacante Luizão, que entrou no segundo tempo.

Josué e Luizão ficaram afastados cerca de um mês, ambos em tratamento no departamento médico do São Paulo por conta de lesões musculares na coxa.

No Santos, a principal novidade no jogo foi a entrada do colombiano Henao como titular no gol. O ex-jogador do Once Caldas, último campeão da Libertadores, repetiu as ótimas atuações que teve na competição continental na última temporada e foi o principal responsável pelo fato de o São Paulo não abrir o placar no primeiro tempo.

Para o goleiro do São Paulo, Rogério Ceni, os chutes de longa distância feitos pelo time do Morumbi também contribuíram para a atuação do colombiano. “Temos que mudar um pouco. Estamos chutando bem, mas de muito longe, e aí facilita pro goleiro deles”, disse o capitão na saída do primeiro tempo.

Faltando ainda duas rodadas para o término oficial da competição, o São Paulo cumpre tabela contra Ponte Preta, no Morumbi e Mogi Mirim, novamente no estádio Wilson de Barros.

Enquanto a equipe de Campinas luta contra o rebaixamento, o time de Mogi luta para terminar o campeonato entre os cinco primeiros colocados para garantir uma das vagas do estado de São Paulo na Copa do Brasil de 2006.

Já o Santos, que disputa o vice-campeonato do Paulistão com o Corinthians, enfrenta nas últimas rodadas o Paulista, na Vila Belmiro, e o Marília, no interior do estado. A equipe santista, no entanto, já deixou claro que a prioridade no restante do primeiro semestre é a Copa Libertadores da América.

Luto

Mesmo vivendo clima de festa pela expectativa da conquista do título, o time do São Paulo entrou em campo de luto. Em homenagem ao papa João Paulo 2°, que morreu neste sábado, no Vaticano, todos os jogadores são-paulinos usaram faixas pretas no braço direito. Antes da partida, também foi respeitado um minuto de silêncio em homenagem ao papa.

O jogo

Com o São Paulo precisando apenas do empate para garantir o título, a equipe comandada por Émerson Leão entrou em campo aparentemente mais tranqüila do que na última quinta-feira, quando uma vitória sobre a Portuguesa garantiria o título.

Já o Santos, sem chances de conquistar o título, entrou em campo despreocupado. Com isso, as duas equipes jogaram desde o começo sem se preocupar em cometer faltas ou exagerar na troca de passes para passar o tempo.

Após os primeiros cinco minutos, começaram a aparecer as jogadas de ataque. Em arrancada pela direita, Grafite foi derrubado pelo zagueiro Halisson, que recebeu o cartão amarelo. Na cobrança, o lateral Cicinho tentou fazer o cruzamento para a área, mas chutou na barreira santista.

Aos 10min, o Santos conseguiu se aproximar da área são-paulina com Robinho. O atacante dominou a bola na entrada da área, pela esquerda do ataque e fez ótimo cruzamento para a área são-paulina. Contudo, nenhum santista apareceu para completar.

Dois minutos depois, o ataque do São Paulo fez boa jogada pelo meio e tentou invadir a área tabelando, mas a defesa conseguiu se recuperar no momento em que Cicinho tentou fazer o último passe, buscando o atacante Grafite.

Logo após os 15min, o São Paulo teve duas boas oportunidades, mas não concluiu bem. Primeiro Diego Tardelli dominou fora da área, pelo lado direito, e chutou à esquerda do gol de Henao. Na seqüência, o volante Mineiro recebeu passe da esquerda feito pelo próprio Diego Tardelli e chutou muito acima do gol santista.

Sem sucesso nos arremates de longa distância, o time tricolor tentou variar as jogadas e passou a buscar o ataque pelas laterais. Aos 18min, o atacante Diego Tardelli se livrou da marcação pela direita e avançou até a linha de fundo, de onde fez cruzamento para a área. O passe, no entanto, não encontrou nenhum jogador do São Paulo.

No lance seguinte, Grafite fez jogada parecida pelo outro lado do campo. O atacante avançou pela faixa esquerda do ataque, se livrou do zagueiro Domingos e cruzou na área, mas antes de qualquer são-paulino chegar, o goleiro Henao conseguiu fazer a defesa.

Aos 21min, Grafite voltou a arrancar pelo centro do ataque são-paulino e, novamente, foi derrubado pelo zagueiro Halisson. O árbitro Wilson Luiz Seneme mostrou o segundo amarelo e expulsou o jogador santista.

Para reestruturar o time, o técnico Gallo substituiu o atacante William pelo volante Fábio Baiano e passou a jogar com um esquema 4-4-1, com Robinho isolado no ataque.

Antes de sair de campo, porém, William ainda perdeu boa chance de marcar. O lateral Flávio fez cruzamento da direita para a pequena área do São Paulo buscando o atacante, mas antes dele alcançar a bola, Rogério Ceni se atirou no chão para defender.

Aos 26min, o meia Danilo começou a aparecer para o jogo, e depois de boa jogada pela esquerda, fez ótima assistência para Diego Tardelli na meia lua da grande área santista. O atacante chutou rasteiro, mas o goleiro Henao defendeu com segurança.

Dois minutos depois, em cobrança de falta, o meia Danilo voltou a aparecer bem. Da direita do ataque, o jogador chutou no alto do gol e exigiu grande defesa do goleiro Henao, que espalmou para escanteio.

O São Paulo voltou a atacar bem aos 36min, com Grafite. O atacante dominou no centro do ataque são-paulino, fora da área. Ele chutou forte e rasteiro, a bola ainda desviou em uma falha do gramado, mas mesmo assim Henao conseguiu, de soco, desviar para escanteio.

Aos 38min, o Santos conseguiu chegar à área são-paulina novamente. O meia Fábio Baiano recebeu lançamento na direita, avançou e, invadindo a área, chutou cruzado. A bola passou pelo goleiro Rogério Ceni e saiu pela linha de fundo, sem que o atacante Robinho a alcançasse.

Mesmo nos últimos minutos, o São Paulo continuou tentando chegar ao gol e exigindo muitas defesas do goleiro santista. Aos 41min, Júnior cobrou escanteio e a defesa deu o rebote para o lateral.

Ele fez novo cruzamento na pequena área e, dividindo com a defesa, o zagueiro Edcarlos conseguiu desviar para o gol. Henao se esticou e espalmou para fora da área. Ele ainda conseguiu armar o contra-ataque santista com Robinho, mas o atacante acabou desarmado pelo volante Josué.

Para o Santos, a melhor oportunidade ofensiva veio apenas aos 45min. Depois de bate rebate na área, a bola sobrou para Ávalos, que, sozinho, chutou à esquerda do gol de Rogério Ceni.

A segunda etapa começou com as duas equipes buscando o ataque e o Santos, apesar de ter um jogador a menos, voltou melhor do que no primeiro tempo. Só nos cinco primeiros minutos, a defesa são-paulina precisou parar com falta três jogadas dos adversários.

Aos 14min, o atacante Grafite perdeu a melhor oportunidade criada pelo São Paulo até aquele momento da partida. Fixo na grande área santista, Grafite conseguiu dominar passe de Cicinho na marca do pênalti e chutou, mas novamente o goleiro Henao fez grande defesa.

Com o calor da cidade de Mogi, o ritmo de jogo claramente diminuiu após os primeiros minutos da etapa final. E diminuíram também as ações ofensivas do São Paulo, que até sofreu com algumas jogadas do Santos.

O Santos passou a apostar nos contra-ataques puxados por Robinho. Com mais fôlego que a maioria dos outros jogadores, o atacante conseguiu levar o time santista para cima da defesa são-paulina mesmo com apenas 10 jogadores.

Contudo, o jogador sofreu sempre com a marcação de dois ou três defensores são-paulinos e, sem encontrar companheiros de time para ajudá-lo na armação dos lances ofensivos, não conseguiu transformar suas boas jogadas em ameaças reais ao goleiro Rogério Ceni.

A partir dos 30min de jogo, o São Paulo também mudou de atitude e segurou mais o andamento da partida. Ainda que sem se acomodar na partida, o time tricolor passou a trocar mais passes e manter a posse de bola pelo maior tempo possível.

Assim, aos gritos de “é campeão” da torcida são-paulina, o jogo seguiu até os 47min, quando, ao apito do árbitro Wilson Luiz Seneme, foi oficializada a conquista do Paulistão 2005 pelo São Paulo.