Corinthians 7 x 1 Santos

Data: 06/11/2005, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Brasileiro
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 21.918 pagantes
Renda: R$ 323.254,00
Árbitro: Evandro Rogério Roman (PR)
Auxiliares: Roberto Braatz (Fifa-PR) e Rogério Carlos Rolim (PR)
Cartões amarelos: Rosinei, Bruno Octávio e Carlos Alberto (C); Kléber e Wendell (S).
Cartão vermelho: Rogério (S)
Gols: Rosinei (01-1), Geílson (08-1), Tevez (20-1) e Tevez (36-1); Tevez (08-2), Nilmar (12-2), Nilmar (32-2) e Marcelo Mattos (45-2).

CORINTHIANS
Fábio Costa; Eduardo Ratinho, Wendel, Marinho e Hugo; Marcelo Mattos, Bruno Octávio (Wescley), Rosinei (Dinélson) e Carlos Alberto, Nilmar e Tevez (Jô)
Técnico: Antônio Lopes

SANTOS
Saulo; Paulo César, Halisson (Wendell), Rogério e Kléber; Fabinho (Mateus), Heleno, Giovanni e Ricardinho; Geílson e Luizão (Basílio)
Técnico: Nelsinho Baptista



Corinthians dá show no clássico e fica a três vitórias da taça

Um domingo perfeito para o Corinthians. No dia em que Tevez deu seu maior show em um clássico e Nilmar fez sua melhor apresentação com a camisa alvinegra no Pacaembu, o time do Parque São Jorge goleou o arqui-rival Santos por sonoros 7 a 1 (o placar mais elástico de toda a competição), ouviu gritos de “é campeão” e ficou a apenas três vitórias da conquista do Campeonato Brasileiro 2005.

Esta foi a melhor partida do Corinthians nesta temporada. Desde o início de 2005, o milionário time do Parque São Jorge havia conquistado um placar tão elástico apenas no dia 5 de março, quando fez 6 a 1 no União São João em jogo válido pelo Campeonato Paulista.

Em um clássico, porém, nunca os jogadores contratados pelo MSI haviam conseguido tamanho destaque. Carlitos Tevez anotou três gols e ainda deu uma assistência para Rosinei. Nilmar fez outros dois (os dois primeiros dele pelo Corinthians no Pacaembu) e acertou um chute no travessão de Saulo.

Com a contundente goleada, o Corinthians chegou a 74 pontos e se manteve tranqüilo na liderança do Campeonato Brasileiro. A cinco rodadas do término do torneio, o time alvinegro precisa apenas de três vitórias para conquistar o título sem depender de outros resultados.

Para chegar a esta situação confortável, o time do Parque São Jorge contou neste domingo com a pior partida da defesa santista nesta temporada. Totalmente desarrumado, o clube da Vila Belmiro não conseguiu acertar a marcação sobre os jogadores rivais em nenhum momento. A dupla de zaga escalada por Nelsinho Baptista, aliás, colaborou para isso. Halisson perdeu a bola em dois gols do Corinthians, e Rogério foi expulso no início do segundo tempo.

O Santos volta a campo apenas no domingo, às 18h10, quando joga contra o Internacional no estádio Anacleto Campanella. O próximo compromisso do Corinthians no Campeonato Brasileiro é no mesmo dia, às 16h, quando o time paulista encara o Coritiba fora de casa. Antes disso, na quarta-feira, a equipe comandada por Antônio Lopes enfrenta o Pumas, no México, no jogo de volta das quartas-de-final da Copa Sul-Americana (venceu o primeiro, em São Paulo, por 2 a 1).

O jogo

Desde o início do confronto deste domingo, o Corinthians apostou em forte marcação sobre a saída de bola do Santos. “Vamos pressionar. Temos uma equipe voltada ao ataque e não adianta tentarmos jogar de outra maneira”, planejou o técnico Antônio Lopes.

A estratégia traçada pelo comandante dos donos da casa funcionou logo a 1min. Rosinei roubou a bola de Halisson no meio e lançou na esquerda para Carlitos Tevez. O camisa 10 cruzou rasteiro, de primeira, e o próprio Rosinei completou de pé esquerdo dentro da pequena área para inaugurar o marcador.

O domínio do Corinthians, contudo, durou apenas até o primeiro ataque do Santos. Na primeira vez em que chegou, o time do litoral empatou o placar. Ricardinho cobrou escanteio da esquerda aos 8min. Geílson subiu à frente de Bruno Octávio e cabeceou no canto direito de Fábio Costa.

Com a igualdade, o Santos cresceu e assumiu o controle do jogo. Porém, a marcação pressão do Corinthians funcionou novamente aos 20min. Halisson tentou estourar de pé esquerdo e jogou a bola nos pés de Rosinei, que carregou pela direita e cruzou rasteiro para Carlitos Tevez. O camisa 10 dominou dentro da área e chutou de pé direito para marcar.

A fragilidade da defesa do Santos possibilitou ao Corinthians mais um gol, aos 36min. Eduardo Ratinho cruzou da direita para Tevez, que dominou de costas para Rogério, girou para a esquerda e chutou cruzado. “Mantivemos um ritmo legal no primeiro tempo e conseguimos uma vantagem importante. Vamos tentar manter isso”, planejou o zagueiro Marinho durante o intervalo.

O que Marinho não esperava é que o Santos se desarrumasse tanto no segundo tempo. O técnico Nelsinho Baptista tirou o zagueiro Halisson, que foi muito mal no primeiro tempo, e colocou o meio-campista Wendell (Heleno foi deslocado para a defesa). Com isso, o time visitante se perdeu em campo e o Corinthians construiu a goleada.

Logo aos 8min, Carlos Alberto fez jogada individual pela direita e tocou rasteiro para Tevez na meia-lua. O camisa 10 tabelou com Nilmar, recebeu dentro da área e tocou na saída de Saulo para fazer seu terceiro gol no jogo.

A vantagem do Corinthians, que já era confortável, ficou ainda mais elástica aos 12min. Carlos Alberto chutou de fora da área, e Saulo não conseguiu segurar. A bola sobrou para Nilmar, que apenas desviou de primeira para as redes.

Satisfeito com a diferença no placar, o Corinthians apenas trocou passes lateralmente e administrou o jogo. Mesmo em ritmo extremamente lento, porém, o time da casa conseguiu o sexto gol aos 32min. Jô, que havia acabado de entrar, cruzou da esquerda. Nilmar se antecipou a Saulo e tocou de cabeça.

A goleada parecia definida, mas o Corinthians teve tempo para marcar mais um aos 45min. Marcelo Mattos cobrou falta com violência e colocou a bola no canto esquerdo baixo de Saulo, que nada pôde fazer para evitar o último gol dos donos da casa.

Nelsinho descarta boicote no Alvinegro

Treinador não acredita que jogadores tenham perdido propositalmente o clássico para o Santos, neste domingo.

A participação do Santos foi decepcionante neste domingo. Perdido em campo, o time da Vila Belmiro foi presa fácil para o Corinthians e sofreu uma goleada por 7 a 1 no clássico do Pacaembu. No entanto, apesar da apresentação muito abaixo das possibilidades da equipe alvinegra, o técnico Nelsinho Baptista descartou a hipótese de um boicote dos jogadores do Peixe.

“Não sinto nada nesse sentido por parte do grupo. O que houve aqui [no Pacaembu] hoje [domingo] foi lamentável, mas não acredito que o elenco que nós temos possa ter entrado em campo determinado a perder para ameaçar meu emprego”, garantiu Nelsinho.

Os jogadores também desmentiram a possibilidade de boicote a Nelsinho. “Eu não sei quem levantou essa hipótese, mas é uma pessoa que certamente não conhece esse grupo e não acompanha o trabalho que está sendo feito”, garantiu o capitão Ricardinho.

A hipótese de boicote surgiu após as críticas do meia Giovanni a uma decisão de Nelsinho, que dispensou quatro atletas na última quinta-feira. O treinador mandou embora o lateral-direito Flávio, o volante Bóvio, o meia Léo Lima e o atacante Diego.

“Não foi a primeira vez que jogadores deixam um elenco durante uma competição e nem vai ser a última. O que aconteceu em campo foi lamentável, mas não tem relação com os acontecimentos da semana”, sentenciou Ricardinho.

Nelsinho preferiu utilizar o nível do elenco santista para justificar a derrota deste domingo: “Não vi um boicote, mas vi limitações. Nossa equipe tem deficiências e isso ficou bastante evidente diante do Corinthians”.

Um exemplo de limitação do Santos, segundo Nelsinho, é a falta de opções para montar o setor defensivo. “Nós perdemos dois titulares da zaga [Ávalos e Luiz Alberto] e precisamos recorrer a dois garotos [Rogério e Halisson, titulares neste domingo]. A equipe sentiu a falta dos titulares”, admitiu.

Peixe não encontra acordo sobre erros

Jogadores não conseguem encontrar responsável por contundente derrota sofrida neste domingo e dividem opiniões sobre clássico.

Os dois primeiros gols marcados pelo Corinthians neste domingo, na vitória por sonoros 7 a 1 sobre o Santos, aconteceram em bolas que estavam dominadas pela defesa do Peixe. Por conta disso, os jogadores do time do litoral mostraram total desencontro quando tentaram justificar o revés.

Para o volante Fabinho, a culpa foi do sistema tático do Santos. “Nós só temos dois marcadores para três jogadores deles. Toda hora um homem do meio-campo deles avança e nós não estamos acompanhando. Assim fica complicado segurar”, analisou.

Como prova do quanto o Santos estava desarrumado, Fabinho citou a dificuldade na saída de bola: “Toda vez que um zagueiro dominava a bola, não tinha com quem sair. Faltou movimentação certa para escaparmos da pressão”.

Enquanto Fabinho optou por criticar o sistema tático do Peixe, o goleiro Saulo preferiu enaltecer os atacantes adversários. “Não acho que nós erramos. Foi mérito do Corinthians, que marcou com qualidade e teve eficiência na hora de finalizar”, ponderou.

E o zagueiro Halisson, que perdeu a bola para Rosinei nos dois primeiros gols marcados pelo Timão, admitiu a culpa pela derrota santista. “Foi uma infelicidade muito grande. Tentei fazer o melhor possível, mas não acertei. Isso acontece”, minimizou.

O defensor explicou que errou na saída de bola duas vezes devido ao lado do campo em que atuou: “Não sou canhoto e, nos dois lances, tentei afastar a bola com o pé esquerdo. Acabei errando, e eles aproveitaram isso”.

Com os sete gols sofridos neste domingo, o Santos chegou a 62 bolas em suas redes desde o início do Campeonato Brasileiro. O time da Vila Belmiro é o segundo mais vazado entre os dez primeiros colocados (supera apenas o Cruzeiro, que levou 63 gols) e o sétimo pior aproveitamento defensivo entre todas as equipes que disputam a Série A.