Brasiliense 1 x 0 Santos

Data: 19/11/2005, sábado, 18h10.
Competição: Campeonato Brasileiro – 40ª rodada
Local: Estádio Boca do Jacaré, em Taguatinga, DF.
Público e renda: N/D
Árbitro: Edson Esperidião (ES)
Auxiliares: José Ricardo M. Linhares (ES) e Robson Guijansque (ES).
Cartões amarelos: Deda e Cássio (B); Matheus, Giovanni, Fabinho e Ricardinho (S).
Cartão vermelho: Matheus (S)
Gols: Igor (13-1).

BRASILIENSE
Eduardo; Dida, Dema, Jairo e Cássio; Deda (Salvino), Vampeta, Pituca e Marcelinho Carioca (André Turatto); Iranildo (Dill) e Igor.
Técnico: Márcio Bittencourt

SANTOS
Mauro; Zé Leandro, Matheus, Luiz Alberto e Kleber; Fabinho, Rossini (Rivaldo), Ricardinho e Luciano Henrique (Cláudio Pitbull); Giovanni (Rogério) e Geílson.
Técnico: Nelsinho Baptista



Brasiliense vence apático Santos e respira

O Brasiliense agoniza, mas ainda sobrevive. Neste sábado, a equipe do Distrito Federal derrotou o desinteressado Santos por 1 a 0, em Brasília, e continua com remotas chances de se livrar do rebaixamento para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.

“Eu sou baiano e acredito sempre em milagre”, disse o volante Vampeta, do Brasiliense.

Para que consiga o “milagre” de permanecer na elite, o time – que foi para os 41 pontos e deixou a lanterna com o Atlético-MG -, precisa vencer os próximos dois jogos que ainda realizará e torcer por tropeços do Figueirense, Coritiba, Paysandu e Atlético-MG.

Aliás, na próxima rodada terá pela frente um concorrente direto pela degola. A tabela marca o confronto contra o Figueirense para domingo, novamente na Boca do Jacaré. Depois, na última rodada o confronto será contra a Ponte Preta, em Campinas.

Já o Santos acumulou o sexto jogo seguido sem vitória. Desde de o dia 27 de outubro, quando venceu o Vasco por 3 a 1, a equipe não triunfa. De lá para cá foram cinco derrotas e apenas um empate.

Sem aspiração alguma no certame, o time segue com 56 pontos, agora na décima colocação e, mesmo com os péssimos resultados recentes, deverá garantir vaga na Copa Sul-Americana do ano que vem.

“Infelizmente é mais um jogo sem vencer. E para quem está trabalhando o ano todo é complicado”, falou o meia Ricardinho.

Esta noite, o técnico Nelsinho Baptista deu oportunidade para alguns garotos no time titular, como Matheus, Zé Leandro e Rossini. Mas, contagiados pela sonolência dos veteranos Ricardinho e Giovanni, pouco produziram. Matheus, aliás, foi expulso no início do segundo tempo.

Na próxima rodada o Santos enfrenta o Botafogo, em São Paulo, no domingo. Depois encerrará sua participação no certame fora de casa, contra o Figueirense, dia 4 de dezembro.

O jogo

Antes de a bola rolar, os jogadores do Brasiliense se agarravam à remota possibilidade para não cair. “Temos três jogos e precisamos de nove pontos, além de secar os outros. É difícil, mas vamos lutar”, disse o atacante Igor.

Foi justamente o centroavante que abriu o placar logo aos 13min. Após cruzamento de Cássio, Igor subiu mais que Luiz Alberto e cabeceou com estilo, no ângulo esquerdo de Mauro.

O gol não mudou o panorama do jogo, que desde o inicio tinha um time interessado nele – o Brasiliense – e um Santos desinteressado e que errou muitos passes. Entretanto, como os anfitriões também não apresentaram um futebol vistoso, o belo gol de Igor foi o único alento de um sonolento primeiro tempo.

“Estamos deixando eles jogarem. Precisamos adiantar a marcação e ter mais autoridade em campo”, bradou o meia santista Luciano Ratinho.

Contudo, o Santos não mudou sua postura e seguiu apático em campo. Nem o fato de Nelsinho Baptista ter tirado Rossini e colocado Rivaldo melhorou a equipe, que teve Matheus expulso logo aos 15min, por falta violente em Igor.

Para recompor o time, Nelsinho Baptista sacou o inoperante meia Giovanni, que foi muito vaiado pelos poucos torcedores santistas no estádio, e colocou o zagueiro Rogério.

Com um homem a mais, o Brasiliense perdeu ótima oportunidade para ampliar aos 23min, quando Igor entrou cara a cara e chutou em cima de Mauro. Depois disso, os donos da casa pararam de forçar e apenas seguraram a vitória, que os deixam com chances de escapar do rebaixamento.

Luiz Alberto diz: ‘os meninos sentem’

Zagueiro diz que garotada do Peixe sente a pressão e não consegue render o que poderia.

Após mais um fracasso nesta reta final do Brasileirão, os jogadores do Santos procuravam explicações para o péssimo momento do time. Cabisbaixo, o zagueiro Luiz Alberto lamentou a forma com que jovens estão sendo aproveitados.

Para o defensor, os garotos que estão sendo lançado neste momento estão sentindo a enorme pressão que a equipe está sofrendo e não conseguem render o que poderiam.

“Os meninos sentem muito, porque têm uma oportunidade boa, mas num momento ruim como esse que o Santos está passando. Depois do clássico contra o Corinthians, no qual perdemos por um placar mais dilatado, o time caiu bastante de rendimento. Acho que isso tudo pesa para os meninos”, disse Luiz Alberto, que não quis citar nomes.

Entretanto, o zagueiro garante que a má fase irá acabar e diz que cabe a ele e aos demais jogadores mais rodados tranqüilizar os jovens.

“Estamos aí para dar muita força para a garotada. No que eles precisarem podem contar comigo, pois sei como eles estão se sentindo. Precisamos ajudar o Santos a voltar a vencer”, completou o zagueiro.

Nelsinho não fala, e diretoria o garante

Treinador não quis dar entrevistas após derrota para o Brasiliense. Diretor de futebol falou que pretende mantê-lo na equipe.

O técnico Nelsinho Baptista, do Santos, se recusou a dar entrevistas depois da derrota para o Brasiliense neste sábado, o sexto jogo sem vitórias (cinco derrotas e um empate). Se o treinador não quis falar sobre sua permanência ou não na Vila, a diretoria falou.

“O problema não é o treinador. O time todo atuou muito mal e sabemos que não foi por culpa do técnico. A nossa intenção é mantê-lo no comando da equipe, assim como conversei com o presidente Marcelo Teixeira”, declarou o diretor de futebol, Francisco Lopes.

Abatido com mais esta derrota, Nelsinho Baptista entrou diretamente no ônibus do clube depois que saiu do vestiário. Presente na conversa pós-jogo com o comandante, o meia Ricardinho resumiu com poucas palavras o sentimento de todos: “Ele está chateado como todo mundo está”.

O volante Fabinho, por sua vez, falou um pouco mais e, assim como a diretoria alvinegra, defendeu o treinador, jogando para o elenco santista a culpa pela má seqüência no Brasileiro.

“Quando um time grande não vence a cobrança é normal. Tenho escutado falar do técnico, mas é fácil culpar o Nelsinho. Nos não estamos assimilando o que ele passa e a culpa é nossa”, completou o meio-campista.

Elenco do Peixe não encontra explicação

Jogadores tentam, mas não conseguem explicar os péssimos resultados. Meta é vencer os jogos que restam.

“Não sei o que está acontecendo”. A frase, dita por Ricardinho após a derrota para o Brasiliense, foi repetida por todos os jogadores santistas que deram entrevistas após mais um resultado negativo.

Sem vencer há seis jogos e acumulando cinco derrotas e um empate nesta sequência, o elenco do Peixe tenta achar explicações para o péssimo momento, mas não consegue.

“Infelizmente foi mais uma rodada sem vencer. Para a gente que trabalha o ano todo fica complicado. Sinceramente não sei o que está acontecendo. A motivação que temos nesse momento é por sermos profissionais e defender o Santos”, disse Ricardinho.

“A situação está complicada, não tem nem o que falar. Temos que ter dignidade e respeito pelo clube. Quando as coisas não dão certo temos pelo menos que correr”, emendou o zagueiro Luiz Alberto.

Para ao menos terminar com dignidade o Brasileirão, o Santos terá duas oportunidades para vencer. No próximo fim-de-semana, o time recebe o Botafogo, e no dia 4 de dezembro encerra o certame contra o Figueirense, fora de casa.

Nessas duas partidas, os atletas esperam voltar a vencer e passar uma borracha neste segundo turno do Campeonato Brasileiro.

“Ninguém entra para perder e ninguém gosta de perder. O Santos tem que disputar títulos e estar na Libertadores. Temos de reverter essa situação e vencer esses dois jogos, para entrarmos zerados em 2006”, disse o volante Fabinho.