Santos 3 x 0 Sport Recife

Data: 25/11/1998, quarta-feira, 21h40.
Competição: Campeonato Brasileiro – Quartas de finais – Jogo 3 de 3
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 25.229 pagantes
Renda: N/D
Cartões amarelos: Claudiomiro, Marcos Bazílio e Élder (S); Russo, Alexandre Lopes, Lima e Leonardo (SR).
Cartão vermelho: Róbson (SR, 30/2).
Gols: Alessandro (24-1); Viola (05-2) e Viola (48-2).

SANTOS
Zetti; Baiano, Argel, Claudiomiro e Athirson; Marcos Bazílio, Narciso, Eduardo Marques (Élder) e Róbson Luís (Fernandes); Alessandro (Messias) e Viola.
Técnico: Emerson Leão

SPORT RECIFE
Bosco; Russo, Alexandre Lopes, Ronaldo e Édson; Sangaletti (Leandro), Wallace Goiano, Lima e Jackson; Leonardo (Valdomiro) e Róbson.
Técnico: Mauro Fernandes



Santos garante vaga e Viola é o artilheiro

Atacante marca dois na vitória sobre o Sport na Vila Belmiro e é o goleador máximo do Brasileiro, com 19 gols

O Santos derrotou o Sport por 3 a 0 ontem à noite, na Vila Belmiro, e se classificou para as semifinais do Campeonato Brasileiro, quando enfrentará o Corinthians, que bateu o Grêmio no Pacaembu.

O primeiro jogo entre os times será no próximo final de semana, com dia e horários a serem definidos pela CBF.

Viola marcou dois gols e chegou a 19 no Brasileiro-98, ultrapassando Valdir, do Atlético-MG, equipe que já está fora da competição.

Os concorrentes diretos de Viola agora são Fábio Júnior, do Cruzeiro (16 gols) e Marcelinho (Corinthians) e Oséas (Palmeiras), ambos com 15 gols. O outro gol santista foi marcado por Alessandro.

A partida começou com as duas equipes visivelmente tensas, desorientadas em campo. Tamanho era o nervosismo, que, aos 10min, o técnico santista Leão dizia: “o jogo ainda não começou”.

O time paulista, porém, tinha o domínio da posse de bola e chegava com mais frequência ao ataque. Na hora de finalizar, não era eficiente.
Os santistas abusaram das faltas no início do jogo.

O Sport, que errava muitos passes, tinha nas descidas de Russo pela direita a sua principal opção ofensiva, mas pouco chutava a gol. Muito marcado no ataque, Jackson era obrigado a voltar para buscar a bola no seu campo de defesa.

Até a metade do primeiro tempo, o time pernambucano só chutou uma vez a gol, uma falta cobrada por Lima de fora da área, aos 18min, que passou à esquerda do goleiro Zetti.

O Santos, no mesmo período, finalizou com Claudiomiro, de cabeça, com Athirson e com Eduardo Marques. De tanto insistir, a equipe santista acabou marcando, numa boa jogada individual do atacante Alessandro.

Aos 24min, ele conduziu a bola em velocidade pela ponta direita, deixou Lima para trás, puxou para o meio, driblando Édson, e chutou no canto esquerdo de Bosco, rente à trave.

“O Alessandro e a equipe do Santos amam a torcida”, disse o atacante ao descer para o vestiário no intervalo.

Com o gol, o Santos diminuiu o ritmo, e o Sport, que passou a precisar da vitória, não conseguia chegar com perigo à meta de Zetti.

O time de Emerson Leão teve ainda duas chances na primeira etapa, em dois chutes de fora da área: aos 43min, Bosco mandou a escanteio finalização de Baiano; um minuto depois Narciso mandou por cima do travessão.

A melhor oportunidade do Sport saiu quase nos acréscimos. Russo fez cruzamento da direita, Jackson chutou rasteiro e a zaga cortou próximo à linha.

Os times não mudaram para o segundo tempo, mas os esquemas de jogo se inverteram, principalmente após o segundo gol santista, logo aos 5min. Novamente a jogada foi iniciada com Alessandro.

Ele cruzou da direita para Viola subir mais que a zaga pernambucana e, de cabeça, anotar 2 a 0, sem chances para Bosco. Foi o primeiro gol do atacante santista nas quartas-de-final. Ele não marcava desde a última partida da primeira fase, contra o Botafogo (2 a 1 para os cariocas).

A partir daí o Sport lançou-se completamente em busca do empate, enquanto o Santos se defendia mais e jogava nos contra-ataques.

Aos 15min, o técnico Mauro Fernandes, do Sport, tirou o volante Sangalleti e colocou o meia Leandro, com o objetivo de dar mais ofensividade ao seu time.

Com o seu principal articulador de jogadas, Jackson, numa noite apagada, o time pernambucano pouco ameaçou o gol adversário. Na maioria das vezes que atacava, era interceptado na intermediária santista.

Aos 26min, Róbson completou de primeira cruzamento da esquerda, mas Zetti pegou.

Um minuto depois, o goleiro rubro-negro Bosco evitou, com ótima defesa, o terceiro gol santista, em um chute bem colocado de Narciso.

A situação do Sport piorou aos 30min, com a expulsão de Róbson. O atacante já tinha cartão amarelo e reclamou com o árbitro Cláudio Cerdeira da não-marcação de uma falta. Foi a primeira expulsão das quartas-de-final do Brasileiro-98.

Aos 48min, Viola, no meio da zaga do Sport, escorou, quase deitado no chão, cruzamento da esquerda e definiu o placar e a classificação santista.

Time quer jogar na Vila Belmiro

Os atletas do Santos comemoraram a vitória no final da partida dando a volta no gramado com uma faixa que indica a pretensão do time de mandar um dos jogos da próxima fase na Vila Belmiro.

A faixa continha a inscrição: “A Vila é nossa casa. Preserve-a, incentivando o nosso time”, em referência ao comportamento dos torcedores, que na partida de ontem atiraram objetos no gramado uma única vez.

Depois de apresentar a faixa para a torcida, o time se perfilou no meio do campo para ser saudado pelos torcedores, que não abandonaram o estádio mesmo depois do final da partida.



Santos prioriza a marcação para vencer (Em 25/11/1998)

Time de Leão quer sufocar saída de bola do Sport em busca da vitória que garante a vaga na semifinal

O Santos vai apostar em uma marcação sob pressão no campo do adversário para tentar “sufocar” o Sport no jogo de hoje à noite, na Vila Belmiro, e ganhar uma vaga nas semifinais do Brasileiro.

O time precisa da vitória por qualquer placar para se classificar. Ao Sport, basta o empate.

O técnico Leão disse após o treino coletivo de ontem à tarde que a equipe está recuperando o poder de marcação que a caracterizou na primeira metade da fase de classificação, quando o Santos chegou a liderar a competição.

“Estamos voltando a marcar bem, a jogar um futebol de muita vontade e de muita pegada”, declarou o treinador.

Na expectativa de um estádio lotado, que empurrará o time para o ataque, o planejamento santista prevê manter a posse da bola durante o maior tempo possível.

Para isso, a marcação sobre o adversário deverá ser adiantada, para que a bola possa ser retomada ainda no campo do Sport.

O lateral-esquerdo Athirson afirmou que o time possui uma preparação física que permitirá aos jogadores manter um ritmo veloz durante toda a partida.

“Temos condição de correr os 90 minutos para não deixar eles respirarem. Toda hora vai ter alguém em cima quando um jogador do Sport estiver com a bola.”

No final do treino de ontem, Leão levou um susto. O volante Claudiomiro, que atuará na zaga, sofreu um choque com o meia Fernandes e deixou o campo com dores no joelho esquerdo. O treino foi o segundo do atleta após longo período de inatividade, causado por contusão no joelho direito.

“Foi uma batida de joelho com joelho, mas ficou só a dor, nada de mais grave”, disse o atleta.

Assim, a base da equipe será a mesma da partida anterior -com a saída de Sandro da zaga para dar lugar a Claudiomiro.

No Sport, o técnico Mauro Fernandes só divulgará o time minutos antes do jogo, mas não deverá fazer mudanças em relação à partida anterior. O volante Lima e o atacante Irani, que estavam machucados, treinaram e devem jogar.

O atacante Róbson, que marcou o gol do Sport no sábado e, apesar de reserva, já soma seis no Brasileiro, deve continuar no banco. “Dá um pouco de ansiedade, pois todo mundo quer jogar desde o início”, disse o atleta.

Jogadores disseram que, apesar da vantagem do empate, irão para cima. “Não sabemos jogar retrancados. Se entrarmos achando que o empate nos garante, fatalmente vamos perder a vaga”, disse Lima.

Santistas voltam a criticar juiz

Os santistas receberam com reservas a escalação pela CBF do árbitro carioca Cláudio Vinícius Cerdeira para a partida de hoje.

Após a partida de sábado, o técnico Leão chegou a afirmar que a tumultuada arbitragem do também carioca Jorge Travassos geraria grande pressão sobre o juiz que viesse a ser escalado para hoje.

Leão, que em todos os últimos jogos do Santos vem reclamando das arbitragens, desta vez preferiu não ser incisivo.

“Temos de torcer para que ele seja feliz porque de infelicidades já estamos cheios. Qualquer juiz que apite direito me agrada”, afirmou o treinador, que anteontem havia declarado sua preferência pelo paulista Paulo César de Oliveira.

O vice-presidente santista, José Paulo Fernandes, também foi cauteloso. “Espero que ele tenha tranquilidade porque capacidade e idoneidade ele tem”, declarou.

A única voz destoante foi a do gerente de futebol, Marco Aurélio Cunha. Para Cunha, Cerdeira é um árbitro mal preparado fisicamente, o que, segundo afirmou, prejudica seu desempenho.

“Acho que ele é um árbitro lento, que acompanha mal a partida. E, tecnicamente, não me agrada.”

O único jogo do Santos que Cerdeira apitou no Brasileiro foi contra o Palmeiras -vitória santista por 1 a 0 na Vila Belmiro.

Nessa partida, Cerdeira expulsou o palmeirense Galeano e distribuiu sete cartões amarelos -quatro para jogadores do Santos e três para atletas do Palmeiras.