Juventus 0 x 4 Santos

Data: 02/08/1959
Competição: Campeonato Paulista
Local: Rua Javari, em São Paulo, SP.
Renda: Cr$ 626.025,00 (recorde no campo do Juventus)
Árbitro: Sebastião Mairiques
Gols: Pelé (24-1); Pelé (07-2), Dorval (26-2) e Pelé (42-2).

JUVENTUS
Mão de Onça; Julinho, Homero e Pando (Cássio); Lima e Clóvis; Lanzoninho, Zeola, Buzone, Cássio e Rodrigues.
Técnico:

SANTOS
Manga; Ramiro, Pavão e Mourão; Formiga e Zito; Dorval, Jair, Coutinho, Pelé e Pepe.
Técnico: Lula

Ocorrências: Aos 24-2 Pando contundiu-se num choque com Pelé e deixou o gramado para não mais voltar.



Confusão marca homenagem ao gol de Pelé “que todo mundo viu”

29/08/2006 – Bruno Doro, Uol Esporte.

Quem passava na Rua Javari nesta terça-feira se espantava. O estádio do Juventus, normalmente um local calmo, ainda mais às terças de manhã, estava agitado. Os mais saudosos afirmavam, para quem quisesse ouvir, que a Javari estava de volta aos seus dias de glória. O motivo? Pelé.

O jogador, que, quando ainda atuava, atraía milhares de pessoas ao campo da Mooca, na zona de leste de São Paulo, estava de volta. Junto com ele, um burburinho de torcedores, curiosos e jornalistas se acotovelavam para chegar perto do “Atleta do Século”.

Pelé voltou à Rua Javari para a inauguração de um busto em homenagem ao seu gol mais bonito. No dia dois de agosto de 1959, ele deu três chapéus em jogadores do Juventus antes de marcar para o Santos.

Se depender dos relatos de quem afirma estar nas arquibancadas, naquele dia a Rua Javari teve seu recorde de público. “Tenho que admitir que eu, particularmente, não estava lá. Mas eu garanto que tinham umas 100 mil pessoas no estádio”, brinca o presidente do Juventus, Armando Raucci. Detalhe: a capacidade atual do estádio é de 7000 pagantes.

Nesta terça, o público era um pouco menor do que naquela tarde. Centenas de pessoas tomaram o hall de entrada. Uma área reservada para imprensa e personalidades estava lotada. Dezenas de camêras de TV e fotógrafos brigavam espaço próximo ao busto.

Quando Pelé chegou, com pouco mais de meia hora de atraso, a confusão foi total. Pessoas foram “esmagadas” contra a parede e as jogadoras do time de futebol feminino do Juventus, que deveriam fazer um cordão de isolamento simbólico na área da homenagem, foram atropeladas.

Ao lado de seu busto e com pouco espaço para respirar, devido aos inúmeros jornalistas no local, Pelé agradeceu a homenagem. “Eu não esperava por uma recepção como essa, tão ŽcalorosaŽ. Até parece que eu marquei o gol ontem, e pela seleção brasileira”.

Depois de muita demora, Pelé finalmente inaugurou o busto e foi ao centro do campo, para dar o pontapé à partida entre os times de masters do Juventus e um combinado de ex-jogadores famosos.

Ao lado de seu busto e com pouco espaço para respirar, devido aos inúmeros jornalistas no local, Pelé agradeceu a homenagem. “Eu não esperava por uma recepção como essa, tão ŽcalorosaŽ. Até parece que eu marquei o gol ontem, e pela seleção brasileira”.

Depois de muita demora, Pelé finalmente inaugurou o busto e foi ao centro do campo, para dar o pontapé à partida entre os times de masters do Juventus e um combinado de ex-jogadores famosos.

Novamente, o caos se instalou. Pessoas foram apertadas contra paredes e alguns até mesmo abrirarm salas que estavam trancadas, apenas com a força da multidão que tentava chegar perto do ídolo. Para entrar no campo, personalidades e jornalistas foram barrados. Presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Pólo del Nero nem mesmo tentou entrar, deixando o evento antes do final.

Após a saída do “Rei do Futebol”, a confusão também foi embora. Restavam os veteranos que disputaram a partida e alguns dos “100 mil” que viram o gol em pessoa. Além do público, mais um detalhe já virou folclórico: o placar do jogo.

“Olha, já ouvi que foi 3 a 1, que foi 4 a 0, não lembro muito bem”, diz o ex-jogador Claudinei, que jogava no Juventus na época, mas não disputou o jogo. “Foi 4 a 0, tenho certeza. Só foi 3 a 1 se o gol que o Pelé marcou foi contra”, brinca Lanzone.

A unanimidade fica por conta da beleza do gol: “Pelo menos contra o Juventus, foi o mais bonito”, garante Elias Pássaro, massagista do time na época.

Torcida cogita, mas não protesta

Alguns torcedores do Juventus pensaram em protestar contra a homenagem e tentaram organizar, através do site de relacionamentos “Orkut”, uma manifestação em frente ao estádio. Afinal, é inusitado um clube homenagear um atleta que marcou um gol contra seu próprio time.

O protesto, porém, não saiu do mundo virtual. “Acho que não tem nada de estranho em homenagear o Pelé por ter marcado um gol contra o nosso time. O Péle é o maior jogador de futebol de todos os tempo e transcende tudo isso”, diz o presidente do clube.

Lembranças do seu Arnesto

Todo mundo já ouviu o “Samba do Arnesto”, sucesso do compositor Adoniram Barbosa. O “homenageado” da música, Ernesto Paulella, é uma das milhares de pessoas que estavam na Rua Javari para o gol mais bonito da carreira de Pelé. Amparado por seus familiares, Ernesto Paulella, com mais de 90 anos, foi à inauguração do busto e ainda se lembra da partida.

“Foi um feito memorável. Os juventinos estavam jogando de igual para igual com o Santos, apesar da derrota. Mas a torcida estava pegando no pé do Pelé. De repente, ele vira para a arquibancada e faz um sinal de ‘Espera um pouquinho’. Depois, dominou a bola no peito, deu três chapéus. Chapelou até o Mão de Onça, que era o goleiro. Ele emudeceu a torcida. Depois, começamos a aplaudir também”, lembra.