Santos 1 x 2 Vasco

Data: 03/03/1999, quarta-feira, 21h40.
Competição: Torneio Rio SP – Final – Jogo de volta
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 32.495 pagantes
Renda: não divulgada
Árbitro: Cláudio Vinícius Cerdeira (RJ).
Auxiliares: Hilton Moutinho (RJ) e Válter José dos Reis (SP).
Cartões amarelos: Ânderson Lima (S); Zé Maria, Ramón e Vágner (V).
Gols: Zé Maria (46-1); Alessandro (30s-2) e Juninho (29-2).

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima (Camanducaia, depois Michel), Argel, Sandro e Gustavo Nery; Claudiomiro, Marcos Bazílio, Jorginho e Caíco; Alessandro e Viola (Rodrigão).
Técnico: Emerson Leão.

VASCO
Carlos Germano; Zé Maria, Odvan, Mauro Galvão e Felipe; Nasa, Paulo Miranda, Juninho (Henrique) e Ramón; Donizete (Vágner) e Luizão (Zezinho).
Técnico: Antônio Lopes.



Vasco é tricampeão do Torneio Rio SP

Equipe carioca derrota o Santos, mesmo podendo perder por um gol, e comete menos falta do que os paulistas

O Vasco conquistou o Torneio Rio-São Paulo, a primeira competição em disputa neste ano.

O time carioca bateu o Santos por 2 a 1, no segundo jogo da final, ontem à noite no estádio do Morumbi, em São Paulo. Na primeira partida, no Maracanã, o Vasco havia vencido por 3 a 1.

Este é o terceiro título do Vasco na competição, o décimo dos cariocas. Os paulistas têm 15 conquistas.

Apesar de jogar pressionado pelo Santos, o Vasco nunca se desesperou, como nos outros três confrontos entre as equipes nessa competição -na primeira fase, o time carioca tinha vencido um jogo e empatado o outro.

Na partida de ontem, o destaque esteve no time perdedor. Foi o atacante Alessandro, autor do gol do seu time e o único jogador de ataque a ameaçar o gol de Carlos Germano. Ele fez seis finalizações, o maior número da partida.

No Vasco, o volante Paulo Miranda, que antes da decisão prometera atacar e defender com a mesma eficiência do ex-astro do basquete Michael Jordan, não fez uma finalização e foi o jogador que mais faltas cometeu -sete-, arrancando berros do técnico vascaíno no início do jogo.

Se Antônio Lopes berrava com Miranda, o alvo de Leão eram quase todas as pessoas em campo, especialmente o trio de arbitragem.

O começo da partida foi movimentado. Aos 2min, Jorginho tabelou com Viola e chutou de fora da área. Em seguida, Luizão foi derrubado quase na linha da grande área, mas o juiz não marcou. Meio minuto depois, Luizão tabelou com Donizete e chutou rasteiro, rente à trave.

Com a bola, o Santos obteve uma falta perto da área, desperdiçada.

O time paulista pressionou mais, mas quase sempre sem eficiência. O carioca, no toque de bola, chutou e acertou mais o gol. Em oito finalizações no primeiro tempo, o Santos não acertou nenhuma.

Aos 42min, o meia Ramon recebeu lançamento, invadiu a área, mas foi desarmado na hora do chute, pelo volante Marcos Bazílio.

Aos 45min, o Vasco fez seu primeiro gol. Zé Maria cobrou falta de 30 metros. Zetti, como no jogo anterior, se mexeu para o lado errado e não conseguiu se recuperar. Foi a segunda finalização certa do Vasco e do jogo.

Com Camanducaia no lugar de Anderson, o Santos empatou logo no recomeço do jogo. Aos 29s, Alessandro desceu pela esquerda e chutou cruzado de fora da área. Carlos Germano pulou atrasado e não conseguiu defender.

O Vasco, que no primeiro tempo já tinha vivido de contra-ataques (10min23 de posse de bola contra 13min11 do Santos), recuou mais ainda, passando a jogar com seis jogadores à frente da grande área.

Aos poucos, o Vasco conseguiu reequilibrar o jogo e marcar o Santos, sem faltas. Na primeira metade do segundo tempo, o Vasco fez apenas duas -e sofreu 12.

Aos 29min, quando o Santos acabava de fazer sua última substituição (Viola por Rodrigão), Juninho escapou pela direita e desempatou. A partir daí, o Vasco recuou e passou a segurar o Santos.

Ao final, a equipe de Leão terminou com 38 faltas (18 no primeiro tempo), e o de Lopes, com 32 (metade em cada tempo).

Dinheiro consola os santistas

Mesmo aborrecidos com o vice-campeonato no Rio-São Paulo, os dirigentes do Santos acharam positiva a participação da equipe no torneio. Segundo Samir Abdul-Hak, presidente do clube, as cotas pagaram cerca de dois meses dos salários da equipe profissional (cerca de R$ 1 milhão por mês).

No total, o Santos recebeu R$ 2,190 milhões (R$ 1,100 milhão na primeira fase, R$ 400 mil nas semifinais e R$ 690 mil pelo vice-campeonato). Pelo título, o Vasco recebeu no total R$ 2,530 milhões.

“Janeiro é uma época de preparação, ficamos parados só gastando dinheiro. O resultado financeiro do Rio-São Paulo é ótimo, principalmente porque chegamos às finais”, afirmou o dirigente santista.

Segundo Abdul-Hak, o Santos teria obtido ganho maior se a decisão tivesse sido no Pacaembu, e não no Morumbi. Pelo regulamento da competição, as rendas das partidas ficavam com os clubes.

“Muitos torcedores deixaram de vir ao estádio por causa da distância e da ameaça de chuva. E existe o problema do horário. Fica muito tarde voltar para Santos depois do jogo”, afirmou o dirigente. Por imposição da televisão, a partida no Morumbi começou às 21h40.

Abdul-Hak afirmou ainda que o atacante Viola não sofrerá nenhuma punição por ter abandonado o treino de anteontem, em Santos, para tentar agredir um torcedor.

“Eu faria a mesma coisa, até pior, se alguém me ofendesse como aquele torcedor fez com o Viola”, disse o presidente santista.



Rio-SP faz final de trauma e tensão (Em 03/03/1999)

Enquanto Vasco quer evitar erros de antigos rivais, o santista Viola abandona treino para agredir torcedor

A final do Torneio Rio-São Paulo, entre Santos e Vasco, hoje, às 21h40, no Morumbi, envolve “tensão” -por parte dos santistas- e “trauma”, pelo lado dos vascaínos.

O Santos precisa vencer o jogo por três gols de diferença para ser campeão. Se bater o rival por apenas dois gols, o título será disputado em cobranças de pênalti.

A tensão no Santos foi provocada pela explosão do atacante Viola no treino de ontem. Irritado com Renato Azevedo Silva, que assistia ao treino com um cartaz com a frase “Viola, joga bola”, o jogador abandonou o treino e perseguiu o torcedor por uma rua lateral ao centro de treinamento do clube.

O zagueiro Argel e o goleiro Zetti correram atrás de Viola, que chegou a dar um tapa em Silva.

“Isso é igual à preparação de escola de samba. É aquecimento”, disse o técnico Emerson Leão, tentando minimizar o incidente.

O técnico santista culpou a diretoria do Santos pelo episódio. “Eu já pedi várias vezes para que os muros do centro de treinamento fossem reformados e sua altura aumentada. Da maneira como é agora, ficamos vulneráveis a esse tipo de coisa”, disse o técnico.

Sobre a atitude do atacante, Leão afirmou que não apóia, “mas tem hora que não dá para segurar”.

Viola afirmou que não está arrependido. “Não tem o que explicar. Um cara que chega às 16h30 em um local onde as pessoas estão trabalhando, só para incomodar, merece isso. Ele queria ter cinco minutos de fama. Já teve.”

“Nunca me arrependo do que faço. O cara queria me diminuir como pessoa, como profissional. Todos têm que ter respeito. Seu eu tiver na rua com os meus filhos, por exemplo, e for agredido como fui hoje, também vou agredir”, completou o atacante santista.

Trauma

O “trauma” vascaíno refere-se à tática usada pelo técnico Antônio Lopes para motivar a sua equipe.

Preocupado em conter a euforia dos jogadores cariocas após a vitória na primeira partida da decisão, domingo, por 3 a 1, no estádio do Maracanã, Lopes se reuniu ontem por quase uma hora com os jogadores para falar sobre a vitória sobre o São Paulo, nas semifinais do Torneio Rio-São Paulo.

Nesse jogo, o empate classificaria o São Paulo. Segundo Lopes, a equipe paulista menosprezou o Vasco e acabou eliminada.

A situação do Vasco é semelhante à da equipe paulista, na semana passada. “Falei com todos que o jogo começará empatado e só poderemos pensar na vantagem após o apito final do árbitro”, afirmou Lopes.

“Já mostrei que é possível mudar a vantagem. Por isso, passo sempre ao time que não podemos entrar na euforia dos torcedores”, completou o treinador.

No domingo, torcedores do Vasco comemoraram antecipadamente a conquista do torneio.

Após a reunião de ontem, os jogadores do Vasco deixaram o vestiário com o mesmo discurso de Lopes. “Os torcedores estão fazendo o papel deles, que é comemorar as vitórias. A euforia deles não vai nos dominar”, disse Juninho.

“Vamos entrar em campo com humildade e só vamos comemorar a vitória se realmente conquistarmos o título no final do jogo”, completou o meia vascaíno.

Sacrifício

Para a partida de hoje, Lopes vai manter a equipe que venceu o Santos, no Maracanã. Com a decisão do treinador, o atacante Donizete, que foi substituído na última partida, vai jogar no sacrifício.

No domingo, Donizete, que teve uma atuação apagada, deixou o time no intervalo após reclamar de dores no tornozelo. O atacante se machucou na primeira partida entre os dois times pelo Torneio Rio-São Paulo.

Embora o jogador não esteja totalmente recuperado das dores no tornozelo, Lopes acredita que a escalação do atacante poderá impedir os avanços dos zagueiros adversários. O meia Vágner e do atacante Zezinho, que entraram no time no segundo tempo do jogo, vão continuar na reserva. Zezinho foi o autor do terceiro gol no domingo. Vágner marcou o segundo gol contra o São Paulo, no Morumbi.

Já o técnico Leão, do Santos, deve manter a mesma que equipe que enfrentou o Vasco no último domingo, no Maracanã. O treinador confirmou que Caíco continua no time no lugar de Eduardo Marques.

Leão mantém a mesma equipe

O técnico Leão vai manter o mesmo time que iniciou a primeira partida da final do torneio Rio-São Paulo no jogo de volta que acontece hoje no Morumbi. Ele confirmou Caíco no lugar de Eduardo Marques.

“Nunca fomos tão ofensivos como no primeiro tempo do jogo no Rio, no domingo. Acho um resultado normal vencer por dois ou três gols de diferença com um time com o que temos. Seja contra o Vasco, Barcelona, Roma, Portuguesa ou quem quer que seja”, declarou Leão.

O técnico espera apenas que o Santos consiga aproveitar melhor as oportunidades que criar, o que não aconteceu no Rio.

Leão voltou a falar sobre o Morumbi, local de disputa da partida -o técnico do Santos defendia que o jogo ocorresse no Pacaembu.

“O regulamento do torneio é claro. Ele diz que tanto as semifinais como as finais podem ser realizadas na Maracanã, Morumbi ou Pacaembu. Não sei dizer o porquê dessa decisão, mas quem aceita o quer não tem o direito de reclamar depois”, afirmou Leão.

O goleiro Zetti também reclamou do Morumbi, local com iluminação insuficiente, segundo o santista. “Vai ser ruim para os dois lados”, disse.

O técnico do Santos, no entanto, afirmou que o estádio não é justificativa para uma possível má apresentação do time. “Isso não tira a nossa obrigação de ir lá e fazer tudo igual como no Maracanã”, disse.