Santos 3 x 3 Ponte Preta

Data: 07/10/2000, sábado, 16h00.
Competição: Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) – Módulo Azul – 1ª Fase – 16ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 3.743 pagantes
Renda: R$ 31.945,00
Árbitro: Alfredo dos Santos Loebeling (SP).
Cartões amarelos: Carlos Germano, Claudiomiro, Ânderson Luís e Preto (S); Dionísio, Ronaldão, Adrianinho e Marco Aurélio (PP).
Cartão vermelho: Piá (PP, 11-2).
Gols: Valdo (25-1); Piá (07-2, de pênalti), Edmundo (20-2, de pênalti), Ronaldão (24-2, contra), Marco Aurélio (37-2) e Marco Aurélio (47-2).

SANTOS
Carlos Germano; Marcelo Silva (Júlio César), André Luís, Claudiomiro (Preto) e Rubens Cardoso; Ânderson Luís, Renato, Valdo e Robert (Canindé); Dodô e Edmundo.
Técnico: Giba

PONTE PRETA
Adriano Basso; Dionísio (Macedo), André Santos, Ronaldão e Vágner; Fabinho, Mineiro, Adrianinho (Marco Aurélio) e Piá; Hernani e Washington (Fábio Vidal).
Técnico: Nelsinho Baptista



Santos entrega o empate no fim, depois de estar ganhando por 3 a 1

Falhas individuais levaram o Santos a empatar em casa por 3 a 3, com a Ponte Preta, que, desde os 12min do segundo tempo, atuou com dez jogadores.

Foi a terceira partida copnsecutiva sem vitória do Santos, que começa a ter a sua classificação ameaçada para próxima fase da Copa JH.

Ao final da partida, a torcida demonstrou a sua revolta com o técnico Giba e com os jogadores. O Santos chegou a estar vencendo por 3 a 1 até os 37min do segundo tempo.

A Ponte igualou o placar com um gol olímpico, de Marco Aurélio, aos 47min do segundo tempo. O goleiro Carlos Germano achou que a bola ia para fora e, quando tentou a defesa, não conseguiu segurá-la.

No começo do jogo o Santos tomou a iniciativa, criando boas jogadas com velocidade, acionando Robert, Edmundo e Dodô.

Logo as 7min, Dodô tocou para Edmundo que chutou para fora, com perigo.

A Ponte procurou atrair o Santos para explorar os contra-ataques, mas foi o time da casa que chegou ao gol.

Aos 25min, Edmundo (que foi o capitão do time ontem, no lugar de Rincón, suspenso) recebeu a bola e tocou com precisão para Valdo, que invadia a área em diagonal, pela direita. O meia chutou no canto direito de Adriano.

“Foi uma jogada bonita. Edmundo me deixou na cara do gol e só tive o trabalho de marcar”, afirmou Valdo, no intervalo.

Com o gol, o Santos se soltou ainda mais em campo, e, aos 33min, outra boa jogada de Edmundo, que fez o passe para Robert, da grande área, chutar de pé direito. O goleiro Adriano clocou para escanteio.

Nos dez minutos finais do primeiro tempo, a Ponte Preta passou a pressionar, aproveitando indecisões da zaga santista.

No segundo tempo, a Ponte chegou ao empate aos 7min, após um pênalti de André Luís, que, ao tentar dominar a bola dentro da área, perdeu para Piá e fez a falta. O meia cobrou e marcou.

Aos 11min, Piá foi expulso ao fazer falta em Robert (ele já tinha amarelo).

O Santos desempatou com Edmundo, aos 20min, cobrando pênalti sofrido por Júlio César. Foi seu 10º gol na Copa JH.

Aos 24min, Ronaldão marcou contra para o time santista, após cruzamento de Rubens Cardoso.

A Ponte Preta diminuiu aos 37min, quando Macedo cruzou da direita para Marco Aurélio concluir, e empatou aos 47min com o gol olímpico.

Torcedores pedem saída de treinador

Ao final da patida, a torcida do Santos berrava furiosa na Vila Belmiro. “Ô,ô,ô, queremos treinador”, gritavam pedindo a saída do técnico Giba.

Os jogadores também era alvo da ira. “Alho, alho, alho, time de merceários”, dizia o coro em alusão aos altos salários.

Ao final do jogo no vestiário, Giba afirmou: “Lamento os gols que estamos tomando”.

Questionado sobre a sua permanência no time, respondeu; “Isso faz parte do circo. Nosso trabalho é honesto, sério e profissional”.

O atacante Edmundo parecia inconformado. “Não entendo o time estar vencendo por 3 a 1, com um jogador a mais, e a Ponte ter mais vontade do que nós?”

“O Giba não tem culpa, e, nesse jogo, o culpado somos nós, jogadores”, completou.

Giba ganha nova chance no comando do Santos

A diretoria do Santos decidiu dar mais uma chance ao técnico Giba para tentar reabilitar o Santos na Copa João Havelange. Se o time não vencer o Vasco, no sábado, na Vila Belmiro, o treinador deve perder o cargo.

O Santos vem de duas derrotas consecutivas, contra Flamengo e Gama, e o empate de ontem contra a Ponte Preta. Em uma semana, o time caiu da quarta para a nona colocação.

No vestiário ao final do jogo contra a Ponte, os dirigentes santistas negaram que o nome do técnico Zagallo tenha sido cogitado para o lugar de Giba. Também descartam o de Nelsinho Batista, atualmente na Ponte Preta. O presidente Marcelo Teixeira decidiu manter Giba no comando, acreditando numa superação do grupo.

Embora não seja unanimidade entre os jogadores, Giba terá esta semana para corrigir os defeitos apresentados pela equipe no empate em 3 a 3 com a Ponte Preta. O time vencia por 3 a 1 até os 37min do segundo tempo e estava com um jogador a mais em campo.

Após a partida, Giba colocou a responsabilidade pelo resultado em cima do zagueiro André Luís e do goleiro Carlos Germano. “Voltamos a perder pontos por falhas individuais”, declarou.

André Luís falhou ao tentar dominar a bola dentro da área e cometeu pênalti, que originou o primeiro gol da Ponte Preta. Carlos Germano falhou no gol olímpico marcado por Marco Aurélio, o terceiro do time de Campinas, feito nos descontos.

A pressão da torcida, que exige o fim do tabu de 16 anos sem conquista de um título de expressão, atrapalha, segundo o treinador.

“A carência de título faz com que o trabalho aqui no Santos seja difícil. No dia-a-dia, vamos tentar mudar esse clima de pressão.”

O atacante Edmundo defendeu o técnico. “Nesse jogo contra a Ponte Preta, o treinador não teve culpa. Nós, jogadores, é que vacilamos em campo.” Ele atuou pela primeira vez como capitão do time.

O volante Rincón é o capitão do Santos. Na partida contra a Ponte Preta, Rincón cumpriu o segundo jogo de suspensão por ter sido expulso duas vezes na Copa João Havelange. Em outras ocasiões, o zagueiro Claudiomiro e o atacante Dodô haviam sido os escolhidos para substituí-lo.

Para evitar melindres pela escolha do seu líder em campo, Giba pode promover um rodízio, embora Rincón deva voltar à equipe diante do Vasco.

Quando estava no Vasco, Edmundo desentendeu-se com Romário justamente por querer ser o capitão da equipe. Levou a pior e acabou vindo de empréstimo ao Santos. No sábado, o atacante terá a chance de, pela primeira vez, enfrentar seu desafeto.

Insatisfeito, técnico pretende mexer na equipe

Insatisfeito com o rendimento do time na partida contra a Ponte Preta, o técnico do Santos, Giba, poderá promover mudanças na equipe. O goleiro Carlos Germano, que vem sendo bastante criticado, pode perder a vaga para Fábio Costa, que reivindica uma chance no time titular.

O zagueiro Claudiomiro voltou a sentir uma lesão no joelho esquerdo. Sangaletti e Preto disputam a posição. Léo está recuperado da contusão no pé esquerdo e volta à lateral esquerda.

No vestiário, após a partida contra a Ponte, os jogadores lamentavam os erros que permitiram ao adversário chegar ao empate, fazendo dois gols nos últimos dez minutos de jogo.

“Cometemos falhas, e isso não pode mais acontecer. Eu não consegui dominar a bola e fiz um pênalti desnecessário”, afirmou o zagueiro André Luís.

O atacante Julio César tem entrado bem no time e passa a ser uma opção tática, caso Giba decida escalar um time mais ofensivo. “Na hora em que o Giba optar pela minha presença, não vou decepcionar”, declarou.

Edmundo diz que Giba pediu desculpas ao elenco do Santos (Em 10/10/2000)

O atacante Edmundo disse hoje que o técnico Giba pediu desculpas aos jogadores por ter responsabilizado publicamente o zagueiro André Luís e o goleiro Carlos Germano pelas falhas que no último sábado levaram o Santos a ceder o empate à Ponte Preta após estar vencendo por 3 a 1.

Segundo Edmundo, o pedido foi feito na manhã de hoje, durante uma reunião entre Giba, os diretores de futebol Nicolino Bozzella e Luiz de Souza Júnior e os jogadores Rincón, Valdo, Carlos Germano e o próprio Edmundo, os mais experientes do grupo.

A reunião foi motivada por uma entrevista de Rincón no dia anterior. O volante e capitão do Santos saiu em defesa dos companheiros atingidos pelas críticas do treinador. Para o colombiano, faltou “personalidade e atitude” ao técnico para assumir sua própria responsabilidade.

Edmundo afirmou que o treinador aceitou a ponderação dos jogadores no sentido de que erros individuais não sejam mais apontados publicamente. “Foi uma atitude muito bonita da parte dele. O Giba entendeu que errou e pediu desculpas por isso”, disse.

A declaração de Giba aprofundou o mal-estar entre técnico e jogadores e melindrou alguns atletas. “Particularmente, acho que os problemas internos têm de ser resolvidos entre o grupo. Acredito que ele (Giba) tenha sido infeliz nas colocações que fez”, afirmou o goleiro reserva Fábio Costa.

“As coisas não são por aí. Eu não posso falar de você e você não pode falar de mim”, disse Carlos Germano.

A exemplo do dia anterior, Giba evitou abordar diretamente o assunto. O treinador disse que a reunião serviu para discutir “planejamento” e afirmou que, para ele, o caso está encerrado. “Tudo que tiver para ser discutido, será discutido internamente”, declarou.

Giba negou que a atitude de Rincón tenha semelhanças com a de Márcio Santos. Depois de exigir publicamente ser escalado como titular, o zagueiro foi afastado do grupo pelo técnico, por insubordinação. “O caso do Márcio Santos foi diferente porque foi sequencial. Ele reclamou várias vezes consecutivas”, afirmou Giba.

Os dirigentes condenaram as reações de ambos os lados (do técnico e de Rincón). “Nenhum dos dois tem autonomia para falar publicamente e criticar ninguém. Se a diretoria, que paga os salários, não faz isso, ninguém pode fazer”, afirmou o diretor de futebol Nicolino Bozzella.

Apesar de a reunião ter sido convocada para promover o entendimento, a posição de Giba continua desconfortável. Após três jogos sem vitórias (duas derrotas e um empate), um novo insucesso no sábado, na Vila Belmiro, contra o Vasco, poderá decretar a demissão do treinador.

“Uma mudança brusca neste momento não seria a melhor solução porque precisamos de tranquilidade. Mas futebol é resultado”, declarou Bozzella, para quem qualquer decisão sobre o futuro de Giba só será tomada após a partida de sábado.



Fonte: Jornal Folha de SP – http://acervo.folha.com.br/fsp/2000/10/08/20//566601