Guarani 1 x 1 Santos

Data: 09/09/2001, domingo, 15h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 1ª fase – 11ª rodada
Local: Estádio Brinco de Ouro, em Campinas, SP.
Público: 7.787 pagantes
Renda: R$ 67.080,00
Árbitro: Romildo Correia (SP)
Auxiliares: Adriano Augusto Lucas (SP) e Evandro Luiz Silveira (SP)
Cartão vermelho: Fábio Costa (S, 50-1).
Gols: Marcelinho Carioca (10-2, de pênalti) e Élder (12-2).

GUARANI
Gléguer; Luciano Baiano, Marcelo Souza, Edu Dracena e Jadílson; Sangaletti (Fausto), Élder (Cléber), Henrique e Eduardo Marques (Marcinho); Fumagalli e Sinval.
Técnico: Zé Mário

SANTOS
Fábio Costa; Preto, Galván (Pitarelli) e Cléber (Pereira); Russo, Paulo Almeida, Renato, Robert e Léo; Marcelinho Carioca e Viola (Marcelo Silva).
Técnico: Serginho Chulapa (interino)



Serginho deixa o Santos após empate com Guarani

Sem obter nenhuma vitória, treinador entrega o cargo em Campinas

Em uma partida marcada pela demissão de Serginho Chulapa, pelo primeiro gol de Marcelinho em seu novo time e pelo desequilíbrio emocional do goleiro Fábio Costa, o Santos não passou ontem de um empate por um gol com o Guarani, forte candidato ao rebaixamento no Brasileiro-2001.

Insatisfeito com os resultados negativos e com as críticas que vinha recebendo, Serginho anunciou ontem sua saída do comando do time. Em quatro jogos no Brasileiro, ele obteve dois empates e duas derrotas. Cabralzinho, Oswaldo Alvarez e Emerson Leão são os nomes mais fortes para assumir o cargo.

Jogando no Brinco de Ouro, em Campinas, o Santos começou melhor, explorando as jogadas pelas laterais. Mesmo assim, o primeiro tempo foi fraco tecnicamente, com as duas equipes truncadas.

O Guarani, que estreou o técnico Zé Mário e o atacante Sinval, criou raras oportunidades.

O meia Robert se livrou facilmente da marcação de Sangaletti e tentou jogadas com o meia Marcelinho, que teve atuação melhor que na estréia contra o Flamengo.

Aos 13min do primeiro tempo, Élder chutou, e Fábio Costa defendeu. No rebote, Sinval acertou a cabeça do goleiro, que agrediu o atacante e levou cartão amarelo.

O jogo só voltou a ter um lance de perigo 11 minutos depois, com Léo, que driblou dois adversários e, num chute cruzado rasteiro, pela esquerda, quase marcou.

O Guarani chegou ao gol de Fábio Costa aos 31min, em um chute forte de Luciano Baiano pela direita. Aos 39min, Fábio Costa espalmou um chute de Jadílson.

Em lance pela esquerda, Henrique fez falta em Robert, que agrediu o adversário e recebeu cartão amarelo. Fábio Costa atravessou o campo em direção ao lance. Em seguida, dirigiu-se ao auxiliar, foi expulso e discutiu com os companheiros Pereira e Preto. Chulapa optou pela saída de Galván para a entrada do goleiro Pitarelli.

Ainda nos acréscimos do primeiro tempo, Marcelinho cobrou escanteio, a bola esbarrou na zaga do Guarani e bateu na trave.

Na segunda etapa, o Guarani não soube aproveitar a vantagem de um jogador a mais. Aos 9min, Robert lançou Marcelinho, que entrou na área e sofreu pênalti de Edu Dracena. O próprio meia cobrou e marcou o seu primeiro gol com a camisa do Santos.

Marcelinho comemorou com a torcida, com os companheiros do banco de reservas e beijou o distintivo do clube. “Foi legal porque eu estava sem jogar havia 40 dias. Dei dribles, passes e fiz gol. Deu para tirar a ansiedade”, disse Marcelinho.

O empate do Guarani aconteceu três minutos depois, com um chute forte de Élder no canto esquerdo de Pitarelli. Após os gols, as equipes criaram, mas não conseguiram ampliar o marcador.

Corinthians replica Marcelinho

O Corinthians reinicia hoje a batalha jurídica que trava com o meia-atacante Marcelinho. Hoje, o clube deve entrar no TST (Tribunal Superior do Trabalho) com pedido de agravo regimental (revisão) à decisão do corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro Vantuil Abdala, que cassou a liminar que impedia Marcelinho de atuar pelo Santos.

O Corinthians havia obtido liminar na quarta-feira passada da juíza Maria Aparecida Pellegrina, da 2ª Região do TRT (Tribunal Regional do Trabalho), de São Paulo, impedindo que o atleta jogasse pelo Santos.

A tendência, no entanto, segundo advogados ouvidos pela Folha, é que o TST mantenha a decisão favorável a Marcelinho.

Como ele já atuou pelo Santos, se o Corinthians obtiver sucesso com a medida no TST hoje, Marcelinho estaria impedido de atuar no Brasileiro, de acordo com a lei, que não permite que um atleta defenda mais do que um clube na mesma competição.

O embate principal, no entanto, deve ocorrer em 30 dias, quando Marcelinho entrará com medida definitiva na 74ª Vara do Trabalho de São Paulo para rescindir seu contrato com o Corinthians.

A ação se baseia em declarações do técnico Wanderley Luxemburgo, do vice de futebol Antonio Roque Citadini e de alguns jogadores de que não queriam mais trabalhar com o jogador por ser ele “mau-caráter” e “traíra”.

Marcelinho é acusado por eles de ter telefonado para jornalistas e dito que o meia Ricardinho apanhara de alguns companheiros durante a fase de preparação do time em Extrema (MG).

Outra reclamação do meia-atacante é de que ele teria tido seu direito de trabalho cerceado durante seu período de afastamento.
O clube, porém, nega que tenha impedido o jogador de trabalhar. Durante seu afastamento, Marcelinho treinou em separado no CT de Itaquera, supervisionado por membros da comissão técnica.

Confirmada ou não a decisão do TST em favor de Marcelinho, entretanto, o Corinthians terá duas saídas para tentar receber os R$ 7 milhões que reivindica pelos direitos federativos do jogador. Ou por meio de um acordo com o jogador e com o Santos, o que é muito difícil. Ou pelo contrato de imagem que Marcelinho mantém com o clube por meio da Divina Inspiração Publicidade e Produções Artísticas Ltda. e MPF Produções Comerciais.

“Quando o Marcelinho entrar com a ação na 74ª Vara, terá de mostrar o contrato de imagem dele com o Corinthians”, disse o advogado Leonardo Serafim, especialista em direito esportivo do escritório Demarest & Almeida.



Créditos:
– Vídeo indicado por Danilo Barbosa