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Corinthians 1 x 1 Santos

Data: 24/11/2012, sábado, 19h30.
Competição: Campeonato Brasileiro – 37ª rodada (penúltima)
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 34.171 pagantes (total de 36.482).
Renda: R$ 1.157.591,00
Árbitro: Raphael Claus (SP)
Auxiliares: Marcelo Carvalho Van Gasse e Daniel Paulo Ziolli (ambos de SP).
Cartões amarelos: Romarinho e Guilherme (C); Victor Andrade e André (S).
Gols: Felipe Anderson (35-1); Wallace (34-2).

CORINTHIANS
Cássio; Alessandro, Wallace, Paulo André e Guilherme Andrade (Jorge Henrique); Anderson Polga (Guilherme), Edenílson e Danilo; Emerson, Guerrero e Romarinho.
Técnico: Tite

SANTOS
Rafael; Bruno Peres, Bruno Rodrigo, Durval e Juan; Henrique, Arouca, Felipe Anderson (Gerson Magrão) e Patito Rodríguez (Adriano); Victor Andrade e André.
Técnico: Muricy Ramalho



Em noite de festa, Corinthians busca empate com o Santos

No penúltimo jogo antes do Mundial, time da capital sentiu falta de desfalques e não alegrou por completo o Pacaembu lotado

O Corinthians preparou uma grande festa para o clássico contra o Santos, neste sábado. O Pacaembu foi decorado com diversas referências à cultura do Japão, onde será disputado o Mundial de Clubes em dezembro, e virou palco de homenagens para Emerson Sheik (eleito o melhor jogador da última Copa Libertadores da América) e para alguns dos campeões mundiais de 2000. Dentro de campo, o empate por 1 a 1 também alegrou a torcida corintiana.

Sem os seus jogadores que defenderam a seleção brasileira no Superclássico das Américas, o Corinthians encontrou dificuldades para se organizar taticamente em campo. O Santos, mesmo sem o astro Neymar (suspenso), aproveitou para abrir o placar com Felipe Anderson no primeiro tempo. No segundo, o zagueiro Wallace acabou com a angústia do público corintiano ao cabecear para a rede e igualar o marcador.

Foi o penúltimo jogo do Corinthians antes da participação no Mundial de Clubes. Com 57 pontos ganhos e sem nenhuma aspiração no Campeonato Brasileiro, a equipe dirigida por Tite tem outro clássico para disputar na rodada final. A partida contra o São Paulo está marcada para as 17 horas (de Brasília), também no Pacaembu.

O Santos também disputará um clássico para encerrar a temporada do seu centenário. Será contra o rebaixado Palmeiras, mas às 19h30 de sábado, na Vila Belmiro. A equipe de Muricy Ramalho totaliza 50 pontos na tabela de classificação nacional.

O jogo

Era difícil para o Corinthians se concentrar exclusivamente no clássico contra o Santos. Antes de a partida começar, houve até uma apresentação de taiko (tambores japoneses) para os torcedores se ambientarem ao Mundial de Clubes do Japão. Nas arquibancadas do Pacaembu, diversas faixas e bandeiras também faziam referência ao país asiático a duas rodadas do término do Campeonato Brasileiro.

Já o técnico Tite usava justamente o Mundial para se dizer focado no Corinthians, e não na vaga de emprego aberta na Seleção Brasileira a partir da demissão de Mano Menezes. Ele ouviu gritos de “fica” e uma série de perguntas sobre o assunto quando subiu no gramado. Minutos antes, o atacante Emerson recebeu o prêmio por ter sido o melhor jogador da última Copa Libertadores da América.

Apesar das inúmeras distrações, o Corinthians foi melhor nos primeiros minutos de jogo contra o Santos. O meia Danilo, que não costuma aparecer muito para a torcida, empolgou o público que ainda comemorava o rebaixamento do rival Palmeiras à Série B com fintas de um lado a outro do campo. Romarinho e Emerson, com velocidade, reforçaram o perigo à defesa adversária.

Aos seis minutos, o Corinthians teve a sua primeira grande oportunidade de abrir o placar. O volante Edenílson se inspirou no poupado Paulinho para desarmar Felipe Anderson, carregar a bola com categoria para o ataque e fazer ótimo lançamento para Guerrero. O centroavante peruano teve calma para concluir, porém acertou o lado de fora da rede.

Com o passar do tempo, o Santos controlou o ímpeto inicial do Corinthians. A equipe visitante começou a se acertar à medida que o meio-campista Arouca discutia bastante com Paulo André e Emerson. Por sua vez, Muricy Ramalho gritava ainda mais com o jovem Victor Andrade, que não respeitava a função atribuída pelo treinador – embora Patito Rodríguez errasse tanto quanto.

Aos 35 minutos, Arouca, Muricy, Victor Andrade, Patito e todos os outros santistas berraram juntos no Pacaembu – mas de alegria. Felipe Anderson partiu para cima da marcação de Guilherme Andrade, tabelou com André e chutou no contrapé de Cássio para estufar a rede. De imediato, a torcida do Corinthians recobrou a cantoria do princípio da partida para acordar a sua equipe.

A disposição do Corinthians também ficou ainda maior. Emerson e seus companheiros, por exemplo, recusaram-se a devolver a bola para o Santos após o goleiro Rafael chutar para fora para receber atendimento médico. A falta de fair play do Sheik, que havia abraçado Muricy Ramalho e alguns reservas do Santos à beira do campo minutos antes, serviu para irritar Arouca novamente.

No intervalo, no entanto, a torcida do Corinthians voltou a esquecer o clássico. Era o momento de provocar os santistas com gritos de “7 a 1” e de campeão da última Libertadores. Também foi a hora de reverenciar alguns dos jogadores que ganharam o título mundial de 2000 pelo clube. Com os desafetos Marcelinho e Ricardinho lado a lado, eles desfilaram ao redor do Pacaembu ao som de (outra vez) tambores japoneses.

Sem fazer alterações para o início do segundo tempo, Tite esperava que Emerson e Guerrero adquirissem um entrosamento tão bom quanto já foi o de Marcelinho e Ricardinho. A dupla de atacantes jamais atuara junta antes deste fim de semana. Para os jogadores do Santos, que nem se lembravam mais da ausência do astro Neymar, a ordem de Muricy Ramalho era manter a consistência da primeira etapa.

Aos oito minutos, Emerson teve uma grande oportunidade de deixar os santistas um pouco mais preocupados. Guilherme Andrade fez bom cruzamento da esquerda, e o Sheik ficou livre de marcação depois da descoordenada linha de impedimento rival. Mas isolou a bola. Passado o erro, Tite não aguardou mais para trocar o volante (mal) improvisado Anderson Polga por Guilherme.

Como o Corinthians não deu sinais de melhora significativa – a não ser por um drible de efeito de Edenílson, que colocou a bola entre as pernas de seu marcador -, alguns torcedores começaram a cobrar a entrada também de Jorge Henrique. Tite atendeu, e o atacante substituiu Guilherme Andrade aos 29 minutos. Pouco antes, Muricy havia reforçado o sistema defensivo do Santos com Adriano no lugar de Patito.

A torcida estava certa ao pedir Jorge Henrique. Foi o atacante quem cobrou a falta, aos 34 minutos, que culminou no muito comemorado gol de cabeça de Wallace. Em seguida, ele se virou para a arquibancada, sorriu e abraçou Tite. O gol fez o Corinthians e principalmente seus torcedores redobrarem a pressão sobre o Santos. Com Gerson Magrão na vaga de Felipe Anderson, Muricy Ramalho conteve a empolgação do rival e segurou um empate que não desagradou a ninguém.

Bastidores – Santos TV:

Arouca admite que falta de ambições atrapalhou futebol no clássico

Volante, que voltou ao Santos depois de jogar pela seleção brasileira, condenou desatenção no gol marcado pelo Corinthians

Apesar do equilíbrio, o clássico entre Corinthians e Santos não agradou em relação à qualidade do futebol demonstrado pelas equipes no estádio do Pacaembu. Para o volante Arouca, que retornou da Argentina após o título do Superclássico das Américas, a falta de ambição das duas equipes atrapalhou o bom andamento da partida.

Enquanto o Corinthians faturou a Libertadores – eliminando o próprio Santos nas semifinais – e se classificou para a disputa do Mundial de Clubes, o time do Litoral teve que abrir mão do Campeonato Brasileiro antes da hora em função da temporada de transição que vive. Atualmente, o Timão soma 57 pontos e ocupa a 5ª posição. Já o rival está em nono, com sete pontos a menos e igualmente sem objetivos no Campeonato Brasileiro.

“São duas equipes que não têm muita ambição, por isso o ritmo menor. Mas isso não fez deixar de ser um grande clássico, sempre muito disputado dentro de campo. Para nós, faltou atenção na bola parada deles, que é fortíssima e já sabíamos disso. Foi em uma desatenção nossa que acabamos sendo castigados”, diagnosticou o volante do Santos, campeão com a seleção brasileira ao lado do capitão Durval.

De volta ao Brasil, Arouca estranhou a demissão do técnico Mano Menezes, concretizada na última sexta-feira, mas garantiu que segue à disposição para os próximos compromissos da seleção: “Fui pego de surpresa pela saída do Mano, mas o futebol tem dessas, acontece, e temos que superar. Eu nunca tive vaga cativa e sei que continuo não tendo. Por isso, tenho que trabalhar forte com a camisa do Santos”.

Sobre o empate no Pacaembu, o goleiro Rafael tem pensamento semelhante ao de Arouca: “Jogamos bem, queríamos vencer, tivemos dificuldades na bola parada, mas não perdemos. Mostramos que somos fortes em qualquer lugar. A gente jogou certinho, eles também, foi jogo foi equilibrado, e talvez a gente merecesse ganhar porque tivemos mais objetividade. Mas jogar aqui é difícil. O empate fica de bom tamanho”.

Muricy mostra irritação com demora por reforços: “Tem um monte de reunião e fica só na reunião”

O técnico do Santos, Muricy Ramalho, não escondeu a irritação com sua diretoria pela chegada de reforços já pensando na temporada de 2013. Em entrevista coletiva após o empate por 1 a 1 contra o Corinthians, ele não demorou a atacar seus superiores por causa dos encontros em sequência e do pouco resultado.

“As contratações precisam vir, né? Fizemos muita reunião e ficamos só na reunião. Já está acabando o ano, estamos entrando nas férias e não chega ninguém. Precisamos apressar um pouco as coisas. Deixamos alguns espaços para a velocidade, e o Neymar fez muita falta. Mas o Corinthians está sem muita gente também. O Neymar faz falta sempre, ele é 50% do time mas não pode ser assim. Toda a vez que o Neymar não jogar, o Santos não vai jogar? Não existe isso. Não pode ter um ou dois jogadores bons, tem de ter um time. É isso que estou explicando para a diretoria”, disse ele.

Depois, questionado sobre o acerto que pode estar próximo com o argentino Montillo, Muricy voltou a dar uma cutucada na diretoria, usando a história de São Tomé, que na história bíblica disse a famosa frase: “Só acredito vendo”.

“Eu sou São Tomé, meu filho! Sabe o São Tomé? Você me contou uma história legal (Montillo próximo de assinar com o Santos com a ajuda de um investidor), mas fica só na história. Eu estou cansado. Na hora que assinar, parabéns! Mas se não fico na dúvida até que assinar”, completo u o comandante.

Por fim, Muricy Ramalho ainda falou da possível troca entre Felipe Anderson e Robinho, do Milan. Neste sábado, olheiros do time italiano estiveram no Estádio do Pacaembu para observar o futebol do meia.

“Eles estão acompanhando nosso time porque tem jogadores jovens que são interessantes. Felipe Anderson é um deles. Eles foram na Vila outro dia. Se hoje eles viram o Felipe Anderson, viram também o Arouca, que mandou no jogo. Se eles virem nosso jogo toda hora, eles vão levar todo o time. O que posso falar da troca é que tomara que venha o Robinho e não vá o Felipe”, finalizou.

Muricy chama Victor Andrade de “projeto de jogador” e agradece árbitro por paciência

Depois de reclamar publicamente da diretoria, Muricy Ramalho inovou e agradeceu o árbitro Raphael Claus, que comandou o empate por 1 a 1 entre Corinthians e Santos. O treinador afirmou que o juiz foi paciente e ajudou a educar Victor Andrade, a quem chamou de “projeto de jogador”.

O comandante afirmou que o jovem atacante poderia ter sido expulso por ser inexperiente e dar um bico na bola após ouvir o apito do árbitro.

“Ele é um projeto de jogador. O juiz teve uma paciência com ele, foi um educador. Porque ele poderia ter levado o segundo cartão por jogar a bola longe. Eu fui ate cumprimentar o juiz por causa disso”, disse ele.

“Isso que ele faz é de jogador inexperiente, que não está pronto. Todo dia eu bato nele para ele ter humildade, mas vai demorar muito para ele ser um jogador. Ele faz coisas boas, mas faz coisas de jogador iniciante como ele é”, completou.

Com 17 anos, Victor foi titular neste sábado e aproveitou a oportunidade que recebeu, especialmente por Neymar estar fora. Muricy, aliás, afirmou que o atacante do Santos e da seleção brasileira é 50% de sua equipe.

Rafael reclama de falha repetitiva com bolas aéreas na zaga do Santos

Rafael, goleiro do Santos, não foi muito exigido neste sábado, no empate por 1 a 1 contra o Corinthians. Ajudado pela falta de pontaria, especialmente de Romarinho e Emerson Sheik, que perderam gols incríveis, o camisa 1 saiu de campo reclamando da dificuldade que sua equipe tem de defender bolas alçadas na área.

Foi assim que Wallace, zagueiro corintiano, conseguiu empatar o jogo e deixar o Estádio do Pacaembu, na despedida de sua torcida antes do Mundial de Clubes, com o resultado.

“Eu acho que nós jogamos bem e queríamos vencer. Mas a gente sempre tem dificuldade em bola parada, porque nossa equipe é menor (em estatura). Nós tomamos um gol ali, mas queríamos vencer muito o jogo. Nós perdemos jogando bem e mostramos que nossa equipe é forte em qualquer lugar”, disse ele.

Arouca, volante que foi um dos destaques do time na contenção no meio de campo, preferiu ser menos crítico e não reclamou da falha. “Nós acabamos aceitando a pressão deles e fomos castigados”, limitou-se a dizer.

Já o autor do gol santista, Felipe Anderson, mostrou estar um pouco mais otimista do que seus companheiros. Após um ano de muita bronca de Muricy, o meia-atacante conseguiu passar por Cássio.

“Foi muito bom o jogo, mas jogando contra o Corinthians, com o estádio lotado, a equipe deles bem, a gente pode considerar esse como um bom resultado. Nós vamos trabalhar para o clássico da semana que vem e sair vencendo”, disse ele.

Diretoria do Santos responde Muricy com calma e diz entender desabafo de treinador

Pelo menos publicamente, a diretoria santista não mostrou a menor preocupação com os ataques de Muricy Ramalho no último sábado, logo após o empate por 1 a 1 entre Santos e Corinthians, ainda nos vestiários do Estádio do Pacaembu, na 37ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Na saída da delegação de volta para a Baixada Santista, o gerente de futebol, Nei Pandolfo, afirmou que as reclamações são normais de um treinador que quer fazer o time jogar o melhor futebol possível. Ele também minimizou o interessa da seleção brasileiro no trabalho do comandante.

“A gente não se preocupa com as reclamações, nem com a seleção brasileira. Nossa preocupação é em conseguir o mais rápido possível os reforços pedidos pelo treinador. A gente recebe com normalidade a fala de Muricy”, disse ele.

Depois, em entrevista à rádio Estadão ESPN, Odilio Rodrigues, vice-presidente do Santos, também disse que não tem a menor preocupação com a esbravejada de Muricy Ramalho e afirmou que as contratações aparecerão em breve na Vila Belmiro.

“Acho normal o que ele falou e trabalhamos há quase dois anos, entendemos o que acontece com ele e sabemos que ele fala isso depois do jogo, é normal ele ficar um pouco nervoso. Realmente nós fazemos reuniões de terça, analisamos um monte de nomes, mas vocês conhecem como a gente trabalha. Não falamos de nomes e aproveitando a frase de São Tomé de Muricy, eu digo que só anuncio quando estiver assinado”, disse ele.

O comandante, que vinha adotando uma fase mais light, chegou a dizer que perdeu a paciência com a demora santista para trazer reforços.

“As contratações precisam vir, né? Fizemos muita reunião e ficamos só na reunião. Já está acabando o ano, estamos entrando nas férias e não chega ninguém. Precisamos apressar um pouco as coisas. Deixamos alguns espaços para a velocidade, e o Neymar fez muita falta. Mas o Corinthians está sem muita gente também. O Neymar faz falta sempre, ele é 50% do time mas não pode ser assim. Toda a vez que o Neymar não jogar, o Santos não vai jogar? Não existe isso. Não pode ter um ou dois jogadores bons, tem de ter um time. É isso que estou explicando para a diretoria”, disse ele.

“Eu sou São Tomé, meu filho! Sabe o São Tomé? Você me contou uma história legal (Montillo próximo de assinar com o Santos com a ajuda de um investidor), mas fica só na história. Eu estou cansado. Na hora que assinar, parabéns! Mas se não fico na dúvida até que assinar”, completo u o comandante.