Ituano 0 x 2 Santos

Data: 31/03/1994, quinta-feira, 21h10.
Competição: Campeonato Paulista – 2º turno – 19ª rodada
Local: Estádio Novelli Júnior, em Itu, SP.
Público: 3.569 pagantes
Renda: CR$ 10.197.500,00
Árbitro: João Paulo Oliveira
Gols: Macedo (15-1) e Demétrios (06-2).

ITUANO
Maizena; Ronaldo, Júnior, Luiz Fernando e Biro-Biro; Cícero, Roberto Ramos, Julio César e Ribamar (Sandro Gomes); Lima (Marcelo Brito) e Celinho.
Técnico: Waldemar Carabina

SANTOS
Edinho; Índio, Júnior, Maurício Copertino e Piá; Dinho, Gallo, Ranielli e Paulinho Kobayashi; Macedo e Demétrios.
Técnico: Serginho Chulapa



Santos tenta primeira vitória fora de casa ( Em 31/03/1994 )

O Santos tenta hoje, em Itu, a sua primeira vitória fora de casa sob o comando de Serginho Chulapa. Demétrius, única mudança no time, será o centroavante no lugar de Guga, contundido.

Desde que assumiu a direção técnica da equipe, há oito jogos, Serginho só perdeu uma partida. Foi em Novo Horizonte, no último jogo do time no primeiro turno.

Na outra partida de Serginho fora da Vila Belmiro, o Santos empatou em 1 a 1 com o União São João, em Araras. Esse jogo marcou a estréia oficial do treinador no lugar de Pepe. Na ocasião, o time estava em 16º lugar no campeonato.

Passados 23 dias do jogo, o Santos ocupa a quinta posição. Foram cinco vitórias, dois empates e uma derrota. O ataque marcou 13 gols e a defesa sofreu cinco.

Serginho, que já definiu o seu esquema tático como “cauteloso-ofensivo”, decidiu que hoje o seu time tem de jogar no ataque, “como se estivesse na Vila”.

Ele manterá o meio-campo com dois volantes -Gallo e Dinho-, além de Ranielli, que se revezarão na marcação e armação das jogadas.

“Esse conjunto vem dando certo”, avalia Dinho, que chegou a ter a sua saída do clube pedida pelos torcedores.

Para o jogador, o meio-campo com dois volantes permite a subida ao ataque dos laterais. Com a volta de Piá ao lado esquerdo da defesa, e o lateral-direito Índio em boa fase, a maioria dos gols santistas tem surgido de cruzamentos desses jogadores.

“É isso que eu quis dizer com cauteloso-defensivo. Um meio-de-campo forte, pegador, e um ataque veloz, que seja ajudado pelos laterais”, teoriza Serginho.

Serginho usa simplicidade nos treinamentos

Para um ex-jogador reconhecidamente avesso aos treinos ao longo de toda a sua carreira, Serginho Chulapa vem conseguindo, por meio de métodos simples, mudar o perfil tático da equipe.

“Aqui não tem esse negócio de computador. O pessoal se reúne e realiza aquilo que sabe, aquilo que treinou”, afirma Serginho.

No dia-a-dia da Vila Belmiro, que hoje recebe mais de 300 torcedores por dia –o triplo do que há dez jogos–, Serginho insiste muito no aprimoramento técnico.

Dribles, cruzamentos, cobranças de faltas e outros fundamentos são repetidos até a exaustão. “Isto eu acho fundamental. Jogador de futebol tem que treinar com a bola no pé”, disse o técnico.

Mas como o próprio Serginho diz que treino “todo dia é chato”, o aprimoramento técnico cede lugar a um descontraído coletivo regularmente.

Para Serginho, o treino técnico e o treino tático são duas coisas que se completam, nas quais os jogadores aumentam o seu entrosamento.
“No começo do campeonato, o time errava uma barbaridade de passes. Hoje, isso já mudou”, declara.

Para a torcida, nada disso importa. Na Vila Belmiro, que chegou a ter seguranças para a proteção dos jogadores –agredidos em Cumbica e na própria Vila– e os muros pichados, o clima é de confiança, principalmente no novo técnico.

“O time é o mesmo que o Pepe dirigia, só mudou o treinador. Como é que pode?” pergunta o aposentado Luiz Rollo Lima, 58.