Santos 1 x 1 Palmeiras – 4 x 2 nos pênaltis

Data: 27/04/2013, sábado, 16h15.
Competiçao: Campeonato Paulista – Quartas-de-finais – Jogo único
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 14.172 pagantes
Renda: R$ 443.755,00
Árbitro: Guilherme Ceretta de Lima (SP)
Auxiliares: Alberto Poletto Masseira e Maria Núbia Ferreira Leite (ambos de SP).
Auxiliares adicionais: Flávio Rodrigues Guerra e Antonio Rogério Batista do Prado (ambos de SP).
Cartões amarelos: Renê Júnior e Neto (S); Henrique, Márcio Araújo e Wesley (P).
Gols: Cícero (12-1); Kleber (38-2).
Pênaltis: Santos: Miralles, Cícero, Montillo e Renê Júnior converteram; Palmeiras: Souza e Wesley converteram; Kleber e Leandro desperdiçaram.

SANTOS
Rafael; Alan Santos (Neto), Edu Dracena, Durval e Léo; Renê Júnior, Arouca (Marcos Assunção), Cícero e Montillo; Neymar e André (Miralles).
Técnico: Muricy Ramalho

PALMEIRAS
Bruno; Ayrton, Henrique, Mauricio Ramos e Marcelo Oliveira; Márcio Araújo (Souza), Léo Gago (Kleber), Charles e Wesley; Vinícius (Maikon Leite) e Leandro.
Técnico: Gilson Kleina



Santos elimina o Palmeiras nos pênaltis e avança às semifinais

Após empate por 1 a 1, time da Vila Belmiro conta com cobranças erradas de Kleber e Leandro e garante classificação no Paulista

O Santos está classificado para as semifinais do Campeonato Paulista. Após empate por 1 a 1 com o Palmeiras no tempo regulamentar, a equipe comandada por Muricy Ramalho fez 4 a 2 sobre o rival na decisão por pênaltis e confirmou a sua classificação para a próxima fase neste domingo, na Vila Belmiro. Os atacantes Kleber e Leandro desperdiçaram suas cobranças.

Apesar de ter levado alguns sustos no início da partida, o Santos assumiu o controle do clássico quando abriu o placar com Cícero, que completou um chute de Neymar após cobrança de escanteio. A partir de então, o Palmeiras foi acuado e teve reduzidas as suas chances de acertar as redes. Naquela que foi praticamente a última delas, aos 38 minutos do segundo tempo, Kleber (herói e vilão no clássico) igualou o marcador com uma bela cabeçada.

O Palmeiras agora se concentra para começar a competir nas oitavas de final da Copa Libertadores da América. O primeiro confronto com o mexicano Tijuana será já na noite de terça-feira, no Estádio Caliente. Por sua vez, o Santos terá mais tempo de preparação para o seu próximo compromisso na Copa do Brasil. Enfrentará o Joinville apenas em 8 de maio, fora de casa, pela segunda fase do torneio.

O jogo

Para se manter com chances de ser tetracampeão paulista, Muricy Ramalho baseou, mais uma vez, seu esquema em Neymar, apesar de o atacante ter sido dúvida até pouco antes da partida por dores na coxa esquerda. Mas, no início, o astro sofreu bastante para fazer sua equipe andar.

Sem Galhardo, abalado pela morte do irmão, o volante Alan Santos foi escalado na lateral direita dos mandantes, sem passar do meio-campo para liberar a subida de Léo pela esquerda. Renê Junior comandava a saída de bola, com Arouca enfiado como um ponta direita, Cícero chegando em Montillo para armar e André como referência na frente. Todos à procura de Neymar, que não parava em campo. Mas nada disso dava certo.

Gilson Kleina deixou o volante Souza no banco de reservas para ter a movimentação incessante de Leandro e Vinicius na frente, apesar de o segredo estar no meio-campo. Charles e Ayrton se revezavam na lateral para vigiar Neymar, com Marcelo Oliveira fazendo o mesmo com Léo Gago na esquerda para anular Arouca. Márcio Araújo tirou Montillo do jogo, e Cícero ficava perdido em campo, com Wesley e Charles passando em suas costas para o ataque.

Sem permitir o encaixe da marcação adversária, graças à rápida movimentação, o Palmeiras teve chance de gol com Leandro, com espaço suficiente para obrigar Rafael a fazer boa defesa em arremate de fora da área, aos seis minutos. Aos dez, Wesley desarmou Renê Junior no círculo central e lançou Vinicius, que tabelou com Charles e cruzou rasteiro para Leandro desviar rente ao pé da trave esquerda de Rafael.

Para fazer seu time jogar, Neymar voltava até o campo de defesa, inclusive para escapar da dura marcação que sofria ao atacar, quase sempre caindo ao chão por levar entradas mais fortes. Mas bastou um momento de desconcentração do Verdão para a qualidade dos anfitriões na Vila Belmiro aparecer de maneira decisiva.

Em uma rara jogada de toques de primeira, Montillo passou para Arouca tentar encobrir Bruno na grande área. O goleiro espalmou para fora e, na cobrança de escanteio, o Palmeiras se esqueceu de Neymar, deixando o atacante dominar no peito e bater cruzado. Também livre, mas na pequena área, Cícero se esticou para colocar a bola nas redes, aos 12 minutos.

O jogo se transformou completamente após o gol do Santos. Tudo que Muricy Ramalho ensaiou se encaixou, e o Palmeiras já não acertava mais passes, perdendo a bola até mesmo na defesa. Acuada em seu campo, a equipe de Kleina ainda viu Neymar driblar toda a defesa como quis na área e só não dar assistência para André porque Marcelo Oliveira afastou quase da linha do gol. Desconcentrado, o time ainda deixou Cícero livre de novo para cabecear, mas nas mãos de Bruno, aos 19.

Na base da movimentação, os jovens Vinicius e Leandro conseguiram recolocar o Palmeiras no ataque e até envolviam a defesa adversária com suas tabelas, mas, quando olhavam na área, já não encontravam ninguém porque Wesley e Charles estavam atrás do meio-campo, impedidos de avançar pela imposição do jogo santista.

Mesmo soberano naquele momento, o Santos obedeceu Muricy e se retraiu à espera do contra-ataque, dando a posse de bola ao rival. O Palmeiras, porém, já não acertava tanto e só assustou em cobrança de escanteio que Leandro, à frente do gol, cabeceou para fora.

O Peixe, por sua vez, chegou a balançar as redes em gol contra de Henrique, em jogada anulada por falta de Neymar no zagueiro, aos 30 minutos. E ainda quase fez um golaço com Edu Dracena, que parou em grande defesa de Bruno e no travessão. O goleiro reapareceu também em falta cobrada por Neymar, para evitar um placar mais elástico antes do intervalo.

Tentando resolver os problemas do Palmeiras, Kleina concordou em arriscar tudo – “é isso aí”, ele disse – ao colocar o atacante Kleber no lugar de Léo Gago. As primeiras investidas no segundo tempo, no entanto, foram do Santos. Aos dez minutos, Cícero avançou pela direita e cruzou rasteiro. Neymar, livre de marcação, chutou em cima de Bruno – enquanto os palmeirenses reclamavam de impedimento no lance.

O Palmeiras não demorou muito a responder. Três minutos após o susto, Leandro chegou a se desvencilhar do goleiro Rafael. O atacante só não completou a jogada para o gol porque o veterano Léo teve fôlego para interceptar o chute e salvar o Santos do empate.

Logo depois de o Palmeiras chegar próximo da igualdade, Muricy resolveu entrar em ação. Sacou Alan Santos e André para as entradas de Neto e Miralles e conseguiu o que queria: esfriar o clássico, obrigando o rival (que não tinha criatividade) a rodar bastante a bola no meio-campo.

Gilson Kleina, então, gastou as suas últimas fichas. Souza e Maikon Leite (vaiado pela torcida de seu ex-clube) entraram nas vagas de Márcio Araújo e Vinícius com a missão de manter o Palmeiras vivo no Campeonato Paulista. Parecia que não daria certo, já que Neymar e Miralles tiveram uma série de oportunidades de ampliar o marcador para o Santos – e desperdiçaram todas, com chutes em cima de Bruno, da marcação ou para fora.

Aos 38 minutos, quando alguns torcedores do Santos já festejavam a classificação com provocativos gritos de “segunda divisão”, o Palmeiras chegou ao empate. Souza cruzou da direita, e Kleber cabeceou com estilo para marcar o seu primeiro gol pelo clube. Muricy Ramalho, depois de tantas chances perdidas por seu ataque, ficou desolado com a iminente disputa de pênaltis.

Bastidores – Santos TV:

Rafael rejeita rótulo de herói do Santos e explica movimentação nos pênaltis

Goleiro defendeu duas cobranças na disputa com o Palmeiras e foi decisivo na classificação do time para a semifinal do Paulista

O goleiro Rafael foi decisivo para a classificação do Santos para as semifinais do Campeonato Paulista. Após defender as cobranças dos atacantes Kleber e Leandro, ele evitou ser rotulado como herói pela vitória por 4 a 2 na disputa por pênaltis com o Palmeiras . O clássico terminou empatado por 1 a 1 no tempo regulamentar.

“Não gosto de falar em herói. É lógico que chamam o goleiro dessa forma depois de pênaltis defendidos, mas toda a equipe se doou muito”, comentou Rafael, que se preparou para se destacar nas penalidades. “A gente treina, né? Mas é difícil, pois o Palmeiras tem grandes batedores, mas treino pênaltis todas as sextas”, avisou.

Para colocar em prática o que treinou, Rafael apostou em uma movimentação constante sobre a linha do gol. O objetivo era desconcentrar os palmeirenses. “Quis fazer alguma coisa diferente. Eu me sinto melhor assim, mais ligado do que se estivesse parado. Também é bom para deixar o gol um pouco menor. Às vezes, dá certo. Hoje, deu”, sorriu.

Ainda que não se considere um herói, o goleiro do Santos lembrou que a boa atuação serviu para coroar uma semana especial. “Pegar pênaltis é bom em qualquer circunstância, mas foi Dia do Goleiro ( em 26 de abril ) nesta semana, o que torna isso mais legal ainda. Gostei de ver o carinho das pessoas pelo nosso trabalho. Estou ainda mais animado porque jogo em um time espetacular como o Santos”, enalteceu.

Após defesas de pênalti, Rafael volta a falar em seleção brasileira

Goleiro foi decisivo para a classificação do Santos à semifinal do Campeonato Paulista ao defender duas cobranças do Palmeiras

Rafael se empolgou com as defesas de pênalti que classificaram o Santos às semifinais do Campeonato Paulista. Após parar os atacantes Kleber e Leandro na disputa de penalidades com o Palmeiras, no sábado, o goleiro passou a projetar um retorno à seleção brasileira.

“O técnico tem convocado o Júlio César, que é um baita goleiro. Temos muitos outros bons. O Brasil está bem servido e só deve dar sequência para alguém, como fizeram com o Júlio. Mas é claro que sempre sonho com a Seleção. Vou trabalhar com humildade, quietinho, para voltar”, almejou.

Rafael seria o titular da Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres, no ano passado, porém contundiu o cotovelo direito e acabou cortado. “Houve a lesão e, por opção do técnico, não voltei mais”, lamentou, apesar de não criticar Mano Menezes, o antecessor de Luiz Felipe Scolari no comando do Brasil.

“Sei que é difícil. Goleiro é carga de confiança. Eu contava com a confiança do Mano, que sempre me deu apoio e me ajudou muito. Tive idade olímpica para estar em Londres. Depois das Olimpíadas, o treinador voltou a chamar quem considerava melhor. Mas só tenho a agradecê-lo. O Mano foi o cara que me deu a minha primeira chance na seleção. Não vou me esquecer disso”, discursou.

Atualmente, Rafael conta com a confiança de outro técnico: Muricy Ramalho. “Ele é um goleiro que não chegou de graça à seleção brasileira. Caras como ele crescem em momento de decisão, como foram os pênaltis com o Palmeiras. No futebol, você mostra que é bom nos momentos difíceis”, disse o treinador do Santos, incentivando futuras convocações de seu comandado.

“O Rafael teve um probleminha ( o corte das Olimpíadas ), e isso acaba abatendo um pouco. Mas a confiança que temos nele é muito grande. Ele voltou a mostrar porque é o goleiro do Santos e porque já esteve na Seleção Brasileira”, exaltou Muricy.

Muricy lamenta chances perdidas no “melhor jogo do Santos no ano”

Treinador aprova atuação da equipe durante o empate diante do Palmeiras na Vila Belmiro, mas reclama da pontaria dos jogadores

O técnico Muricy Ramalho ficou muito satisfeito com a atuação do Santos no clássico contra o Palmeiras, neste sábado. A vitória nos pênaltis, após empate por 1 a 1 , garantiu a vaga nas semifinais do Campeonato Paulista. O treinador, no entanto, ficou insatisfeito com a pontaria dos seus comandados.

“Foi o melhor jogo do Santos no ano. Estamos subindo na hora certa. O Palmeiras teve poucas oportunidades, e nós criamos um bom volume de jogo. O problema é que não aproveitamos para matar a partida. E, no futebol, a bola pune mesmo. Em um lance isolado, saiu o gol deles”, comentou Muricy.

O Santos havia aberto o placar no primeiro tempo, com gol de Cícero, e passou a dominar o jogo a partir de então. Após desperdiçar uma série de chances, principalmente com os atacantes Neymar e Miralles, levou o gol de empate, marcado de cabeça por Kleber.

“A gente poderia ter matado o jogo no segundo tempo. Criamos muitas chances. Por isso, precisamos estar sempre ligados, ainda mais em jogos de mata-mata”, advertiu o meia Montillo, apesar de contente com a classificação santista. “Estamos de parabéns pela vitória nos pênaltis.”

Para o goleiro Rafael, que defendeu as cobranças dos atacantes Kleber e Leandro na disputa de penalidades, o Santos foi superior ao Palmeiras por causa da grande vontade de vencer – um elogio que vinha sendo creditado ao time rival. “A nossa disposição fez a diferença. Saímos mortos de campo. Com essa determinação, sofremos menos gols e temos chances menores de perder”, disse.

Mesmo com o empenho e a vaga garantida na próxima fase do Estadual, Muricy Ramalho tem consciência de que o Santos ainda precisa melhorar para chegar ao inédito tetracampeonato. “Hoje, os pênaltis fizeram justiça à nossa atuação. Nosso time é experiente e cresce muito nessas horas. Mas sabemos que não temos mais algumas feras do passado, como Robinho, Ganso e Elano. Estamos formando um grupo novo. Isso, às vezes, demora um pouco. Felizmente, o volume de jogo contra o Palmeiras foi grande, como ainda não havíamos tido”, concluiu.

Muricy dedica classificação do Santos ao presidente e a Galhardo

Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro voltou a ser internado no hospital nesta semana, enquanto lateral perdeu o irmão em acidente de carro

O técnico Muricy Ramalho citou duas pessoas relacionadas ao Santos que atravessam dificuldades em meio à comemoração pela classificação às semifinais do Campeonato Paulista, com vitória nos pênaltis sobre o Palmeiras: o presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro e o lateral direito Rafael Galhardo.

“Sei que o presidente está sofrendo muito, pois não é fácil ficar internado. A gente dedica a nossa vitória a ele e também ao Galhardo, esperando que tenham muita força”, comentou Muricy, logo após o clássico deste sábado, na Vila Belmiro.

Luis Álvaro voltou a ser internado no Hospital Albert Einsten, em São Paulo, na última segunda-feira, por apresentar cansaço excessivo durante sessão de fisioterapia respiratória. Em 28 de fevereiro, o mandatário santista havia ido ao hospital para fazer uma biópsia no pulmão e passado por um procedimento de cateterismo cardíaco após se sentir mal.

Já Galhardo perdeu o irmão Marcus Vinícius Galhardo, de 22 anos, morto em um acidente automobilístico no interior do Rio de Janeiro. Marquinhos, como era conhecido, também jogava futebol profissionalmente: estava emprestado pelo Friburguense ao Tombense, semifinalista do Campeonato Mineiro.

“O Galhardo está ao lado de sua família. Sentimos a falta dele como jogador e como pessoa, pois é alguém muito querido no grupo. Rezamos muito por ele, para voltar bem. Estamos esperando o atleta de braços abertos”, comentou Muricy.