Santos 2 x 2 Corinthians

Data: 25/06/1995, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista – 2ª Fase – Grupo II
Local: Estádio Santa Cruz, em Ribeirão Preto, SP.
Público e renda: Não divulgados
Árbitro: Cláudio Cerdeira (RJ).
Cartões amarelos: Ronaldo, Piá e Carlinhos (S); Bernardo e Vítor (C).
Cartões vermelhos: Gallo (S); Silvinho (C).
Gols: Marcelinho Carioca (02-1), Macedo (11-1) e Viola (24-1); Giovanni (06-2).

SANTOS
Edinho; Ronaldo, Maurício Copertino, Cerezo e Piá; Gallo, Carlinhos, Giovanni e Luís Muller (Marcelo Passos); Macedo (Camanducaia) e Jamelli.
Técnico: Joãozinho Rosa

CORINTHIANS
Ronaldo; Vítor, Célio Silva, Pinga e Silvinho; Bernardo, Zé Elias, Marcelinho Carioca e Tupãzinho (Marcelinho Souza); Viola e Marques.
Técnico: Eduardo Amorim



Empate no interior ajuda Portuguesa

Quem mais ganhou com o empate de 2 a 2 ontem no clássico entre Santos e Corinthians, na Ribeirão Preto (e branca) do fim-de-semana, foi a Portuguesa.

O time do Canindé fica com sete pontos no seu grupo, três à frente do Corinthians, que tem obrigação de vencer o confronto direto entre os dois, no próximo sábado.

Com o empate de ontem na chamada Califórnia brasileira, as chances do Santos -que tem um ponto solitário em dois jogos- chegar à final do Campeonato Paulista ficam bastante reduzidas.

(Mas não são impossíveis, pois o time praieiro disputa ainda 12 pontos nas próximas rodadas).

Ficam aprovados os clássicos com gosto de (bom) chope do exílio, parodiando o ex-exilado presidente brasileiro, FHC.

A chegada ao estádio teve organização de Primeiro Mundo. Filas organizadíssimas para a entrada, pasme, dos Gaviões da Fiel e demais torcidas corintianas.

Se Ribeirão é a nossa Califórnia, o estádio Santa Cruz, do time do Botafogo, foi o nosso Rose Bowl, com duas ressalvas: o velho placar e a má iluminação. (Em parte, estes problemas são explicados, segundo a direção do Botafogo, pelos fortes ventos que sopraram pela manhã na cidade. Choveu o dia todo e fez frio).

O jogo foi uma espécie de imagem do mundo contemporâneo: pendeu para a direita. As arrancadas de Marcelinho pelo flanco foram decisivas para o Corinthians.

As cortinas ainda subiam para abrir o espetáculo e Marcelinho sofria um pênalti. Ele mesmo executou e converteu, dando ilusão de uma vitória fácil do Corinthians.

Foi aí que o lado direito do Santos, com Macedo acionado pelo meio-campo, começou a funcionar, ajudado pela má jornada do lateral Silvinho, do Corinthians.

Depois de três jogadas pela direita, o lateral santista Ronaldo fez longo lançamento para Macedo que ganhou de Silvinho e empatou, ao 11min do primeiro tempo.

O jogo, que começou alucinante, reduziu a intensidade.

Aos 24min, Zé Elias lançou Marcelinho. Este virou para Marques, que cruzou. Viola, ontem de chuteiras prateadas, antecipou-se à zaga e fez 2 a 1.

Aos 6min, Macedo cobrou escanteio pela direita e Giovanni empatou o jogo, de cabeça.

O Corinthians teve muitas oportunidades para marcar mais gols (Tupãzinho perdeu duas e Viola uma). Mas ontem era um personagem com olhos de ressaca.

Pinga e Silvinho falhavam na defesa, Tupãzinho, perdido no meio do canavial ribeirão-pretano, não ajudava a criar alternativas para agredir a frágil defesa santista.

Além de Macedo, o Santos tinha a genialidade de Giovanni. Com a sua sequência de dribles, lançamentos e cabeçadas, perturbou e não se deixou marcar.

No final, mais disposto dentro do campo, o Santos tinha mais energias para vencer o jogo na noite que já brilhava no céu.

Santistas apostam em reabilitação na Vila

A recuperação começou ontem e vai se consumar nos próximos jogos, contra União São João e Portuguesa, na Vila Belmiro. Nessa idéia estão depositadas as últimas esperanças do Santos de vencer o seu grupo na segunda fase do Campeonato Paulista e ir para a final.

Após duas das seis rodadas, a Portuguesa lidera a fase com sete pontos. O Santos tem um.

“Nada está perdido. A Portuguesa está na frente, mas já fez dois jogos em casa. Nós só jogamos fora”, afirmou o zagueiro Maurício Copertino após a partida.

Apesar de insatisfeitos com o resultado, que deixa o time seis pontos atrás da Portuguesa (cada equipe ainda tem 12 para disputar), os jogadores disseram que o empate foi justo.

“Poderia ter sido 3 a 3 ou 4 a 3 para qualquer time”, afirmou o meia-atacante Jamelli, que ontem jogou como meia, encarregado de marcar o lateral-direito Vítor, do Corinthians.

Jamelli afirmou que o time teve problemas para deter o ataque corintiano pelo seu lado no primeiro tempo, mas isentou a defesa.

“O Corinthians tem atacantes com habilidade. Mas no segundo tempo, praticamente neutralizamos essa jogada”, acrescentou o técnico Joãozinho. Segundo o treinador, na segunda etapa, o Santos mereceu a vitória no clássico.

O atacante Macedo disse no vestiário que pediu para ser substituído, aos 28min do segundo tempo. “Tá doendo muito aqui, ó”, disse, com expressão de dor, apontando para a virilha.

Macedo foi o principal atacante do Santos no jogo. Foi dele o cruzamento para o segundo gol, marcado por Gallo.

A única bronca do Santos era com a arbitragem. Copertino afirmou que foi agredido pelo goleiro Ronaldo, dentro da área com a bola em jogo. “Ele até me pediu desculpas, depois.”

Edinho evita nova derrota

O goleiro Edinho foi apontado pelos jogadores como um dos responsáveis pela reação do Santos no segundo tempo. Ele sofreu dois gols, um de pênalti, mas evitou pelo menos duas chances claras do adversário.

Disse que, se tivesse tomado um destes gols, o “Santos não teria força para reagir”.

Repórter – O que achou da atuação do Santos?
Edinho – Melhoramos 100% em relação ao último jogo. Fomos muito bem. Não vencemos, mas mostramos o que podemos jogar.

Repórter – Desde uma derrota de 4 a 0 no ano passado, você tem feito sempre grandes partidas contra o Corinthians. É só coincidência ou o adversário motiva mais?
Edinho – Em todos os clássicos, não só contra o Corinthians, eu sinto que cresço. Quando você vê um estádio cheio, é impossível não ter uma motivação extra para jogar.

Repórter – Quais foram suas maiores defesas?
Edinho – No primeiro tempo, defendi com o pé um chute à queima-roupa do Tupã. No segundo, peguei uma cabeçada do Viola.
Nos dois momentos, o Corinthians vencia por 2 a 1. Se tivesse feito o terceiro, não teríamos força para reagir.

Repórter – Qual a defesa mais difícil?
Edinho – Pode ter parecido que foi a segunda, mas, na verdade, foi a primeira. Eu estava no contrapé, mas consegui me virar. Na segunda, eu estava perto da bola.

Repórter – O que você achou do campo?
Edinho – O campo era duro e não totalmente plano, mas é melhor do que o Pacaembu.



Fonte: Estadão – Págs. 1 e 3