Sucesso só na estatística, Oliveira perde o emprego

Com índices até melhores do que os do time campeão brasileiro de Luxemburgo, treinador é considerado tranqüilo demais por torcida e dirigentes dos Santos

Oswaldo de Oliveira não é mais técnico do Santos. Em uma reunião na madrugada de ontem, a diretoria da Vila Belmiro cedeu à pressão da torcida e decidiu pela saída do treinador, cuja situação ficou insustentável após o empate em 3 a 3 com o América, anteontem, pelo Campeonato Paulista.

O gerente do futebol santista, Luiz Henrique de Menezes, fez o anúncio oficial do desligamento de Oliveira pela manhã de ontem.

Para ocupar o cargo, a diretoria santista trabalha com uma lista de nomes na qual figuram o ex-corintiano Tite, o preferido, e Celso Roth, ex-Goiás, mas as negociações ontem ainda não haviam chegado a um desfecho.
Oliveira deixa o time em segundo no Paulista -sete pontos atrás do São Paulo, a seis rodadas do fim- e em terceiro no seu grupo na Libertadores, na qual teve duas derrotas em três jogos.

O fato de ambas terem sido nas altitudes andinas -contra o Bolívar, em La Paz, e a LDU, em Quito- nunca sensibilizou a torcida, que não vê o troféu desde 1963.

Comparado com o Santos do técnico Vanderlei Luxemburgo, campeão brasileiro do ano passado, o de Oliveira nem aparece tão mal nos números. Na verdade, em alguns pontos, até melhora.

O aproveitamento de pontos de Oliveira em seus 16 jogos (Paulista e Libertadores ) é de 64,6%, superando os 61,5% de Luxemburgo em 52 partidas -de Libertadores, Brasileiro e Sul-Americana.

O recém-demitido ainda obteve uma média de gols por jogo superior que o atual técnico do Real Madrid -2,38 contra 2,10.
Se comparado apenas o desempenho de ambos só contra times que disputaram o Brasileiro-04 e estão presentes no Paulista deste ano, o Santos de Oliveira melhorou nas virtudes ofensivas.

O índice de passes certos com Oliveira ficou em 88,2%, segundo o Datafolha, diante de Corinthians, Palmeiras, Guarani, Ponte Preta e São Caetano -faltou apenas enfrentar o São Paulo. Com Luxemburgo, o time teve 84,9% de acerto nos dois turnos do Nacional contra todos esses times.

Nas finalizações certas, o time de Oliveira bate o de Luxemburgo -8,8 contra 6,6 por jogo-, e a média de gols por jogo é quase igual -o demitido alcançou 1,80, contra 1,83 do antecessor.

O sistema defensivo do time do litoral, no entanto, apresentava uma queda. Com Luxemburgo, havia mais desarmes -121,7 por jogo, contra 119 de Oliveira- e mais empenho no antijogo: a média de faltas cometidas por partida era de 21,8, contra 18,2.

A maior crítica, no entanto, era ao temperamento. Enquanto Luxemburgo era visto à beira do campo, gritando com os atletas, a tranqüilidade de Oliveira nos momentos mais difíceis irritava torcida e parte da diretoria.

Fonte: Jornal Folha de SP