Portuguesa 0 x 4 Santos

Data: 17/09/1978
Competição: Campeonato Paulista 1978 – 1º turno – 7ª rodada
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 37.039 pagantes
Renda: Cr$ 1.160.220,00
Árbitro: Marcio Campos Sales
Auxiliares: Ezequiel Pedrozo e Antonio Ribeiro
Gols: João Paulo (16-1), Juary (26-1), João Paulo (16-2) e Pita (28-2).

PORTUGUESA
Elias; Marinho, Arouca (Esquerdinha), Pradera e Isidoro; Beto Lima e Wilson Carrasco; Eudes, Tatá, Alcino e Elói.
Técnico: Urubatão Nunes

SANTOS
Vitor; Nelsinho Baptista, Joãozinho, Neto e Fernando; Clodoaldo (Zé Carlos) e Ailton Lira; Nilton Batata, Juary, Pita e João Paulo.
Técnico: Chico Formiga



Santos arrasou a Portuguesa: 4 a 0

Quatro a zero na Portuguesa de Desportos no clássico do Morumbi ontem à tarde. O Santos não poderia dar uma melhor resposta aos seus críticos. Principalmente aqueles que já mostravam claramente não acreditar tanto na eficiência do rápido e jovem ataque, depois dos empates sem gols diante do Paulista e do Marília nos últimos jogos. Juary, Pita e João Paulo mostraram ontem que basta os homens de meio campo, principalmente Ailton Lira e Clodoaldo, encostarem mais nos atacantes, buscarem mais as tramas e criação de jogadas nas proximidades da área dos adversários que os gols passam a acontecer. Até em grande número, como aconteceu ontem contra a Portuguesa.

E foi assim que, já aos 16 minutos do primeiro tempo, Ailton Lira buscou o jogo pela esquerda, com João Paulo e, depois de uma troca de passes, deixou o ponta esquerda em ótima posição diante de Arouca. O zagueiro central da Portuguesa tentou interceptar o lançamento mas errou ridiculamente, deixando a bola passar sob seu pé direito. Rapidamente João Paulo alcançou e atirou forte, no canto direito de Elias, que nada pôde fazer.

Mesmo antes do gol, o ataque do Santos já deixava a defesa da Portuguesa em pânico constante. As deslocações rápidas e inteligentes, acompanhados ora de Pita, ora de Ailton Lira, confundiam completamente os lentos e desorientados Arouca e Pradera. Pelas pontas, João Paulo e Nilton Batata passavam como queriam por Isidoro e Marinho. Desta maneira não é exagero afirmar que o primeiro gol do Santos até demorou demais para acontecer.

O segundo veio aos 28 minutos: Juary tabelou com Pita, tocou entre Arouca e Pradera, venceu os dois na corrida e bateu forte e bem colocado na saída de Elias, que novamente nada podia fazer. Os jogadores da Portuguesa já não sabiam mais o que fazer para impedir os constantes ataques santistas. Além de ver os seus zagueiros serem constantemente envolvidos pelo atacantes adversários, não conseguiam impor o jogo no meio campo, onde principalmente Wilson Carrasco não acertava as jogadas mais elementares. Desta maneira foi com um grande alívio que ouviram o apito do juiz encerrando o primeiro tempo.

Convencido de que a principal falha de seu time estava no meio de campo, o técnico Urubatão Nunes resolveu reforçar mais o setor e partir para as jogadas em contra-ataque, acreditando que assim, através de lançamentos em profundidade para Tatá e Alcino, conseguiria, senão a vitória, pelo menos igualar o marcador. Enganou-se.

Para que esta tática fosse executada com maior eficiência, tirou de campo Arouca, que falhava seguidamente, recuou Beto Lima que jogava de volante improvisado, e colocou em campo um meia esquerda lançador: Esquerdinha. Mas nem jogando com quatro armadores (Eudes, Carrasco, Elói e Esquerdinha), a Portuguesa conseguiu evitar o pior, ou seja, a goleada, que passou a tornar-se mais real a partir dos 17 minutos finais, depois do gol de João Paulo, o segundo do ponta e o terceiro do Santos.

Novamente tramando bem com Ailton Lira, o ponta esquerda recebeu na entrada da área, tocou rápido para Juary no meio, deslocou Pradera, e recebeu um ótimo passe, batendo de primeira para vencer Elias, mais uma vez. Coincidente mente aos 28 minutos, mesma marca do gol de Juary no primeiro tempo, Pita teve a recompensa pelo ótimo futebol que demonstrou, marcando o quarto gol e determinando a goleada.

Nos vestiários, após o ótimo resultado, o ambiente não poderia ser outro senão de muita alegria e otimismo. Mas o técnico Formiga ponderava que seu time só não pode cometer um pecado, o de excessivo otimismo, para evitar problemas futuros.

“É claro que esse resultado foi muito importante, pois não é sempre que se consegue uma goleada em um clássico. Foi bom para levantar o moral da garotada que estava meio baixo depois dos dois últimos empates. Só não podemos agora perder a humildade. Se isso acontecer todo o trabalho que vem sendo feito cai por terra.”