Palmeiras 2 x 1 Santos

Data: 08/06/1999, terça-feira, 20h30.
Competição: Campeonato Paulista – Semifinal – Jogo de volta
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público e Renda: não divulgados
Árbitro: Sálvio Spínola Fagundes Filho
Cartões amarelos: Cléber, Rubens Júnior e Galeano (P); Claudiomiro e Alessandro (S).
Gols: Viola (30-1); Oséas (35-2) e Paulo Nunes (37-2).

PALMEIRAS
Marcos; Arce, Agnaldo, Cléber e Rubens Júnior (Júnior); César Sampaio, Galeano (Zinho), Jackson e Edmílson; Euller (Paulo Nunes) e Oséas.
Técnico: Luiz Felipe Scolari.

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel (Andrei), Jean e Gustavo Nery; Narciso, Claudiomiro, Jorginho (Rodrigo Fabri) e Paulo Rink (Marcos Bazílio); Alessandro e Viola.
Técnico: Émerson Leão.



No sufoco, Palmeiras vai à 2ª final do ano e tenta chegar à “tríplice coroa”

Em dois minutos, time vence de virada o Santos e decide o Paulista-99

Com um gol do atacante Paulo Nunes, aos 37min do segundo tempo, o Palmeiras venceu ontem à noite o Santos por 2 a 1, de virada, no Morumbi, e se classificou para a final do Campeonato Paulista-99.

O Palmeiras iniciou a partida com um time misto em campo, e a entrada dos titulares Paulo Nunes, Zinho e Júnior na segunda etapa foi fundamental para o resultado.

Foi a terceira vez nas últimas semanas que o time decidiu vaga nos instantes finais de uma partida -já o fizera contra o Flamengo, pela Copa do Brasil, e contra a Lusa, pelo Paulista. Foi o 46º jogo oficial da equipe neste ano.

Os dois treinadores, Luiz Felipe Scolari (Palmeiras) e Emerson Leão (Santos), foram expulsos do banco pelo árbitro Sálvio Spínola, por reclamação.

Com o resultado, o Palmeiras manteve suas chances de terminar o século como o clube com mais conquistas no Paulista.

O Palmeiras já obteve 21 títulos da competição, 1 a menos do que o rival Corinthians.
A equipe de Scolari fez crescer também as suas chances de conquistar a “tríplice coroa” -os títulos do Estadual, da Libertadores da América e da Copa do Brasil, as competições mais importantes disputadas no semestre.
Nas duas primeiras competições, o time já está na final. No torneio nacional, o time disputa uma vaga para a decisão na próxima sexta-feira, contra o Botafogo, no Rio.

A decisão do Paulista começa no próximo domingo, com o Palmeiras enfrentando o vencedor da série entre Corinthians e São Paulo. O adversário será conhecido hoje.

Caso o rival das finais seja o Corinthians, o Palmeiras terá a vantagem de jogar por dois empates para conquistar seu quarto título do Paulista na década de 90.

A vitória de ontem foi apenas a segunda em oito jogos do Palmeiras contra o Santos comandado pelo técnico Emerson Leão.

Mesmo com esse retrospecto positivo, o Santos completou seu 15º ano sem títulos do Paulista.

Nesse período, o time não conseguiu nem disputar uma final da competição, feito obtido por times de pouca tradição do interior do Estado, como São José, Bragantino e Novorizontino.

Apesar da importância, mais uma vez o clássico não atraiu a atenção dos torcedores.

O publico não foi divulgado, mas, pelo que se viu nas arquibancadas do estádio, menos de 20 mil pessoas compareceram ao Morumbi, no quinto confronto entre os times nesta temporada.

Em minoria, a torcida palmeirense parece ter previsto que Scolari -como já ocorrera no primeiro jogo, sábado- mandaria a campo um time misto.

Com cinco reservas (Agnaldo, Rubens Júnior, Jackson, Edmílson e Euller), a equipe mostrava desentrosamento e foi acuada pelo Santos, que, a despeito de ter a vantagem do empate, acabou tomando a iniciativa de partir para o jogo.

O time de Scolari, então, parecia atordoado em campo.

Jogadores que não costumam cometer muitos erros, como o lateral Arce, entregavam bolas fáceis e perdiam a maioria das disputas com os adversários.

Nem o desfalque do zagueiro Argel logo aos 5min -ele bateu em uma placa de publicidade e fraturou a rótula (leia texto abaixo), sendo substituído por Andrei- esfriou o ímpeto santista.

A primeira boa chance do Santos surgiu aos 14min, quando Paulo Rink, principal articulador do meio-de-campo santista, chutou uma bola a gol que acabou sendo desviada pela zaga palmeirense para escanteio.

Na jogada do primeiro gol, aos 30min, a zaga palmeirense cortou um cruzamento, com a bola sobrando para Alessandro. De fora da área, ele chutou forte, e Marcos deu rebote nos pés de Viola, que encostou para as redes. Foi o nono gol do atacante santista no Paulista.

Como sempre tem acontecido nos confrontos entre Santos e Palmeiras, a partida de ontem teve muitas faltas.

A passividade do árbitro Sálvio Spínola (que no Paulista distribuiu três vezes menos cartões vermelhos que a média do torneio) tornou o jogo ríspido e nervoso.

Tendo que marcar dois gols para ir à decisão, Scolari tomou uma medida arriscada para o segundo tempo, gastando todas as substituições possíveis.

Ele tirou Euller, Galeano e Rubens Júnior e fez entrar Paulo Nunes, Zinho e Júnior. Caso tivesse algum jogador machucado logo nos minutos iniciais, o técnico não poderia substituí-lo e seu time ficaria com dez atletas.

O Palmeiras então lançou-se avidamente ao ataque, e quem ficou acuado foi o time de Leão.

Depois de pelo menos três boas oportunidades desperdiçadas, chegou à virada em três minutos.

No gol de empate, aos 35min, Cléber cruzou da ponta direita, e Oséas, livre de marcação, mandou de cabeça para as redes.

Aos 37min, Edmílson, também em jogada pela direita, cruzou para Paulo Nunes. Quase deitado no chão, o atacante chutou para definir o placar e a classificação palmeirense à final do Paulista.

Santos deve sofrer debandada

A derrota de ontem para o Palmeiras e o 15º ano sem a conquista de um título no Campeonato Paulista devem iniciar uma debandada no grupo do Santos.

Praticamente todos os jogadores emprestados do time não devem ter seus contratos renovados.

O primeiro a sair deve ser o atacante Paulo Rink, que pertence ao Bayer Leverkusen (ALE), e que só disputou três partidas pelo time.

Viola, artilheiro do time no Paulista, não deve, como prometido no início do ano, ter seu passe comprado da Parmalat.

Rodrigo e Aristizábal também serão dispensados pelo clube.

Além dos emprestados, o Santos deve perder alguns dos principais jogadores que possui.

O volante Marcos Assunção, que está machucado, está sendo negociado com o Celta (ESP).

O zagueiro Argel, já vendido para o Porto (POR), terá que adiar a sua viagem para a Europa.
Após uma dividida com o atacante Edmílson, logo aos 5min do primeiro tempo, o santista bateu a perna na base de concreto de uma placa publicitária e sofreu uma fratura na rótula do joelho esquerdo. O zagueiro deve ficar pelo menos um mês afastado do futebol. O acidente com o zagueiro irritou os jogadores do Santos.

“A Federação Paulista precisa fazer algo. Essas placas são muito perigosas”, disse o goleiro Zetti.
O técnico Leão esperava a conquista do Paulista para formar uma equipe com atletas jovens para a disputa do Brasileiro.

Scolari diz que foi “espetáculo’

O técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, classificou de “espetáculo” a virada de sua equipe sobre o Santos na noite de ontem.

“Foi mais um espetáculo de vontade, de força e superação desses jogadores maravilhosos”, gritava o técnico, enquanto era abraçado pelos atletas logo após o jogo.

Scolari deixou a torcida receosa ao entrar em campo com cinco reservas, promoveu três alterações arriscadas e acabou sendo festejado como um dos principais responsáveis pela classificação.

“Conseguimos, conseguimos. Obrigado”, dizia, abraçado a Scolari, o zagueiro Cléber.

Ele estava sem atuar havia 20 dias, desde que se contundiu em jogo contra o River Plate, em Buenos Aires, e completou ontem 360 jogos com a camisa do Palmeiras.

O atacante Paulo Nunes, autor do gol da classificação palmeirense, deixou a modéstia de lado ao comentar a sua atuação.

“O Palmeiras e a torcida sabem que, quando precisam do Paulo Nunes, ele decide. O feitiço acontece sempre”, afirmou ele, que comemorou o gol usando máscara da Feiticeira, personagem de um programa de televisão.

“Ninguém acredita no nosso time. Foi mais uma prova de nossa capacidade”, disse o jogador, que marcou a oito minutos do final.