Flamengo 2 x 2 Santos

Data: 02/08/2015, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 16ª rodada
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, RJ.
Público: 51.749 pagantes (61.421 presentes)
Renda: R$ 2.450.700,00
Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Auxiliares: Emerson Augusto de Carvalho (SP) e Rodrigo Henrique Correa (RJ)
Cartões amarelos: Márcio Araújo, Emerson, Wallace e Guerrero (F); Zeca e Werley (S).
Gols: Alan Patrick (39-1) e Emerson (41-1); Ricardo Oliveira (07-2) e Lucas Lima (26-2).

FLAMENGO
Paulo Victor; Pará , Wallace, César Martins e Jorge; Márcio Araújo, Canteros, Éverton (Almir) e Alan Patrick (Gabriel); Emerson e Guerrero.
Técnico: Cristóvão Borges

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Werley, Gustavo Henrique e Zeca; Paulo Ricardo (Marquinhos Gabriel), Renato e Lucas Lima; Geuvânio (Thiago Maia), Gabriel (Neto Berola) e Ricardo Oliveira.
Técnico: Dorival Júnior



Santos reage na etapa final e empata com o Flamengo no Maracanã

Mais de 60 mil pessoas compareceram na tarde de domingo no Maracanã, mas acabaram saindo frustradas. Depois de abrir 2 a 0 no primeiro tempo e desperdiçar várias chances, o Flamengo viu o Santos crescer de rendimento no segundo tempo e alcançar o empate.

O resultado de 2 a 2 fez a equipe da Gávea chegar aos 20 pontos ganhos e ocupar a 11ª posição na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro. O Santos segue em situação difícil. O clube de Vila Belmiro soma 17 pontos na 15ª colocação.

O placar acabou fazendo justiça ao desempenho das duas equipes. O Flamengo foi bem melhor no primeiro tempo – quando marcaram Alan Patrick e Emerson Sheik. O Santos voltou melhor do intervalo. Ricardo Oliveira e Lucas Lima deixaram tudo igual.

O jogo

O Flamengo começou no ataque e o goleiro Vanderlei errou sua primeira saída de bola. Emerson Sheik acabou ficando com o rebote e arriscou, de fora da área, mas a bola saiu, sem levar perigo. Apoiado por uma grande e entusiasmada torcida, o time rubro-negro marcava em cima e não permitia que o Santos tivesse tranquilidade para sair jogando.

Aos cinco minutos, Emerson lançou Guerrero, que concluiu fraco, mas o goleiro Vanderlei, muito nervoso, quase deixou a bola escapar. Dois minutos depois, foi a vez de Márcio Araújo se lançar ao ataque e enfiar para Emerson, mas o zagueiro Werley bloqueou a conclusão do atacante, desviando para escanteio.

Só aos oito minutos é que o Santos chegou à área carioca, e com grande perigo. Ricardo Oliveira se livrou de Wallace e tocou para Gabriel, livre na área, mas Paulo Victor fez grande defesa, impedindo o primeiro gol do Peixe.

Depois dessa jogada, a equipe paulista começou a se soltar dentro do gramado, mas o Flamengo seguia com mais posse de bola. Aos 15 minutos, o lateral esquerdo Zeca falhou e Everton lançou Emerson na área, mas a marcação santista impediu a conclusão do Sheik.

O time dirigido por Cristovão Borges seguiu controlando as ações da partida, enquanto o Santos continuou preocupado em marcar o adversário. Aos 24 minutos, Everton ganhou de Gustavo Henrique e cruzou para Guerrero, mas o peruano não conseguiu alcançar a bola.

O domínio do Flamengo era absoluto. Aos 33, foi a vez de o volante Canteros receber de Pará, na área, e bater com categoria, dando mais um susto no goleiro Vanderlei.

O Santos não conseguia sair da defesa e o Flamengo pressionava cada vez em busca do primeiro gol. O que conseguiu, aos 39 minutos, por meio de Alan Patrick. O meia recebeu de Everton, deslocou-se da ponta para o meio e mandou a bomba, sem qualquer chance de defesa para Vanderlei.

Dois minutos depois, a equipe carioca ampliou. Canteros lançou para Emerson Sheik nas costas da zaga. O atacante avançou e tocou na saída do goleiro santista. Por comemorar com a torcida, o Sheik foi advertido com o cartão amarelo.

No intervalo, até a lutadora Ronda Rousey, vencedora na noite anterior do duelo promovido pelo UFC, apareceu nos camarotes com a camisa rubro-negra e foi muito festejada pelo público.

O Santos voltou para o segundo tempo com o meia Marquinhos Gabriel no lugar do volante Paulo Ricardo, tentativa do técnico Dorival Júnior de aumentar o poder ofensivo da equipe.

E, logo aos sete minutos, o Peixe marcou o primeiro gol. Lucas Lima bateu escanteio e Ricardo Oliveira se aproveitou da desatenção da zaga carioca para cabecear e colocar nas redes de Paulo Victor.

O Flamengo ficou desnorteado com a nova postura da equipe paulista e quase sofreu o gol do empate, aos 11 minutos, quando Victor Ferraz foi lançado por Marquinhos Gabriel, invadiu a área e chutou, mas Paulo Victor fez grande defesa, mantendo a vantagem da sua equipe.

Só depois dos 15 minutos é que o Flamengo voltou a equilibrar as ações. E Paolo Guerrero, muito discreto, apareceu em uma cabeçada que não levou perigo para o gol de Vanderlei. Logo depois, o atacante peruano se livrou da marcação e bateu com perigo.
Aos 20 minutos, Lucas Lima recebeu falta dura de Wallace. O meia bateu colocado e Paulo Victor defendeu, sem dificuldades.

Preocupado com a queda de rendimento da equipe, Cristovão tirou Alan Patrick e colocou Gabriel.

Aos 26 minutos, o Santos, que jogava bem melhor, marcou o gol do empate com Lucas Lima. O meia ficou com sobra na entrada da área e chutou no ângulo. Paulo Victor ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar que ela entrasse.

A torcida silenciou e o Flamengo tentou partir para o desempate. Emerson fez bom lançamento para Guerrero, que tropeçou nas próprias pernas e acabou não conseguindo a conclusão.

Nos acréscimos, o Flamengo pressionou intensamente, mas o goleiro Vanderlei apareceu bem em duas oportunidades e garantiu o empate.

Jogadores do Peixe admitem 1º tempo ruim, mas valorizam reação na etapa final

O confronto entre Flamengo e Santos, neste domingo, no Maracanã, teve dois tempos distintos. No primeiro, os donos da casa dominaram com facilidade e desceram para os vestiários com a vitória parcial por 2 a 0. Na segunda etapa, porém, Dorival Jr sacou Paulo Ricardo, colocou Marquinhos Gabriel no meio de campo e o Peixe tomou a iniciativa, chegando ao empate e calando os mais de 60 mil presentes nas arquibancadas no Maracanã.

“O primeiro tempo nosso foi muito aquém. Nós não jogamos, ficamos só olhando. E se tivesse encaixado aquela bola com o Geuvânio, podíamos ter até saído com a vitória. A atitude mudou no segundo tempo”, analisou o goleiro Vanderlei, responsável por duas grandes defesas no fim da partida.

Renato, experiente volante de 36 anos, também admitiu a mudança de postura do time paulista depois da conversa no vestiário.

“Eu acho que a equipe jogou com coragem no segundo tempo. E, quando teve oportunidade, conseguiu fazer os gols e empatar. A gente veio para buscar a vitória, mas pelo menos não perdemos”, comentou, ignorando até o fato do Peixe manter o jejum longe da Vila Belmiro neste Campeonato Brasileiro.

“A gente ainda não venceu no campeonato (fora de casa). A gente tem que imprimir o ritmo que tem em casa, a gente sabe que é difícil, mas a equipe voltou determinada. Não é fácil buscar esse empate. A equipe lutou muito para isso”, explicou, antes de encerrar. “Não demos o contra-ataque, sofremos no final, o que é normal, mas foi importante o resultado”.

Ricardo Oliveira, que mais uma vez deixou sua marca e, com nove gols, segue na artilharia isolada do nacional por pontos corridos, saiu de campo satisfeito com a atitude do grupo santista contra o Fla.

“Eu acho que esse é o Santos. Eu entendo a indagação de vocês (jornalistas) a cerca do que fizemos no primeiro tempo, mas, no segundo tempo, mostramos do que esse time é capaz. Então, acho que estamos de parabéns. Terminar o primeiro com 2 a 0, com essa torcida… então, é um grande resultado”, concluiu.

Com assistência e gol, Lucas Lima brilha em sua estreia no Maracanã

“Ainda não joguei contra o Flamengo, no Maracanã. Falam que a torcida é diferente mesmo. Vai ser uma experiência única”, falou Lucas Lima, durante a semana de preparação para o confronto deste domingo, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. E, com a bola rolando, o meia santista parece não ter sentido a pressão das 61 mil pessoas presentes no estádio e foi fundamental na reação do Peixe para buscar o 2 a 0 contra e sair do Rio de Janeiro com um ponto para o time da Vila Belmiro.

“É diferente. Falando com o (David) Braz e o pessoal, eles falavam que era diferente. Mas, graças a Deus, deixamos isso de lado e conseguimos o empate”, admitiu o camisa 20.

Com a saída de Paulo Ricardo para a entrada de Marquinhos Gabriel, logo no intervalo do jogo, Lucas Lima ganhou uma companhia no meio de campo no segundo tempo e passou a participar mais do jogo, após um primeiro tempo para ser esquecido.

“A equipe fez um bom segundo tempo. Pecamos muito no primeiro, mas mostramos nossa força no segundo. O time está de parabéns”, analisou o jogador.

Em cobrança de escanteio pela ponta-direita do ataque santista, Lucas Lima conseguiu colocar curva na bola e serviu Ricardo Oliveira para diminuir o prejuízo. Depois, o meia arriscou chute colocado de fora da área e acabou empatando o jogo com um belo gol. O goleiro Paulo Vitor chegou a tocar na bola, mas não evitou o empate por 2 a 2.

Questionado se teve todo o mérito ou se foi beneficiado por uma eventual falha do goleiro flamenguista, Lucas Lima não titubeou. “(Mérito) Todo meu. Indefensável para ele. Acho que foi mais mérito meu do que falha dele por onde a bola foi”, disse, rindo, o jogador.

Por fim, Lucas Lima comentou a mudança de atitude do time após a chegada de Dorival Jr, que agora tem três vitórias, um empate e uma derrota desde que assumiu o lugar de Marcelo Fernandes.

“O time está mais maduro, sim. O Dorival vem cobrando isso, para a gente amadurecer durante os jogos, e acho que a gente está conseguindo”, finalizou.

Ricardo Oliveira vê Peixe capaz de lutar de igual para igual com qualquer equipe

Neste domingo, contra o Flamengo, o Santos mais uma vez não conseguiu conquistar os três pontos atuando como visitante. No entanto, na visão de Ricardo Oliveira, capitão santista, o desempenho do time no segundo tempo prova que a equipe têm condições de aspirar coisas maiores no Campeonato Brasileiro ao invés de ficar na briga contra o rebaixamento.

“Conversamos. Não podemos fazer o primeiro tempo que fizemos. Acho que o Alan (Patrick) foi feliz no gol, mas o segundo gol não podemos permitir que aconteça. Ai você pensa: ‘Jogo contra o Goiás, de novo apagão’, analisou primeiramente, antes de completar.

“Mas a gente foi corajoso, voltou com outra postura. Fizemos rápido o gol e aí o time cresceu. Pelo segundo tempo, dá para tomar como parâmetro que podemos jogar de igual para igual com qualquer time. Nos dá confiança, porque um time grande, como é o Santos, não pode ficar tantos jogos sem vencer fora de casa”, disse.

Em nove jogos longe de seus domínios, o Santos conseguiu apenas três empates e foi derrotado seis vezes. Ricardo Oliveira não esconde o incômodo.

“Estamos tentando, estamos tentando. De fato, está sendo difícil”, admitiu. Porém, depois de ver o Flamengo abrir 2 a 0 no primeiro tempo, o centroavante não negou que o empate no Maracanã tem um sabor especial.

“Acho que, dentro as circunstâncias, nós podemos estar satisfeitos. Porque o primeiro tempo é para esquecer. Ou deixar ali ao lado, para não repetir”, explicou, voltando a salientar a péssima atuação nos primeiros 45 minutos.

E, ao ser perguntado por um repórter sobre seu desempenho pessoal, já que neste domingo o camisa 9 chegou a nove gol e se manteve isolado na artilharia do Campeonato Brasileiro, Ricardo Oliveira não usou de falsa modéstia.

“Estou fazendo a minha função. Meu dever é esse, ajudar a equipe com gols. O Campeonato Brasileiro tem grande jogadores de uma qualidade que não da para questionar. Meu trabalho está sendo bem feito. Espero que continue assim”, analisou o experiente jogador de 35 anos.

Após 1º tempo “inexistente”, Dorival Jr chama atenção para “jogaço”

Independente do time de coração, o amante do futebol que pôde assistir ao duelo entre Flamengo e Santos, neste domingo à tarde, foi presenteado com um grande jogo. O Peixe sucumbiu à pressão rubro-negra diante de mais de 60 mil pessoas no Maracanã, no primeiro tempo, mas encontrou forças para reagir e empatar a partida na etapa final. Os últimos 10 minutos do confronto foram emocionantes, com as duas equipes chegando perto da vitória. E, para Dorival Jr, técnico da equipe paulista, esse é o ponto a se destacar.

“Nós voltamos a ver, no Campeonato Brasileiro, grandes jogos. Acho que é isso que queremos ver. Tivemos um São Paulo e Atlético-MG, o Palmeiras, o Grêmio fazendo bons jogos. O futebol tem que ser novamente acreditável e é isso que nós queremos fazer, recuperar um pouco desse terreno perdido”, disse o técnico, também analisando o desempenho de seu time, durante a entrevista coletiva no estádio carioca.

“O Flamengo também teve um primeiro tempo e o segundo um pouco diferente. O que fica é que foi um grande jogo. É isso que temos que avaliar. O time que sai com 2 a 0, ele fica mais confortável no jogo, mas o Santos foi valente. No primeiro tempo, ele (o Santos) inexistiu. O segundo tempo foi completamente diferente. O Santos começou a ter mais a posse da bola, chegar ao ataque. Poderia ter feito o terceiro (gol), como também poderia ter tomado o terceiro”, completou.

A mexida de Dorival no intervalo da partida foi fundamental para a mudança de rumo do jogo. O treinador mandou Marquinhos Gabriel a campo no lugar de Paulo Ricardo. Deixou o Peixe mais exposto, mas mostrou que não havia jogado a toalha em busca de ao menos um empate. Nem por isso, demonstrou irritação com seus comandados pelo péssimo primeiro tempo.

“Eu não vejo problema tático, porque o que nós trabalhamos foi uma marcação agressiva, diferente do que existiu. O Flamengo criou um volume muito grande. Pecamos muito por não segurarmos a bola e darmos tempo para que a nossa defesa pudesse estar mais compacta, no campo adversário”, explicou, lembrando a dificuldade de manter o mesmo nível durante toda a partida, que chegou perto de 100 minutos, em função dos acréscimos.

“É muito difícil, porque do outro lado você sempre vai ter um adversário que também está buscando as mesmas situações. Quisera eu pudéssemos buscar os 90 minutos dessa forma”, afirmou.

Por fim, Dorival não escondeu sua satisfação pessoal com o empate por 2 a 2, fora da casa. Apesar do Peixe seguir sem vencer longe da Vila Belmiro neste Campeonato Brasileiro, já são três vitórias (uma pela Copa do Brasil), uma derrota e um empate desde que o treinador assumiu o comando da equipe.

“Enfrentamos um adversário de alto nível, com uma torcida que muito forte, mais de 60 mil torcedores, uma pressão muito grande. Acho que ficaram muito mais coisas positivas do que negativas, ainda que eu entenda que a equipe tenha inexistido no primeiro tempo”, finalizou.