Corinthians 2 x 0 Santos

Data: 20/09/2015, domingo, 11h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 27ª rodada
Local: Estádio de Itaquera, em São Paulo, SP.
Público: 41.748 pagantes
Renda: R$ 2.649.100,00
Árbitro: Flávio Rodrigues Guerra (SP)
Auxiliares: Rogério Pablos Zanardo e Alex Ang Ribeiro (ambos de SP).
Cartões amarelos: Elias e Felipe (C); Ricardo Oliveira, Marquinhos Gabriel, Neto Berola e Lucas Lima (S).
Cartões vermelho: Werley, no banco, e David Braz (S).
Gols: Jadson (40-2), de pênalti) e Jadson (43-2).

CORINTHIANS
Cássio; Fagner, Felipe, Gil e Yago; Ralf, Jadson, Elias (Cristian), Renato Augusto e Malcom (Lucca); Vagner Love (Danilo).
Técnico: Tite

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Gustavo Henrique, David Braz e Zeca; Renato, Thiago Maia e Lucas Lima; Marquinhos Gabriel (Leandro), Ricardo Oliveira (Paulo Ricardo) e Gabriel (Neto Berola).
Técnico: Dorival Júnior



Corinthians enfim vence o Santos e encerra jejum em clássicos

O Corinthians enfim venceu o Santos na escaldante manhã deste domingo, em Itaquera. O triunfo por 2 a 0, além de manter a confortável vantagem na ponta do Campeonato Brasileiro, garante ao time comandado pelo técnico Tite o final de seu jejum em clássicos.

Com 57 pontos em 27 partidas, o líder Corinthians vê o Atlético-MG na segunda colocação, com 52. O Galo mantém a esperança pelo título após a goleada contra o Flamengo. De qualquer forma, o Timão se distancia do Grêmio, terceiro colocado, com 48 pontos – o time gaúcho foi superado pelo Palmeiras no sábado. Já o Santos permanece com 40 pontos ganhos, quatro a menos que o Verdão, último integrante do G4.

O Corinthians não vencia um clássico desde o último mês de março, quando bateu o São Paulo, pelo Campeonato Paulista. Desde então, foram cinco derrotas e quatro empates contra os principais adversários. O Santos estava invicto diante do rival em 2015, já que conseguiu três triunfos e uma igualdade nos duelos anteriores.

Com temperatura superior a 30ºC em Itaquera, os jogadores sofreram. Depois de desperdiçar uma série de chances durante o primeiro tempo, o Corinthians decidiu o jogo na etapa complementar. Jadson abriu o placar em pênalti contestado pelos santistas e, pouco depois, marcou o segundo.

O jogo

O Corinthians assustou pela primeira vez logo aos três minutos. Após cobrança rápida de lateral pela direita, Vagner Love invadiu a área e chutou para defesa de Vanderlei. Aos 16 minutos, o centroavante roubou a bola de David Braz pela esquerda, voltou à área e bateu para nova intervenção do goleiro do Santos.

O time da casa manteve a pressão e chegou novamente aos 24 minutos, quando Jadson passou por David Braz, Thiago Maia e Gustavo Henrique, mas parou em Vanderlei. Aos 40, Jadson arriscou de fora da área e fez o goleiro do Santos trabalhar mais uma vez.

Nos acréscimos, Werley foi expulso do banco de reservas por reclamação e empurrou o quarto árbitro, o que deve resultar em punição. Pouco depois, na única boa chance do Santos, Lucas Lima pegou o rebote pela esquerda após cruzamento de Gabriel e Cássio defendeu.

O Corinthians manteve a superioridade no começo do segundo tempo e quase conseguiu abrir o placar aos 16 minutos. Em cobrança de falta ensaiada pelo lado direito, Jadson rolou para Renato Augusto chutar na trave da meta defendida pelo goleiro Vanderlei.

Aos 34 minutos, o árbitro Flávio Rodrigues Guerra marcou pênalti de Zeca em Vagner Love. Em seguida, o zagueiro David Braz foi expulso e, no caminho para o vestiário, discutiu diante do banco do Corinthians. Após alguma confusão, Jadson bateu de forma precisa.

Com o Santos desarrumado em campo, o time da casa matou o jogo três minutos antes do final do tempo regulamentar. Em jogada com participação do estreante Lucca, Elias recebeu dentro da área e cruzou para Jadson, que aproveitou escorregão de Thiago Maia para fazer o segundo.

Santistas protestam contra o árbitro: “Não sabia nem quem expulsar”

Até os 34 minutos do segundo tempo, o Santos segurava bem o empate com o Corinthians em Itaquera. O Alvinegro Praiano, porém, se revoltou com o pênalti marcado sobre Vagner Love, que não havia sido assinalado de imediato por Flávio Rodrigues Guerra e acabou encaminhando a vitória dos anfitriões por 2 a 0. Para piorar, os santistas ainda questionam a expulsão de David Braz no lance, já que a infração foi cometida por Zeca.

“Eu fui na bola e ele se jogou. Não foi pênalti. O quarto árbitro viu e falou que foi o Braz, mas na verdade não foi nem pênalti. O juiz fez isso e a gente não tem culpa. O juiz dita o jogo e ele que tem que falar sobre isso”, desabafou o lateral, que não foi sequer amarelado pela falta.

“Ah, cara, ele não tinha dado. Olhou para o bandeirinha e deu o pênalti, depois não sabia nem quem expulsar. Estava totalmente perdido. Agora vamos olhar a imagem e ver se foi pênalti mesmo”, concordou Gustavo Henrique.

Além de David Braz, que deixou o gramado enfurecido pela expulsão e ainda discutiu com o técnico Tite, o meia Lucas Lima era um dos mais exaltados ao apito final. “É normal. Aqui contra o Corinthians é sempre mais fácil para eles, então não tem muito o que falar”, ironizou. O experiente Ricardo Oliveira, por outro lado, adotou outro tom na avaliação.

“Eu estava distante, mas deu para ver a segurança que o árbitro teve para mandar seguir a jogada. Aí o bandeira chamou e o árbitro voltou atrás. Esse pênalti foi determinante. Mostra que não estavam seguros na jogada. O juiz tá próximo do lance, vê que não é pênalti e marca… Foi determinante. Não fizemos um grande jogo, mas o pênalti influenciou bastante”, admitiu o centroavante, que passou em branco na partida.

Zeca muda posicionamento no vestiário e admite pênalti sobre Love

Na saída do gramado após a derrota por 2 a 0 para o Corinthians, o lateral Zeca foi veemente ao negar ter cometido pênalti sobre Vagner Love, que resultou no primeiro gol do rival diante do Santos. Na zona mista, no entanto, o jogador mudou seu posicionamento.

“Realmente foi pênalti, é a realidade. Só que para ele dar o pênalti, tem que saber quem foi. Por que foi expulsar o David Braz? Eu falei para ele que eu estava na jogada. Ele tinha que chegar em mim e me expulsar”, reclamou o santista.

“Ele (Vagner Love) foi chutar e realmente foi pênalti na jogada. Eu vi na televisão e foi pênalti realmente. Só que tem uma coisa, né. Se o árbitro viu o pênalti, tinha que saber quem foi. Para dar um pênalti, tem que saber quem foi”, repetiu Zeca, aproveitando para defender o expulso David Braz na discussão com Tite.

“O David Braz não foi ofender ele, foi falar que não estava no lance da expulsão. E não estava mesmo”, completou o atleta. Na saída do gramado, o lateral apresentou opinião oposta sobre a penalidade.

“Eu fui na bola e ele se jogou. Não foi pênalti. O quarto árbitro viu e falou que foi o Braz, mas na verdade não foi nem pênalti. O juiz fez isso e a gente não tem culpa. O juiz dita o jogo e ele que tem que falar sobre isso”, desabafos antes de descer ao vestiário.

Aguardando a súmula, Dorival prevê denúncia de agressão de David Braz

Expulso na derrota diante do Corinthians, David Braz pode se complicar ainda mais pela polêmica do clássico. Para o técnico Dorival Júnior, do Santos, o árbitro Flávio Rodrigues Guerra deve citar o zagueiro na súmula da partida por suposta agressão física. Enquanto isso, o defensor garante ter recebido o cartão vermelho pelo motivo errado, já que o pênalti sobre Vagner Love foi cometido por Zeca.

“O David não estava nem participando da jogada, ele estava quase fora da área. Isso nos deixa muito chateados. Agora, com certeza, a colocação na súmula será que houve agressão verbal. Podem ter certeza disso”, previu o treinador em entrevista coletiva.

“Mas o que foi colocado para os jogadores é que a expulsão foi pelo pênalti. Ótimo, aconteceu o erro. Foi pênalti, não foi… Isso é situação do jogo, mas nós teríamos condições de buscar o empate depois da cobrança. Com um jogador a menos, isso fica muito mais difícil”, ponderou Dorival.

“Eu tive a noção de que foi uma jogada em que o Vagner tentou o chute, e que houve talvez um toque por trás. Não dava para precisar se foi um toque no Vagner ou se foi um toque na bola”, admitiu o santista, em sintonia com o atleta.

“Não, com certeza não (sobre ter feito o pênalti). Eu reclamei, perguntando, o que tinha acontecido. Ele me disse que eu estava sendo expulso porque estava no lance. Eu estava fora da área, ele foi atrás de mim e me deu o vermelho. Foi um lance muito confuso, e quem acabou sendo prejudicado foi o Santos”, desabafou David Braz.

“O que é engraçado é que, no momento da expulsão, quem foi que fez o pênalti? O David toma o cartão amarelo de graça, que seria o segundo, e é expulso. Com certeza vão encontrar uma justificativa, vamos observar a súmula”, lamentou o comandante.

Súmula contradiz David Braz e relata série de ofensas do zagueiro

O clássico entre Corinthians e Santos pode até ter se encerrado, mas deve continuar como fonte inesgotável de controvérsias. Depois de David Braz garantir ter sido expulso em um erro do árbitro Flávio Rodrigues Guerra, que teria atribuído o pênalti de Zeca ao zagueiro, a súmula da partida relatou cartão vermelho por reclamação do jogador santista.

“Expulso com cartão vermelho direto por, após a marcação de um pênalti contra sua equipe, vir em minha direção gesticulando de forma acintosa e ofensiva proferindo as seguintes palavras: ‘você está louco’, ‘contra o Corinthians é assim mesmo’, ‘vai se f…, não foi pênalti’, ‘você vai ver, vocês vão ser punidos’, sendo que em ato contínuo gesticulou de forma acintosa em direção ao assistente número 1, proferindo as seguintes palavras: ‘vocês estão loucos, não foi pênalti’”, inicia o documento assinado pelo trio de arbitragem.

“Após ser expulso, ao sair do campo de jogo, e passar em frente à área técnica do Corinthians, desentendeu-se com o técnico do Corinthians, sr. Adenor Leonardo Bachi (Tite), sendo contidos por integrantes das duas equipes”, prosseguiu a súmula.

O relato do árbitro Flávio Rodrigues Guerra contradiz o depoimento dado pelo zagueiro na zona mista do estádio em Itaquera, na zona leste da capital paulista. “Não, com certeza não (sobre ter feito o pênalti). Eu reclamei, perguntando, o que tinha acontecido. Ele me disse que eu estava sendo expulso porque estava no lance. Eu estava fora da área, ele foi atrás de mim e me deu o vermelho. Foi um lance muito confuso, e quem acabou sendo prejudicado foi o Santos”, afirmou David Braz.

A súmula ainda relata a expulsão de Werley, que ainda ocupava o banco de reservas no primeiro tempo. “Expulso por, após advertido com cartão amarelo no banco de reserva, proferiu as seguintes palavras para o quarto árbitro: ‘vai tomar no c… dele’, ‘car…’, ‘vai se f…’, ‘por que ele não deu cartão amarelo para os dois’, ‘vai tomar no seu c…’, ‘p… é muita sacanagem’, sendo que após ser expulso foi em direção ao quarto árbitro e o atingiu com um empurrão em suas costas”, descreve o juiz, em informação confirmada pelo quarto árbitro.

“Eu, Thiago Duarte Peixoto, quarto árbitro, fui empurrado em minhas costas pelo jogador número 2 da equipe do Santos Futebol Clube, sr. Werley Ananias da Silva, após este ter sido expulso do banco de reservas pelo árbitro da partida, sr. Flávio Rodrigues Guerra”, reitera o quarto árbitro no campo das “observações eventuais”.

Apesar de não ver lance, árbitro admite que Zeca merecia vermelho

Um dia após o clássico entre Corinthians e Santos, que manteve o Alvinegro paulista ainda mais isolado na liderança da competição, o árbitro Flávio Rodrigues Guerra continua a ser assunto por conta de sua postura no decorrer da partida. O juiz, que admitiu ter sido avisado do pênalti pelo auxiliar, explicou que Braz foi expulso pelas ofensas, mas ponderou que Zeca também merecia o vermelho pela entrada dura em Love.

A partida já se encaminhava para a reta final quando o atacante corintiano dominou a bola na área e, após disputa legal, foi derrubado em lance faltoso. Flávio Guerra precisou consultar o auxiliar para se retificar da marcação do pênalti, mas, mesmo assim continuou sem saber que foi Zeca o autor da falta. Assim, acabou por expulsar David Braz, o primeiro a reclamar de forma mais ostensiva.

“O lance é passível de cartão vermelho sim, porque o jogador do Corinthians tinha condição de fazer o gol e foi tocado. Infelizmente nesse delay que a gente tem para a confirmação do auxiliar, acabamos perdendo o jogador (Zeca). Mas se a gente conseguisse identificar, ele também receberia vermelho”, falou. “Não consegui ter a visão do pênalti, estava encoberto por outros jogadores e aí o auxiliar que me avisou, mas ele também não viu quem fez”, prosseguiu em entrevista à Rádio Bradesco Esportes FM.

“Na hora da marcação do pênalti, ele (David Braz) é o primeiro que vem em cima de mim e já me ofende e me xinga, depois ele aponta para o assistente e também o xinga. Como, no momento, precisávamos saber quem tinha feito a penalidade, mas não tínhamos clareza, optamos por expulsar pela questão disciplinar já que o David Braz ofende a arbitragem no momento da marcação”, explicou.

Xingado também por Werley, cuja identificação no banco de reservas foi clara e precedeu a expulsão, Flávio Rodrigues Guerra teve a postura questionada após advertir com amarelo a ação de Ricardo Oliveira, que desferiu cotovelada em Ralf ainda no primeiro tempo. “A gente analisou o lance e vimos que foi uma jogada temerária, por isso a aplicação do amarelo. Não vimos como força excessiva até pela posição dos jogadores na disputa”, ponderou.

Dorival promete não ‘abandonar’ briga pelo G4 ou Copa do Brasil

Adversário do Figueirense nas quartas de final da Copa do Brasil, o Santos ainda briga por vaga no G4 do Campeonato Brasileiro. Mesmo assim, o técnico Dorival Júnior garantiu que não pretende priorizar um único torneio.

“O Santos não vai focar em nada, vai buscar a classificação tanto no Campeonato Brasileiro quanto na Copa do Brasil. Tem totais condições para que isso aconteça”, projetou o treinador.

A próxima rodada da Série A reserva mais um desafio para o Alvinegro Praiano. Novamente, a equipe atuará às 11 horas (de Brasília), na Vila Belmiro, contra o Internacional, no domingo que vem.

“Vamos tentar a melhor recuperação possível para enfrentar novamente esse calor insuportável que é jogar às 11h da manhã em um país como o nosso. Ficamos à mercê da recuperação dos atletas em campo”, lamentou Dorival.

“Não fomos auxiliados em partida nenhuma do campeonato, construímos muito bem os nossos resultados. Dificuldade de jogar fora de casa todo mundo tem, mas essa é uma campanha ao longo de um campeonato”, finalizou o santista.

Herói no clássico, Jadson põe atuação do Corinthians acima de “chororô”

Autor dos dois gols na vitória do Corinthians sobre o Santos, Jadson não conseguiu esconder o sorriso ao apito final. As reclamações do rival, por outro lado, surgem como contraponto para a felicidade do meia, que trata os comentários como “chororô”.

“Faz parte. Não sei o que aconteceu, o que o juiz marcou. A nossa equipe foi ofensiva desde o começo do jogo. A vitória foi merecida, agora vamos continuar assim. Demos um passo importante na competição, agora vamos continuar com os pés no chão e trabalhando firme. Chororô sempre vai existir”, comentou o camisa 10.

“O nosso time trabalhou muito desde o começo do ano para estar nessa situação agora. Não é à toa que conseguimos a primeira colocação que vínhamos buscando desde o começo”, exaltou o jogador.

De acordo com Jadson, a expulsão do zagueiro David Braz na reta final do segundo tempo não foi tão determinante para o resultado, uma vez que o Timão foi superior desde o início.

“Desde o começo, o time pressionou muito o Santos, manteve a posse de bola e criou chances de gol. A vitória é mais do que merecida. O time entrou concentrado e conseguimos os três pontos que eram importantes”, ressaltou o meio-campista, que balançou a rede duas vezes em Itaquera neste domingo.