Figueirense 0 x 1 Santos

Data: 23/09/2015, quarta-feira, 19h30.
Competição: Copa do Brasil – Quartas de Final – Jogo de ida
Local: Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis, SC.
Público: 9.580 pessoas
Renda: R$ 172.590,00
Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Auxiliares: Alessandro A Rocha de Matos (BA) e Rafael da Silva Alves (RS).
Cartões amarelos: Leandro Silva (F); Gabriel e Victor Ferraz (S).
Gol: Gabriel (33-2, de pênalti).

FIGUEIRENSE
Alex Muralha; Leandro Silva, Thiago Heleno, Bruno Alves e Marquinhos Pedroso; Dener (Jefferson) (Rafael Bastos), Fabinho, João Vitor e Yago; Clayton e Marcão (Thiago Santana).
Técnico: Hudson Coutinho

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia, Renato e Lucas Lima (Serginho); Marquinhos Gabriel, Gabriel (Marquinhos), Ricardo Oliveira (Nilson).
Técnico: Dorival Júnior



Em jogo polêmico, Peixe vence Figueira e abre vantagem na Copa do Brasil

Gabriel precisou marcar três vezes para dar uma importante vitória para o Santos, nesta quarta-feira, por 1 a 0 em cima do Figueirense, no Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis. O camisa 10 do Peixe teve dois gols anulados no primeiro tempo, o primeiro de forma muito polêmica pela demora da arbitragem em assinalar impedimento, mas, em cobrança de pênalti sofrido por ele mesmo na segunda etapa, decretou a vantagem dos paulistas no confronto válido pelas quartas de final da Copa do Brasil.

Na partida de volta, marcada para a próxima quinta-feira, às 21h, no estádio do Pacaembu, o Santos jogará por qualquer empate. O Figueirense avança mesmo se vencer por um gol de diferença, desde que marque pelo menos duas vezes. Se repetir o 1 a 0, o time de Santa Catarina levará a decisão para os pênaltis. Na semifinal, Santos ou Figueirense enfrentam o vencedor do duelo entre São Paulo e Vasco.

Em oitavo lugar na tabela de classificação, com 40 pontos, o Alvinegro Praiano ainda sonha em chegar ao G4. Já o Figueira é o 18º, com 18 pontos, e luta para deixar a zona de rebaixamento.

O jogo

Apesar de atuar em casa, o Figueirense não teve forças para pressionar o veloz time santista no Orlando Scarpelli. Agora efetivado, Hudson Coutinho acabou mandando a campo o que tinha de melhor e não cumpriu a promessa de poupar alguns atletas para a Copa do Brasil. Mesmo assim, o domínio era santista.

Aos 10 minutos, Renato bateu de fora da área e obrigou Alex Muralha a fazer a primeira defesa do jogo. Com maior posse de bola, o Peixe concentrava suas jogadas em Lucas Lima. E foi dos pés do meia que surgiu a grande polêmica do jogo.

Aos 19 minutos, o camisa 20 cobrou falta na área e Gabriel só tocou para o fundo do gol. Depois de aproximadamente dois minutos de muita comemoração, a arbitragem acabou anulando o gol, causando uma revolta generalizada dos atletas santistas.

No lance, o assistente baiano Alessandro Rocha de Matos não levantou a bandeira e nem correu para o meio. Depois de conversar com o árbitro gaúcho Anderson Daronco, eles resolveram marcar impedimento do atacante, que realmente estava à frente da linha defensiva do Figueirense.

Gabriel ainda teve outra boa chance de marcar, mas errou o alvo na saída de Muralha. O time da casa respondeu em cobrança de escanteio. Thiago Maia tocou de cabeça e Marcão por pouco não desviou para o gol.

Antes de descer para o vestiário, Gabriel chegou a marcar mais um gol, mas novamente se viu frustrado por estar em posição irregular. O último lance de perigo saiu de uma cabeçada de Gustavo Henrique, que raspou a trave de Muralha e não entrou.

Mesmo sem alterações nas escalações, a partida se reiniciou um pouco diferente no segundo tempo. Mais corajoso, o Figueirense passou a dar trabalho para a defesa do Peixe. Aos 11, Leandro Silva fez boa jogada pela direita e cruzou forte, rasteiro, mas a bola cruzou toda a área sem que ninguém chegasse para marcar.

Com Lucas Lima marcado mais de perto, o Peixe forçou as jogadas pelas pontas, com Gabriel e Marquinhos Gabriel. Mas o jogo ficou feio, truncado, com muito perde e ganha no meio de campo.

Aos 25, Gabriel escapou pela ponta direita, entrou na área, e bateu cruzado. Muralha cortou e, na sequência, dividiu com Ricardo Oliveira, para salvar o Figueirense.

E depois de dois gols anulados, finalmente Gabriel pôde comemorar de verdade. Aos 31, o camisa 10 sofreu pênalti de Leandro Silva. Depois de desperdiçar os últimos quatro pênaltis, Ricardo Oliveira viu o jogador de 19 anos assumir a responsabilidade de marcar. A bola passou embaixo de Muralha, mas entrou.

Nos minutos finais, Ricardo Oliveira quase ampliou em chute forte de fora da área. A resposta do Figueirense veio pelo alto. A equipe abusou das jogadas aéreas em uma tentativa desesperada de evitar a derrota diante de seu torcedor, mas não foi o suficiente. Assim, a primeira partida pelas quartas de final da Copa do Brasil terminou com a vitória dos paulistas por 1 a 0.

Bastidores – Santos TV:

Lucas Lima enaltece vitória sem gol sofrido em Santa Catarina

O Santos fez o que se esperava dele no primeiro confronto diante do Figueirense, pelas quartas de final da Copa do Brasil. Mesmo longe de seus domínios, o Peixe venceu por 1 a 0, graças a gol de Gabriel, em cobrança de pênalti já na segunda etapa, e abriu uma boa vantagem para o duelo de volta. Lucas Lima admitiu a satisfação do elenco na saída de campo.

“Acho que fizemos um excelente primeiro jogo. Sabemos que não tem nada decidido ainda. Valeu muito por primeiramente não ter tomado gol, e a gente fez um golzinho que também vai contar muito para o segundo (jogo)”, ressaltou o meia.

Na partida de volta, o Santos não terá a força da Vila Belmiro, onde vem de um retrospecto de nova vitórias nos últimos nove jogos. A diretoria decidiu levar o jogo da próxima quinta-feira, às 21 horas, para o Pacaembu, em São Paulo, em busca de uma receita maior com bilheteria. Mesmo assim, Lucas Lima confia na classificação, porém, prega total respeito ao adversário, que vive situação dramática no Campeonato Brasileiro.

“A gente tem uma vantagem boa, mas a gente sabe que no futebol tudo pode acontecer. Então, vamos continuar respeitando a equipe do Figueirense, que é uma equipe qualificada. Vamos entrar com tudo e aproveitar agora para descansar e pensar no Brasileiro”, completou o camisa 20, já preocupado com a partida deste domingo, contra o Internacional, na Vila.

Dorival estranha arbitragem, mas comemora vitória “agressiva”

Pelo segundo jogo seguido, o Santos se viu pivô de uma polêmica com a arbitragem. Depois da expulsão equivocada de David Braz no clássico de domingo, contra o Corinthians, nesta quarta-feira, Gabriel teve um gol anulado de forma retardada, quando os times já se posicionavam para reiniciar o jogo. O atacante realmente estava impedido, mas a forma como tudo aconteceu, as conversas entre o árbitro Anderson Daronco e o assistente Alessandro A. Rocha de Matos deixaram Dorival Júnior e todos do banco santista consternados. No fim, o Santos venceu o Figueirense por 1 a 0 e o treinador externou sua visão do lance, refutando qualquer chateação particular.

“Não, chateado não. Apenas a movimentação do árbitro e do bandeira foram simultâneas ali. Só estranhei o que aconteceu porque os dois se voltaram para o meio de campo. Não sei o que houve, se foi ou não, mas a penas a movimentação dos dois foi igual. Nós achávamos que tudo tinha sido normal. Nos surpreendeu, mas ainda bem que conseguimos corrigir isso e fizemos o gol”, comentou Dorival, minimizando a influência da arbitragem na vitória do Peixe fora de casa, no primeiro duelo válido pelas quartas de final da Copa do Brasil.

“Acho que o Santos fez uma partida equilibrada, dentro de sua características. Isso foi importante para a vitória em cima do Figueirense, que nos dá uma boa vantagem, mas temos que ficar concentrados”, analisou.

Além da vitória, Dorival Júnior voltou a enfatizar o desempenho de seus comandados. Apesar do placar magro, na visão do comandante santista, o Santos se impôs em Florianópolis e, muito por isso, o time da casa quase não chegou ao gol de Vanderlei.

“Eu acho que também em razão da postura do Santos, que agrediu a todo momento. Agressividade de combate, eu digo. E fez com que nós tivéssemos a posse de bola. Dentro dessa posse de bola, que trabalhássemos variando as jogadas de lado e de meio. Criamos inúmeras oportunidades”, concluiu.

Após perder quatro pênaltis seguidos, Oliveira ‘passa a bola’ para Gabriel

Quando Leandro Silva cometeu pênalti em Gabriel aos 31 minutos do segundo tempo, nesta quarta, de um duelo até então empatado por 0 a 0, todos os olhares santistas foram para Ricardo Oliveira. Apesar de todo o crédito com a torcida e com o próprio grupo, o artilheiro não vive uma boa fase quando o assunto é penalidade máxima. O camisa 9 desperdiçou as últimas quatro cobranças de maneira seguida e podia colocar a vitória sobre o Figueirense em xeque. No entanto, o experiente atacante de 35 anos e capitão do time soube perceber que o momento não era favorável e ‘autorizou’ Gabriel a tomar a responsabilidade, em Florianópolis. O jovem de 19 anos também assustou a todos, já que o goleiro Muralha chegou a tocar na bola, mas converteu a cobrança em gol e deu a vitória ao time da Vila Belmiro.

“Acima do individual, está o coletivo. Eu já vinha falado com Gabriel há muito tempo, já vinha conversando com ele. Ele sofreu o pênalti, estava confiante. Pegou a bola, merecido, jogou muito. Nos ajudou bastante com a vitória, que era o que a gente esperava”, explicou Ricardo Oliveira.

Autor de 30 gols em 50 jogos disputados nesta temporada, o centroavante caracterizou suas falhas em cobranças de pênaltis. Nas quatro ocasiões, Oliveira bateu no mesmo lugar: baixo, à direita dos goleiros. Foi assim na derrota por 3 a 2 diante do São Paulo, na vitória por 1 a 0 em cima do Vasco, no empate por 0 a 0 com o Atlético-PR e também quando o clube bateu a Chapecoense por 3 a 1.

Agora, mesmo que tenha perdido definitivamente o posto de batedor oficial, o jogador minimiza a situação e reforça a ideia de que o mais importante são os resultados positivos que a equipe venha a alcançar na sequência do ano. Por fim, Ricardo Oliveira admitiu que a vitória por 1 a 1 nesta quarta deixou o Peixe muito próximo das semifinais da Copa do Brasil.

“Importante a vantagem, mas sabemos que é um jogo de 180 minutos. Respeitamos o Figueirense, mas sabemos que saímos com um resultado a nosso favor”.