Joinville 0 x 0 Santos

Data: 08/11/2015, domingo, 18h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 34ª rodada
Local: Arena Joinville, em Joinville, SC.
Público: 9.679 torcedores
Renda: R$ 194.945,00
Árbitro: Wagner Reway (MT)
Auxiliares: Eduardo Goncalves da Cruz (MS) e Fabio Rodrigo Rubinho (MT).
Cartões amarelos: Marcelinho Paraíba, Danrlei e Fernando Viana (J); Lucas Lima e Daniel Guedes (S).
Cartão vermelho: Rogério (J).

JOINVILLE
Agenor; Mário Sérgio, Domingues, Guti e Diego; Danrlei, Anselmo, Silvinho (Edigar Junio) e Marcelinho Paraíba (Italo); Fernando Viana (Trípodi) e Kempes.
Técnico: PC Gusmão

SANTOS
Vanderlei; Daniel Guedes, Werley, David Braz e Chiquinho; Renato, Thiago Maia e Lucas Lima (Alison); Marquinhos Gabriel (Geuvânio), Gabriel (Nilson) e Ricardo Oliveira.
Técnico: Dorival Júnior



Na lama, Santos fica no zero com o Joinville, mas se mantém no G4

Há quase 50 dias convivendo com muita chuva, o gramado da Arena Joinville foi o grande obstáculo na partida da noite deste domingo, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro, entre o time da casa e o Santos. Sem condições de apresentar o famoso futebol de toque de bola e velocidade que o caracterizou neste segundo semestre, o alvinegro praiano teve de entrar em um jogo com muitos lançamentos, de mais disposição do que de técnica. Desta forma, apesar da entrega das duas equipes em campo, a partida terminou sem gols em Santa Catarina.

O resultado foi pior para o JEC, que agora é o lanterna da competição com apenas 31 pontos e vê o retorno à Série A2 cada vez mais próximo. Já o Santos foi beneficiado pela derrota do São Paulo e se manteve na quarta colocação com 54 pontos conquistados.

Agora, as duas equipes terão um longo período sem jogos por causa da paralisação em função dos jogos da Seleção Brasileira pelas Eliminatórias Sul-americanas da Copa do Mundo. O Joinville fará clássico com Avaí, no estádio da Ressacada, em Florianópolis, dia 18 (quarta-feira), às 21 horas. O Peixe entrará em campo no dia seguinte, contra o Flamengo, às 22 horas, na Vila Belmiro.

O jogo

Assim como se esperava, o jogo em Santa Catarina foi duro de assistir em função das condições precárias do campo da Arena Joinville. Encharcado e com muita lama, o gramado impossibilitou o bom toque de bola da equipe do Peixe e forçou uma disputa com muitos ‘bicões’.

No primeiro tempo, as duas equipes tiveram poucas chances de gol. Mesmo assim, a vontade de vencer era notória. Tanto que Rogério, lateral reserva do JEC, acabou sendo expulso aos 9 minutos de jogo, por reclamação.

Aos 18, Marcelinho Paraíba cobrou falta na área e David Braz afastou contra seu gol, com perigo. Mas a grande oportunidade veio aos 21, quando Werley afastou mal e a bola sobrou limpa para Fernando Viana. O atacante bateu forte, rasteira e viu Vanderlei fazer grande defesa, evitando o gol dos mandantes.

Em seguida, outro lance inusitado na partida. Chiquinho foi afastar o perigo perto da lateral esquerda e acabou acertando uma gandula. O jogador santista, junto com outros atletas, tentaram prestar socorro para a mulher que ficou caída no chão. Depois de alguns minutos, a gandula foi levada por um médico, sem maiores problemas.

Com o reinício do jogo, o Santos quase marcou com Ricardo Oliveira aos 37. Gabriel avançou pela esquerda e cruzou rasteira para o centravante, que escorou para o gol, mas errou o alvo.
“Infelizmente, não dá pra tocar a bola. Estamos tentando outro tipo de jogo, com ligação direta e em busca da segunda bola. Não é nossa característica, mas estamos tentando buscar o gol”, comentou Renato, o jogador mais experiente do elenco alvinegro.

Na segunda etapa, Dorival Júnior surpreendeu ao sacar Lucas Lima para a entrada de Alison. A alteração, apenas de ordem tática, foi mais uma tentativa do técnico de encontrar uma nova forma do time jogar, já que a técnica de seus jogadores sucumbia ao péssimo estado do gramado.

E logo no primeiro minuto, Ricardo Oliveira teve uma chance rara. Depois de bom passe de Renato, camisa 9 saiu cara a cara com o goleiro Agenor. O chute rasteiro de esquerda, porém, parou nas mãos do camisa 1.

Dorival Júnior ainda colocou Geuvânio e Nilson nas vagas de Marquinhos Gabriel e Gabriel, respectivamente, mas o panorama da partida não mudou muito. O Joinville tentava ditar o ritmo, com o apoio de seu torcedor, mas também abusava das bolas aéreas. Em uma delas, aos 23, Edigar Junio aproveitou sobra dentro da área e chutou de primeira, mas Vanderlei mais uma vez trabalhou bem.

Bastidores – Santos TV:

Ricardo Oliveira culpa o gramado por empate com o lanterna Joinville

Durante toda a preparação para o confronto deste domingo, contra o Joinville, Dorival Júnior avisou que seus jogadores estavam alertas sobre o problema que enfrentariam com o castigado gramado da Arena Joinville. Mas, mesmo cientes de tudo, os santistas tiveram muitas dificuldades em Santa Catarina e não passaram de um 0 a 0 com o time da casa, que assume a lanterna do Campeonato Brasileiro com este empate.

Ricardo Oliveira, que desperdiçou a melhor chance de gol do jogo, aos sair cara a cara com o goleiro Agenor a 1 minuto do segundo tempo, negou a satisfação com o ponto conseguido depois de muita luta, mas não deixou de culpar o gramado pelo futebol apresentado.

“Não (foi bom). Santos não pode jogar por empate. Mas é claro que com um campo desse fica impraticável, difícil de pôr nossa qualidade. Mas é o que se deu hoje para o jogo, e saímos com um ponto”, comentou o artilheiro do Brasil em 2015.

Agora, Ricardo Oliveira, assim como Lucas Lima, que neste domingo foi sacado por Dorival Júnior no intervalo da partida de forma surpreendente, se apresenta à Seleção Brasileira para os jogos contra Argentina e Peru, pelas Eliminatórias Sul-americanas da Copa do Mundo de 2018.

“Seleção Brasileira. Agora é procurar se apresentar amanhã lá e foco total nos jogos que vamos ter pela frente”, encerrou o capitão do Peixe.

Lucas Lima não encara o Flamengo e Dorival explica substituição

O Santos não terá um de seus principais jogadores, se não for o principal, no dia 19, contra o Flamengo, na Vila Belmiro. Lucas Lima foi advertido ainda no primeiro tempo por uma falta no campo de ataque e terá de cumprir suspensão. O cartão recebido neste domingo, durante o empate por 0 a 0 com o Joinville, também explicou um pouco da substituição feita por Dorival Júnior ainda no intervalo, quando o técnico sacou o camisa 20 e colocou o volante Alison em campo.

“(Eu o tirei) Porque a área central do campo estava muito mais pesada. E o detalhe importante é que ele já estava com o cartão amarelo. Eu fiquei com receio de perdê-lo por mais tempo. Eu ia tirar um dos dois meias e essas duas razões acabaram pesando”, comentou o treinador santista, evitando muita lamentação pela perda de seu articulador contra o rubro-negro carioca.

“A ausência do Lucas é natural que, em razão do momento que ele vive, da própria situação que a equipe apresenta jogando com Lucas. Mas já fizemos isso em outras oportunidades e os jogadores responderam a altura”, disse.

Mas quando questionado sobre o fato de não ter Lucas Lima e Ricardo Oliveira durante os 10 dias de pausa no Campeonato Brasileiro, já que ambos servirão à Seleção Brasileira, Dorival Júnior, aí sim, mostrou toda sua chateação.

“Eu lamento, porque perderemos quatro (atletas). Dois para a Seleção olímpica. Serão peças importantes em um momento de definição de competição, por estarmos brigando por G4 no Brasileiro, finais da Copa do Brasil. Seria importante para continuarmos o trabalho, buscando uma melhora da equipe. Mais uma vez, em função das convocações, mas temos que entender”, conformou-se, lembrando também das ausências de Zeca e Gabriel.

O elenco santista deixa Santa Catarina apenas neste segunda-feira e terá a terça de folga. O grupo só volta aos trabalhos no CT Rei Pelé na quarta-feira à tarde.

Dorival vê briga e não futebol, e aprova atuação “dentro do possível”

O empate por 0 a 0 diz bem o que foi a partida entre Joinville e Santos na noite deste domingo, em Santa Catarina. Com um gramado que impossibilitava o toque de bola, as duas equipes tiveram de recorrer aos lançamentos durante todo o jogo, prejudicando demais a qualidade do confronto válido pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. Para Dorival Júnior, o que se viu na Arena local não pode nem ser chamado de futebol.

“Hoje jogamos um jogo muito brigado, disputado. Na realidade não foi um jogo, não foi uma partida de futebol. Foi uma briga constante durante 90 minutos. Mesmo assim, a equipe, dentro das circunstâncias, ainda se comportou muito bem”, opinou o comandante santista.

Sem deixar de lembrar a máxima que diz que se o campo é ruim ele é ruim para os dois lados, Dorival observou que, quer queira quer não, seu time acabou sendo mais prejudicado pelo gramado encharcado e com muita lama do que seu adversário deste domingo, já que o toque de bola é a principal característica da equipe.

“Natural o Joinville mais adaptado a este tipo de jogo. É natural que eles já estejam numa outra condição, principalmente aqui dentro, mas a equipe do Santos foi valente, guerreira, vibrante e fez um ponto importante aqui dentro”, comentou.

Diante de toda essa situação, o treinador valorizou a manutenção do Peixe dentro do G4, já que o São Paulo acabou perdendo para o Cruzeiro, em Minas. A vantagem para o Tricolor do Morumbi até aumentou, agora é de um ponto (53 a 54). Antes da rodada começar, os rivais paulistas eram separados apenas pelos critérios de desempate.

“ (O gramado) Prejudicou demais a qualidade do espetáculo e não tivemos a partida a altura daquilo que gostaríamos, nem Santos nem eles ficaram satisfeitos. No fim de tudo isso, o resultado de empate foi importante pela manutenção na tabela. Diminuiu uma rodada no campeonato. Seria importante um resultado positivo, mas, dentro das circunstâncias, não vejo razão para lamentar”, encerrou Dorival.

Jogo brigado e feio em Joinville mantém jejum do Santos fora de casa

Como bem avaliou Dorival Júnior depois da partida com o Joinville, em Santa Catarina, o que se viu em campo neste domingo pouco lembra futebol, propriamente dito. E esta constatação fica mais evidente quando se analisa o desempenho do Santos no Campeonato Brasileiro. O gramado encharcado e com muita lama forçou o alvinegro praiano fugir de suas características e, quando isso aconteceu, a equipe não se encontrou, sofrendo muito mais perigo atrás do que chegando próximo ao gol de seu rival.

Em função de tudo isso, Dorival Júnior resolveu inclusive sacar Lucas Lima já no intervalo do jogo, justamente porque o meio de campo era a parte mais crítica do gramado da Arena Joinville. Muito por isso, cada uma das equipes errou 35 passes, chegando ao elevado número de 70 tentativas mal-sucedidas no jogo.

E se não dava pelo chão, o jeito foi usar e abusar dos ‘bicões’. Ao todo foram impressionantes 138 lançamentos em pouco mais de 90 minutos. O Peixe foi quem mais executou o fundamento, errando em 56 oportunidades da 85 tentativas. O JEC também não ficou muito atrás, com 38 lançamentos errados e apenas 15 bem feitos.

Esse número de bolas alçadas ainda aumenta quando se soma os cruzamentos e os escanteios. E o que chama mais atenção é a ineficiência dos dois times. O Tricolor catarinense errou 20 de 23 cruzamentos à área, enquanto o Santos falhou em 9 de 12 vezes que optou por essa jogada. Também foram 11 escanteios dos mandantes contra 7 dos visitantes paulistas em um confronto que teve 39 faltas, 21 feitas pelo JEC contra 18 dos santistas.

No quesito finalizações, Vanderlei foi quem mais sofreu. Apesar do Peixe ter chutado mais a gol, 10 vezes, apenas 4 acertaram o alvo. Por outro lado, o Joinville só errou o gol em duas e sete tentativas de abrir o marcador.

Tudo isso fez com que o Santos mantivesse sua péssima campanha como visitante neste Campeonato Brasileiro. Assim como o Joinville, o time da Baixada só venceu uma vez fora de casa, e já faz tempo. Foi no dia 30 de agosto, contra o Cruzeiro, no Mineirão, em duelo válido pela 21ª rodada. Ricardo Oliveira definiu o placar de 1 a 0 naquela ocasião. Com o empate sem gols deste domingo, o Peixe chegou apenas ao seu décimo ponto conquistado longe da Vila Belmiro (nove derrotas e sete empates). Desde que a competição é jogada em formato de pontos corridos (2003), a atual campanha é a pior do clube como visitante. Inferior, por enquanto, até mesmo em comparação ao Brasileiro de 2008, quando o Santos se livrou do rebaixamento apenas na penúltima rodada e obteve 12 pontos fora de casa.

Como o clube está dentro do G4, apesar da dificuldade como vistante, Dorival Júnior ainda tem tempo para pelo menos amenizar esse problema da equipe, pois ainda o Peixe ainda fará mais duas partidas fora de casa. Contra o Coritiba e diante do Vasco, ambos brigando para não descer à Série A2 do Brasileiro.