Santos 1 x 1 São Bernardo

Data: 30/01/2016, sábado, 17h00.
Competição: Campeonato Paulista – 1ª fase – 1ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 9.341 pagantes
Renda: R$ 389.315,00.
Árbitro: Jose Claudio Rocha Filho
Auxiliares: Danilo Ricardo Simon Manis e Herman Brumel Vani
Cartões amarelos: Gabriel (S); Léo Veloso e Paulo (SB).
Gols: Luciano Castán (10-1); Gabriel (36-2).

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Gustavo Henrique, Lucas Veríssimo e Zeca; Renato (Neto Berola), Thiago Maia (Serginho) e Lucas Lima; Paulinho (Joel), Gabriel e Ricardo Oliveira.
Técnico: Dorival Júnior

SÃO BERNARDO
Daniel; Eduardo, Diego Ivo, Luciano Castan e Léo Veloso; Daniel Pereira, Daniel Amora, Marino (Lucas) e Cañete (Jean Carlos); Jefferson Kanu (Paulo) e Magal.
Técnico: Roberto Fonseca



Santos decepciona e arranca empate na marra contra o São Bernardo

O atual campeão Paulista penou na Vila Belmiro na tarde deste sábado. Depois de um mês de espera, o Santos estreou na temporada 2016 diante de seu torcedor, mas o desempenho em campo frustrou os 9.341 torcedores que foram ao estádio. Diante de um São Bernardo muito bem postado em campo, mas que não soube aproveitar as oportunidades que teve para matar o duelo, o Peixe arrancou o empate em 1 a 1 já nos minutos finais e ficou no lucro, depois de muitos protestos das arquibancadas. Luciano Castán abriu o placar, mas Gabriel evitou a derrota santista.

A igualdade pelo menos manteve a invencibilidade de Dorival Júnior à frente da equipe na Vila Belmiro. Desde que o treinador retornou ao clube, foram 17 vitórias e dois empates no Urbano Caldeira. Desta vez, porém, o gosto amargo ficou na garganta dos donos da casa.

Desta forma, o Peixe fica com apenas um ponto no Grupo A, que também tem Botafogo-SP, Linense, Oeste e São Bento. Enquanto isso, com a mesma pontuação, o São Bernardo inicia sua briga no Grupo B, ao lado de Ituano, Novorizontino, Palmeiras e Ponte Preta.

O jogo

Quase dois meses depois, o torcedor santista pôde rever seu time na Vila Belmiro. Com muito calor e um sol impiedoso, o Peixe iniciou a defesa de seu título contra o modesto São Bernardo. Mas, quem esperava uma vitória tranquila, levou um susto. Logo aos 10 minutos de jogo, Luciano Castán, irmão do também zagueiro e ex-corintiano Leandro Castán, aproveitou um bate-rebate dentro da área e estufou as redes de Vanderlei.

Além do gol, o que mais chocou os torcedores e, talvez, até mesmo a equipe de Dorival Júnior, foi a postura tática do Tigre. Armado no 4-4-2, o time de Roberto Fonseca se armou com as linhas altas, próximas ao meio campo, e com uma distância entre o primeiro e o último homem entre 15 e 20 metros.

Desta forma, Renato, Thiago Maia e Lucas Lima não tinham espaço para armar as jogadas. O camisa 20, inclusive, errou muito e se irritou por diversas vezes com a arbitragem.

Aos 18 minutos, a grande chance do alvinegro veio depois de jogada característica de Zeca pela direita. O cruzamento ‘no facão’ encontrou Gustavo Henrique livre. O zagueiro cabeceou, mas o goleiro Daniel fez linda defesa no reflexo.

Com coragem e um toque de bola interessante, o São Bernardo ainda teve mais duas grandes chances de ampliar na primeira etapa. Na primeira, Magal recebeu sozinho, dentro da área, mas, se desesperou e cabeceou torto. Na segunda, aos 41, o estreante Lucas Veríssimo furou na frente de Vanderlei e contou com a sorte, pois a bola também passou pelo centroavante do Tigre.

A segunda etapa se iniciou com Serginho no lugar de Thiago Maia e um Peixe em busca do empate a todo custo. Mas os jogadores se mostravam nervosos em campo, errando mais do que de costume. Bem diferente do Santos de 2015. Do outro lado, o São Bernardo se manteve fiel ao seu esquema, mas já mais cauteloso e subindo pouco ao ataque, como já era de se esperar.

Com o passar do tempo, os gritos de incentivo vindos da arquibancada foram substituídos por protestos e irritação com a falta de produtividade do ataque. Até os 20 minutos, o goleiro Daniel ainda não havia feito sequer uma defesa. Então, Dorival resolveu sacar Paulinho, que também estrou neste sábado com a camisa do Peixe, para colocar Joel, outro estreante.

Mas quem teve uma chance clara de gol foi o Tigre. Marino conseguiu furar a linha de impedimento do Santos e saiu na cara de Vanderlei. O goleiro, no entanto, cresceu na frente do volante e salvou o Santos. Na sequência, Vanderlei precisou fazer outra grande defesa, em cabeçada de Marino, novamente. Era pressão do São Bernardo e após a cobrança do escanteio, o zagueiro Diego perdeu uma oportunidade incrível, dentro da pequena área.

A esta altura, os jogadores do Santos já eram amplamente hostilizados pelos torcedores. Xingamentos, vaias e revoltas contra o futebol apresentado se tornaram comuns depois dos 30 minutos. Os principais alvos eram Lucas Veríssimo e Gustavo Henrique.

Enquanto isso, o Tigre perdia chance atrás de chance de garantir os três pontos na Vila Belmiro. Não fosse o excesso de preciosismo dos visitantes, o cenário poderia ter ficado ainda pior para os donos da casa.

E como diz o ditado: quem não faz, toma. O São Bernardo não matou o jogo diante do atual campeão Paulista e sofreu o castigo aos 36 minutos. O goleiro Daniel se confundiu ao tentar sair do gol e viu Lucas Lima cruzar para Gabriel. O camisa 10, com o gol praticamente vazio, não perdoou e empatou de cabeça para explodir a Vila Belmiro, que abandonou os xingamentos no mesmo instante e clamou: Santos, o time da virada!

Apesar do incentivo nos minutos finais, não teve jeito. O empate acabou sendo até lucro para os alvinegros e a caminha santista em busca da oitava final seguida de Paulistão começou apenas com um empate na Vila Belmiro, diante do São Bernardo.

Bastidores – Santos TV:

Dorival critica primeiro tempo e excesso de lançamentos de sua equipe

O empate por 1 a 1 com o São Bernardo neste sábado, válido pela primeira rodada do Campeonato Paulista, escancarou diversos erros da equipe alvinegra nesta estreia do time na temporada 2016. Dorival Júnior, apesar de não mostrar nenhuma irritação por entender que o Peixe ainda tem muito a evoluir, não deixou de apontar as principais falhas de seus comandados

“Foi a primeira partida que nós fizemos, tudo diferente do que vínhamos fazendo sempre. Começamos a jogar com bolas retas, tentando penetrações em bolas esticadas, avançadas, com a defesa adversária plantada. Ansiedade em trocas de passes. Com isso, dificultamos muito as nossas ações, demos condições para que o São Bernardo se aproveitasse. Tiveram duas ou três boas saídas”, analisou o treinador.

Já na segunda etapa, na visão de Dorival, o Santos se aproximou um pouco mais daquilo que a equipe se acostumou a fazer em 2015 e não deixou de dar os méritos ao adversário, que também dificultou muito o trabalho dos santistas com um sistema de jogo bem definido.

“No segundo tempo, trabalhamos muito mais, nos aproximamos. Jogamos dentro das nossas características. Ainda é natural que falta um pouco de tempo de bola, passagem, troca de passes. Isso tudo vamos encontrar com a sequência de jogos e treinamentos. Você acaba lamentando, porque seria um jogo em casa, mas pegamos uma equipe difícil e muito bem postada. Temos de dar valor e reconhecer o adversário, que jogou muito bem postado. Não tivemos como penetrar, ainda mais na primeira etapa”, afirmou.

Outra crítica de Dorival, talvez o fato que mais tenha tirado o treinador do sério à beira do campo durante o jogo, foi o excesso de lançamentos. Os santistas foram pegos por dez vezes em posição de impedimento em tentativas de furar a linha de defesa alta do São Bernardo.

Dorival promete trabalhar para corrigir mudança de postura da equipe

O time do Santos que iniciou a temporada de 2016 é praticamente o mesmo que chegou às finais da Copa do Brasil e brigou pelo G4 no campeonato Brasileiro ano passado. Com as exceções de Paulinho na vaga de Marquinhos Gabriel (ou Geuvânio) e Lucas Veríssimo no lugar do lesionado David Braz, o resto da escalação é idêntica. Por isso, a postura da equipe em campo no sábado surpreendeu ao técnico Dorival Júnior.

“Temos de valorizar a posse de bola. Se tivéssemos jogando assim na primeira etapa, talvez pudéssemos construir o resultado. Foi uma equipe que se comportou muito bem marcando. Não tivemos um dia brilhante tecnicamente falando, mas teríamos de jogar dentro das nossas características”, apontou o comandante alvinegro.

E alguns pontos chamaram mais a atenção durante o empate por 1 a 1 com o São Bernardo, na Vila Belmiro. Em primeiro lugar, as diversas tentativas do time em tentar furar a defesa do Tigre por meio de lançamentos. Ao todo, foram 47, sendo 26 equivocados.

O São Bernardo jogou a linha de defesa alta, próxima ao meio campo em muitos momentos. E na tentativa de furar o bloqueio com lançamentos, os jogadores do Peixe acabaram sendo flagrados em impedimento dez vezes. Seis delas no primeiro tempo. O que gerou muita reclamação e enervou o time em campo.

Os 51 passes errados também atrapalharam a jornada santista na estreia do Campeonato Paulista e o time, além de Vanderlei, muitas vezes contou com a ineficiência de seu adversário para não sofrer uma derrota em plena Vila Belmiro.

A partir desta segunda-feira, Dorival Júnior começa a trabalhar a equipe para o duelo contra a Ponte Preta. Passado peso da estreia, a esperança do treinador é que sua equipe se desenvolva melhor e, principalmente, que volte a mostrar as características que renderam tantos elogios e bons resultados em 2015.

Estreantes sofrem, mas Dorival sai em defesa e pede paciência à torcida

Com saudades de assistir seu time em campo, o torcedor santista compareceu em bom número à Vila Belmiro neste sábado para a estreia na temporada. Mas a empolgação acabou freada pela desenvoltura do São Bernardo no gramado. O time do ABC abriu o placar a dominou o primeiro tempo, o que já gerou algumas vaias no intervalo da partida. Mas, na segunda etapa, a irritação tomou conta das arquibancadas e os principais alvos foram os dois jovens zagueiros Gustavo Henrique e Lucas Veríssimo.

“Falar especificamente dos zagueiros eu seria injusto. Nós temos de ver o Santos como equipe e como equipe nós não funcionamos. Logicamente, a exposição fica por conta dos zagueiros. Jogamos abaixo das nossas condições. Um fato natural? Não sei. Acredito que daqui a pouco encontremos nosso caminho, uma desenvoltura muito melhor”, defendeu Dorival Júnior.

A situação ficou um pouco pior para Veríssimo. O jogador de 20 anos estava fazendo seu primeiro jogo oficial com a camisa do Peixe e até iniciou bem o jogo. Mas, três furadas e alguns recuos para o goleiro no momento que a torcida queria pressa bastaram para o garoto sentir a impaciência do torcedor. Apesar de defendê-lo, o técnico santista não nega que aguarda contratações para o setor.

“A diretoria conhece meu posicionamento e sabe o que eu penso do nosso elenco. Estão trabalhando para que busquemos opções. Do contrário, vou sempre dar valor aos que aqui estão”, ponderou Dorival, que não pôde contar com David Braz e Paulo Ricardo, ambos lesionados.

Além de Veríssimo, os dois reforços do Peixe para esta temporada também fizeram suas estreias neste sábado: Paulinho e Joel. O primeiro teve a oportunidade de começar jogando ao lado de Gabriel e Ricardo Oliveira. Mas o desentrosamento foi notório e o atacante acabou parando na marcação em todas as oportunidades que buscou a jogada individual. Ao ser substituído por Joel, vaias e aplausos de incentivo se misturavam na Vila.

“Não me preocupa de maneira alguma. Ele vai encontrar um caminho natural e, daqui a pouco, não tenho dúvidas de que será muito importante para o Santos. Sentiu um pouco do ritmo. Não podemos nos esquecer que ele está vindo de duas lesões. Então, é um processo um pouco mais lento, moroso”, explicou Dorival, apostando suas fichas no ex-flamenguista para a vaga antes ocupada por Marquinhos Gabriel e Geuvânio.

“Vai alternar bons e maus momentos. Vamos tentar fazer com que acelere esse processo, com trabalhos além do normal. Isso é questão de tempo apenas”, projetou.

O camaronês Joel também não brilhou contra o Tigre. Estava em campo no momento do gol de empate, anotado por Gabriel, mas não participou da jogada e, ao fim, ouviu as vaias direcionadas a todo o time.

“É natural. Você está diante do seu torcedor, quer fazer um espetáculo. As coisas não acontecem, aí você acelera quando deveria trabalhar a bola. É uma preocupação normal, não muito excessiva”, minimizou Dorival Júnior, sem muitos planos de mudanças para a 2ª rodada, nesta quarta, contra a Ponte Preta, em Campinas. “Ainda é muito cedo”, finalizou.

Ricardo Oliveira faz mea-culpa e é usado como escudo para zagueiros

Apesar do Santos ter feito apenas sua estreia da temporada neste sábado, a partida abaixo das expectativas contra o São Bernardo na Vila Belmiro já rendeu as primeiras vaias e críticas pesadas a dupla de zaga formada por Gustavo Henrique e Lucas Veríssimo. O segundo fez apenas seu primeiro jogo oficial com a camisa do Peixe entre os profissionais, mas não foi perdoado pelos quase 10 mil torcedores.

Por tudo isso, nesta segunda-feira, na reapresentação do elenco no CT Rei Pelé, Ricardo Oliveira foi o escolhido para falar com a imprensa. O capitão da equipe discordou das críticas e chegou a apontar suas próprias falhas em uma clara tentativa de desviar o foco sobre os jovens defensores.

“Eu acho que todo o time, todo o elenco é responsável por uma partida não tão boa. Eu acho injusto as críticas aos nossos defensores, porque eu acho que nós temos que participar defensivamente quando não temos a bola e nós comprometemos isso. Muitas vezes nós deixamos eles no mano a mano. Acho que no mano a mano, com jogadores rápidos, é difícil para qualquer zagueiro levar vantagem”, ponderou o centroavante, claramente incomodado com o tom adotado após o empate por 1 a 1 com o São Bernardo.

“Algumas situações do futebol eu não consigo entender. Mas, minha experiência no futebol me faz relevar e entender por que gera isso. Acho que nós não fizemos uma boa partida e comprometemos a parte defensiva”, reforçou.

Além de fazer mea-culpa diante de falhas evidentes da equipe no sábado, Ricardo Oliveira também fez questão de lembrar os jornalistas dos seus próprios erros durante os pouco mais de 90 minutos.

“Eu não chutei uma bola a gol. Entrei várias vezes impedido. Vocês têm de citar isso ai também. Eu tenho uma autocrítica. Sei das coisas que a gente faz. Tudo dentro do normal. É como eu falei, eu vou encontrar o ponto ideal na hora de fazer um movimento, de repente o meu companheiro, que era para dar a bola na hora certa, demorou um pouquinho e eu entrei em impedimento. Tudo dentro do normal”, avaliou o jogador de 35 anos.

Além de todo o discurso de um capitão que sabe que precisa passar respaldo e apoio, principalmente psicológico, aos atletas que estão entrando agora na equipe, Oliveira não pôde negar que existem conversas em particular com os meninos.

“Isso, com certeza. A gente fala com esses meninos. Vocês falam assim meninos, mas são jogadores que já sabem da responsabilidade que é vestir a camisa do Santos”, lembrou.

“São legais as críticas. As críticas te fazem pensar. Os elogios de repente fazem você se perder um pouquinho. Mas, as críticas não. Te faz pensar, ‘opa, espera ai, deixa eu ver onde eu errei, onde eu preciso melhorar’. Então, para eles vai ser bom, de repente saber que têm muito a crescer. Isso aqui é só o primeiro jogo”, concluiu o artilheiro do Santos na última temporada.