Red Bull Brasil 2 x 0 Santos

Data: 28/02/2016, domingo, 19h30.
Competência: Campeonato Paulista – 1ª fase – 7ª rodada
Local: Estádio Martins Pereira, em São José dos Campos, SP.
Público: 6.191 pagantes
Renda: R$ 293.970,00
Árbitro: Vinicius Gonçalves Dias Araujo
Auxiliares: Marcelo Carvalho Van Gasse e Fabio Rogerio Baesteiro
Cartões amarelos: Luan, Drausio e Breno (RB).
Gols: Thiago Galhardo (37-1) e Roger (42-2).

RED BULL BRASIL
Saulo; Everton Silva, Anderson Marques, Diego Sacoman e Willian Rocha (Misaeu); Luan, Maylson, Thiago Galhardo (Arthur Caculé) e Breno; Edmilson (Drausio) e Roger.
Técnico: Maurício Barbieri

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Gustavo Henrique, Lucas Veríssimo e Zeca; Renato, Thiago Maia (Victor Bueno) e Lucas Lima; Serginho (Patito), Gabriel e Ricardo Oliveira (Joel).
Técnico: Dorival Junior



Ricardo Oliveira ‘some’ e Red Bull Brasil acaba com invencibilidade do Peixe

Em noite que seria de festa para Ricardo Oliveira, o Santos conheceu sua primeira derrota na temporada. Com gol de Thiago Galhardo, após falha feia de Serginho no primeiro tempo, e outro de Roger aos 42 da etapa final, o Red Bull Brasil venceu no estádio Martins Pereira, em São José dos Campos, por 2 a 0, nesta 7ª rodada do Campeonato Paulista. Assim, apenas Corinthians e São Bento seguem invictos no Estadual.

A partida marcou o centésimo jogo de Ricardo Oliveira com a camisa do Peixe. Após receber uma homenagem dos companheiros no vestiário, o centroavante voltou ao time após as intensas e polêmicas negociações desta semana, quando lutou para ser liberado, mas acabou forçado a ficar no clube diante de uma proposta milionária do futebol chinês.

Titular e com a faixa de capitão no braço, Oliveira deixou o torcedor e a diretoria santista preocupados com o futuro depois de uma atuação muito apagada. Há o temor de que o jogador perca a motivação e deixe sua insatisfação com a resolução das negociações atrapalhar seu rendimento em campo.

Neste domingo, Ricardo Oliveira pouco tocou na bola e finalizou apenas uma vez, quando isolou a bola por cima do gol. No intervalo, o experiente atleta foi para os vestiários com a cara fechada e se recusou a dar entrevistas. Para piorar o clima, o centroavante sequer voltou para a etapa final. A justificativa foi um incômodo no joelho.

O resultado mantém o Santos como líder do Grupo A, com 12 pontos, mas tem São bento e Linense na sua cola. Já o Red Bul Brasil respira ao chegar a 10 pontos e assumir a terceira posição no Grupo D, liderado pelo Corinthians, com 17 pontos.

O jogo

O mando do confronto deste domingo era do Red Bull Brasil, mas o Santos é quem contou com o apoio dos torcedores em São José dos Campos. A expectativa da torcida local, que tem poucas oportunidades de assistir o Peixe de perto, porém, não foi correspondida no primeiro tempo.

Apesar do retorno de Ricardo Oliveira, o Santos pouco criava e esbarrava na forte marcação do adversário, que muitas vezes parava as jogadas com falta. Lucas Lima, sempre o homem mais acionado pelos santistas, esbravejava com a arbitragem antes mesmo dos 20 minutos.

Assim, com o jogo truncado e com os dois times bem postados na marcação, o primeiro lance de perigo veio só aos 23, quando Thiago Galhardo cruzou e Edmilson cabeceou no contrapé do goleiro Vanderlei, que respirou aliviado ao ver a bola sair pela linha de fundo.

A resposta alvinegra não demorou e, na sequência, Lucas Lima quase marcou. Após tabela com Victor Ferraz, o meia ficou de frente para o gol, dentro da área, mas finalizou nas mãos de Saulo. No rebote, Ricardo Oliveira isolou.

E em um jogo tão equilibrado, foi um erro crasso que acabou sendo fundamental para tirar oz erro do placar. Serginho tentou cruzar a bola na entrada de sua área, na saída de bola, e acabou servindo Thiago Galhardo, que tocou para receber de Roger antes de concluir para o fundo das redes.

O Peixe sentiu o gol e, aos 40, a situação só não se complicou ainda mais porque a arbitragem marcou impedimento no gol de Anderson Marques, após cobrança de falta na área.

No retorno para o segundo tempo, o Santos voltou sem Ricardo Oliveira. O centroavante se recusou a faltar com a imprensa e alegou um incômodo no joelho para sair. Joel entrou no lugar do capitão. Serginho, que falhou feio no lance que originou o gol do Red Bull Brasil, também foi sacado. Patito Rodriguez foi para o jogo.

Mas, apesar das alterações, foi o time mandante que começou melhor a segunda etapa. Logo aos 25 segundos, Roger recebeu cruzamento rasteiro e não conseguiu empurrar a bola para o gol já praticamente vazio. E quando o relógio ainda maraca 1 minuto, Maylson bateu de fora da área e a bola raspou a trave direita de Vanderlei.

O jogo ficou aberto, diferente da primeira etapa, com o Santos partindo para cima e o Red Bull contra-atacando sempre com perigo. O Peixe teve a chance do empate em dois lances seguidos, aos 13 e aos 15 minutos. Primeiro Lucas Lima serviu Gabriel, que parou na defesa de Saulo. Depois, o meia entrou na área e rolou para o meio, mas Joel concluiu para fora.

O Red Bull Brasil então percebeu que teria de segurar a forte pressão do alvinegro praiano. E assim foi até o fim. Saulo fez linda defesa em chute de Lucas Lima aos 35 minutos e, aos 40, um bate rebate impressionante na área acabou com mais um gol frustrado do Peixe.

E para acabar de vez com as chances santistas e decretar a primeira derrota do time de Dorival Júnior na temporada, Bruno Lopes arrancou pela esquerda aos 42 minutos e cruzou rasteiro. Gustavo Henrique, de carrinho, mandou contra o próprio gol e Roger, quase em cima da linha, estufou as redes antes do apito final.

Vanderlei se irrita com atuação e mostra preocupação para clássico

A derrota do Santos para o Red Bull Brasil neste domingo foi apenas a primeira do Peixe na temporada. Mesmo assim, o placar de 2 a 0 deixou o sinal de alerta ligado no time e o goleiro Vanderlei não fez questão de esconder sua preocupação, já que na próxima rodada o alvinegro praiano encara o clássico contra o Corinthians, na Vila Belmiro.

“Não tem explicação. Jogamos muito mal. Quando tivemos a chance de matar não matamos. Contra o Corinthians, não podemos errar”, disse o camisa 1, seguido por Renato, que também já pensa no duelo do próximo domingo.

“Sabíamos que íamos encontrar dificuldades e que a equipe deles jogaria no contra-ataque, no nosso erro. E aproveitou. Clássico importante agora, em casa. Queríamos permanecer invictos. Domingo, como é um clássico, temos de vencer”, avisou.

Gabriel foi quem colocou panos quentes na situação e preferiu encarar o revés com naturalidade. O camisa 10 reconheceu os méritos do adversário e se mostrou tranquilo sobre o reflexo que a derrota pode causar para a sequência da equipe no Paulistão.

“Acho que o Red Bull é um grande time. Sabíamos do potencial deles e conseguimos fazer um grande jogo, mas eles tiveram as melhores chances e fizeram o gol. Acho que estamos numa crescente boa, fazendo bons jogos. Claro que não queríamos perder, mas isso uma hora ia acontecer. Foi um grande jogo. Eles tiveram as chances e fizeram o gol”, analisou o jovem atacante.

Jogadores do Peixe lamentam falhas, mas aprovam atuação em derrota

O Santos perdeu para o Red Bull Brasil neste domingo por 2 a 0. Foi o primeiro revés sofrido pela equipe de Dorival Júnior na temporada. Mas, apesar do gosto amargo com os 2 a 0 para o adversário no placar, alguns jogadores fizeram uma análise fria do desempenho da equipe e aprovaram a atuação nesta 7ª rodada do Campeonato Paulista.

“Acho que jogamos bem, claro que pelo placar fica difícil falar que jogou bem, mas a gente teve muito volume, muitas chances e não fizemos. Duas bolas e eles foram felizes. Futebol é isso. Ganha quem faz o gol e a gente não fez”, comentou Lucas Lima, refutando a ideia de que a derrota deixará os santistas mais motivados para encarar o Corinthians na semana que vem.

“Motivação nossa equipe vai ter pela qualidade, independente se é clássico ou não. Jogo bom de jogar. Todo mundo gosta de jogar clássico. Então, nada melhor que contra o Corinthians a gente fazer outro grande jogo e sair com o resultado positivo”, completou.

O zagueiro Gustavo Henrique, que viu Serginho entregar a bola nos pés de Thiago Galhardo na entrada da área santista no lance do primeiro gol e acabou cortando mal o cruzamento de Breno Lopes na jogada do segundo gol do Red Bull Brasil, reforçou a análise do meia.

“Estávamos bem no jogo, dominando, até falharmos no gol. Acabamos pagando caro, porque o time deles se fechou e, no contra-ataque, matou o jogo”, resumiu.

“Acho que o erro foi não aproveitar as oportunidades. O Red Bull teve a chance também. Essa foi a tônica. Nos outros jogos, aproveitamos e saímos com a vitória”, explicou o experiente volante Renato.

Dorival Junior reconhece defeitos da equipe, mas não vê “terra arrasada”

Dorival Júnior evitou criar uma situação de excesso de lamentações por causa do primeiro revés sofrido pelo Santos no Campeonato Paulista. Após a derrota por 2 a 0 para o Red Bull Brasil, na noite deste domingo, em São José dos Campos, o treinador alvinegro não escondeu sua insatisfação com a equipe que comanda, mas pediu paciência e indicou que deve manter a mesma linha de trabalho.

“Fizemos um primeiro tempo quase perfeito. De repente, numa saída de bola, a equipe do Red Bull Brasil foi muito feliz e acabou fazendo o gol. Uma jogada de espera e terminou o primeiro tempo. Tivemos que, no segundo tempo, buscar uma recuperação”, analisou.

“Afunilamos demais o jogo, ao invés de abrirmos. Ainda assim, criamos algumas oportunidades, mas não foi uma noite feliz. A equipe sentiu bastante a necessidade da busca pelo gol. Invertermos os papeis e demos contra-ataque para que o segundo gol acabasse acontecendo”, disse.

Na última quinta-feira, para muitos jogadores, o Peixe fez sua melhor partida no ano quando goleou o Mogi Mirim por 4 a 1 no Pacaembu. A derrota neste domingo evidencia a oscilação que Dorival tanto tem citado após as partidas.

“Temos de melhorar nossas condições em todos os sentidos. Agora está na hora de buscarmos nosso caminho. A equipe criou bastante. Teve bem próxima do gol. Mesmo assim, não foi um jogo dentro das nossas características”, comentou.

“Uma derrota. Temos de reconhecer. Não é terra arrasada. Não é porque conheceu a derrota que tudo que vinha sendo feito está errado. Mas, vamos corrigir e buscar a vitória no próximo jogo”, concluiu, já de olho no clássico contra o Corinthians, no próximo domingo, na Vila Belmiro.

Ricardo Oliveira se cala após jogar 45 minutos e pressiona diretoria

A diretoria do Santos fez questão de segurar Ricardo Oliveira no clube mesmo diante de uma proposta de 6 milhões de euros (R$ 27 milhões) e dos inúmeros pedidos do jogador, prestes a completar 36 anos, para ser liberado. O centroavante receberia um salário de R$ 1,4 milhão no Beijing Guoan. Sem acordo, o camisa 9 se reapresentou calado na sexta-feira e foi para o jogo contra o Red Bul Brasil, em São José dos Campos, demonstrando o mesmo profissionalismo de sempre. Mas, se havia algum temor pela frustração do atleta em ter de ficar no Peixe contra sua vontade, o duelo deste domingo só tornou a situação ainda mais preocupante.

A partida tinha tudo para ser de festa. Antes de entrar em campo, Ricardo Oliveira foi homenageado com a camisa 100, em alusão ao número de jogos que completara defendendo o Santos. Porém, em 45 minutos, o que se viu foi um jogador desanimado, que finalizou apenas uma vez a gol, quando isolou um rebote do goleiro Saulo. Fora isso, só tocou na bola para dar cinco passes. Não ficou impedindo, não desarmou, não cometeu falta, não fez mais nada.

Sempre muito educado e atencioso com a imprensa, ao sair de campo em direção ao vestiário, desta vez, o capitão santista passou pelos repórteres se recusando a dar entrevistas. Quando o time regressou para o segundo tempo, o centroavante, para a surpresa de todos, foi sacado para a entrada de Joel. Do banco de reservas, após novas solicitações dos jornalistas, Oliveira avisou que só falará depois que a diretoria do Santos se pronunciar.

A justificativa para sair do jogo, que aquela altura ainda estava 1 a 0 para ao adversário, foi um incômodo no joelho. “Vou aguardar para saber a reação dos médicos, para saber a condição dele”, despistou Dorival Júnior, depois da equipe levar outro gol e conhecer sua primeira derrota na temporada.

“O Ricardo está bem. Sentiu um pouco de dor e saiu. O professor optou por tirar ele. Ele vai trabalhar, sabemos que é um jogador que se cuida e esperamos que esteja apto para o clássico”, endossou Renato, capitão santista na ausência do centroavante, lembrando que no próximo domingo tem Santos e Corinthians na Vila Belmiro.

Uma entrevista coletiva chegou a ser convocada para esclarecer todo o imbróglio da negociação entre o clube, o jogador e seu estafe e o time chinês. Porém, como evento aconteceria às 16 horas de sábado, Ricardo Oliveira não poderia viajar com o elenco para enfrentar o Red Bull Brasil. A falta de comunicação entre as pessoas envolvidas gerou mais um desconforto e deixou um clima de incógnita no ar.

Segundo a assessoria do Peixe, uma nova data ainda nesta semana será agendada para o presidente Modesto Roma Júnior e o atleta se pronunciarem juntos. Por enquanto, as únicas manifestações oficiais vieram por meio de notas e, novamente, com divergências. O Santos alegou que o acordo não ocorreu por “falta de tempo hábil”, já que a janela de transferências internacionais da China fechava na sexta e o país asiático está 11 horas a frente do Brasil. Por outro lado, o jogador deixou claro que não houve mesmo acordo entre as partes. Além disso, reforçou que sua intenção era de sair em função da proposta vantajosa às vésperas de completar 36 anos e confirmou ter aberto mão de seus direitos federativos para o que o clube fosse ressarcido.

O clima de discordância entre Santos e Ricardo Oliveira sobre tudo que aconteceu na última semana fica tão evidente quanto a dúvida de como será o desempenho do jogador em campo daqui para frente.