Santos 3 x 0 Chapecoense

Data: 03/07/2016, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 13ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 10.322 torcedores
Renda: R$ 296.600,00
Árbitro: Bruno Arleu de Araujo (RJ)
Auxiliares: Dibert Pedrosa Moises e Thiago Henrique Neto Correa Farinha (ambos do RJ).
Cartões amarelos: Copete (S) e Josimar (C).
Gols: Rodrigão (17-2), Copete (19-2) e Yuri (40-2).

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Luiz Felipe, Gustavo Henrique e Zeca; Renato (Yuri), Thiago Maia, Vitor Bueno (Copete) e Lucas Lima; Gabriel (Joel) e Rodrigão.
Técnico: Dorival Junior

CHAPECOENSE
Marcelo Boeck; Cláudio Winck, Rafael Lima (Demerson), Thiego e Sérgio Manoel; Josimar (Lucas Gomes), Gil e Cleber Santana; Silvinho (Artur Maia), Bruno Rangel e Ananias.
Técnico: Caio Junior



Copete entra para definir a partida e ajuda a recolocar o Santos no G4

Até os 12 minutos do segundo tempo, o Santos fazia uma má exibição e encontrava muita dificuldade para chegar ao ataque. Sem inspiração e preso na eficiente marcação da Chapecoense, o Peixe se via sem alternativas. Mas, a partir daquele instante, com a entrada de Jonathan Copete, no lugar de Vitor Bueno, o panorama da partida mudou completamente. Com duas assistências e um gol, o colombiano foi o destaque da vitória santista por 3 a 0, na tarde de hoje, na Vila Belmiro.

Rodrigão, após passe de Copete, aos 17, o próprio colombiano, aos 19, e Yuri, em novo passe de Copete, aos 40, definiram mais um triunfo santista no Brasileirão – o quinto como mandante e ratificando o bom desempenho defensivo, com somente dois gols sofridos em casa em seis jogos.

A vitória recoloca o Peixe no G4, com 22 pontos, três atrás de Palmeiras e Corinthians, que dividem a liderança da competição. Já a Chapecoense caiu para a décima primeira posição, com 19 pontos.

O jogo

Como já era de se esperar, o Santos começou a partida sendo o dono das ações de ataque. Com mais posse de bola, o Peixe procurava encontrar espaços na defesa adversária.

Durante quase todo o primeiro tempo o cenário foi o mesmo: o Santos rodava bem a bola no campo de ataque mas parava na marcação da Chapecoense.

O Santos encontrava bastante dificuldades em penetrar na defesa adversária e produzia muito pouco ofensivamente, sem nenhuma finalização.

Somente aos 40, em mais uma tímida chegada no ataque, Rodrigão escorou por cima do gol de Marcelo Boeck. Dois minutos depois, Vitor Bueno também tentou chegar de cabeça, mas com pouca força, naquela que foi apenas a terceira e última oportunidade santista no primeiro tempo.

No segundo tempo, sem brilhar no ataque e com sucessivos erros de Gabriel, em tarde pouco inspirada, o técnico Dorival Júnior procurou a mudança. Mas não foi o camisa 10 que deixou a equipe. Coube a Vitor Bueno ser substituído pelo colombiano Copete, aos 12 minutos.

E foi justamente através dele que surgiu o gol santista. Pela esquerda, o colombiano deu o passe atrás de Rodrigão, na marca do pênalti. Mesmo assim, o atacante conseguiu se ajeitar e finalizar no canto direito de Marcelo Boeck, para abrir o placar.

E Copete mudou realmente a história da partida. Aos 19, após cobrança de Lucas Lima pela direita, Renato desviou de cabeça na primeira trave e Copete aproveitou para cutucar com a ponta da chuteira para o gol catarinense.

Os dois gols desestruturaram completamente o bom posicionamento defensivo da Chapecoense, que passou a ser amplamente dominada

Daí em diante, o Santos teve calma para chegar ao ataque e em nova descida Copete deu o passe para que Yuri, que substituiu Renato poucos minutos atrás, acertou um belo chute de fora da área, aos 40, e sacramentou a vitória do Peixe.

Bastidores – Santos TV:

Decisivo na Vila Belmiro, atacante colombiano adota discurso humilde

Provavelmente, nem o mais otimista dos santistas imaginava um começo tão intenso de Jonathan Copete na Vila Belmiro. Afinal, o colombiano foi negociado pelo Atlético Nacional de Medellín com o Peixe às vésperas de uma disputa de uma semifinal da Copa Libertadores, dando a entender que o jogador não seria uma peça tão útil na competição sul-americana.

No Peixe, porém, Copete dá mostras de ser justamente o contrário. Eficiente ao extremo, o colombiano de 28 anos estreou na última quarta-feira, diante do Grêmio, em Porto Alegre. Na ocasião, saiu do banco de reservas para marcar um gol e fazer uma assistência.

Hoje, contra a Chapecoense, ele novamente teve participação efetiva ao balançar as redes em mais uma ocasião e dar os passes para dois gols de sua equipe.

Dizer que o colombiano já caiu nas graças da torcida santista pode parecer um exagero, mas os gritos de “Copete! Copete!” já puderam ser ouvidos nas arquibancadas mesmo antes do final da partida deste domingo.

Até mesmo o técnico Dorival Júnior reconhece o ótimo momento vivido pela recente contratação santista. “O Copete entrou bem, está se adaptando mais rápido do que imaginávamos”, afirmou o treinador.

O bom início já coloca Copete como uma real alternativa para atuar entre os titulares no ataque do Peixe. O colombiano, porém, prefere adotar o discurso cauteloso. “Estou trabalhando bem e estou preparado para ajudar a equipe sempre que o treinador precisar. Agradeço pela oportunidade de estar aqui. Estou contente com esse começo”, disse o atacante.

Apesar de vitória, Dorival critica postura santista no primeiro tempo

O torcedor mais desavisado, que apenas tomou conhecimento da vitória santista por 3 a 0 sobre a Chapecoense, pode ter dado uma olhada no placar e ter tido a certeza de que foi uma vitória fácil para o Santos. Porém quem estava presente na Vila Belmiro, sabe que o triunfo santista foi construído após a equipe ter realizado um primeiro tempo sem qualquer inspiração.

No intervalo, surgiram até algumas vaias das arquibancadas, tamanha era a apatia da equipe, que não finalizou nenhuma vez no gol catarinense.

Preso na marcação do adversário e sem criatividade para furar os defensores, o Peixe só chegou ao gol do goleiro Marcelo Boeck em três tímidas cabeçadas, sem qualquer perigo.

Assim como os torcedores santistas, o técnico Dorival Júnior se incomodou com a fraca exibição. “Faltou passe final, definição, conclusão a gol, mas em razão de não conseguirmos o volume desejado. Pouco fizemos na primeira etapa. Na segunda etapa criamos com mais intensidade, foi diferente”, avaliou.

As coisas mudaram apenas a partir dos 12 minutos do segundo tempo, quando o treinador promoveu a entrada de Jonathan Copete no lugar de Vitor Bueno. Dorival, porém, fez questão de destacar que todo o time realizava uma partida abaixo da média. “Não foi só o Vitor. Eu poderia fechar os olhos e tirar qualquer jogador do meio que conseguiríamos melhorar”, explicou.

Em que pese o fraco primeiro tempo, o comandante santista projeta uma maior regularidade nas atuações a partir de agora. “O campeonato está no início, tivemos dificuldade no começo. Agora temos que manter a equipe e tentar repetir o que estamos apresentando. O G4 não é obsessão. O importante é estar lá em cima, próximo”, afirma.

Recém-chegados têm rápida adaptação e dão conta do recado

O final de temporada melancólico em 2015, além de ter deixado o Santos fora da zona de classificação para a Copa Libertadores deste ano, via Campeonato Brasileiro, foi ainda mais frustrante pela perda do título da Copa do Brasil, diante do rival Palmeiras.

Um dos motivos apontados por muitos torcedores santistas naquela ocasião foi o de que o Peixe carecia de um bom banco de reservas. Prova para esse argumento era que, em que pese o fato de o time titular corresponder, assim que algum jogador tinha que deixar a equipe, o reserva na maioria das vezes não o substituía a altura.

O Campeonato Brasileiro deste ano, porém, tem demonstrado o contrário, principalmente em relação às últimas três aquisições do clube que entraram em campo recentemente: os atacantes Rodrigão e Copete e o volante Yuri.

“Não esperava essa rápida adaptação, de maneira direta. Esses jogadores têm acrescentado muito ao nosso grupo”, elogiou o técnico Dorival Júnior, logo após a vitória santista por 3 a 0 sobre a Chapecoense, na tarde do último domingo.

O trio de recém-chegados correspondeu logo de cara. Rodrigão, de 22 anos, chegou com fama de goleador após ser contratado junto o Campinense, da Paraíba, mas havia muita desconfiança em relação ao jogador por nunca ter atuado em um grande clube.

Os três gols nos quatro primeiros jogos com a camisa do Santos, no entanto, ratificaram a fama de oportunista do atleta de 1,86 metro. “Agradeço pelo gol e pela estreia na Vila [diante da Chapecoense]. Temos que manter a pegada e manter o pé no chão.”, disse o atacante.

Vice-campeão paulista pelo Audax, Yuri foi um dos muitos jogadores que deixou o clube da Grande São Paulo após o término do estadual. No Santos, ele estava consciente de que seria uma opção do banco de reservas diante da titularidade incontestável da dupla de volantes Renato e Thiago Maia.

Porém, bastaram duas partidas para que o jogador já mostrasse que pode atuar entre os titulares sem qualquer problema. O golaço contra a Chapecoense, em um chute de fora da área, foi a prova disso. “Tem acontecido coisas inexplicáveis na minha vida. Estar no Santos, fazer gol, colocar o time no G4. Quero continuar assim agora. Estou preparado e à disposição do Dorival”, enfatiza o jogador.

Mas o caso mais emblemático da boa fase dos recém-contratados é, sem sombra de dúvidas, o atacante Jonathan Copete. Praticamente descartado de seu antigo clube, o Atlético Nacional de Medellín, da Colômbia, o jogador foi negociado com o Santos às vésperas da disputa da semifinal da Copa Libertadores, dando mostras de que o jogador teria pouca utilidade na fase decisiva da competição sul-americana.

Na Vila Belmiro, porém, o colombiano teve um início fulminante: dois jogos saindo da reserva, com dois gols e três assistências. “Aqui no Brasil o futebol é intenso, de uma maneira particular”, exaltou Copete, que chegou a ouvir seu nome ser entoado por boa parte da torcida que estava na arquibancada, na última partida.

Satisfeito com o desempenho do trio, Dorival encontra uma explicação para a rápida adaptação dos jogadores. “Tem um dado importante: todos eles vinham em ritmo de jogo, eram titulares em suas equipes. Com isso eles chegam adiantados”, argumenta o treinador que certamente utilizará as novas aquisições no período das Olimpíadas, quando Thiago Maia e Gabriel estarão na Seleção Brasileira.