Santos 0 x 0 Flamengo

Data: 03/08/2016, quarta-feira, 21h45.
Competição: Campeonato Brasileiro – 18ª rodada
Local: Arena Pantanal, em Cuiabá, MT.
Público: 21.799 torcedores
Renda: R$ 1.748.455,00
Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (PA)
Auxiliares: Marcio Gleidson Correia Dias e Helcio Araujo Neves (ambos de PA).
Cartões amarelos: Caju (S); Everton e Rafael Vaz (F).

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Luiz Felipe, Gustavo Henrique e Caju; Renato, Leo Cittadini, Jean Mota (Joel) e Vitor Bueno; Copete e Rodrigão (Elano).
Técnico: Dorival Junior.

FLAMENGO
Alex Muralha; Pará, Réver, Rafael Vaz e Chiquinho; Marcio Araújo, Willian Arão, Allan Patrick (Mancuello) e Everton (Adryan); Marcelo Cirino (Fernandinho) e Guerrero.
Técnico: Zé Ricardo



Peixe empata com Fla, dorme na ponta e pode quebrar jejum de 10 anos

O torcedor santista viveu uma noite especial nesta quarta-feira. O Peixe assumiu a liderança do Campeonato Brasileiro, pelo menos até o complementado da 18ª rodada. Caso o Palmeiras perca para a Chapecoense e o Grêmio não vença o Santa Cruz, o alvinegro praiano quebrará 10 anos de jejum. A última vez que a equipe ocupou a primeira colocação foi em maio de 2006, ao fim da 5ª rodada daquela edição. A ponta da tabela, com 33 pontos, foi alcançada após a equipe empatar em 0 a 0 com o Flamengo, na Arena Pantanal, em Cuiabá.

A liderança santista, ainda que provisória, foi construída graças a uma grande atuação do goleiro Vanderlei, que parou o ímpeto flamenguista, muito mais presente no ataque que o time santista.

Desfalcado de muitas peças, o Peixe valorizou a posse de bola e os contra-ataques, até teve chance de fazer o seu gol, mas o Flamengo foi mais agressivo e poderia até ter vencido a partida. Com a informação de que o Corinthians havia tropeçado em Curitiba, diante do Atlético-PR, o Peixe cadenciou a partida nos minutos finais e assegurou o empate.

O jogo

Com muita disposição, o Flamengo começou a partida partindo para cima do Santos. As descidas do rubro-negro carioca ocorriam na maioria das vezes pelo lado esquerdo da defesa santista, onde Caju tinha bastante dificuldade na marcação. Pela esquerda, Copete não recompunha bem, Leo Cittadini não marcava bem e por isso lateral-esquerdo santista ficava sobrecarregado.

Embora o Flamengo chegasse mais ao ataque, foi o Peixe quem teve a chance mais perigosa, quando aos 34 minutos, Caju tocou para Vitor Bueno, na direita. O meia pegou na bola de primeira e acertou a trave direita de Alex Muralha.

Com a pressão flamenguista, o Santos não conseguia manter a posse de bola. Jean Meia, o armador, quase não participava da partida.

O Flamengo seguia a sua sina de estar mais presente no ataque, mas foi o Santos quem novamente criou uma melhor oportunidade, quando Copete, aos 44, percebeu Alex Muralha um pouco adiantando e tentou surpreender com um chute do meio de campo. A bola caiu atrás do travessão rubro-negro.

No segundo tempo, o Santos voltou ainda mais precavido, sempre no aguardo das ações do adversário.

E mais uma vez a história se repetiu. O Flamengo mais entusiasmado no ataque, mas o Santos é quem chegou perto do gol, quando, aos 14, Rodrigão recebeu dentro da área, cortou Réver e chutou forte com boa defesa de Alex Muralha.

Os cariocas finalmente responderam, aos 17, com Everton acertando chute rasteiro, nono canto esquerdo, para intervenção de Vanderlei para a alinha de fundo.
Aos 24, Everton recebeu na esquerda, dentro da área, e chutou para nova defesa de Vanderlei.

Aos 43, o Santos que conservava o empate e a provisória liderança, passou por um enorme susto, quando Mancuello acertou o travessão, depois de finalizar de fora da área.

E ainda teve tempo para mais sufoco do Flamengo. Aos 46, Vanderlei fez nova defesa, quando Mancuello chutou para mais uma defesa do goleiro santista. Aos 48, no último lance do jogo, Fernandinho cabeceou e Caju desviou a bola com a mão dentro da área, mas o árbitro apitou o final da partida.

Bastidores – Santos TV:

Santistas celebram ponta da tabela e valorizam trabalho realizado

Após o apito final, o sentimento comum entre jogadores e comissão técnica do Santos foi de que a equipe fez por merecer assumir a liderança do Campeonato Brasileiro. Todos foram unanimes em dizer que chegar a ponta da tabela era questão de tempo por conta do trabalho realizado ao longo da competição.

“Ficamos muito felizes com a liderança, que é fruto de um trabalho bem feito, de uma sequência de bons jogos. Vamos esperar o fim da rodada e podemos comemorar por enquanto, mas temos que ser líderes no dia 4 de dezembro. Agora é descansar e enfrentar o América-MG para terminar bem o turno”, ressaltou o lateral-direito Victor Ferraz, referindo-se ao duelo diante do lanterna do campeonato, no domingo, as 11 horas, em Belo Horizonte. “É o lugar onde o Santos merece estar. A gente vem fazendo um grande trabalho”, disse o meia Elano, sobre a liderança do Santos, com 33 pontos.

O técnico Dorival Júnior avaliou o desempenho santista e valorizou o resultado, principalmente pelo fato de o time ter se apresentando sem cinco titulares. “Foi um ponto importante. Se considerarmos que jogamos sem cinco jogadores, quem entrou foi valente. Estávamos em igualdade de condição com o Flamengo no jogo. Perdemos 50% da equipe e não é fácil repor. É um ponto somado fora de casa”, disse o treinador, que valorizou a entrega de seus atletas.

“Só tenho que enaltecer a atitude desses jogadores. É um ponto que pode ser decisivo lá na frente. Há muitos anos o Santos não se aproximava da liderança. É um fato importante, temos a segunda defesa menos vazada, o melhor ataque, mesmo com todos esses problemas”, destacou.

Mais do que liderança, Dorival prega regularidade no Brasileirão

Desde que foi derrotado pelo Grêmio, por 3 a 2, em Porto Alegre, em 29 de junho, o Santos não sabe o que é perder. A data coincide com uma arrancada da equipe no Campeonato Brasileiro, que agora alcança a liderança, e ainda uma classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil.

Desde o revés para o tricolor gaúcho, nos minutos finais, o Peixe engatou no Brasileiro uma sequência de 13 pontos em possíveis 18 nas últimas seis rodadas, aproveitamento que nenhuma equipe conseguiu nesse espaço de tempo. Foram vitórias diante de Chapecoense (3 a 0), Ponte Preta (3 a 1), Vitória (3 a 1) e Cruzeiro (2 a 0) e empates diante de Palmeiras (1 a 1) e Flamengo (0 a 0).

A fase é tão boa que o ataque marcou 12 gols nesses seis jogos, sendo o mais eficiente entre os concorrentes e a defesa sofreu apenas quatro gols, sendo uma das três retaguardas que menos foi vazada. Tudo isso em meio a muitos desfalques. Por conta dessas ausências, o técnico Dorival Júnior prefere valorizar a manutenção da maneira como a equipe tem atuado.

“Não tem que alterar nada. Não temos como objetivo a liderança momentânea. Não é tão importante quanto manter a postura que a equipe vem tendo. Nossa sequência nos dirá o caminho a ser tomado”, explica.

Para próxima rodada, diante do América-MG, no domingo, as 11 horas, em Belo Horizonte, além de já não poder contar com Zeca, Thiago e Gabriel, que estão na seleção olímpica, o treinador ainda não sabe se poderá escalar Lucas Lima, que segue em tratamento de um edema na coxa esquerda.

Além do meia, Ricardo Oliveira esteve fora diante do Flamengo, na quarta-feira, mas deve retornar a equipe para o duelo diante dos mineiros.