Santos 0 x 1 Ferroviária

Data: 18/02/2017, quarta-feira, 19h30.
Competição: Campeonato Paulista – 1ª fase – 4ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 5.655 pagantes
Renda: R$ 165.565,00
Árbitro: Flavio Rodrigues de Souza
Auxiliares: Alex Ang Ribeiro e Herman Brumel Vani
Cartões amarelos: Patrick, William Cordeio, Matheus (F); Cléber (S).
Cartões vermelhos: Cléber (S).
Gol: Leandro Amaro (28-2).

SANTOS
Vladimir; Victor Ferraz, Cleber, Yuri e Zeca; Leandro Donizete (Arthur Gomes), Thiago Maia e Léo Cittadini (Bruno Henrique); Vitor Bueno, Copete e Ricardo Oliveira (Thiago Ribeiro).
Técnico: Dorival Junior

FERROVIÁRIA
Matheus; William Cordeiro, Leandro Amaro, Patrick e Léo Veloso; Flávio, Claudinei (Kelvin), Fábio Souza e Alan Mineiro (Raniele); Capixaba (Tiago Marques) e Elder Santana.
Técnico: PC Oliveira



Ex-Palmeiras marca e Ferroviária vence o Santos na Vila Belmiro

Na primeira partida de Ricardo Oliveira em 2017 e com a estreia para esquecer do zagueiro Cléber, o Santos pecou em criatividade e acabou derrotado pela Ferroviária por 1 a 0, gol de Leandro Amaro, zagueiro ex-Palmeiras. Cléber foi expulso no segundo tempo e abriu espaço para o defensor adversário subir mais alto na pequena área e mandar para as redes de cabeça.

A derrota foi a segunda seguida do Santos em sua casa, a Vila Belmiro, pelo Paulistão, já que o time foi derrotado pelo São Paulo por 3 a 1 no clássico da última quarta-feira.

Se a estreia de Cléber foi ruim, a volta de Ricardo Oliveira também não teve seus brilhos. O atacante até chegou a fazer um gol, mas o bandeira marcou posição irregular e o tento foi anulado.

Sem Lucas Lima, a equipe de Dorival Júnior teve muitos problemas no setor de armação e Léo Cittadini não conseguiu criar com eficiência. Usando muito lançamento direto, o Santos pecou nos impedimentos e falhou em vencer a zaga bem prostrada do time do interior.

Com a derrota, o Santos estacionou nos seis pontos, foi ultrapassado pela Ponte Preta (sete) e perdeu a segunda colocação do grupo D. A Ferroviária, por sua vez, chegou a quatro e ultrapassou RB Brasil e Linense, assumindo o segundo posto do grupo B, liderado pelo São Paulo.

O jogo

A primeira chegada da Ferroviária foi polêmica. O estreante Cléber tirou mal e Capixaba dominou a bola pela lateral esquerda. O atacante da Ferrinha infiltrou e caiu dentro da área pedindo pênalti, mas o juiz mandou seguir.

Aos 16, a Ferroviária chegou novamente com perigo pela lateral esquerda. Yuri tentou evitar um escanteio e deu a bola nos pés do adversário, que não conseguiu chutar com eficiência e a zaga alvinegra afastou.

Com o time visitante muito bem posicionado no setor defensivo, o Santos abusou dos lançamentos longos, sem eficiência. Para tentar furar o ferrolho grená, Victor Ferraz arriscou do meio da rua e a bola passou perto.

A grande quantidade de lançamentos do Peixe e o sistema bem prostrado de PC de Oliveira abriram espaço para um número muito elevado de impedimentos dos jogadores santistas.

Aos 36, o Santos chegou a abrir o placar com Ricardo Oliveira, mas o bandeira marcou posição irregular. O jogador não chegou a reclamar, mas a torcida alvinegra protestou muito na Vila.

Precisando da vitória, o alvinegro voltou melhor na segunda etapa. Nos primeiros minutos, Donizete fez boa jogada e cruzou para Copete, que perdeu uma grande chance de abrir o placar.

Aos 10, o lado esquerdo do Santos voltou a cochilar. Elder Santana deu uma meia lua em Yuri e ficou de cara a cara com Vladimir, que fechou o ângulo e impediu o primeiro gol da Ferroviária.

Para ter mais poder ofensivo, Dorival sacou o volante Leandro Donizete e colocou Arthur Gomes. Logo em sua primeira jogada, o jovem recebeu cruzamento de Victor Ferraz e cabeceou com força, levando perigo ao gol de Matheus.

Aos 22, a situação ficou pior para o Santos. Mal em sua estreia, o zagueiro Cléber entregou a bola no meio de campo e precisou fazer a falta. Já com um cartão amarelo, o jogador foi expulso de campo.

Poucos minutos mais tarde, a Ferroviária teve boa chance, mas parou novamente em Vladimir. Para se aproveitar da vantagem numérica, o técnico PC Oliveira tirou o volante Claudinei e colocou o meia-ofensivo Kelvin.

O balde de água fria veio aos 28. Após belo escanteio de Alan Mineiro, o ex-Palmeiras Leandro Amaro subiu mais alto que os zagueiros e mandou para o fundo das redes de Vladimir. 1 a 0 Ferroviária.

Dorival tentou mudar as peças do elenco santista, mas nem Bruno Henrique, que substituiu Cittadini, nem Thiago Ribeiro, que entrou no lugar do desgastado Ricardo Oliveira, resolveram o problema da criatividade e a derrota se concretizou.

Bastidores – Santos TV:

Thiago Maia quer foco para derrotas não acontecerem de novo

Em uma situação difícil de se ver, o Santos foi derrotado pela segunda vez seguida na Vila Belmiro. Desta vez, quem derrotou o alvinegro foi a Ferroviária de Araraquara, que garantiu três pontos importantes e subiu para a segunda colocação do grupo B. Frustrado com o resultado, Thiago Maia quer mais trabalho para resultados como esse não voltarem a acontecer.

“Acho que temos que estar preparados para tudo. Infelizmente perdemos. Temos de formar um pouco mais. O que aconteceu aqui não pode acontecer de novo”, afirmou o volante à reportagem da Premiere na saída de campo.

Com uma mescla de jogadores jovens e experientes, Thiago vê a equipe do Santos madura, mas precisando prestar mais atenção em campo. “Nosso time, apesar de ser novo, é maduro. Acho que só temos que focar mais e ver o que estamos errando para ver o que melhorar e vencer”, acrescentou.

Depois de ficar seis anos sem perder em casa pelo Paulistão, o Santos agora foi derrotado pela segunda vez na Vila. Insatisfeita, parte da torcida criticou muito o técnico Dorival Júnior, enquanto outro setor de torcedores mostrou apoio ao treinador.

“A torcida está na obrigação de cobrar, faz parte, eles têm que cobrar nosso resultado“, concluiu o volante rapidamente. Foi a primeira vitória da Locomotiva grená na edição de 2017 do Paulistão.

Agora com quatro pontos, a equipe de Araraquara assumiu a segunda colocação do grupo B, liderado pelo São Paulo, com sete. O Santos, por sua vez, ficou nos seis pontos e perdeu a segunda posição para a Ponte Preta, que empatou sem gols com o Red Bull e chegou a sete. Quem lidera o grupo D é o Mirassol, que arrancou um empate do São Paulo no Morumbi e chegou a dez tentos.

Torcida cobra Dorival no vestiário e treinador comenta turbulência

A segunda derrota do Santos seguida em casa pelo Campeonato Paulista trouxe muito protesto da torcida alvinegra na Vila Belmiro. Após o revés sofrido contra a Ferroviária por 1 a 0, torcedores do Peixe foram até o vestiário para protestar sobre a má sequência e a falta de qualidade apresentada em campo.

Sobre gritos de “time sem vergonha”, “não é mole não, Libertadores é mais do que obrigação”, “Dorival, vou te avisar, a panelinha tá na hora de acabar” e “a paciência acabou”, os alvinegros cobraram resultados de sua equipe, que não perdia duas seguidas em casa desde 2014.

Sem se preocupar com as críticas que começam a surgir nos bastidores, Dorival ressaltou a dificuldade que todas as equipes terão e afirmou que o Santos precisa enfrentar esse período turbulento com coragem.

“Nosso grupo é bem equilibrado, difícil. Fatalmente as equipes vão ter as dificuldades que estamos enfrentando. Pela primeira vez o Santos passa por turbulência. Temos que seguir trabalhando. Não tem caminho. Temos que enfrentar com peito aberto para reverter essa situação”, cravou o treinador durante a coletiva de imprensa após a partida.

Com as duas derrotas na Vila, o Santos caiu para a terceira colocação do grupo D, ficando fora da zona de classificação para a segunda fase do Paulistão. A equipe estacionou nos seis pontos e foi ultrapassada pela Ponte Preta, que empatou com o Red Bull Brasil e chegou a sete. Quem lidera o grupo é o Mirassol, com dez tentos.

Dorival mantém confiança em Cléber após expulsão contra a Ferroviária

A partida contra a Ferroviária marcava duas estreias no Santos: a volta de Ricardo Oliveira, que ainda não tinha entrado em campo em 2017, e a primeira partida do zagueiro Cléber, uma das grandes contratações do time na temporada. E o defensor foi parte chave da derrota alvinegra por 1 a 0 em casa, a segunda seguida no Paulistão, já que foi expulso no segundo tempo e abriu espaço para o gol grená. Para o técnico Dorival Júnior, a expulsão complicou a partida, mas a atuação do jogador não foi de todo o mal.

“A expulsão mudou um pouco até na maneira da equipe jogar. Em seguida a Ferroviária fez o gol e tivemos que nos expor mais. A postura e o jogo mudam a partir de que você tem um jogador a menos. O Cléber teve esse lance, mas foi muito bem na partida. Temos confiança nele”, afirmou Dorival na coletiva pós-partida.

Em sua estreia, Cléber vacilou em alguns momentos e entregou diversas bolas nos pés dos adversários. Foi em um lance assim, na metade do segundo tempo, que o zagueiro foi expulso. Após perder a bola sozinho no meio campo, o jogador precisou barrar o avanço do adversário e recebeu o segundo amarelo.

Dorival também pontuou a volta de Ricardo Oliveira, que chegou a marcar, mas teve seu gol anulado por posição irregular. Cansado, o atacante foi substituído na parte final do segundo tempo por Thiago Ribeiro. “Ele voltou muito bem, como sempre. Foi até o momento que deu, porque ele estava esgotado. O trabalho feito com ele não tem a mesma carga que os outros nesse começo”, comentou.

O técnico também preferiu não opinar sobre uma possível falha da arbitragem no lance de Ricardo no primeiro tempo. “Houve realmente um gol válido, mas não temos que ficar contestando, lamentando e jogando a nossa responsabilidade na arbitragem”, categorizou Dorival.

Sem perder duas seguidas em casa desde 2014, Dorival acha que a derrota para o São Paulo na quarta-feira desestruturou a equipe. “Causa sim, sem dúvida disso. Principalmente da maneira que ocorreu, com um primeiro tempo bom. Hoje foi diferente. A equipe vinha jogando bem, com confiança em campo”, analisou o treinador.

Por fim, o técnico também fez questão de elogiar a boa partida defensiva feita pela equipe de Araraquara e como isso afetou o elenco alvinegro. “A marcação foi muito forte. Temos que considerar tudo isso. De repente você vai tentando, vai gerando uma impaciência nos jogadores. Falamos muito sobre isso antes, que não se deixassem levar por essas dúvidas momentâneas em definições de jogadas. Que saiamos mais fortes”, completou o técnico do Peixe.

Dorival defende Cittadini para seguir substituindo Lucas Lima

Depois de perder duas partidas seguidas em casa, fato que não acontecia desde 2014, o Santos teve uma de suas fraquezas exposta mais uma vez na partida contra a Ferroviária deste sábado: a discrepância entre seus jogadores titulares e as peças de reposição do elenco. Sem conseguir desempenhar bem a função de armador no jogo, Léo Cittadini recebeu apoio do técnico Dorival Júnior.

“O Léo sempre fez bem a função e vai substituir bem o Lucas Lima. É um garoto, então temos que ter paciência e tranquilidade. Hoje, infelizmente, não saiu como queríamos”, comentou o técnico sobre o meia de 22 anos.

Outra opção para o setor criativo do meio campo santista, Bruno Henrique entrou no segundo tempo e também deixou a desejar. Além de Lucas, o Santos não contou com Renato, volante titular da equipe, que ainda se recupera de lesão. Leandro Donizete foi o substituto do ídolo alvinegro.

“A dependência é natural, são titulares. Os jogadores que entraram começam a ter uma assimilação mais rápida e um entendimento maior. O resultado pode não espelhar o que aconteceu nas partidas”, afirmou o treinador Dorival Júnior após o jogo de sábado.

Para a sequência do Paulistão, o Santos agora encara o Ituano, nesta terça-feira, em Itu, sem o camisa 10 confirmado, e tem o Botafogo-SP em casa, no sábado, antes do clássico contra o Corinthians no dia 5 de março, fora de casa. A equipe busca reencontrar a vitória e as atuações regulares antes da estreia da Libertadores, no dia 9 de março, contra o Sporting Cristal, no Peru.

“Internamente precisamos assimilar o mais rápido possível, mas não tem momento para derrota. A equipe sempre respondeu positivamente, é uma questão de tempo”, concluiu o comandante alvinegro.

Maia vê pressão com estranheza, mas diz: “Torcida tem seu direito”

O Santos está sob pressão. Após um começo arrasador no Campeonato Paulista, goleando o Linense por 6 a 2, no começo de fevereiro, o Peixe viu seu desempenho despencar, perdeu dentro da Vila Belmiro para São Paulo e Ferroviária, respectivamente, e saiu da zona de classificação para as quartas de final do torneio. Por conta disso, alguns torcedores do alvinegro ficaram revoltados e foram até a porta do vestiário santista para descarregarem seu ódio contra o time comandado por Dorival Júnior.

Entre os protestos, os torcedores gritaram frases como: “Ou joga por amor ou joga por terror”, “A paciência acabou” e “Dorival, vou te avisar, a panelinha está na hora de acabar”. Vale lembrar que antes mesmo do duelo contra a Ferrinha terminar, no último sábado, diversas vaias já eram ouvidas na Vila. O volante Thiago Maia acredita que os santistas têm o direito de reclamar, mas viu a cobrança antes do apito final com estranheza.

“Achei estranho. A torcida sempre foi paciente. O Dorival chegou em 2015 e fez milagres, subimos bem. A torcida tem seu direito, mas poderia ser mais paciente. Estamos falando do Santos, temos que estar sempre ganhando. Somos campeões paulistas. Cobrança sempre tem. Nossa torcida não merece duas derrotas em casa. Estamos treinando forte para corrigir os erros”, ressaltou o volante, em entrevista coletiva nesta segunda-feira, no CT Rei Pelé.