Corinthians 5 x 1 Santos

Data: 23/05/1999, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista – 2ª fase – 15ª rodada (penúltima)
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público e Renda: N/D
Árbitro: Paulo Cesar de Oliveira.
Cartões amarelos: Marcelinho e Ricardinho (C); Jorginho, Narciso, Rodrigo, Aristizábal e CLaudiomiro (S).
Cartão vermelho: Vampeta (C).
Gols: Alessandro (21-1), Marcelinho (29-1) e Edílson (32-1); Marcelinho (38-2, de pênalti), Marcelinho (40-2) e Amaral (46-2).

CORINTHIANS
Maurício; Índio, Gamarra (Márcio Costa), Nenê e Silvinho; Vampeta, Rincón, Ricardinho e Marcelinho Carioca; Edílson (Dinei) e Fernando Baiano (Amaral).
Técnico: Oswaldo de Oliveira

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel, Claudiomiro e Gustavo Nery; Sugawara (Aristizábal), Narciso, Jorginho e Caíco (Rodrigo); Alessandro (Lúcio) e Viola.
Técnico: Émerson Leão



Goleada leva Corinthians a semifinal e “salva” o primeiro semestre

Depois de ser eliminado na Copa do Brasil e na Libertadores, time goleia o Santos e se classifica no Paulista-99

O Corinthians conseguiu, por enquanto, “salvar” seu primeiro semestre. Com a vitória por 5 a 1 contra o Santos, ontem, no Morumbi, e o empate em 2 a 2 entre Barbarense e Mogi Mirim, não só obteve a segunda vaga do Grupo 4 para as semifinais do Paulista como pode até ficar em primeiro.

O Santos já estava classificado.

Marcelinho, com três gols marcados, e Edílson foram os destaques da partida.

Neste ano, a equipe do técnico Oswaldo de Oliveira já havia sido eliminada da Copa do Brasil, pelo Juventude, e da Taça Libertadores da América, pelo Palmeiras, além do Rio-São Paulo.

Precisando dos três pontos, o Corinthians começou a partida mais ofensivo do que o rival. A equipe tentava explorar, principalmente, as jogadas pelas laterais, com os avanços de Índio, pela direita, e Silvinho, pela esquerda.

Mas, apesar de ter tomado a iniciativa do jogo e de o Santos ter apresentado problemas na marcação, dando muito espaço a Edílson, o Corinthians não conseguia criar chances de gol.

A primeira jogada de perigo foi da equipe de Emerson Leão, que acabou marcando. Aproveitando erro na saída de bola do Corinthians -o terceiro no jogo- e falha de Silvinho, que cabeceou mal, nos pés de Alessandro, o atacante santista, aos 21min, abriu o placar.

Em desvantagem, o Corinthians voltou ao ataque e chegou ao empate com Marcelinho, aos 29min, com o meia-atacante aproveitando cruzamento de Edílson.

Três minutos mais tarde, o mesmo Edílson cruzou para a área adversária, a bola desviou no zagueiro Argel e entrou, colocando o Corinthians à frente no placar.

Com a desvantagem no placar, o técnico santista decidiu escalar para o segundo tempo dois meia-atacantes: Rodrigo e Lúcio, no lugar de Caíco e Alessandro.

A situação do Corinthians complicou-se aos 15min, quando o volante Vampeta foi expulso após fazer uma falta em Jorginho. Imediatamente, Leão colocou mais um atacante em campo: Aristizábal, no lugar de Sugawara.

Já Oliveira tomou uma postura contrária -tirou o atacante Fernando e escalou o volante Amaral.

Mesmo com uma atleta a menos em campo, o Corinthians foi mais perigoso, principalmente com os contra-ataques comandados por Marcelinho e Edílson.

Aos 35min, Edílson entrou na área e sofreu falta de Argel. Marcelinho, aos 38min, cobrou sem chances para o goleiro Zetti: 3 a 1.

Logo depois, aos 40min, Edílson puxou um contra-ataque em velocidade e tocou para Marcelinho marcar: 4 a 1.

Nos acréscimos, aos 46min, Amaral recebeu passe de Marcelinho e ampliou: 5 a 1.

Leão tenta evitar um “racha”

Além do abatimento, o técnico do Santos, Emerson Leão, tenta evitar que a goleada sofrida contra o Corinthians, ontem, no Morumbi por 5 a 1, crie um “racha” no grupo de jogadores da equipe.

Após o término da partida, o técnico correu em direção do goleiro Zetti para tentar acalmá-lo. “Após um resultado desse, pode haver uma explosão”, disse Leão.

Com o conselho do treinador, o goleiro foi muito ponderado em seus comentários após o final do jogo. “Esquecemos da marcação. O contra-ataque do Corinthians foi o grande diferencial”, disse.

O meia Jorginho, um dos atletas mais experientes do Santos, concorda com a posição de Leão. “Não adianta criar um clima ruim dentro do grupo. Quem não tem inteligência é melhor ficar calado”, disse o meia santista.

O clima entre os jogadores do Santos pode piorar nesta semana. Amanhã, a diretoria do clube vai apresentar oficialmente o atacante Paulo Rink, que disputará apenas a fase final do Paulista-99.

Com isso, o time terá que abrir mão de um atleta emprestado nos jogos. Pelo regulamento do Campeonato Paulista, por partida só podem ser relacionados quatro “emprestados”. Ontem, o time teve cinco -Viola, Rodrigo, Lúcio, Aristizábal e Sugawara.

José Paulo de Andrade, diretor de futebol do Santos, disse que o volante japonês, por ser dono de seu passe, abre uma brecha para a sua participação nas partidas.

Sem culpados

Sobre a performance da equipe, Leão preferiu não eleger os culpados pela goleada. “Não vou instalar uma caça às bruxas, falando o nome de dois ou três jogadores.”

Segundo o treinador, foi “bom a equipe ficar com a cabeça baixa” depois da goleada de ontem, já que não poderia ter errado tantos lances como na partida contra o Corinthians. “Criamos muito pouco. Tivemos uma performance horrível”, completou Leão.

O volante Narciso foi mais incisivo nas críticas. “A equipe não soube atacar, defender ou criar jogadas. Quando isso acontece, não tem jeito mesmo”, disse. “O Santos vem cochilando nas últimas partidas. Hoje (ontem), não criamos nem 5% do que fazemos normalmente”, completou o volante.

O meia Jorginho teve uma postura semelhante. “Não conseguimos fazer nada em campo. Agora é que veremos a hombridade de cada jogador”, disse.



Santos joga para ter vantagem

Embora classificado por antecipação, o técnico Emerson Leão exige vitória hoje para que sua equipe entre nas semifinais com vantagem em relação ao segundo colocado da outra chave.

Uma derrota no clássico e vitória de Lusa e Palmeiras em seus jogos de hoje obrigarão o Santos a depender dos resultados da última rodada para garantir a vantagem. Nesse caso, o time terá que ganhar do Guarani no próximo domingo e torcer por um empate entre os dois rivais, que disputam a segunda colocação do Grupo 4.

De acordo com o regulamento do Paulista-99, a vantagem do empate nas etapas semifinal e final é da equipe com melhor campanha na fase anterior. O Santos lidera o Grupo 4, com 28 pontos. No 3, a Lusa é a segunda, com 27, e o Palmeiras, o terceiro com 26.

“Queremos entrar na fase decisiva com moral. Se conseguirmos os três pontos contra o Corinthians, ficaremos com grande possibilidade de ter o empate a nosso favor na semifinal”, afirmou o meia Jorginho, capitão do time.

Uma eventual vitória sobre o Corinthians, mais tradicional rival dos santistas, também servirá como reabilitação, após o fraco desempenho da equipe nos dois empates em casa contra Barbarente (2 a 2) e Mogi Mirim (1 a 1).

Esses resultados levaram Leão a modificar o time para o clássico de hoje. O meia Rodrigo e o volante Marcos Bazílio perderam seus lugares para Caíco e o japonês Sugawara, respectivamente.

Chegada de Rink tumultua o ambiente na Vila

A contratação de Paulo Rink exclusivamente para a disputa da etapa decisiva do Paulista provocou mal-estar entre os atacantes reservas do Santos.

Emprestado pelo Bayer Leverkusen, da Alemanha, Rink, cuja apresentação oficial será terça, terá lugar cativo na equipe.

O técnico Emerson Leão, que trabalhou com ele no Atlético-PR, afirmou que pretende escalá-lo já no próximo domingo, contra o Guarani. “Sei do que ele é capaz, e ele sabe do que eu gosto.”

A situação descontentou principalmente Lúcio e Aristizábal. Desde que voltaram ao futebol, recuperados de contusão, os dois, no máximo, entraram no segundo tempo dos jogos do Santos.

“Não temos nada contra o jogador que está chegando, mas éramos titulares e agora não temos mais oportunidade”, lamentou Lúcio, emprestado pelo Flamengo. “Se estão contratando, é porque não confiam mais na gente.”

O tom da queixa do colombiano Aristizábal, emprestado pelo São Paulo, é o mesmo. “O Santos tem oito atacantes de qualidade. E ainda trazem mais um. Eu me sinto desprestigiado.”