Santos 3 x 6 Corinthians

Data: 09/08/1994, terça-feira, 16h00.
Competição: Copa Bandeirantes – Final – Jogo de ida
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público e Renda: N/D
Árbitro: Edmundo Lima Filho
Cartões amarelos: Índio (S); Gralak e Ezequiel (C).
Gols: Wilson Mano (11-1) e Cerezo (26-1); Macedo (11-2), Tupãzinho (20-2), Marcelinho Carioca (26-2), Neizinho (31-2), Viola (37-2), Marques (41-2) e Viola (46-2).

SANTOS
Edinho; Índio, Júnior, Maurício Copertino e Silva; Gallo, Cerezo (Neizinho) e Paulinho Kobayashi; Demétrius e Marcelinho Paraíba (Macedo).
Técnico: Serginho Chulapa

CORINTHIANS
Ronaldo; Wilson Mano, Gralak, Henrique e Elias; Zé Elias (Tupãzinho), Ezequiel e Souza (Casagrande); Marcelinho Carioca, Viola e Marques.
Técnico: Jair Pereira



Corinthians goleia Santos; Viola volta e faz dois gols

Equipe conquista o título da Copa Bandeirantes se empatar amanhã

O Corinthians saiu na frente na decisão da Copa Bandeirantes ao golear o Santos por 6 a 3, ontem à tarde, no Morumbi. Os dois times voltam a se enfrentar amanhã. Um empate garante o título ao Corinthians.

“Foi a minha reestréia”, comemorou o centroavante Viola, autor de dois gols, que estava dois meses sem jogar.

“Estou melhor do que pensava: além de suportar o jogo inteiro (achava que só aguentaria 45 minutos), fiz um gol em que parei no ar”, brincou o atacante, referindo-se ao seu primeiro gol, o quarto do time, marcado de cabeça.

A boa atuação do centroavante corintiano foi reconhecida pelo técnico do Santos, Serginho. “Quando ele está com o diabo no corpo, não dá para fazer nada.”

Os jogadores santistas, porém, não creditavam apenas a Viola o motivo da derrota. “Deixamos de marcar pelas laterais”, reclamou o volante Gallo. “Com isso, o Corinthians tinha espaço para lançar para a área.”

O detalhe foi percebido pelo meia Marcelinho Carioca. Bem marcado no meio-campo, o jogador passou a ocupar as pontas no segundo tempo. “Assim ficou mais fácil para lançar.”

O Corinthians começou melhor o jogo, ao se impor no meio-campo. Aos 12min, Wilson Mano driblou três vezes o zagueiro Maurício Copertino antes de marcar o primeiro gol.

A vantagem acomodou o time. “Conseguimos assim nos espalhar melhor em campo”, observou o técnico Serginho. Com isso, o Santos empatou com Cerezo e virou, com Macedo.

O Corinthians voltou a empatar com uma cabeçada de Tupãzinho. “Foi quando o Viola se posicionou melhor em campo, mais à frente, e ajudou nosso ataque”, disse o técnico Jair Pereira.

Marcelinho Carioca aumentou, Neizinho fez o último do Santos, e Viola (2) e Marques completaram.

Resultado surpreende Santos

A goleada sofrida para o Corinthians surpreendeu o time do Santos. “A equipe se perdeu em campo, principalmente na marcação”, acredita o técnico Serginho.

Segundo o treinador, o time teve mais problemas nas laterais, setor em que o Corinthians aproveitou para criar suas jogadas. “Foi dali que o Corinthians venceu a partida.”

A igualdade de forças, segundo Serginho, era tamanha que os times se revezaram na frente do placar. O Corinthians marcou primeiro, com um gol de Wílson Mano, que driblou três vezes o zagueiro Maurício Copertino antes de chutar.

O Santos empatou com um gol de cabeça de Cerezo e virou com um chute rasteiro de Macedo. “Nesse momento, começamos a vacilar”, acredita o volante Gallo. “A marcação falhou muito.”

O resultado foi o empate de Tupãzinho e o novo avanço corintiano com Marcelinho Carioca. O Santos ainda empatou, com um gol de Neizinho.

“Foi um novo ânimo para o time. Era visível que o Corinthians não é um time superior ao nosso”, comentou Serginho.

O treinador santista lamentou, porém, que o atacante Viola revelasse seu talento. “Ele vinha enganando, com jogadas tímidas. Nem parecia o centroavante que todo mundo conhece. Foi só descuidar que fez dois gols.”

A derrota obriga o Santos a adotar uma tática agressiva para o jogo decisivo de amanhã. Como o empate favorece o Corinthians, Serginho acredita encontrar o adversário mais prudente.

“Claro que vão adotar o velho esquema de contra-ataque. Por isso, nosso dever é reverter a vantagem no começo do jogo e obrigar o Corinthians a se mostrar.”

Os jogadores também prometem não repetir os erros de marcação. “Os times foram ousados hoje (ontem). Mas agora nossa determinação vai ser maior”, disse o lateral Índio.

Viola marca 2 em jogo de 9 gols

“Foi uma volta triunfal, não foi?”, perguntava o atacante Viola, do Corinthians, ao comemorar, ontem à tarde, no Morumbi, os dois gols que fez na vitória contra o Santos, por 6 a 3, no primeiro jogo final da Copa Bandeirantes.

Viola estava fora da equipe corintiana fazia dois meses. “Nesse período, o único momento em que joguei foram os quinze minutos finais, no final da Copa”, contou.

O tempo inativo, porém, não comprometeu sua atuação –Viola fez o lançamento para Tupãzinho marcar o segundo gol do time, além da fazer outros dois.

Em seu primeiro (o quarto do time), em que fez de cabeça), Viola aproveitou para brincar. “Para provar que sou bom cabeceador, mostrei que posso até parar no ar”, disse, referindo-se ao ex-atacante Dario Maravilha, que dizia ter o mesmo poder.

“Eu pensei que suportaria só um tempo da partida, porque estava sem ritmo de jogo”, disse o atacante, que disputou até o final.

Viola também teve problemas de colocação. “Fiquei perdido no início do jogo, sem saber onde ficar para receber os passes.”

O detalhe foi percebido pelo técnico Jair Pereira, que orientou o jogador a se posicionar mais à frente. “Ficando no meio-campo, Viola não tinha chance de fazer gols como também não ajudava os lançamentos dos meias.”

A preocupação era ter outro atacante, além de Marques, que recebesse os lançamentos de Marcelinho Carioca, estrategicamente posicionado nas laterais.

Vitorioso, Viola sentiu o sucesso até no vestiário: entusiasmado, um grupo de jogadores japoneses que estagiam no Brasil fez fila para tirar foto com Viola, sem se importar com sua nudez.