Corinthians 2 x 0 Santos

Data: 03/06/2017, sábado, 19h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 4ª rodada
Local: Estádio de Itaquera, em São Paulo, SP.
Público: 40.169 pagantes (total de 40.436)
Renda: R$ 2.110.601,50
Árbitro: Anderson Daronco (RS)
Auxiliares: Rafael da Silva Alves e Elio Nepomuceno de Andrade Júnior (ambos de RS).
Cartão amarelo: Vitor Bueno (S)
Cartão vermelho: Bruno Henrique (S)
Gols: Romero (24-1) e Jô (29-1).

CORINTHIANS
Cássio; Fagner, Pedro Henrique, Pablo e Guilherme Arana; Gabriel, Maycon (Camacho), Jadson (Clayson), Rodriguinho (Fellipe Bastos) e Romero; Jô.
Técnico: Fábio Carille

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Lucas Veríssimo, David Braz (Yuri) e Copete; Renato, Thiago Maia e Vladimir Hernández (Rafael Longuine); Vitor Bueno, Ricardo Oliveira (Rodrigão) e Bruno Henrique.
Técnico: Dorival Junior



Corinthians complica o Santos e isola-se provisoriamente na ponta

O Corinthians continua com rendimento quase irrepreensível nos clássicos disputados em 2017. Na noite deste sábado, fez um grande segundo tempo para vencer o Santos por 2 a 0 em Itaquera. Os gols de Romero e Jô – Rodriguinho e Pedro Henrique também colocaram a bola na rede, mas a arbitragem assinalou impedimento – asseguraram a liderança isolada do Campeonato Brasileiro à equipe campeã paulista. Ao menos por um dia.

Com 10 pontos ganhos, o Corinthians deixou para trás Cruzeiro e Chapecoense, que também iniciaram a quarta rodada com 7 e irão se enfrentar no domingo, no Mineirão. Coritiba e Fluminense, vitoriosos diante de Atlético-PR e Vitória respectivamente, neste sábado, têm 9 cada. Em situação complicada, o Santos soma apenas 3 e está próximo da zona de rebaixamento.

O jogo

Enquanto a torcida do Corinthians gritava que “lugar de peixe é dentro do aquário”, o Santos começava a se mostrar à vontade fora dos seus domínios. Assustou o rival logo aos seis minutos, quando Pablo furou feio em um cruzamento vindo da direita. A bola ficou nos pés de Bruno Henrique, que chutou em cima de Pedro Henrique.

Com pouco mais de 30% de posse de bola até então, o Corinthians adotou a tranquilidade para reverter o panorama da partida. Trocou muitos passes, à procura dos melhores espaços para incomodar o Santos. Foi assim que, aos 16 minutos, Jô apareceu livre do lado esquerdo da área e rolou para trás. A zaga cortou antes que Rodriguinho pudesse concluir a jogada.

Seria pela direita, contudo, que o Corinthians criaria as suas melhores oportunidades de gol, conforme Fábio Carille não demorou a perceber. Por ali, a marcação do lateral esquerdo improvisado Copete era bastante deficiente – o atacante colombiano foi iludido mais de uma vez por dribles de corpo de Fagner e ainda contava com pouco apoio defensivo de Bruno Henrique.

Mas só as triangulações entre Jadson e Fagner do lado direito foram insuficientes para o Corinthians fazer o goleiro Vanderlei trabalhar. Apesar de ter melhorado consideravelmente, o Corinthians passou a abusar do jogo aéreo para encurtar o caminho para o gol, e a área santista, ao contrário do setor onde estava Copete, permanecia muito povoada.

Nesse novo cenário, o Santos se apegou aos contra-ataques para surpreender o rival. Bruno Henrique se provou uma boa opção para avançar em velocidade pela esquerda, mas o apagado Vladimir Hernández estava longe de acompanhar o ritmo pelo meio. Pela direita, Vitor Bueno quase abriu o placar aos 28, quando correu entre os zagueiros corintianos e esbarrou em uma saída de gol providencial de Cássio.

Antes do intervalo, houve mais uma chance para cada lado. Primeiro, aos 40, Fagner inverteu o jogo para a esquerda, e Victor Ferraz deixou a bola passar. Rodriguinho dominou e soltou o pé – foi o primeiro chute do Corinthians na direção do gol –, parando em defesa de Vanderlei. Três minutos mais tarde, o lateral direito santista tentou se redimir com uma conclusão de primeira. A bola passou perto da meta.

Sem fazer alterações no intervalo, Carille se viu obrigado a mexer no Corinthians com menos de cinco minutos da etapa complementar. Maycon reclamou de dores e cedeu lugar a Camacho, que foi a campo com a missão de dar mais qualidade à saída de bola dos donos da casa. Dorival Júnior, em pé na sua área técnica desde o início do clássico, preferiu aguardar para responder.

Era melhor agir logo. Com outro ímpeto, o Corinthians se lançou ao ataque e acuou o Santos. Teve dois gols anulados em menos de cinco minutos. Aos 11, Rodriguinho completou para dentro em posição irregular. Aos 15, Pedro Henrique cabeceou para a rede, mas o assistente considerou que Romero, impedido, atrapalhou a ação de Vanderlei – para revolta de quem já comemorava nas arquibancadas.

Preocupado, Dorival trocou o apático Hernández por Rafael Longuine. Não adiantou. Ainda em cima do Santos, o Corinthians finalmente fez o assistente correr para o centro do campo, aos 24 minutos. Jô desviou a bola de cabeça depois de levantamento de Fagner, e Romero se esticou para finalizar cruzado, premiando a boa apresentação do seu time no segundo tempo.

Cabia mais. Depois de o artilheiro de Itaquera aumentar a sua marca para 19 gols no estádio, o algoz de todos os rivais do Corinthians empolgou-se para confirmar a fama de carrasco – em grande estilo. Aos 29 minutos, Jô girou muito bonito dentro da área do Santos, no ar, para aproveitar a bola ajeitada por Rodriguinho e superar Vanderlei.

O clássico estava definido. Ainda assim, Carille entrou em ação novamente, substituindo Jadson por Clayson. No Santos, Ricardo Oliveira e David Braz haviam deixado o gramado da Zona Leste paulistana para as entradas de Rodrigão e Yuri. Com eles, as esperanças de Dorival se foram de vez após uma cotovelada de Bruno Henrique, punido com a expulsão, em Romero.

Nos minutos finais, já com Fellipe Bastos no posto de Rodriguinho, o Corinthians tocou a bola tranquilo, ao som de “olé”. Entre os torcedores organizados, houve também quem festejasse a vitória sobre o Santos com sinalizadores, gesto repreendido com violência pela Polícia Militar.

Bastidores – Santos TV:

Após derrota, Dorival diz que resultados são ‘questão de tempo’

Depois de três derrotas e apenas uma vitória no Brasileirão, o técnico do Santos, Dorival Júnior, reconhece o momento ruim do time alvinegro e criticou as oscilações da equipe nas últimas partidas do torneio. Neste sábado, a equipe perdeu para o Corinthians por 2 a 0 em Itaquera, pela 4ª rodada da competição, com gols marcados no segundo tempo de jogo, depois de uma primeira etapa equilibrada.

“Quem vê (somente) o primeiro tempo contra o Corinthians, acaba até questionando o resultado. Fizemos um primeiro tempo bom, mas o segundo ruim. No domingo passado (contra o Cruzeiro), foi o inverso. Essas oscilações comprometem”, disse o treinador, em coletiva de imprensa depois da derrota na Arena Corinthians.

Dorival negou que a derrota possa pressionar sua situação como comandante do clube e espera resultados melhores nas próximas rodadas. “Acredito e confio no trabalho que está sendo desenvolvido. É questão de tempo para que os resultados aconteçam. Sempre que tem derrota é natural que a responsabilidade recaia sobre o treinador”.

A derrota fez o Santos cair para a 15ª posição na tabela do Brasileirão depois dos resultados deste sábado, com apenas três pontos conquistados.

Santistas picham subsede após revés e prometem ‘café amigável’ no CT

O Santos já estava sendo alvo de críticas por parte da torcida há muito tempo. Porém, a gota d’água aconteceu neste sábado, quando a equipe comandada por Dorival Júnior perdeu para o Corinthians por 2 a 0, em Itaquera, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. Após o revés, um grupo de cerca de 15 torcedores esperou o ônibus com a delegação para protestar no CT Rei Pelé.

Os santistas cobraram mais raça da equipe, além de pedirem a saída de Dorival. Os indivíduos chegaram até a atirar pedras na direção do veículo. O grupo saiu do local apenas após a chegada de uma viatura da Polícia Militar. Logo na sequência, os jogadores e o treinador conseguiram ir embora.

Além disso, os torcedores da capital também mostraram sua indignação com o momento do time. Isso porque a subsede alvinegra, localizada na avenida Indianópolis, na Zona Sul de São Paulo, amanheceu pichada e com um vidro quebrado neste domingo. Frases como “acabou a paz”, “time covarde” e “mais raça”, foram estampadas nos muros e portões do local.

E as manifestações não devem parar por aí. Nas redes sociais, os santistas estão se organizando para um ‘cafezinho amigável’ na reapresentação do time no CT Rei Pelé, que acontece na tarde desta segunda-feira. Mais de 600 pessoas confirmaram presença em um evento criado no Facebook.

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que a torcida se revolta com o time nesta temporada. Após a derrota por 2 a 1 para o Palmeiras, no Paulistão, os muros da Vila Belmiro foram pichados.

Santos não tolera derrota para o Corinthians e demite Dorival Júnior

Dorival Júnior não é mais técnico do Santos. A derrota para o Corinthians, em Itaquera, foi a gota d’água para a cúpula santista, que resolveu interromper o trabalho do treinador para buscar um novo profissional. Modesto Roma Júnior, presidente do clube, seguia com o pensamento de manter o treinador no comando da equipe, mesmo com o mau momento do time, mas acabou ficando isolado e cedeu à pressão de dirigentes, conselheiros e torcedores. Em uma reunião na tarde desse domingo, Dorival foi comunicado oficialmente e pessoalmente de sua demissão. Levir Culpi, sem clube atualmente, é um nome que agrada a diretoria do Peixe, mas ainda não houve qualquer contato. Por enquanto, Elano comandará o time de forma interina.

Desde o apito final no clássico deste sábado, o clima de instabilidade e incertezas passou a pairar na Vila Belmiro. Cartolas e pessoas influentes na rotina do clube passaram a trocar mensagens e ligações e até uma reunião chegou a ser feita na Baixada Santista durante a noite para avaliar qual postura seria adotada.

No CT Rei Pelé, o elenco foi recebido com muito protesto de torcedores que aguardaram a viagem da equipe de volta a Santos. A subsede do clube na Capital Paulista também amanheceu com pichações nos muros e portões, assim como já havia ocorrido durante o Campeonato Paulista, em reflexo a uma derrota para o Palmeiras.

Dorival Júnior não tinha qualquer problema com o elenco para desenvolver seu trabalho e contava com a confiança de Modesto Roma Júnior. O que pesou foi a pressão externa, que diante dos resultados insatisfatórios na temporada, se tornou insustentável para o mandatário santista. Mesmo contra vontade, Modesto foi convencido a demitir Dorival Júnior.

Em 2017, o Peixe conseguiu 15 vitórias, quatro empates e oito derrotas sob o comando do agora ex-treinador. Apesar do Santos ser o único clube brasileiro invicto na Libertadores da América e estar classificado na Copa do Brasil, a queda nas quartas de final do Campeonato Paulista, o início ruim no Campeonato Brasileiro e principalmente o fato de não ter vencido nenhum clássico no ano culminaram para um descontentamento quase que generalizado com o trabalho que vinha sendo feito.