Santos 1 x 1 Portuguesa

Data: 18/03/1995, sábado, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista – 1ª fase – 9ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 16.003 pagantes
Renda: R$ 128.410,00
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG)
Cartões amarelos: Ildo e Norberto (P).
Gols: Flávio (20-2) e Ranielli (31-2).

SANTOS
Edinho; Silva, Marcelo Moura, Marcelo Fernandes e Marcos Paulo; Carlinhos, Gallo, Giovanni e Marcelo Passos (Camanducaia); Macedo e Demétrios (Ranielli).
Técnico: Joãozinho Rosa

PORTUGUESA
Paulo César; Edinho, Ildo, Gilmar e Carlos Roberto; Norberto, Capitão, Caio e Zinho; Flavio (Betinho) e Paulinho McLaren (Tiba).
Técnico: Candinho



Portuguesa e Santos empatam

Confronto entre a líder e o invicto

A Portuguesa manteve a liderança do Paulista 95 ao empatar ontem com o Santos em 1 a 1. Flávio e Ranielli fizeram os gols da partida que marcou a reabertura do estádio da Vila Belmiro, em Santos. Com o resultado, a equipe santista manteve sua invencibilidade no campeonato, após 9 rodadas.

No primeiro tempo, as duas equipes perderam muitas chances. A primeira finalização errada aconteceu aos 8min. Depois de um cruzamento, o atacante Flávio concluiu de cabeça para fora a primeira chance da Portuguesa.

Um minuto depois, Marcelo Passos chutou a única finalização certa do Santos, mas Paulo César espalmou para escanteio. Depois da cobrança do escanteio, o zagueiro Moura cabeceou para fora.

Aos 12min, o atacante Giovanni domina a bola na pequena área, após cruzamento da direita de Macedo, mas não conseguiu arrematar para o gol adversário. Giovanni erraria novamente, dois minutos depois e outras duas vezes, aos 30min e 43min.

Pelo lado da Portuguesa, Zinho foi o primeiro a acionar o goleiro Edinho, que teve que se esticar todo para poder mandar para fora o chute por cobertura do atacante luso, aos 45 min do primeiro tempo. Antes, Caio, aos 28min e aos 35min, também finalizou sem precisão. O centroavante Paulinho errou aos 20min, depois de bela tabela com Caio.

Macedo teve a melhor chance da equipe santista no começo do segundo tempo. O atacante foi lançado, mas perdeu a bola para a zaga rival perto da meta contrária.

O gol da Portuguesa surgiu cinco minutos depois. Caio cruzou da direita e Flávio subiu para cabecear no segundo pau de Edinho.

Aos 28 min, Marcelo Passos conclui, certo, mas, de novo, Paulo César frustrou as intenções santistas.

O gol de empate foi feito por Ranielli, que arrematou uma bola na pequena área, depois de uma sobra de bola após cruzamento de Macedo, aos 31min.

A última oportunidade da partida aconteceu, aos 43min, Ranielli cobrou uma falta na trave direita de Paulo César.

Já nos descontos, o juiz Márcio Rezende de Freitas anulou um gol legítimo da Portuguesa.

Empate satisfaz Santos e Portuguesa

Erros nas finalizações, erros do juiz Márcio Rezende de Freitas e falhas do goleiros Edinho levaram jogadores e técnicos de Portuguesa e Santos a avaliar como “bom” o empate de 1 a 1.

Para o Santos, o empate teve sabor de vitória. O time, que no segundo tempo foi vaiado pela torcida, reconheceu que voltou a cometer falhas no ataque e na defesa.

No vestiário da Portuguesa, o clima era um misto de euforia pelo empate na casa do adversário e críticas ao desempenho do árbitro.

“Se ele (o juiz Márcio Rezende de Freitas) não tivesse anulado inexplicavelmente o nosso segundo gol, teríamos vencido”, disse o centroavante Flávio, autor do gol da Portuguesa.

O meio-campista Caio disse que o empate foi bom. “Mas, se não fosse o juiz, poderíamos ter saído da Vila, onde o Santos é quase imbatível, com uma vitória.”

No vestiário do Santos, o jogador Ranielli -autor do gol de empate- reconheceu que o resultado foi bom para o Santos.

“A Portuguesa, taticamente, jogou muito bem. O empate de hoje (anteontem) até que acabou sendo um bom resultado”, avaliou.

O goleiro Edinho, que em nove jogos sofreu oito gols, dos quais cinco de cabeça, criticou o desempenho da defesa. No segundo tempo, foi vaiado pela torcida.

“A zaga está dando muita facilidade para o adversário cruzar as bolas sobre a nossa área. Isso precisa ser corrigido”, disse.

Os gols perdidos pelo time, em especial no primeiro tempo, também mereceram críticas. Para o ponta-direita Macedo, “os atacantes abusaram do individualismo”.

O meia Giovanni, que no primeiro tempo perdeu quatro oportunidades de gol, não concordou com a avaliação de Macedo. “Acho que não houve excesso de individualismo. Simplesmente não dá para acertar todas. Se não, seria 10 a 0 para nós”, afirmou o jogador.

Para Giovanni, o juiz prejudicou o Santos. “No primeiro tempo, eu fui calçado na área e ele não marcou o pênalti. Ele não deu porque estava zero a zero. O juiz nos prejudicou”, avaliou o jogador.

Segundo o meio-campo Carlinhos, o Santos jogou “60% do que sabe”. O consolo, segundo Carlinhos “é que pelo menos continuamos invictos”, afirmou.



Reabertura de estádio motiva santistas

O clima de euforia pela reabertura da Vila Belmiro tomou conta dos jogadores do Santos. Mesmo com três desfalques (os zagueiros Maurício Copertino e Narciso e o atacante Jamelli), a equipe espera uma vitória hoje.

“Até um empate amanhã (hoje) terá sabor de derrota para nós”, disse o meia Marcelo Passos, artilheiro do time com sete gols.

No último jogo, contra o Corinthians, o atacante, pela primeira vez no Paulista, não marcou nenhum gol. Até então tinha feito um gol em cada partida.

“Além da vitória, a minha maior motivação é marcar gols e continuar lutando pela artilharia do campeonato”, afirmou Marcelo Passos.

O fato de o time estrear hoje o novo gramado do estádio da Vila Belmiro, fechado há três meses para reforma, trouxe uma motivação extra para os jogadores.

Após o último treino, ontem de manhã, o goleiro Edinho chegou a reclamar dos reservas, que continuaram a bater bola no campo. “O gramado está muito bom, principalmente para os goleiros, que não terão problemas de buracos ou falta de grama na pequena área”, disse o goleiro Edinho.

Na defesa, que teve a atuação elogiada pelo técnico Joãozinho no empate contra o Corinthians, Narciso (expulso) será substituído por Moura.

Maurício Copertino, com uma torção no joelho esquerdo, foi vetado pelo departamento médico e vai ficar um mês fora do time. Em seu lugar entra Marcelo Fernandes.

“Não haverá problema de entrosamento. Eu e o Moura treinamos juntos no time reserva”, disse o zagueiro.

O único cauteloso é o técnico Joãozinho. Ele teve que fazer mudanças táticas no time, devido à saída de Jamelli, que recebeu o terceiro cartão amarelo. “O Jamelli ajuda muito o meio-campo. No seu lugar entra o Demétrios, que não tem o costume de voltar para ajudar na marcação”, explicou Joãozinho.

Por isso, Marcelo Passos e Giovanni terão que ficar mais presos ao meio-campo. O técnico Joãozinho gostaria de liberar mais os dois para o ataque.

A Portuguesa é líder isolada com 18 pontos, um fato que não acontece há muito tempo. O Santos e o São Paulo são líderes por pontos perdidos (ambos perderam 8 pontos na competição). O Santos chega à 10ª rodada como o único invicto da Série A-1.

Jogo reabre a Vila Belmiro

Depois de mais de dois meses fechado para reformas no gramado, a Vila Belmiro vai ser reaberta hoje. Até agora, o Santos vinha mandando seus jogos no estádio da Portuguesa Santista e no Morumbi.

A reforma no gramado teve duas causas: a exigência da Federação Paulista de Futebol sobre a qualidade dos campos que fossem servir de palco para os jogos da Série A-1 e uma partida contra o Vasco pelo Campeonato Brasileiro do ano passado.

Naquele jogo, o Vasco conseguiu que a partida fosse realizada no Pacaembu, em São Paulo. O Santos venceu por 3 a 0 e os jogadores saíram elogiando o gramado do estádio paulistano. Após o jogo, alguns deles declararam que preferiam jogar num gramado melhor, mesmo ficando mais longe da torcida.

A reforma do gramado faz parte de um plano maior de reestruturação do clube que tem como símbolo o ministro extraordinário dos Esportes, Pelé. Entre os projetos, estão a construção de um Centro de Treinamento, a ser iniciado este ano.

Carlinhos volta com o ‘piano’

O meia Carlinhos volta hoje ao time do Santos, após cumprir suspensão. O seu estilo, aliado ao preparo físico (um dos melhores do time), fez com que ele se firmasse como titular. “Aqui no Santos, eu sou o carregador de piano.”

Para o jogo de hoje, que reabre a Vila Belmiro, não admite nem um empate. “Festa sem uma vitória nossa não é festa.”

Repórter – Sem você, o Santos não venceu nem o Juventus, nem o Santos. O meio-campo do time se perde sem sua presença?
Carlinhos – Talvez sinta a falta de um jogador que procura aliar técnica com garra. Aqui no Santos eu sou o carregador de piano.

Repórter – Como o Santos vai jogar?
Carlinhos – Vamos atacar sempre. Uma vitória é fundamental para chegar à liderança e também porque jogamos pela primeira vez em casa.

Repórter – Um empate com a líder do Paulista é bom?
Carlinhos – Não quero nem saber disso. O Santos está em festa pela reabertura do estádio. Festa sem uma vitória nossa não é festa.



Fonte: Estadão