Portuguesa 3 x 1 Santos

Data: 18/06/1995, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista – 2ª fase – Grupo 2
Local: Estádio do Canindé, em São Paulo, SP.
Público: 16.349 pagantes
Renda: R$ 163.402,00
Árbitro: Pierluigi Pairetto (ITA)
Gols: Flávio (19-1), Flávio (21-1), Jorge Andrade (26-2) e Giovanni (45-2).

PORTUGUESA
Paulo César; Edinho, Jorginho (Ildo), Gilmar e Zé Roberto; Capitão, Roque, Caio (Bentinho) e Zinho; Flávio (Jorge Andrade) e Paulinho McLaren.
Técnico: Candinho

SANTOS
Edinho; Ronaldo (Luís Muller), Maurício Copertino, Narciso e Silva; Gallo, Carlinhos, Giovanni e Jamelli; Marcelo Passos (Camanducaia) e Macedo.
Técnico: Joãozinho Rosa



Portuguesa bate o Santos e mantém ponto de vantagem

A Portuguesa venceu ontem o Santos por 3 a 1, no Canindé, no primeiro clássico desta fase do Paulista. Com o resultado, a equipe de Candinho mantém a vantagem do ponto extra e lidera o Grupo 2 com quatro pontos. O Corinthians, que venceu o União São João, tem três pontos. Nos quatro jogos da rodada, foram marcados 14 gols -média de 3,5 por partida.

A Portuguesa dominou o Santos e mostrou por que terminou a primeira fase em primeiro lugar. A equipe praticamente liquidou a partida em 25 minutos.

Aos 19min, Edinho cruzou para Paulinho, que cabeceou. O goleiro espalmou e Flávio marcou.

Dois minutos depois, Edinho lançou Zinho, que se livrou de Ronaldo e tocou para Flávio marcar.

A primeira boa jogada do Santos saiu só aos 22min.

No tempo técnico, o treinador Joãozinho conseguiu melhorar a marcação pela direita, mas já era tarde. Além disso, sua equipe continuou sem criatividade no ataque.

No segundo tempo, o Santos começou pressionando. A Portuguesa só saía em contra-ataques.

Aos 26min, Jorge Andrade, lançado por Paulinho, se antecipou a Gallo e tocou à direita do goleiro Edinho, fazendo o terceiro gol.

O Santos só conseguiu descontar aos 45min. Carlinhos chutou da direita e Paulo César largou nos pés de Giovanni, que chutou forte.

Joãozinho diz que ‘faltou determinação’ ao time

A fraca exibição do Santos diante da Portuguesa, no Canindé, irritou o técnico Joãozinho. Segundo ele, o time “foi mal em todos os aspectos”.

“A equipe não marcou bem, vacilou nas principais jogadas do adversário e, o que é pior, foi superada até na determinação”, criticou.

“O time realmente entrou apático no jogo”, disse o goleiro Edinho.

Para Joãozinho, com a derrota de ontem, a partida do próximo domingo, contra o Corinthians, tornou-se fundamental. “Precisamos da reabilitação. Tenho que dar moral aos jogadores, pois uma nova derrota deixaria a situação crítica em termos de classificação”, disse.

O meia-atacante Giovanni concordou com o treinador: “Não podemos nem empatar mais. Se perdermos do Corinthians, ficaremos fora da disputa”.
Giovanni saiu de campo sentindo uma forte pancada no joelho esquerdo e iniciou tratamento intensivo em seguida.

O jogador reclamou da arbitragem do italiano Pierluigi Pairetto. “Não é desculpa. Mas o juiz deixou de dar duas faltas a nosso favor no lance que originou o segundo gol da Portuguesa.”

Narciso põe culpa no descontrole

Conformado com a derrota e com a superioridade da Portuguesa, o zagueiro santista Narciso prevê grandes dificuldades para seu time conseguir a classificação para a final do Campeonato Paulista.

“É duro tirar a vantagem de quatro pontos da Portuguesa em uma fase decisiva”, afirmou o jogador, que pode ter feito ontem a sua última partida no torneio.

Narciso foi convocado para a seleção brasileira e se apresenta ao técnico Zagallo na quarta-feira.

Folha – Qual a avaliação que você faz da derrota para a Portuguesa?
Narciso – Foi um dia muito ruim para nós. O time deu muito espaço para o adversário e perdeu a cabeça após a marcação dos dois primeiros gols, se descontrolando. Temos também que parabenizar a Portuguesa, que está com uma excelente equipe.

Folha – A derrota pode complicar as chances de classificação do Santos?
Narciso – É difícil tirar uma vantagem de quatro pontos de um time regular como a Portuguesa.
Mesmo assim, ainda não está nada perdido. Temos os confrontos diretos com o Corinthians e com a própria Portuguesa para descontar essa diferença.

Folha – A partida contra o Corinthians, no próximo domingo, se tornou decisiva para o Santos?
Narciso – Com certeza. Nem o empate interessa. Precisamos conversar e nos unir novamente para conseguirmos a vitória no clássico.
Ao mesmo tempo, estaremos torcendo por um tropeço da Portuguesa diante do União.
Espero ser liberado da seleção para o jogo do próximo fim-de-semana.

‘Time operário’ ganha jogo pelas laterais

Os `operários’ do técnico Candinho conseguiram superar o Santos ontem, aproveitando as laterais do campo, principalmente o setor direito.
O destaque da partida foi Edinho, lateral-direito da Portuguesa.

“Disse para ele avançar porque o Marcelo Passos (meia do Santos) não estava bem”, disse Candinho, depois da partida.

O técnico preferiu recuar o outro lateral, Zé Roberto, que ficou na marcação do atacante santista Macedo. Apesar de ter funções defensivas, Zé Roberto avançou em várias jogadas com o meio-campista Zinho.

O técnico da Portuguesa disse ainda que o ataque concentrado pelas laterais foi uma opção tática. “Nós nos adaptamos à forma de jogar de nossos adversários”, disse Candinho.

Para ele, seu time atua no setor onde há mais espaço para suas jogadas. “Se nosso rival é fraco pelo meio, jogamos com Paulinho e Caio. Depois, libero só um lateral para avançar.”

Candinho disse que, contra o São Paulo, no último jogo da primeira fase, garantiu o ponto de bonificação utilizando o apoio ao ataque de Zé Roberto.
“Contra o São Paulo, Edinho ficou atrás cuidando da marcação de Aílton e Denílson”, disse Candinho.

Edinho recebeu elogios do técnico adversário, Joãozinho, no intervalo. “Ele destruiu meu esquema”, disse. “Aproveitei que Marcelo Passos não estava me acompanhando e imprimi um ritmo mais forte”, disse o lateral da Portuguesa.

O técnico do Santos, Joãozinho, disse que havia alertado a equipe antes da partida para as jogadas pelo setor direito da Portuguesa.
“É o ponto forte do time deles. Nós sabíamos disso, mas, mesmo assim, não conseguimos marcar o Edinho”, disse.

Joãozinho, entretanto, não quis criticar Marcelo Passos, responsável pela marcação de Edinho.
“Ele vem fazendo um grande campeonato e não é porque falhou na marcação em uma partida que será crucificado”, arrematou.

O atacante Jamelli disse que a falta de marcação sobre Edinho não foi o único fator responsável pela derrota do Santos.
“O nosso meio-campo também marcou mal. O Capitão pôde armar tranquilamente todas as jogadas de ataque da Portuguesa.”

“Mostramos hoje, que podemos chegar à final”, disse o zagueiro Gilmar, da Portuguesa.

A Portuguesa enfrenta no próximo domingo o União São João, no Canindé, enquanto o Santos joga contra o Corinthians.



Fonte: Estadão