Santos 2 x 2 Cruzeiro

Data: 02/07/2000, domingo, 18h30.
Competição: Copa do Brasil – Semifinais – Jogo de volta
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 13.253 pagantes
Renda: N/D.
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS)
Cartões amarelos: Baiano, Robert, Claudiomiro e Júlio Cesar (S); Sorín, Cris e Rodrigo (C).
Gols: Ricardinho (16-1), Rincón (38-1, de pênalti); Oséas (04-2) e André Luis (32-2).

SANTOS
Carlos Germano; Baiano (Eduardo Marques), Claudiomiro, André Luis e Rubens Cardoso; Rincón, Anderson Luiz (Júlio César), Valdo e Robert (Canindé); Dodô e Caio.
Técnico: Giba

CRUZEIRO
André; Rodrigo (Marcelo Djian), Cris, Cléber e Sorin; Donizete Oliveira, Ricardinho, Marcos Paulo, Jackson; Geovanni (Muller) e Oséas (Fábio Junior).
Técnico: Marco Aurélio



Santos é eliminado na Vila

O Cruzeiro empatou ontem em 2 a 2 com Santos, na Vila Belmiro, eliminou a equipe paulista e passou para a final da Copa do Brasil, contra o São Paulo.

Ao final, os torcedores, revoltados, depredaram o estádio e exigiram a saída do técnico Giba.

Tendo ganho a primeiro jogo por 2 a 0, o Cruzeiro entrou em campo com um esquema defensivo: só Oséas e Geovanni à frente e todo resto marcando atrás.

O Santos não conseguia passar o bloqueio mineiro, trocava passes em torno da área rival, mas não podia entrar nela. Com isso, os santistas apelavam para chutes de longa distância e cruzamentos desesperados.

Por seu lado, o Cruzeiro marcava com muita vontade e organização. Uma prova disso foi o lance aos 6min, quando Sorín colocou sua cabeça na disputa de bola com Claudiomiro, que entrou com o pé. O resultado foi um corte no supercílio do lateral-esquerdo argentino do Cruzeiro.

Além disso, a equipe mineira trocava passes com facilidade e contra-atacava com rapidez. Foi assim que, aos 16min, abriu o placar. Geovanni, destaque do time visitante, fez boa jogada pela esquerda e cruzou para Ricardinho, que dominou na entrada da área e chutou forte e cruzado.

O Santos era infeliz em suas tentativas, o que gerou ondas de vaias a partir dos 25min do primeiro tempo, em direção principalmente a Valdo, Baiano e Rubens Cardoso.

Depois, os apupos se voltaram contra o treinador. O time local só viria a empatar em um pênalti duvidoso de Cris sobre Dodô, aos 38min. Rincón executou e marcou.

No segundo tempo, o Cruzeiro desempatou logo aos 4min. Marcos Paulo lançou Oséas, que tocou sobre Carlos Germano, tornando-se o maior artilheiro da história da competição, com dez gols.

O Cruzeiro teve várias chances de ampliar o placar, enquanto o time da casa melhorou com a entrada de Júlio César e Eduardo Marques, que deu o passe para André Luis empatar, aos 32min.

Giba, pela 1ª vez, é chamado de “burro” em casa e leva chinelada

Pela primeira vez desde que assumiu o cargo, em 10 de maio, na vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, o técnico Giba ouviu o coro “burro”, entoado pelos torcedores santistas ontem na Vila Belmiro.

A torcida se impacientou com o treinador no momento em que percebeu que o time retornava do intervalo sem alterações. Naquele instante, a partida ainda estava empatada em 1 a 1.

Nos primeiros minutos do segundo tempo, os torcedores continuavam xingando Giba, atiravam objetos na direção do treinador e pediam a entrada do meia Eduardo Marques, o que só aconteceu aos 14min.

Já no jogo de ida, em Belo Horizonte, que o Santos perdeu por 2 a 0, Giba tinha sido questionado por trocar o meia Robert pelo zagueiro Márcio Santos a oito minutos do final da partida. Mas não chegou a ser xingado.

A torcida do Santos havia feito sua parte. Pelo menos 20 mil pessoas atenderam à convocação do técnico Giba e dos jogadores e lotaram a Vila Belmiro na partida de ontem contra o Cruzeiro.

Embora a Vila seja menor do que o Mineirão, o público da partida foi superior ao do jogo de ida, em Belo Horizonte, na última quinta, quando 16 mil torcedores apoiaram os cruzeirenses. Para o jogo de ontem, foram colocados à venda 22 mil ingressos.

Vários torcedores santistas, na maioria de cidades da Grande São Paulo e do ABCD, viajaram na esperança de ver o time se classificar para a final da Copa do Brasil. Na parte interna do estádio, havia faixas de Osasco e Santo André.

“Vim de Mauá (Grande São Paulo) com a certeza de que o Santos vai ganhar de goleada”, disse Arismar José dos Santos, 36. José de Oliveira Nascimento, 43, viajou mais de 100 km, desde Mogi das Cruzes. “Confio muito no trabalho do Giba. Tenho certeza de que ele vai levar o Santos à final”, afirmou, antes da partida.

A fim de conter a costumeira intolerância dos torcedores com os erros do time em jogos na Vila, a diretoria santista espalhou nos arredores do estádio faixas com a inscrição “Torcedor, o Santos precisa da sua ajuda. Vamos torcer até o último minuto”. Além das faixas, a direção santista distribuiu bandeirolas e balões amarelos e brancos aos torcedores das arquibancadas.

Na apertada loja de venda de material esportivo da Vila Belmiro, torcedores se aglomeravam, duas horas antes do início do jogo, em busca de camisas e bonés.

A mesma procura não se verificava entre os vendedores ambulantes. O são-paulino Renato Laudelino Silva, 20, morador no bairro de Santo Amaro, em São Paulo, apostava no entusiasmo dos santistas, mas se frustrou.

“Pela venda de camisas, parece que o Santos vai tomar uma goleada”, afirmou Silva. Ele chegou a Santos no dia anterior ao do jogo e, até as 16h40 de ontem, em frente à entrada principal da Vila Belmiro, tinha vendido apenas duas camisas.