Técnico, que estréia sábado contra o Bahia, fez acordo verbal com a diretoria do clube e dirigirá o time por 2 meses

Após o fracasso da tentativa de contratar Wanderley Luxemburgo, o Santos promove hoje, às 13h, a apresentação oficial de seu novo técnico, Carlos Alberto Parreira, que deixou o Atlético-MG há três dias devido à má campanha da equipe mineira na Copa JH.

Campeão do mundo com a seleção brasileira na Copa dos EUA, em 94, Parreira não assinará contrato. Ele fez um acordo verbal com o Santos pelo qual receberá R$ 200 mil por dois meses. Após a Copa JH, discutirá com os dirigentes um eventual contrato por prazo mais longo.

À exceção do técnico Giba, demitido no domingo, os demais integrantes da atual comissão técnica do Santos permanecerão. A eles, se juntará apenas Jairo Leal, auxiliar indicado por Parreira.

O novo treinador pretende estrear sábado, dirigindo a equipe que pega o Bahia, na Vila Belmiro. Ontem, ele solicitou aos dirigentes a gravação do jogo entre Bahia e Ponte Preta, que aconteceria à noite em Salvador (BA), a fim de observar o adversário.

A missão de Parreira será colocar o Santos (13º lugar na Copa JH) entre os 12 classificados para a próxima fase e levar o time, que não conquista um título de importância há 15 anos, às finais da competição. Para isso, terá de vencer a maior parte dos seis jogos que tem a disputar nesta fase (quatro em casa e dois fora).

“O Parreira é um dos mais importantes treinadores do futebol mundial. Mas, neste momento, a responsabilidade dos jogadores é total”, disse o diretor de futebol Nicolino Bozzella.

Os principais jogadores estão entre os personagens da crise que resultou na demissão de Giba. Após a dispensa do técnico, estrelas como Carlos Germano, Edmundo e Rincón pediram à diretoria a contratação de Wanderley Luxemburgo. Rincón e Edmundo chegaram até a telefonar para o ex-técnico da seleção para incentivá-lo a aceitar o convite.

Mas a tentativa de contratação fracassou devido à recusa de Luxemburgo, que não pretende retornar ao futebol antes de solucionar seus problemas pessoais, e à resistência de uma parcela do Conselho Deliberativo do Santos.

O presidente do conselho, Esmeraldo Tarquínio, disse que cerca de 30 conselheiros se mobilizaram para impedir o regresso do treinador, que, no final de 97, um ano antes do término do seu contrato, abandonou o Santos e se transferiu para o Corinthians.

“Os problemas que ele (Luxemburgo) vive hoje, para mim, não teriam importância. O que nos interessa é o fato de ele não ter respeitado o Santos ao sair do clube. Vimos que a palavra dele não valeu”, declarou Tarquínio.

Para ele, a presença de Parreira no clube poderá ajudar numa reaproximação de Pelé, amigo do treinador, com a atual diretoria. “Se a contratação do Parreira servir para uma participação mais efetiva do Pelé, já será um grande início”, disse Tarquínio.

Até Edmundo pede que técnico adote linha dura

Duas das estrelas do Santos, o goleiro Carlos Germano e o atacante Edmundo, defenderam ontem a adoção pelo técnico Carlos Alberto Parreira de um estilo disciplinador.

Edmundo propôs até submeter os atletas a um regime de um mês de concentração como forma de o time alcançar a classificação na Copa JH.

Segundo ele, a ausência de rigor foi a principal razão que motivou a demissão do técnico Giba. “O único pecado (de Giba), no meu modo de ver, é que as coisas estavam correndo um pouco frouxas. E vocês conhecem jogador. A gente acaba se acomodando”, disse.

Para o atacante, Parreira é “sensacional”, mas terá de dar um “puxão de orelhas” nos atletas santistas, que não vencem há cinco partidas.

“Temos de ter vergonha na cara. Chegamos ao fundo do poço, mas a gente quer se levantar”, afirmou Edmundo, que prometeu dar “a vida e o sangue” por uma vitória.

Carlos Germano isentou Giba da responsabilidade exclusiva pelo fracasso na Copa JH. Segundo ele, “os jogadores contribuíram para isso”.

Germano reivindicou mais rigidez do presidente Marcelo Teixeira. Ele disse que na posição do dirigente daria “um murro na mesa” para exigir um desempenho melhor.

Treinador acumula fracassos

Depois da maior glória da sua carreira, o título da Copa do Mundo de 1994, o técnico Carlos Alberto Parreira nunca mais teve o mesmo sucesso.

Com exceção de sua passagem pelo Fenerbahce, onde conquistou o título do Campeonato Turco, o técnico saiu por baixo de todos os outros clubes que dirigiu.

Na sua primeira experiência após o Mundial, deixou o Valencia em uma posição intermediária no Campeonato Espanhol.

No primeiro emprego no próprio país, foi demitido do São Paulo durante o Campeonato Brasileiro-96, com o time no 17º lugar da competição.

Depois, mais uma vez tentou carreira no exterior, em empregos que também não deram certo.

Primeiro, foi trabalhar no MetroStars -time da liga norte-americana de futebol-, de onde saiu depois de não conseguir levar o time para as finais do torneio.

Em seguida, foi treinar a Arábia Saudita na Copa da França, em 98, quando sofreu uma das maiores humilhações da sua carreira.

Após perder as duas primeiras partidas, Parreira foi demitido no meio da competição.

Nos últimos dois empregos, ambos no Brasil, o técnico novamente não teve sucesso.

Pelo Fluminense, foi dispensado no início do ano, mesmo depois de ganhar o título da terceira divisão do Campeonato Brasileiro no ano passado.

Anteontem, deixou o Atlético-MG, depois que os torcedores do time mineiro o chamaram de “burro” em dois jogos seguidos.



27/10/2000 – Parreira impõe treinamento intensivo

Novo treinador do Santos, que estréia amanhã contra o Bahia, irá isolar a equipe em um sítio no interior paulista

O técnico Carlos Alberto Parreira vai se isolar com os jogadores do Santos na próxima semana em um sítio no interior paulista a fim de submeter o grupo a um período de treinamento intensivo.

A medida foi a primeira anunciada ontem por Parreira, durante sua apresentação como novo treinador do time, em substituição a Giba, demitido no domingo.

O período extemporâneo de treinamentos vai durar seis dias (de segunda a sábado) e ocorrerá no sítio Santa Filomena, em Jarinu (70 km ao norte de São Paulo). O local é o mesmo onde Leão, atual técnico da seleção brasileira, iniciou seu trabalho em 1998, ao ser contratado pelo Santos.

Segundo Parreira, durante a concentração haverá treinos em período integral. Nas últimas semanas sob o comando de Giba, raras vezes a equipe treinava de manhã e à tarde.

O objetivo é dotar o time de recursos para reagir na etapa final da primeira fase da Copa JH e garantir lugar entre os 12 primeiros colocados, o que dará a classificação para a fase seguinte.

Atualmente, o Santos está em 14º lugar, com 24 pontos em 18 jogos. Amanhã, enfrentará o Bahia na Vila Belmiro, na estréia de Parreira no comando da equipe. “Não temos outra opção. Agora, é vencer ou vencer. O caminho do título começa pela classificação”, disse o treinador.

Depois de dirigir cinco seleções (Gana, Kuait, Emirados Árabes, Brasil e Arábia Saudita) e sete times (Fluminense, Bragantino, São Paulo, Atlético-MG, o espanhol Valencia, o norte-americano MetroStars e o turco Fenerbahce), Parreira disse que, pela primeira vez, se vê diante do desafio de realizar um trabalho para obter resultado em tão curto prazo.

Ele firmou um acordo verbal de dois meses com o Santos. Se o trabalho der certo, poderá ficar por um período mais longo.

O treinador, que deixou o Atlético-MG na segunda-feira devido aos salários atrasados e à má campanha na Copa João Havelange, afirmou que a opção pelo acordo por dois meses foi dele mesmo.

“O Nicolino (Bozzella, diretor de futebol do Santos) chegou a propor um ano. Mas preferi até dezembro. Depois a gente fica mais tranquilo para fazer um contrato de prazo médio”, declarou.

Parreira afirmou que não terá tempo para fazer alterações substanciais na forma de jogar do Santos. Restam ao time seis partidas na fase atual da Copa JH.

Para o treinador, a classificação dependerá da “atitude mental” dos atletas. “O problema do Santos não é tático nem técnico. É de motivação”, disse.

O técnico exortou atletas como Rincón e Edmundo, estrelas do time e pivôs da crise que resultou na demissão de Giba, a “dar exemplo” para os companheiros.

Ele disse que as estrelas terão de se “dedicar integralmente” e afirmou que, “do cobrinha ao cobrão”, exigirá uma relação de respeito recíproco.
“Não haverá privilégios. Para ser campeão, tem de haver trabalho. E o bom exemplo tem de partir deles, que são os líderes da equipe”, afirmou.

Treinador tenta melhorar sistema defensivo

Conhecido por privilegiar a marcação nas equipes que dirige, o técnico Carlos Alberto Parreira começou a treinar o Santos na tarde de ontem, na Vila Belmiro, priorizando a defesa.

Em metade do gramado, Parreira fez uma atividade na qual colocou o sistema defensivo titular para enfrentar o ataque reserva.

O treinador disse que, embora vá tomar a iniciativa do jogo na partida contra o Bahia, o Santos é uma equipe que ainda precisa de melhor “marcação e pegada”.

Para ele, só volante Anderson é um jogador genuinamente marcador no meio-campo santista. “Acho que é um time até muito ofensivo para o meu gosto. Temos de equilibrar um pouco mais.”

Parreira subiu para o gramado às 16h, horário em que o treino estava marcado, depois que os jogadores haviam deixado o vestiário.

Ele estava acompanhado do auxiliar Jairo Leal, com quem trabalhou no Atlético-MG, e de Gersinho e Paulo Robson, que foram mantidos na comissão técnica.

Nos próximos jogos, Parreira aproveitará as informações dadas por aqueles que ficaram no clube para definir os titulares.