Fluminense 2 x 1 Santos

Data: 05/08/2000, sábado, 16h00.
Competição: Copa João Havelange (Campeonato Brasileiro) – Módulo Azul – 1ª Fase – 2ª rodada
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, RJ.
Público: 16.299 pagantes
Renda: R$ 58.219,00
Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS).
Cartões amarelos: Régis e Fabinho (F); Pitarelli e Michel (S).
Gols: Dodô (19-1); César (40-2) e César (44-2).

SANTOS
Carlos Germano (Pitarelli); Michel, André Luis, Claudiomiro e Rubens Cardoso; Anderson LuÍS, Rincón, Renato e Robert (Valdo); Eduardo Marques (Júlio César) e Dodô.
Técnico: Giba

FLUMINENSE
Murilo; Flavio, Cesar, Regis e Fabinho; Roberto Brum (Yan), Donizete (Amorim), Jorginho e Alessandro (Vanin); Roger (Marco Brito) e Magno Alves.
Técnico: Valdyr Espinoza



No fim, Fluminense bate Santos de virada

Cariocas, com dois gols de cabeça de César, aproveitam recuo do rival e, em 5 minutos, conseguem vencer a partida

Em um jogo emocionante em seu final, o Fluminense venceu o Santos por 2 a 1, de virada, ontem à tarde, no Maracanã, e conquistou de forma heróica sua segunda vitória na Copa João Havelange.

Os dois gols do time carioca foram marcados pelo zagueiro César, de cabeça. A zaga santista e o goleiro Pitarelli, que substituiu Carlos Germano, machucado, falharam nos lances.

O Fluminense, que só participa do torneio porque foi beneficiado por uma virada de mesa engendrada pelo Clube dos 13, ainda desperdiçou uma cobrança de pênalti na segunda etapa.

Foi a primeira derrota do time de Giba na competição. Em sua estréia, o Santos havia batido o Vitória por 2 a 0.

Na próxima quarta-feira, no clássico contra o São Paulo, na Vila Belmiro, Giba poderá contar com o maior reforço do time santista para a Copa JH. Edmundo, emprestado pelo Vasco por um ano, formará dupla de ataque com Dodô, que marcou um belo gol de calcanhar ontem.

O jogo, de péssimo nível técnico na maior parte do tempo e de bastante correria, começou com o Fluminense atacando.

Logo a 1min, depois de falha da defesa santista, a bola sobrou para Fabinho, cara a cara com Germano, bater por cima do gol.

Aos 7min, o Santos teve sua primeira oportunidade. Após cruzamento da direita, Eduardo Marques recebeu livre na área e bate mal, por cima do goleiro Murilo.

Treze minutos depois, os paulistas abriram o placar. Robert cobrou escanteio da direita, e Eduardo Marques escorou para trás. Ânderson dividiu com a zaga fluminense pelo alto, e a bola sobrou para Dodô, que, de calcanhar, só desviou para o gol.

O gol aumentou o nervosismo dos donos da casa, que lutavam para se recuperar da derrota sofrida para o Gama na última quarta.

Apenas aos 39min o Fluminense voltou a preocupar Carlos Germano. Magno Alves arrisca de longe, e o goleiro espalmou. No rebote, Alessandro bateu em cima de Germano.

No segundo tempo, Giba teve que altera o time. Com uma torção no tornozelo, Carlos Germano cedeu lugar a Pitarelli.

Os cariocas voltaram com mais vontade na etapa final. Tiveram duas grandes chances de empatar, com Magno Alves e Marco Britto, mas desperdiçaram.

Os santistas, à frente no placar, recuaram e apostavam nos contra-ataques para definir o jogo.

De tanto pressionar, o Fluminense conseguiu um pênalti aos 29min. Roberto Brum avançou em velocidade, driblou três rivais e foi derrubado por Claudiomiro. Donizete Amorim bateu por cima, perdendo a melhor oportunidade para empatar a partida.

Quando tudo indicava para a vitória santista, o Fluminense virou o jogo.

Aos 40min, após cobrança de falta da esquerda, César subiu mais que os zagueiros e fez o primeiro dos anfitriões.

Cinco minutos depois, em uma jogada semelhante, o mesmo César virou a partida. A única diferença para o primeiro gol foi o lado da cobrança de falta: dessa vez, a bola veio da direita.

O técnico Giba, inconformado com a virada que seu time sofreu em cinco minutos, saiu de campo reclamando. Para o técnico, nenhuma das duas faltas que originaram os gols do Fluminense existiram.

Irritado, Giba culpa erro de passes por revés

O treinador do Santos, Giba, deixou o campo irado com a derrota de sua equipe para o Fluminense, ontem à tarde. O técnico parecia não acreditar na virada dos cariocas nos últimos cinco minutos.

Durante todo o segundo tempo, Giba gritava para o time atacar mais e reclamava da série de passes errados dos santistas.

“Não podíamos ter perdido. O jogo parecia que estava ganho, mas não estava. Erramos muitos passes”, disse Giba.

Autor do gol único do Santos na partida, o atacante Dodô reclamou do rendimento de sua equipe na segunda etapa. “O time recuou muito, não sei o que aconteceu”, lamentou Dodô.

O fato de ter levado dois gols de cabeça, com passes originários de cobranças de falta, surpreendeu o zagueiro Claudiomiro. Ainda em campo, o jogador afirmou não ter explicação para a derrota.

“Estávamos ganhando todas de cabeça no primeiro tempo. Depois, erramos. Agora é acertar”, disse ele.

No Fluminense, a festa foi completa. Depois que o meia Donizete Amorim perdeu um pênalti, aos 30min do segundo tempo, a torcida passou a vaiar a equipe.

Os jogadores demonstraram superação. Pressionaram o Santos até conseguir o empate, aos 40min, em cabeçada do zagueiro César, que voltou a marcar cinco minutos depois, fixando o placar em 2 a 1.

“Nunca mais esqueço esse dia”, comemorou César, que, pela raça e seriedade demonstrada desde o primeiro semestre, já se transformou em ídolo da torcida.

Valdyr Espinosa muda “esquema europeu” no Flu

O técnico do Fluminense, Valdyr Espinosa, alterou, no início do segundo tempo, o “esquema europeu” de defesa que o time vinha dotando na Copa João Havelange.

Logo aos 6min do segundo tempo, quando seu time perdia, Espinosa colocou o lateral-esquerdo Vanim no lugar de Jorginho.

Antes, a equipe do Rio vinha jogando sem um jogador fixo na lateral-esquerda. Pelo setor, o Santos conseguiu suas melhores jogadas.

Espinosa escalou o time com três zagueiros, quatro meias e três atacantes. Não funcionou direito na partida de ontem.

Como resultado da estratégia defensiva montada por Espinosa, o lado esquerdo do time virou uma espécie de “avenida”, em que santistas corriam sem sofrer o assédio dos adversários.

Com a virada obtida no fim da partida, o técnico pode até desistir do “esquema europeu” nos próximos jogos do Fluminense na Copa JH.