Santos 2 x 1 Portuguesa

Data: 12/03/1994, sábado, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista – 1º turno – 14ª rodada
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 5.175 pagantes
Renda: CR$ 15.660.000,00
Árbitro: Roberto Perassi
Gols: Simão (08-2), Macedo (09-2) e Guga (45-2).

SANTOS
Edinho; Índio, Júnior, Marcelo Fernandes e Luciano; Dinho, Gallo, Ranielli e Cerezo (Carlinhos); Macedo e Guga.
Técnico: Serginho Chulapa

PORTUGUESA
Paulo César; Zé Carlos, Vladimir, Jorginho e Zé Roberto; Capitão, Simão, Caio e Marquinhos; Tico (Gilmar Francisco) e Dinei.
Técnico: Fito Neves



Guga faz gol de “cara” e Santos bate Portuguesa

Um gol de “cara” de Guga deu ao Santos na Vila Belmiro sua terceira vitória no Paulista. Num gramado completamente encharcado pelas chuvas que atingiram a Baixada Santista, o time derrotou a Portuguesa, de virada, por 2 a 1.

O toró despencou para valer no primeiro tempo, inviabilizando qualquer tentativa de jogada trabalhada pelas duas equipes. Surgiram poucas chances de gol, a maioria para a Portuguesa.

O ponta Tico perdeu uma boa oportunidade de cabeça e o centroavante Dinei, numa confusão na área, não aproveitou um rebote.

Na segunda etapa a chuva parou, mas o campo era um verdadeira lamaçal. Mesmo assim, a Portuguesa conseguiu marcar primeiro numa jogada individual do meia Simão pela meia esquerda. Ele driblou dois zagueiros e bateu forte, sem chances para o goleiro Edinho, aos 8min.

A resposta do Santos foi imediata. Na saída de bola, o atacante Macedo ganhou uma jogada pela direita, invadiu a área e bateu cruzado. O goleiro Paulo César, que fazia sua estréia, falhou: 1 a 1, aos 9min.

O empate parecia satisfazer os dois times, que brigavam contra o campo. O técnico Fito Neves demonstrou isso tirando Tico e colocando o zagueiro Gilmar Francisco.

Serginho Chulapa, treinador santista, tinha preocupações mais ofensivas e substituiu o meia Cerezo pelo atacante Carlinhos.

Mas o gol da vitória santista surgiu num lance de pura sorte. O centroavante Guga e Macedo evoluíram pela intemediária e foram driblando adversários e o barro. A bola, finalmente, sobrou para Guga já dentro da área, mas ele adiantou demais e o zagueiro Vladimir chegou para fazer o corte. O defensor tentou afastar a bola, mas ela bateu no rosto do centroavante e entrou, aos 45min.

Com o resultado, o Santos pulou para 11 pontos e ainda tem mais dois jogos pelo primeiro turno. A Portuguesa encerrou sua participação nesta fase com 14 pontos.

Jogo teve uma falta a cada 26 segundos

O temporal que caiu sábado na Vila Belmiro fez com que o jogo Santos x Portuguesa apresentasse quase o dobro de faltas da média do atual do Campeonato Paulista: enquanto a média está em 48 infrações, a partida de sábado registrou nada menos de 81 faltas (41 cometidas pelo Santos e 40 pela Portuguesa).

O tempo total gasto para a reposição da bola atingiu 47 minutos e 49 segundos.

O tempo de bola rolando foi de apenas 35 minutos e 34 segundos, contra a média de 52 minutos e 56 segundos no campeonato. Assim, o jogo apresentou uma média de 2,28 faltas por minuto de bola rolando, ou uma falta a cada 26,3 segundos.

O recordista de infrações da partida foi o atacante Marquinhos, da Portuguesa, com nove faltas. Cerezo, do Santos, ficou em segundo, com sete.

O único jogador que não cometeu faltas foi o zagueiro Gilmar Francisco, da Portuguesa, que entrou no segundo tempo.



Serginho quer Santos na ofensiva hoje na Vila (Em 12/03/1994)

O Santos enfrenta hoje a Portuguesa repetindo o mesmo esquema ofensivo com o qual venceu o América, o que trouxe uma tranquilidade momentânea à Vila Belmiro. A única mudança no time, que Serginho ainda não havia definido ontem, deve ser a volta da dupla de zaga titular, Júnior e Marcelo Fernandes, que cumpriu suspensão automática.

A volta de Júnior à zaga central é tida como certa. Em virtude da boa atuação de Cerezo anteontem, o treinador não definiu se ele será mantido. O jogador, que prefere atuar como volante, vem recebendo elogios de Serginho e pode ser escalado no lugar de Gallo, que se queixa de dores musculares.

Segundo Serginho, a opção tática de manter Ranielli atuando encostado em Guga e Macedo será repetida hoje. O treinador resolveu ouvir as reclamações do centroavante Guga, que durante muito tempo reclamou de jogar isolado na frente. “Contra o América, a presença do Ranielli abriu espaços e fizemos três gols”, disse.

Para o treinador, o torcedor que for à Vila hoje “verá um time mais confiante, pegador, que sabe o seu valor”. Serginho afirmou que uma nova vitória devolverá de vez a segurança ao elenco, “espantando este clima de terror”.

Serginho justifica o relativo sucesso que o Santos vem obtendo sob seu comando –dois empates e uma vitória– com o diálogo que vem mantendo com os jogadores. “Passei a conversar muito com todos os jogadores. Expliquei que não era o dono da verdade e que a gente precisava se unir. Comigo, os jogadores têm liberdade até para mudar o esquema tático”, disse o técnico.

A única preocupação da comissão técnica e dos jogadores é quanto ao preparo físico do time. Todos concordam que nos 20 minutos finais contra o América a equipe sentiu o cansaço de estar fazendo uma partida a cada dois dias.

“O time não treina, só joga, o que impede uma melhor recuperação física. Os problemas de contusões não são curados direito e a musculatura fica dolorida”, afirma o volante Gallo, um dos que mais atuou neste campeonato.

Para o preparador físico Cléber Augusto, o cansaço verificado no 2º tempo contra o América “é fruto também da viagem ao Japão”. Ele disse que boa parte do elenco teve dificuldades em se readaptar à diferença do fuso horário.

“Acho que o Santos vai demonstrar mais cansaço que as outras equipes em virtude dessa viagem, que foi muito desgastante”, afirma Ranielli.

Por outro lado, ele não acredita que esse problema possa definir o resultado hoje. “Existe o cansaço, mas existe uma empolgação muito grande. Todos querem tirar o Santos dessa incômoda posição no campeonato. Essa vontade supera o desgaste físico”, disse Ranielli.