Santos 1 x 1 Corinthians

Data: 04/03/2018, domingo, 17h00.
Competição: Campeonato Paulista – 1ª fase – 10ª rodada
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo, SP.
Público: 37.431 presentes (34.441 pagantes e 2.983 não pagantes)
Renda: R$ 1.052.220,00
Árbitro: Luiz Flavio de Oliveira
Auxiliares: Tatiane Sacilotti dos Santos Camargo e Evandro de Melo Lima
Cartões amarelos: David Braz e Vecchio (S); Clayson, Gabriel e Balbuena (C).
Gols: Renê Júnior (20-1) e Diogo Vitor (40-2).

SANTOS
Vanderlei; Daniel Guedes, Lucas Veríssimo, David Braz e Jean Mota; Alison; Léo Cittadini, Vecchio (Vitor Bueno), Rodrygo (Diogo Vitor) e Copete (Arthur Gomes); Eduardo Sasha.
Técnico: Jair Ventura

CORINTHIANS
Cássio; Fagner, Balbuena, Henrique e Maycon; Gabriel e Renê Júnior; Romero, Jadson (Emerson Sheik), Rodriguinho e Clayson (Júnior Dutra).
Técnico: Fábio Carille



Em jogo brigado e com apagão, Santos busca o empate contra o Corinthians

Santos e Corinthians realizaram um grande clássico na tarde/noite deste domingo, tanto pelo longo tempo de disputa (quase três horas entre o apito inicial e o apito final) quanto pela disputa em campo. Mais técnico e bem organizado, o Timão saiu na frente com Renê Júnior e poderia ter decidido o placar a seu favor em diversas ocasiões. Não o fez e, em uma das dezenas de bolas alçadas na área pelo time praiano, Diogo Vitor aproveitou sobra de bola e deixou o placar em 1 a 1.

Com o resultado, os clubes seguem em boa condição nos seus respectivos grupos, ambos na liderança de ambas as chaves. Com 17 pontos, a equipe do Parque São Jorge está três acima do Ituano, segundo colocado do Grupo A, e pode definir sua classificação na quarta-feira. O Peixe, com 18 na ponta do D, assegurou sua passagem às quartas de final por ter seis pontos e três vitórias a mais do que o Red Bull, terceiro com 12.

O jogo:

O clássico teve uma atmosfera digna da sua história no pré-jogo, com estádio lotado e duas equipes ligadas desde o começo. Contando com o apoio da torcida, o Peixe tentou adiantar a sua marcação e buscar evitar a posse de bola, principal arma do novo esquema de Carille. Impreciso na hora de fazer a sua saída de jogo, porém, o time da casa acabou tornando-se presa fácil para a marcação corintiana.

Antes de o relógio marcar 10 minutos de bola rolando, Clayson e Rodriguinho roubaram duas bolas no campo de ataque e se viram em boa condição. Na primeira, o ponta serviu o armador, que abriu para Romero. O paraguaio chutou de primeira e foi travado por David Braz. Na outra, Rodriguinho conduziu até a entrada da área após desarmar Léo Cittadini, mas não finalizou e deu a chance de a defesa se recuperar.

Na resposta, o Peixe mostrou que não contava com o seu meio-campo para armar. Apostando sempre nos lançamentos longos para Rodrygo e Copete, além dos ótimos cruzamentos de Daniel Guedes, os santistas quase abriram o placar quando Lucas Veríssimo cabeceou livre na área, mas Cássio encaixou. Pouco depois, porém, o Timão resolveu finalizar e, como prêmio, abriu o placar. Renê Júnior chutou de fora da área, a bola desviou em Cittadini e entrou no ângulo de Vanderlei.

Incomodada com a desvantagem e, principalmente, o péssimo desempenho de Copete, a torcida santista demonstrou sinais de insatisfação, apaziguados apenas nas já citadas jogadas pela ponta direita. Na melhor, Cittadini cabeceou rente à trave de Cássio. Os visitantes, por sua vez, mantiveram a postura do início da etapa e quase ampliaram em outros quatro contra-ataques. Nos dois finalizados, porém, Maycon e Romero mandaram pela rede, mas do lado de fora.

O Peixe voltou para o segundo tempo inspirado pela força da torcida e pela saída de Copete, até então o pior em campo. Mesmo com Arthur Gomes sem participar tanto da partida, o Peixe mostrou bastante disposição e abdicou totalmente do jogo de toque de bola. Em menos de cinco minutos, com duas faltas mais próximas do meio-campo do que da área, os santistas resolveram mandar a bola na confusão entre zagueiros e atacantes.

Bem postada, no entanto, a defesa corintiana conseguiu anular a maioria dos lances, deixando apenas uma finalização perigosa chegar ao gol de Cássio. O lance se deu aos 14 minutos, quando Vecchio correu por trás da zaga e recebeu bom lançamento de Alison. De costas para o gol, o meio-campista girou rapidamente com o pé direito, praticamente dando um golpe na bola, e exigiu boa intervenção do arqueiro.

Os dois técnicos sentiram a mudança no jogo e promoveram alterações. Júnior Dutra substituiu Clayson e Vitor Bueno entrou na vaga de Vecchio. Antes de as substituições começarem a dar resultado, porém, a luz do Pacaembu apagou. Sem luz por 50 minutos, os jogadores conviveram até com o boato de que o clássico só voltaria na segunda. Depois de muita espera, porém, o jogo foi retomado.

O Peixe manteve a pressão, mas se viu mais desorganizado no retorno. Em duas escapadas, o Corinthians teve ótimas chances para ampliar. Na primeira, Jadson driblou dois e parou em Daniel Guedes, em cima da linha. Na outra, em vez de chutar, resolveu ajeitar para Gabriel, mas viu Alison fazer o desarme pontual. Pouco depois, Rodriguinho chutou bem de primeira, Vanderlei espalmou e Balbuena mandou o rebote no tobogã.

Quando o Timão parecia ter mais controle do jogo, porém, pagou o preço pela falta de eficácia nas finalizações. Em bola levantada na área, Cássio saiu, trombou com Sasha e ficou no chão. A bola sobrou limpa para Diogo Vitor, que bateu de primeira e deixou tudo igual, fazendo muita festa na comemoração. O Peixe ainda tentou a virada no abafa, mas não conseguiu criar outro grande lance para marcar.

Bastidores – Santos TV:

Jair elogia atuação do Santos e afirma: “Merecíamos a vitória”

Depois de uma paralisação de 40 minutos no confronto contra o Corinthians, o Santos conseguiu buscar o empate no final da partida deste domingo. O treinador Jair Ventura ressaltou a maneira como sua equipe atuou depois do 1 a 1 no Clássico de Alvinegros.

“De novo, assim como no último jogo, um chute do meio de campo entrou no cantinho, dessa vez sem altitude. Mas a gente estava jogando dentro da área do Corinthians no segundo tempo, propondo o jogo o tempo todo, pelos três corredores, finalizando de média e longa distância. O Carille marca muito forte pelo setor central, por isso os inúmeros cruzamentos. Foi uma estratégia nossa e em um desses cruzamento saiu o gol”, comentou em entrevista coletiva.

“O jogo foi ótimo. Mesmo se eu tivesse perdido o jogo, o jogo teria sido bom. Foi um jogo aberto, com oportunidades dos dois lados. Na saída estavam falando que foi um dos melhores jogos do campeonato, até do ano”, completou o comandante do Peixe.

Jair Ventura ainda disse acreditar que sua equipe merecia a vitória pelas circunstâncias do jogo. Na visão do técnico, o Santos estava mais desgastado por ter jogado um dia depois do Timão e a torcida foi fator fundamental para o gol de empate sair.

“A torcida merecia a vitória. O meu grupo merecia a vitória pela entrega. Para piorar, ficamos 40 minutos com o jogo parado, esfriou, mas nós persistimos, fomos valentes. Os jogadores estão exaustos dentro do vestiário, contudo sempre falo que quando você for valente vai estar muito mais próximo do resultado. E hoje fomos valentes. Se o Pacaembu não estivesse tão cheio, tenho certeza que não teríamos força para conseguir esse empate”, disse ele.

Jair evita falar da arbitragem e Gabigol diz: “O lance foi difícil”

Com o clássico empatado em 1 a 1, Balbuena deu carrinho e derrubou Léo Cittadini dentro da área aos 45 minutos do segundo. Contudo, o árbitro Luiz Flavio de Oliveira marcou falta fora da área e a partida terminou empatada. Após o jogo, o treinador Jair Ventura evitou falar sobre o lance e defendeu a utilização do árbitro de vídeo.

“Hoje não vou mudar, não vou falar de arbitragem. Pessoal da TV, quando eu estiver falando, coloca a imagem (risos). A gente sabe que (o árbitro de vídeo) é muito caro. O Brasil está vendendo o almoço para poder jantar, todo mundo com dificuldade financeira. Eu sou a favor, mas, se não me engano, são R$ 45 mil por jogo. É muito caro”, disse o treinador do Santos.

“Vamos ver se aparece algum investidor para ajudar para o campeonato ficar melhor. Mudaria um pouquinho aquela roda de bar com o pessoal discutindo. Aquela coisa que já teve em Copa do Mundo, do Nilton Santos fazer o pênalti e dar um passo para fora da área. Eu sou a favor do que é justo”.

Quem também comentou o lance foi o atacante Gabriel Barbosa, o Gabigol, que não foi à campo porque cumpria suspensão pelo terceiro cartão amarelo. Na opinião do jogador de 21 anos, o pênalti aconteceu, no entanto, o lance era difícil.

Eu vi lá de cima que foi pênalti, mas é difícil na hora o juiz dar. Claro que ficamos um pouco triste porque poderíamos virar, O lance foi difícil e muito rápido. É difícil ver de longe, mas fico feliz. Queríamos a vitória, mas o empate também foi bom”, disse o camisa 10 do Peixe.

Diogo Vitor comemora gol na reestreia e agradece Jair Ventura

Diogo Vitor foi o herói do clássico da partida. Jovem da base santista, o atacante viveu momentos conturbados recentemente, contudo, em sua reestreia, marcou o gol do empate no clássico contra o Corinthians. Após a partida, o jogador de 21 anos comemorou seu primeiro gol no profissional.

“Fico muito feliz pela minha estreia (em clássicos e em 2018) e por poder fazer o gol no clássico. Isso é o que todo mundo sonha e hoje fui feliz de realizar esse sonho. Com certeza (a partida teve um gosto de vitória), saímos atrás no placar e conseguimos buscar o empate no fim”, declarou o jogador na saída de campo à Premiere.

Além disso, o camisa 40 agradeceu o treinador Jair Ventura por acreditar em seu futebol. “Estou muito feliz. Quero agradecer o professor Jair por estar acreditando no meu trabalho. Tenho que agradecer muito ele pela oportunidade e aos meus companheiros por terem me recebido muito bem no profissional”, completou.