Santos 1 x 1 São Paulo

Data: 13/05/2000, sábado, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 9.004 pagantes
Renda: R$ 98.630,00
Árbitros: Sálvio Spinola e Vladimir Vassoler.
Gols: Eduardo Marques (06-1) e Edu (20-1).

SANTOS
Carlos Germano; Baiano (Michel), Galván, André Luis e Rubens Cardoso; Claudiomiro, Anderson Luiz, Rincón e Eduardo Marques (Robert); Caio (Dodô) e Valdir.
Técnico: Giba

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Beletti, Wilson, Edmílson e Fábio Aurélio; Alexandre, Maldonado, Vagner, Raí e Marcelinho Paraíba (Souza); Edu (Fabiano) e França.
Técnico: Levir Culpi



Empate no clássico deixa disputa por vagas aberta

São Paulo e Santos ficam no 1 a 1 e são ajudados pela derrota da Lusa

São Paulo e Santos empataram em 1 a 1, na Vila Belmiro, e deixaram aberta a disputa pelas duas vagas do grupo 7 para as semifinais do Campeonato Paulista.

Uma vitória santista ontem teria deixado o São Paulo praticamente eliminado da competição. Santistas e são-paulinos foram favorecidos pela derrota da Lusa por 2 a 1 para o Guarani, ontem, em Campinas. Com os resultados da rodada, o Santos passou a dividir a liderança da chave com a Lusa. Cada um tem sete pontos na terceira fase. O São Paulo, com cinco pontos, ocupa a terceira colocação. Em último está o Guarani, que tem apenas três pontos. Santos, São Paulo e Lusa dependem apenas de seus próprios resultados nas duas rodadas finais para conquistar a vaga para a próxima fase.

Os dois times começaram a partida de maneira ofensiva. Aos poucos, o São Paulo passou a ter a posse de bola por mais tempo, mas a equipe da capital levou o gol quando estava melhor.

Comandados pelo técnico Giba, efetivado no lugar do demitido Carlos Alberto Silva, os santistas abriram o placar graças a uma falha da defesa rival, que deixou Eduardo Marques livre, dentro da área. Ele chutou no canto esquerdo de Rogério e colocou o seu time em vantagem, aos 12min do primeiro tempo.

Os são-paulinos mantiveram a calma após o gol e continuaram com a posse de bola por mais tempo. Como já havia acontecido em partidas anteriores, a equipe do técnico Levir Culpi teve dificuldades para finalizar. Os jogadores trocavam passes, mas não conseguiam fazer assistências para que os atacantes França e Edu pudessem receber a bola dentro da área. Assim, o gol de empate do São Paulo aconteceu com a ajuda dos adversários, aos 21min do primeiro tempo.

Belletti levantou a bola na área, ela bateu no lateral Rubens e depois no zagueiro André Luiz, que fez gol contra. Mas a dupla de arbitragem registrou o gol para o são-paulino Edu, que não tocou na bola nesse lance.

Após o empate, o São Paulo continuou melhor, mas faltou velocidade para surpreender a defesa do Santos.

No final do primeiro tempo, o time da casa conseguiu equilibrar a partida. Aos 45min, os santistas reclamaram que o zagueiro Wilson teria feito pênalti em Eduardo Marques.

As duas equipes voltaram do intervalo mais preocupadas em atacar, mas faltou eficiência.

Aos 14min, o técnico Giba tentou melhorar o desempenho do ataque santista colocando Robert no lugar de Eduardo Marques e Dodô na vaga de Caio. Em seguida, Culpi também precisou mexer. Ele perdeu Alexandre, que voltou após cumprir suspensão e se machucou. O chileno Maldonado entrou em seu lugar. As substituições não alteraram o panorama da partida, que continuou equilibrada.

Aos 33min, o Santos perdeu a sua melhor chance. O atacante Valdir avançou pela direita e tocou para André Luiz, que estava livre na área, mas chutou no travessão, assustando Rogério.

Aos 36min, um lance que começou com Fábio Aurélio e Rincón esquentou o clima. Os dois disputavam a bola e trocavam empurrões, quando Souza chegou e atingiu o jogador colombiano. Um tumulto envolveu os jogadores dos dois times, que ficaram trocando empurrões. Depois que a confusão foi controlada, Rincón e Souza foram punidos com cartões amarelos.

Nos minutos seguintes, os jogadores se descontrolaram e passaram a se preocupar mais em fazer atingir os adversários. Apesar das faltas violentas, ninguém foi expulso pelos juízes. Com esse nervosismo, as equipes não criaram mais chances para desempatar. “Eles jogaram com três volantes e isso diminuiu os espaços para o nosso time”, disse o zagueiro Edmílson.



Papel do Santos é fazer a 1ª vítima (Em 13/05/2000)

Sucesso repentino e pedido dos jogadores efetivam Giba no comando

Vitória no clássico de hoje praticamente liquida as chances de o São Paulo alcançar as semifinais e deixa time em situação privilegiada no Paulista

O clássico de hoje entre Santos e São Paulo, às 16h, na Vila Belmiro, vale a sobrevivência da equipe da capital no Paulista-2000, enquanto o time da casa busca a vitória para ter um conforto maior na reta final da competição.

Para vencer o mesmo adversário pela segunda vez seguida, o Santos aposta no técnico Giba, que ontem foi efetivado no cargo, como substituto do demitido Carlos Alberto Silva.

Uma derrota hoje deixa os são-paulinos com chances mínimas de classificação. Se for derrotado, o time do técnico Levir Culpi pode perder a vaga para as semifinais, mesmo se vencer as suas duas últimas partidas, contra Lusa e Guarani.

“O jogo contra o Santos será uma decisão para nós. Uma derrota nos deixaria em uma situação muito limitada”, disse o meia-atacante Edu.

Com quatro pontos, o São Paulo está na terceira posição do Grupo 7 da terceira fase. Se perder hoje, só poderá chegar a dez pontos. A Lusa, líder da chave, já tem sete pontos e busca uma vitória hoje contra o Guarani para ficar mais perto da vaga.
Mais tranquilo após ter derrotado o São Paulo por 2 a 1, na última quarta-feira, o Santos poderá se dar ao luxo de garantir a classificação com dois empates nos últimos jogos, contra Guarani e Lusa, desde que vença hoje.

Os santistas ocupam a segunda posição do grupo, com seis pontos. Santos e Lusa se enfrentam na última rodada e podem até se enfrentar precisando apenas de um empate para se classificar.

Nesse momento decisivo, os jogadores do São Paulo preferem evitar fazer os cálculos. “Se você começa a fazer contas, tira a confiança do time”, disse o zagueiro Edmílson.
Para reverter a situação desfavorável, os são-paulinos esperam contar até com a ajuda adversária.

Os atletas comandados por Culpi acreditam que podem tirar proveito do fato de a partida acontecer na Vila Belmiro.

Para eles, os jogadores santistas sentem dificuldades quando jogam em casa por causa das cobranças feitas pelos torcedores locais durante as partidas.

“A gente percebe que os jogadores do Santos ficam nervosos quando atuam na Vila e o gol demora para sair”, afirmou o volante Alexandre.

Ele disse ter vencido três jogos e perdido apenas um nas quatro vezes em que jogou na Vila Belmiro pelo São Paulo.

A última vez que os dois times se enfrentaram no estádio do Santos foi em fevereiro, pelo Rio-São Paulo, e a equipe da capital ganhou por 1 a 0.

Pelo Paulista, o último jogo entre os dois rivais em Santos foi em 1998, quando o São Paulo derrotou o rival por 3 a 2.

“O fato de a torcida ficar perto do campo nos obriga a ter mais atenção e motiva mais o nosso time”, disse Edmílson.

No Santos, com a confirmação de Giba, a diretoria desistiu da contratação de Oswaldo Alvarez, do Atlético-PR, que foi eliminado anteontem da Libertadores pelo Atlético-MG.

De acordo com Marcelo Teixeira, presidente do Santos, o apoio dos atletas foi determinante para que Giba fosse efetivado na vaga aberta com a demissão de Silva.
Alguns, como o goleiro Carlos Germano, chegaram a procurar o presidente para sugerir a permanência do até então interino.

Também pesou, segundo Teixeira, o desempenho da equipe na vitória de quarta-feira, quando o treinador dirigiu pela primeira vez o time principal do Santos.

“Houve uma unanimidade. O Giba demonstrou muita personalidade e se impôs pela competência”, disse o dirigente.

O novo treinador também recebeu elogios de Rincón, capitão da equipe da Vila Belmiro.
“Ele tem uma idéia clara do que é o futebol e colocou isso em prática”, disse Rincón.

Giba, que foi campeão brasileiro como lateral do Corinthians, em 1990, afirmou que os jogadores aceitaram facilmente sua proposta de trabalho. Após a derrota por 2 a 0 para a Lusa e a demissão de Carlos Alberto Silva, Giba escolheu 11 titulares e treinou o time intensivamente durante os dois dias disponíveis. “Eles acreditaram na proposta, assimilaram o pouco que eu passei e ficaram satisfeitos”, afirmou Giba.

Não será assinado um novo contrato com o treinador, que tem compromisso com o clube até o final deste ano.

Dodô reclama por ser reserva

O único jogador a demonstrar insatisfação com as mudanças que o técnico Giba fez no time do Santos foi o atacante Dodô, que perdeu a condição de titular. Além dele, estão no banco de reservas os veteranos Valdo e Márcio Santos e o meia Robert.

Ainda sob o comando de Carlos Alberto Silva, Dodô ficou fora em três jogos seguidos (Guarani e Lusa, pelo Paulista, e Coritiba, pela Copa do Brasil) devido a um machucado no joelho.

Ele voltou na quarta-feira, já sob o comando de Giba, no clássico contra o São Paulo, quando entrou no segundo tempo porque Caio se cansou.

Na concentração, horas antes da partida, Dodô chegou a demonstrar descontentamento ao tomar conhecimento de que ficaria na reserva.

“Na minha opinião, tinha de ser titular. Sou o artilheiro do time. Estou conformado, mas chateado. Não fico contente com o banco”, afirmou o atacante.

Giba não quis antecipar ontem se Dodô ficará na reserva, mas dificilmente o jogador começará a partida de hoje.

“Não quero sacrificar a estrutura da equipe para acomodar esse ou aquele dentro do time”, disse.

Segundo o treinador, o Santos possui pelo menos cinco opções para as duas vagas do ataque. Além de Dodô, ele tem à disposição Caio, Valdir, Deivid e Weldon. Os titulares hoje devem ser Caio e Valdir. “Se, para começar as partidas eu tenho cinco alternativas para dois lugares, eles que briguem para entrar no time.”