Santos 0 x 1 São Paulo

Data: 10/06/2000, sábado, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista – Final – Jogo de ida
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 57.101
Renda: R$ 535.515,00
Árbitros: Paulo César de Oliveira e Sálvio Spinola.
Cartões amarelos: Anderson Luiz e Robert (S); Fábio Aurélio (SP).
Cartão vermelho: Anderson Luiz (S).
Gol: França (01-1).

SANTOS
Carlos Germano; Baiano, André Luis, Claudiomiro e Rubens Cardoso; Anderson Luiz, Rincón, Valdo e Robert (Deivid); Caio (Eduardo Marques) e Valdir (Dodô).
Técnico: Giba

SÃO PAULO
Rogério Ceni; Beletti, Edmílson, Rogério Pinheiro e Fábio Aurélio; Maldonado, Vagner, Raí (Fabiano) e Marcelinho Paraíba (Sandro Hiroshi); Edu (Souza) e França.
Técnico: Levir Culpi



São Paulo vence por 1 a 0 e amplia vantagem na final

Nervoso, Santos leva gol no primeiro minuto e falha ao tentar a reação

O São Paulo venceu o Santos por 1 a 0, no Morumbi, e agora poderá até perder por um gol de diferença no segundo jogo da decisão que conquistará o Campeonato Paulista do ano 2000, o último do milênio.

O Santos, que não vence um título paulista desde 1984, precisa de uma vitória por diferença de pelo menos dois gols.

Dois fatores, basicamente, determinaram a vitória são-paulina: o nervosismo inicial do Santos e o atacante França.

Nos primeiros segundos do jogo, o Santos, que disputava sua primeira decisão estadual em 16 anos, assistiu passivamente o São Paulo, que venceu as últimas seis finais de Campeonato Paulista que jogou, trocar passes.

Resultado: com menos de 50 segundos, o artilheiro do torneio, França, abriu o placar com um chute da entrada da área, que acabou sendo o responsável pela primeira derrota de Giba como técnico da equipe da Vila Belmiro.

O atacante são-paulino fez seu 18º gol no Paulista. Especialmente pelos seus gols, o São Paulo conseguiu marcar em todos os jogos no campeonato.

O técnico Giba admitiu que sua equipe sentiu nervosismo no início da partida. “Começamos um pouco nervosos, e o São Paulo se aproveitou disso”, disse.

Se o centroavante são-paulino mostrou seu poder de definição na primeira finalização, lembrando até o ex-atacante Serginho -que defendeu São Paulo e Santos nos anos 80 e costumava finalizar com o bico do pé-, o Santos sofria com seus dois jogadores de área, Caio e Valdir. Os dois se movimentavam bastante, mas eram dominados sem muita dificuldade.

Mesmo com o domínio territorial e com maior tempo de posse de bola, o Santos tinha problemas para penetrar na defesa são-paulina. O time de Giba apostou mais em seguidos cruzamentos, todos infrutíferos, e também em chutes de longa distância.

Valdir, que chegou a estabelecer seu recorde de jogos seguidos sem marcar neste campeonato, foi substituído no intervalo. Dodô, que foi o herói da classificação santista para a final ao marcar aos 45min do segundo tempo contra o Palmeiras, passou a ser a esperança de gols da equipe.

A mudança quase surtiu efeito imediato, pois Dodô ao menos conseguiu finalizar em sua primeira tentativa. Só que errou o alvo. Mais tarde, teve outra chance, mas chutou, quase sem ângulo, no travessão.

Caio, em sua única real chance de gol, acertou uma boa cabeçada quase da pequena da área, mas o goleiro Rogério conseguiu espalmar a bola para escanteio.

Três ex-atacantes são-paulinos não conseguiram vencer Rogério.

Giba fez uma nova tentativa depois dos 25min. Trocou Caio, seu segundo atacante, e apostou em Deivid. O Santos permanecia com a bola em seus pés durante a maior parte do tempo, mas continuou tendo dificuldades para furar o bloqueio são-paulino.

O São Paulo, em contra-ataques, conseguia ser bem mais perigoso que o rival. O time do técnico Levir Culpi teve pelo menos duas oportunidades para ampliar o marcador e a sua vantagem na decisão do Campeonato Paulista.

Levir Culpi colocou Sandro Hiroshi no fim, atacante que quase fez 2 a 0 no minuto final de jogo.

O treinador são-paulino se deu ao luxo até de deixar Evair no banco de reservas.

O Santos, que em seu último título paulista contou com o oportunismo do ex-atacante Serginho -ele marcou o gol na vitória de 1 a 0 sobre o Corinthians-, deixou claro que sua maior deficiência está no ataque.

A outra grande deficiência da equipe, o nervosismo, ficou mais exposta quando faltavam cerca de dez minutos para o final da partida -contra o Palmeiras, a equipe conseguiu a virada por 3 a 2 justamente no final do jogo.

O volante Anderson deu uma entrada violenta em Vágner ainda no campo de ataque do Santos. Recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso -o jogador poderá até atuar na segunda partida das finais se o Santos conseguir um efeito suspensivo.

No final, a equipe santista confirmou sua fama de violenta. Seus jogadores passaram a entrar nas disputas de bola com dureza. Claudiomiro quase chutou a cabeça de Belletti dentro da área.

Com dez homens em campo, o Santos acabou se encolhendo, e seus atacantes não tiveram mais chances para marcar. França já se considera o goleador do torneio. É o único jogador que conseguiu ser artilheiro do Campeonato Paulista mais de uma vez nesta década.

Segundo cartão de Anderson seguiu estratégia

O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, vai acionar hoje o departamento jurídico do clube para que tente antecipar o julgamento do volante Anderson, expulso ontem. O clube quer escalá-lo no segundo jogo da decisão do Paulista, no domingo.

O jogador recebeu cartão vermelho após cometer falta em Vágner, quando já tinha cartão amarelo. Se não fosse expulso, Anderson ficaria fora da decisão por ter recebido o segundo amarelo.

Para pode jogar, além de o julgamento ser antecipado, Anderson terá de ser absolvido pelo Tribunal de Justiça Desportiva.

O Santos foi o primeiro time a usar essa estratégia no Paulista, numa expulsão do meia colombiano Rincón. As seguidas absolvições provocaram polêmica e o TJD fixou uma taxa de R$ 20 mil para quem pedir a antecipação.

Ontem, um telão instalado atrás de um dos gols do Morumbi mostrou imagens da partida, contrariando orientação da Fifa. A entidade condena essa prática, por achar que a torcida pode perceber erros de arbitragem e se revoltar. Por isso, o telão no Morumbi não mostrou repetições de lances.

Santistas exploram virada sobre o Palmeiras para reverter resultado

O Santos vai explorar a virada obtida sobre o Palmeiras na última partida das semifinais do Campeonato Paulista para tentar chegar ao seu 16º título estadual no próximo domingo, na segunda partida da decisão. Há 16 anos os santistas não erguem a taça.

A classificação santista para as finais veio com uma virada do time no segundo jogo contra o Palmeiras, após empate de 0 a 0 no primeiro. Mesmo saindo perdendo de 2 a 0, o Santos conseguiu vencer a segunda partida por 3 a 2. O último gol foi marcado aos 45min do segundo tempo.

O técnico Giba vai usar esse argumento para convencer os seus atletas de que, com o mesmo espírito, será possível reverter a situação contra o São Paulo. O Santos precisa vencer por dois gols de diferença para ser campeão.

“O campeonato ainda não acabou. O Santos mostrou que tem força. Jogamos de igual para igual contra o São Paulo. Se conseguimos reverter o resultado na semifinal contra o Palmeiras, por que não podemos fazer o mesmo agora? No Paulista, há muitas histórias de equipes que perderam o primeiro jogo e se recuperaram depois”, afirmou Giba.

Segundo ele, seu time foi preparado para uma decisão de 180 minutos. “Disputamos só 90 minutos. Ou seja, estamos apenas na metade. Contra o Palmeiras, viramos no segundo tempo.”

“A torcida não pode deixar de acreditar naquilo que a gente acredita. Conseguimos reverter essa mesma vantagem nas semifinais e vamos conseguir de novo”, disse o atacante Caio.

O goleiro Carlos Germano, para quem o Santos jogou melhor do que o São Paulo anteontem, apesar da derrota de 1 a 0, tem a mesma opinião: “Tomamos um gol de bobeira, mas criamos muitas chances de empatar. Não tem nada definido ainda”.