Fluminense 0 x 1 Santos

Data: 13/06/2018, domingo, 19h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 12ª rodada
Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, RJ.
Público: 7.438 presentes (6.745 pagantes)
Renda: R$ 173.580,00
Árbitro: Rafael Traci (PR)
Auxiliares: Ivan Carlos Bohn e Rafael Trombeta (PR)
Cartões amarelos: Matheus Norton e Douglas (F); Alison, Diego Pituca, Renato (S).
Gol: Bruno Henrique (40-2).

FLUMINENSE
Julio Cesar; Ibañez (Sornoza), Nathan e Luan Peres; Matheus Norton, Gilberto, Richard, Jadson (Dodi), Marlon e Douglas; Pablo Dyego (Dudu) e Pedro
Técnico: Abel Braga

SANTOS
Vanderlei; Victor Ferraz, Gustavo Henrique, David Braz e Dodô; Diego Pituca, Alison (Copete), Léo Cittadini e Jean Mota (Renato); Bruno Henrique e Gabigol (Vitor Bueno)
Técnico: Jair Ventura



Sem Rodrygo, B. Henrique salva o Santos em retorno ao time titular

Enquanto dirigentes se reuniam para tratar sobre a venda de Rodrygo, o Santos tentava, em campo, vencer o Fluminense no Maracanã para ao menos amenizar a crise instaurada no clube. O problema é que sem a jovem promessa, o que já estava difícil ficou ainda mais complicado. O pragmatismo e a falta de criatividade voltaram a assolar o Santos no último compromisso antes da pausa para a Copa do Mundo.

Mas se por um lado o Peixe está prestes a perder umas de suas promessas e o desempenho do time está longe de honrar seu dito DNA, a partida dessa quarta-feira serviu para resgatar uma das grandes apostas do elenco santista: Bruno Henrique. Enfim, o atacante voltou a iniciar um jogo como titular depois de sofrer com duas lesões sérias, e foi justamente dele o gol da vitória por 1 a 0, marcado já aos 40 minutos do segundo tempo. Jair Ventura, que nem assim deixa de correr risco de demissão, extravasou à beira do campo, Bruno Henrique chorou, e a noite, que parecia desastrosa, terminou com sentimento de alívio.

A situação ficou feia mesmo foi para Abel Braga, outro que está na berlinda e teve de ouvir vaias e xingamentos após o apito final. Apesar do tricolor não ter podido contar com uma Gilberto, Ayrton Lucas, Léo, Gum, Renato Chaves, Marcos Junior e Matheus Alessandro, a tolerância com a má fase parece ter se esgotado diante da quarta derrota seguida, o quinto jogo consecutivo sem sair de campo com uma vitória.

A situação na tabela do Campeonato Brasileiro ainda é um pouco pior para os paulistas depois de 12 rodadas – o Santos tem um jogo a menos, a fazer com o Vasco –. O resultado levou o Santos aos 13 pontos, na provisória 15ª colocação, e ao menos livrou o clube do risco de passar todo o período de Copa do Mundo na zona de rebaixamento. Em 11º, também enquanto a rodada não termina, com 14 pontos, o Flu não vive situação mais cômoda, na prática.

No dia 19 de julho, os dois times voltam a campo para retomar a competição por pontos corridos. O Peixe, logo de cara, terá o clássico com o Palmeiras, no Pacaembu. Em São Januário, o Fluminense também fará clássico regional com o Vasco.

Bastidores – Santos TV:

Jair exalta Bruno Henrique, diz viver “loucura” e comemora pausa

A vitória do Santos em cima do Fluminense nessa quarta-feira esteve longe de mostrar uma nova cara do Peixe, ou de agradar com um desempenho vistoso. Mesmo assim, os três pontos, quer queira quer não, aliviam um pouco da pressão em cima da equipe e, principalmente sobre o técnico Jair Ventura, que no Maracanã voltou a falar sobre a situação de pressão que tem vivido no comando do Alvinegro Praiano.

“É a situação de todos os treinadores do Brasil. Eu me preparei bastante para isso. Tento fazer o mesmo e ser a mesma pessoa sempre. A minha permanência não depende de mim. Não vou pedir demissão. Sigo fazendo o meu melhor. Quando a bola entra, as coisas aliviam um pouco para a vida do treinador”, comentou o carioca, dono do retrospecto de 14 vitórias, 14 derrotas e sete empates.

“Um marco nosso foi a goleada contra o Vitória (goleada por 5 a 2). Fizemos um grande jogo, mas não conseguimos vencer o Corinthians. Aí perdemos em casa e hoje a gente retoma. Torcedor é paixão. Quando não vence, querem te matar, mas quando vence e joga bem, vem para o seu lado. Vida de treinador é essa loucura, sempre pressionado”, completou.

Nessa quarta, o herói do jogo para os santistas foi Bruno Henrique, atacante que não iniciava uma partida como titular ou ficava em campo por 90 minutos desde dezembro do ano passado por causa de duas lesões, uma no olho e outra na coxa esquerda.

“Um jogo bem equilibrado. Acho que o Santos teve as melhores chances. Aquela cabeçada do Bruno… Depois de tudo o que passamos contra o Corinthians, de jogar melhor e criar as melhores chances na casa do adversário, e a bola não entra, volta aquele filme. Falei para ele que a gente não poderia se abater. E acabou fazendo um lindo gol. É o primeiro jogo do ano dele (como titular). É um cara que eu falo desde que cheguei aqui, de quanto o Santos cresceria com ele. Ainda não está na melhor forma, mas foi importantíssimo”, comemorou.

Os elogios se estenderam ao grupo, já que mesmo sem tempo para treinar, Jair Ventura posicionou seu time em um novo sistema tático, no 4-2-2, diferente do que seus jogadores estão acostumados, muito em função dos desfalques de Rodrygo, Yuri Alberto, Sasha e Arthur gomes.

“Foi (mudança) tática. Perdemos quatro atacantes para esse jogo. Tive de fazer uma mudança tática. Tivemos de mudar por ordem de tudo que aconteceu. Mostra a força do grupo. Mesmo com tantas perdas, tivemos as melhores chances. Importante conseguir jogar no campo do adversário. Vitória estava batendo na trave algumas vezes e agora primeira vitória jogando fora”.

Agora, o Santos terá toda a intertemporada pela frente. Com a realização da Copa do Mundo, o elenco alvinegro ganhará dez dias de folga antes de voltar aos trabalhos, de olho no segundo semestre, que começará, na prática, dia 19 de julho, contra o Palmeiras, no Pacaembu, pela 13ª rodada do Campeonato Brasileiro. Para Jair, a pausa vem em boa hora.

“Positivo (parada), porque tivemos 12 jogos sem pausa. Praticamente não treina. Fiz mudança hoje sem treinar, essa é a verdade… Nossos melhores resultados foram com a semana cheia. Mas sabemos que não é só o Santos. Só vejo como benéfico (o tempo sem jogos). Muitos desfalques por conta dessa loucura do calendário e pela intensidade que se tornaram os jogos. A importância dessa paralisação é voltar com mais energia. Agora, vem os grandes jogos, os grandes momentos… Eliminatórias da Libertadores, e esperamos conseguir os objetivos”, concluiu.

Bruno Henrique se emociona com gol e comenta drama pessoal

Assim que soou o apito final no Maracanã, Bruno Henrique se entregou à emoção. E não é para menos. O herói do Santos nessa quarta-feira viveu uma noite especial na partida contra o Fluminense, a última antes da pausa para a Copa do Mundo, e ficou até meio perdido, sem saber ao certo o que fazer no gramado carioca com uma clara alegria que transbordava do seu interior.

“Todos sabem o que aconteceu, minha lesão, que me deixou afastado bastante tempo. Sempre fiquei falando: ‘Será que vou conseguir jogar?’ E os médicos que me trataram me incentivaram muito”, comentou, ao Sportv, para em seguida citar o momento de irritação pessoal pelo gol perdido minutos antes de balançar as redes.

“Hoje fui glorificado. O Gabriel falou ‘vai aparecer mais’ depois que perdi o gol. Na outra, tive calma e consegui mandar entre as pernas do goleiro. Dedico o gol à minha mulher, Gisele, e ao meu filho que vai nascer, Lorenzo”, concluiu.

Desde sua estreia na temporada, dia 17 de janeiro, Bruno Henrique não iniciava um jogo como titular do Peixe. Naquele fatídico dia, em Lins, com apenas oito minutos de bola rolando, o atleta de 27 anos sofreu cinco lesões na retina de seu olho esquerdo por causa de uma bolada.

Cirurgia, tratamento no exterior, receio de ser obrigado a deixar o futebol e, enfim, pouco mais de três meses depois, Bruno Henrique voltou a vestir a camisa alvinegra. Entrou no segundo tempo contra o Bahia, na Fonte Nova. Substituiu Rodrygo, ficou cerca de 20 minutos em campo e acabou sofrendo uma lesão no músculo posterior da coxa esquerda.

Lá se foram mais 36 dias afastado, no departamento médico. Aos poucos, Jair Ventura foi colocando Bruno Henrique no ritmo de seus companheiros. Até que nessa quarta, o treinador não só bancou a titularidade do camisa 27, como o deixou na partida até o fim, o que não acontecia desde 3 de dezembro do ano passado, pela última rodada do Campeonato Brasileiro.

A recompensa de Jair, a alegria de Bruno Henrique e o alívio para os torcedores santistas foram concretizados com o gol salvador marcado aos 40 minutos da etapa final. O tento livra o Peixe do risco de passar o período de Copa do Mundo da zona de rebaixamento e enche de esperança um dos principais jogadores do elenco alvinegro para o restante da temporada.

Diego Pituca e Alison vão desfalcar o Santos contra o Palmeiras

O Santos terá 35 dias para se preparar para a sequência da temporada por causa da pausa para a disputa da Copa do Mundo da Rússia. Mas, é bom o time ficar esperto, pois o primeiro desafio na retomada do Campeonato Brasileiro será logo contra o Palmeiras, no Pacaembu, dia 19 de julho.

Jair Ventura, se estiver no cargo até lá, já sabe que terá problemas para escalar sua equipe, pois nessa quarta-feira, durante a vitória em cima do Fluminense, Diego Pituca e Alison receberam cartões amarelos. Como estavam pendurados, ambos são desfalques certos no clássico.

Ex-jogador do Botafogo-SP, Pituca foi integrado ao time principal do Peixe depois de chamar atenção no Santos B. Desde a goleada em cima do Vitória, o volante vinha sendo titular absoluto.

Já Alison voltou ao time nessa quarta-feira ao se recuperar de um entorse no joelho direito, sofrido no clássico com o São Paulo, dia 20 de maio. Dessa forma, a dupla só fica à disposição para o confronto com a Chapecoense, fora de casa, dia 22 de julho.