Palmeiras 1 x 1 Santos

Data: 26/09/1999, domingo, 17h00.
Competição: Campeonato Brasileiro – 1ª fase – 12ª rodada
Local: Estádio do Parque Antactica, em São Paulo, SP.
Público e renda: não divulgado
Árbitro: Romildo Corrêa (SP).
Cartões amarelos: Alex, Rogério e Roque Júnior (P); Cláudio, Claudiomiro, Dodô, Michel, Gustavo Nery e Zetti (S).
Cartão vermelho: Andrei (S, 44-2).
Gols: Dodô (09-2), de pênalti) e Evair (22-2).

PALMEIRAS
Marcos; Zé Maria, Roque Júnior, Galeano e Júnior; Rogério, César Sampaio (Evair), Zinho e Alex; Paulo Nunes e Oséas (Euller).
Técnico: Luiz Felipe Scolari

SANTOS
Zetti; Michel, Andrei, Cláudio e Gustavo Nery; Claudiomiro, Élson, Marcos Bazílio e Adiel; Dodô (Marcelo Silva) e Paulo Rink.
Técnico: Paulo Autuori



Palmeiras empata no “mini-Paulista”

Equipe não consegue superar o Santos, no primeiro jogo de sua sequência de três clássicos estaduais

Palmeiras e Santos fizeram um jogo bastante truncado ontem e empataram em 1 a 1, no Parque Antarctica, pelo Brasileiro-99.

Com o resultado, o Palmeiras chega a 19 pontos e se mantém na zona de classificação, na mesma posição -sétima. Já o Santos soma agora 16 pontos e ocupa apenas a 13ª colocação.

Para o Palmeiras, a partida de ontem marcou o início do “”mini-Paulista”. O time tem pela frente mais dois clássicos estaduais: a Lusa, na quarta-feira, e o São Paulo, no domingo.

O jogo:

O Santos, que entrou em campo encarando um empate com o rival como bom resultado, começou melhor a partida.

No terceiro minuto de jogo, Dodô ficou livre na cara de Marcos. O atacante, desequilibrado, acabou dividindo com o goleiro palmeirense. A bola foi rebatida, mas a zaga aliviou.

O ex-atacante são-paulino, que fez oito gols no Palmeiras pelo seu ex-clube, voltou a ameaçar o gol de Marcos aos 10min em uma cobrança de falta. A bola desviou na barreira e sobrou para Cláudio, que acertou chute perigoso.

Dois minutos mais tarde, em um contra-ataque rápido, Paulo Rink arrancou pela esquerda, driblou Galeano e chutou cruzado, com força. Marcos conseguiu espalmar com dificuldade.

A partir daí o Palmeiras dominou a partida. O meia Alex, até então bem marcado, começou a chutar de longe. Aos 20min, finalizou de primeira, após rebote.

Sete minutos mais tarde, ele bateu cruzado, da entrada da área, e a bola raspou a trave esquerda.

O Santos, acuado e jogando em contra-ataques, tentava em lances de bola parada. Andrei acertou forte chute aos 30min, que passou por cima do travessão – a bola acabou atingindo um policial que estava de costas para o campo.

Paulo Rink teve boa chance minutos depois, quando Dodô lhe ajeitou a bola na área. O atacante bateu forte, mas César Sampaio interceptou a finalização.

No segundo tempo, os times voltaram sem alterações, e o panorama do jogo não mudou.

O Palmeiras começou pressionando, e o Santos explorava contra-ataques. Em um, Paulo Rink cruzou para Dodô, que foi derrubado na área por Roque Júnior. O próprio atacante bateu e abriu o placar aos 9min.

O técnico Luiz Felipe Scolari tirou então o volante César Sampaio e colocou o atacante Evair.

O centroavante empatou o jogo aos 22min, em uma perfeita cobrança de falta. Foi o 120º gol de Evair pelo Palmeiras -é o maior artilheiro do clube na década.

O Santos quase fez seu segundo gol um minuto depois. Dodô fez grande jogada e serviu Paulo Rink, que chutou da marca do pênalti. A defesa palmeirense tirou a bola em cima da linha.

Dodô acertou ainda duas bolas no travessão. Aos 35min, tentou de cabeça. Um minuto depois, chutou bem de fora da área.

O Palmeiras desperdiçou também duas boas chances nos minutos finais da partida, após jogadas de linha de fundo. Aos 44min, o zagueiro Andrei, que já tinha cartão amarelo, reclamou com o juiz e foi expulso.

Santos vence na “violência”

Pelo menos dessa vez o técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari, tem um ótimo argumento para tentar apagar a sua imagem de treinador “”violento”.

Apesar de ter calculado -errado- que o Santos cometeu 50 faltas, contra 20 ou 22 de sua equipe, levantamento do Datafolha mostra que, de fato, o Palmeiras foi bem menos faltoso que o adversário. Enquanto seu time cometia apenas 24 faltas, o de Autuori fazia 15 infrações a mais. A média de faltas por equipe no Brasileiro-99 é de 28,3.

Mesmo cometendo um número menor de infrações, o Palmeiras foi mais eficiente na marcação do adversário. Na partida de ontem, o time de Scolari realizou 152 desarmes, contra 142 do Santos.

Além de desarmar com mais eficiência, o time de Scolari também foi melhor na hora de controlar o ritmo da partida.

O Palmeiras teve aproveitamento nos passes de 84%, contra 77% do Santos. Porém a equipe de Scolari teve mais bolas perdidas -45, contra 41 do time do treinador Paulo Autuori.

Mesmo com o domínio territorial, o Palmeiras foi menos eficiente na hora de chutar para o gol. Segundo o Datafolha, a equipe finalizou 17 vezes, contra 19 dos santistas.

“Pelo menos foi um bom jogo e o resultado foi justo. Estou contente com a minha equipe, já que procuramos o gol durante toda a partida”, afirmou Scolari depois da partida.

Arbitragem é criticada pelos técnicos

A arbitragem de Romildo Corrêa foi muito criticada por santistas e palmeirenses, ontem, no Parque Antarctica. Para os santistas, Corrêa deixou-se influenciar pelos gritos de Luiz Felipe Scolari e começou a distribuir cartões na etapa final para prejudicá-los.

“O Luiz Felipe apitou todo o primeiro tempo, e o juiz entrou na dele”, protestou Clodoaldo Tavares, dirigente do Santos.

O técnico palmeirense defendeu-se, dizendo que, se tivesse apitado o jogo, teria dado pelo menos cinco amarelos para os santistas já no primeiro tempo. “E ele só deu dois cartões amarelos”, protestou Scolari.

Na fase final, Corrêa deu mais quatro amarelos para o Santos, além de um cartão vermelho para o zagueiro Andrei.

“O Clodoaldo é meu amigo e está puxando brasa para o assado dele”, disse Scolari. “Vamos parar com essa frescura. Não é só o Luiz Felipe que manda bater”, chegou a dizer o treinador, para depois se corrigir, dizendo que é uma palhaçada quem espalha que ele prega a violência no futebol.

Scolari reclamou ainda do pênalti que o juiz marcou contra sua equipe. “Eu sabia que alguma coisa assim iria acontecer. Antes mesmo de o jogo começar eu falei para os meus jogadores que iriam marcar um pênalti contra a gente”, afirmou o treinador.

O atacante Evair, por sua vez, também lamentou que a arbitragem tenha deixado o jogo correr solto e demorado a punir algumas “jogadas desleais” dos adversários santistas.

Paulo Autuori, no entanto, nega que seu time tenha sido violento. “Uma coisa é ser viril, outra bem diferente é ser desleal. E desleal posso garantir que nós não fomos”, disse o técnico santista.

Entre seus jogadores, o mais revoltado com a arbitragem de Romildo Corrêa foi Andrei, que chegou a chamar o juiz de “safado” ao ser expulso de campo. Muito nervoso, ele se negou a dar declarações sobre possível suspensão que sofrerá pelo comentário.

Já o atacante Dodô, destaque do Santos, deixou o campo chateado ao ser substituído. Segundo Autuori, porém, ele ficou aborrecido com a arbitragem, não com a substituição na partida.