Santos 1 x 4 Corinthians

Data: 13/10/1999, quarta-feira, 21h40.
Competição: Campeonato Brasileiro – 1ª fase – 17ª rodada
Local: Estádio Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 15.599 pagantes
Renda: R$ 160.010,00
Árbitro: Sálvio Spínola Fagundes Filho (SP).
Cartões amarelos: Zetti, Narciso e Adiel (S); Nenê e Fernando Baiano (C).
Gols: Nenê (15-1), Luizão (15-2), Ricardinho (18-2), Dodô (21-2) e Kléber (33-2).

SANTOS
Zetti; Ceará, Claudio, Andrei e Claudiomiro; Élson, Narciso, Caíco (Eduardo Marques) e Lúcio (Adiel); Dodô e Paulo Rink (Rodrigão).
Técnico: Paulo Autuori

CORINTHIANS
Dida; Cesar Prates, Marcio Costa, Nenê e Kléber; Edu, Vampeta, Marcelinho Carioca e Ricardinho (Marcos Senna); Luisão (Fernando Baiano) e Edílson (Ewerton).
Técnico: Osvaldo de Oliveira



Corinthians goleia e afunda Santos

Equipe ganha de 4 a 1 e deixa o rival praticamente eliminado, além de quebrar um tabu de 13 anos

O Corinthians venceu ontem o Santos por 4 a 1 e deixou o rival virtualmente eliminado do Campeonato Brasileiro-99. Foi a primeira vitória do time da capital na Vila Belmiro desde 1986.

Agora, os santistas só podem alcançar 32 pontos na fase de classificação. Pelo aproveitamento atual do oitavo colocado do torneio, serão necessários 34 pontos para um time garantir um lugar nas finais.

O técnico do Santos, Paulo Autuori, considerava que um empate ontem já deixaria o time sem chances de classificação.

Com a vitória, o Corinthians atingiu justamente 34 pontos, o que deixa a equipe com a vaga praticamente assegurada. O time também ampliou sua vantagem na liderança da competição -tem agora seis pontos de diferença sobre o Vasco, o vice-líder.

Com o resultado, o Corinthians vai terminar a primeira fase como o “grande” paulista com o melhor desempenho em clássicos. O time conquistou nove pontos nos quatro jogos que fez contra seus rivais estaduais -perdeu do Palmeiras e venceu São Paulo, Santos e Lusa.

O jogo:

A partida começou com muitas faltas, principalmente do Santos, que mostrava sentir a pressão por precisar dos três pontos para continuar com chances de classificação à próxima fase.

Aos 16min, na sétima infração cometida pelos santistas, Marcelinho cruzou pela direita para Nenê, que ganhou da zaga e marcou de cabeça o primeiro gol do jogo e seu terceiro no Brasileiro.

O goleiro Zetti reclamou de uma suposta falta de Nenê no lance e acabou recebendo cartão amarelo da arbitragem.

Depois do gol corintiano, o Santos deixou a violência e começou a pressionar o adversário.

Aos 25min, Dodô recebeu passe da direita e, depois de se livrar de um zagueiro, chutou a bola na trave direita de Dida.

O atacante santista foi também o protagonista de outro lance de perigo aos 40min, quando, pelo lado direito de seu ataque, chutou a bola novamente na trave do goleiro corintiano.

No segundo tempo, o técnico do Santos, Paulo Autuori, fez duas substituições que deixaram o time mais ofensivo -Rodrigão e Adiel entraram nos lugares de Lúcio e Paulo Rink.

Aos 9min, o meia Caíco chutou da entrada da área para difícil defesa de Dida.

Logo, porém, o Corinthians encontrou espaços para os contra-ataques, principalmente pelo lado esquerdo da defesa santista, em que o volante Claudiomiro atuava improvisado.

Aos 15min, Edílson se livrou de Andrei e cruzou para Luizão marcar seu 11º gol no Campeonato Brasileiro-99. O atacante, vaiado na vitória sobre o Paraná no sábado passado, não havia marcado nos últimos quatro jogos do Corinthians no Nacional.

Três minutos depois, Edílson fez outra jogada individual antes de tocar para Ricardinho marcar o terceiro gol corintiano.

O Santos conseguiu descontar aos 21min, após uma cobrança de escanteio. Dodô aproveitou a falha de Dida para marcar seu sétimo gol no Campeonato Brasileiro-99, o equivalente a 44% dos 16 gols do time na competição.

O gol santista não assustou o Corinthians, que continuou criando as melhores chances.

Aos 33min, o lateral Kléber tabelou com Ricardinho antes de chutar forte no ângulo de Zetti e marcar o quarto gol corintiano.

Nos minutos finais, o time da capital continuou pressionando e perdendo oportunidades, principalmente com Edílson.

Durante a pressão corintiana no segundo tempo, a torcida do Santos protestou, até mesmo disparando rojões no campo.



Santistas são maior trunfo corintiano (Em 13/10/1999)

Para manter liderança e quebrar tabu de 13 anos, Corinthians quer explorar pressão da torcida rival

Usar a pressão da torcida santista na Vila Belmiro contra o próprio Santos será a principal estratégia do líder Corinthians no confronto de hoje à noite, para garantir matematicamente sua classificação no Brasileiro-99 e quebrar um tabu de 13 anos sem vencer o rival em seu estádio.

O artifício foi idealizado por Oswaldo de Oliveira -o técnico trabalhou durante um ano no Santos, em 1997- depois que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) se recusou a transferir a partida para São Paulo.

Em reunião que atrasou em uma hora o início do treino de ontem, Oliveira entusiasmou os jogadores com o estratagema.

“Se aguentarmos a pressão dos santistas por 15 minutos, a torcida vai passar a jogar contra o Santos, principalmente porque o momento não é bom lá”, afirmou o zagueiro Nenê.

Enquanto o Corinthians lidera a competição, com 31 pontos, o Santos está em 14º lugar, com 20.

“A necessidade de ganhar é deles. E a torcida vai cobrar. Se fizermos um gol logo no início, matamos o jogo”, disse Oliveira.

Para convencer os atletas de que isso é possível, ele lembrou que o zagueiro Gamarra marcou um gol de cabeça aos 50s do primeiro tempo nas semifinais do Brasileiro do ano passado.

Alegando o mesmo risco de segurança que levou a CBF a mudar o jogo entre Corinthians e Palmeiras do Pacaembu para o Morumbi, em 12 de setembro, o treinador insistiu até ontem pela mudança do local da partida.

O temor, na realidade, era com a torcida, que no Brasileiro-98 atirou moedas no então técnico corintiano Wanderley Luxemburgo, chamando-o de mercenário por acumular o cargo na seleção.

“Os torcedores ficam muito próximos do campo na Vila. É muito difícil trabalhar lá. Não dá para orientar o time sem entrar em campo. Para falar com um jogador, é preciso mandar recado pelo massagista quando alguém cai”, argumentou Oliveira.

Ele instruiu seus jogadores a explorar, também, o tabu de 13 anos sem vitória do Corinthians na Vila Belmiro. A última derrota do Santos em seu estádio foi no Paulista-86 -2 a 0, gols de Luís Fernando e Lima.

“É um ingrediente que dá um molho especial. É mais um motivo de pressão contra os santistas, que terão a obrigação de defender a invencibilidade em casa”, disse o treinador corintiano.

“Para nós, o tabu não tem tanto peso. Vamos utilizá-lo como um incentivo a mais em busca do resultado para sairmos com a vitória”, disse o meia Edu, que volta ao time, no lugar de Rincón, após cumprir suspensão.

Rincón vai defender a seleção da Colômbia em amistoso contra a Argentina. Mesmo que estivesse liberado, teria de cumprir um jogo de suspensão, o terceiro imposto pela CBF, por uma cotovelada num rival.

O retorno do goleiro Dida e do volante Vampeta, que estavam na Holanda com a seleção, vai ajudar a dar a força que o time precisa para chegar à vitória, depois do sufoco passado para manter o resultado de 1 a 0 sobre o Paraná, no sábado, na visão do meia-atacante Marcelinho.

“Um jogador de seleção sempre tem um peso maior”, concordou o técnico Oliveira.

“Como vencer os santistas na Vila é uma tarefa dificílima, nossa chance está na exploração da parte psicológica deles”, disse Marcelinho, que pretende buscar inspiração no gol mais bonito que fez em sua carreira, em 1996, na Vila Belmiro.

Ele deu um chapéu no zagueiro adversário e completou para o gol antes que a bola tocasse o chão. “Fiquei sem palavra, ainda mais depois de ser elogiado pelo Pelé, que me homenageou com uma placa”, afirmou.

Santos aposta nos veteranos

O técnico Paulo Autuori resolveu apelar aos jogadores mais experientes na tentativa de manter o Santos vivo no Campeonato Brasileiro. Com 20 pontos, podendo chegar no máximo aos 35, o treinador acha que um tropeço hoje agravará a crise do time.

Além da pressão natural provocada pela má colocação na tabela, ele teme a sobrecarga psicológica pela defesa da invencibilidade contra o Corinthians em casa.

“Esse tabu leva à pressão, mas pode ter seu lado positivo. É a oportunidade de os jogadores se encherem de brios e dar a volta por cima”, declarou Autuori.

O atacante Dodô, que enfrentará o Corinthians pela primeira vez defendendo o Santos, pediu aos companheiros para “pensar grande”. “Todos têm de se conscientizar de que o Santos é um time grande, de chegada, não pode ficar perdendo pontos para times de nível técnico inferior, muito menos em casa.”

Autuori vai escalar Andrei na zaga, Narciso no meio-campo e improvisará Claudiomiro na lateral-esquerda.