Santos 2 x 1 Palmeiras

Data: 05/06/1999, sábado, 18h30.
Competição: Campeonato Paulista – Semifinal – Jogo de ida
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 17.320
Renda: R$ 133.119,00
Árbitro: Flávio de Carvalho
Cartões vermelhos: Claudiomiro(S) e Luiz Felipe Scolari (P).
Gols: Argel (17-1); Viola (11-2) e Júnior Baiano (17-2).

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel, Jean e Gustavo Nery; Claudiomiro, Narciso, Jorginho e Paulo Rink (Marcos Bazílio); Alessandro (Valdir) e Viola (Rodrigão).
Técnico: Emerson Leão

PALMEIRAS
Sérgio; Taddei (Edmílson), Júnior Baiano, Roque Júnior e Júnior; Galeano, Rogério, Thiago (Pedrinho) e Jackson (Alex); Euller e Oséas.
Técnico: Luiz Felipe Scolari



Santos bate Palmeiras e larga na frente nas semifinais do Paulista

Num jogo de muita correria, jogadas aéreas e faltas violentas, o Santos derrotou o Palmeiras por 2 a 1, ontem à noite no estádio do Morumbi, na abertura da semifinal do Campeonato Paulista.

Se não perder o segundo jogo, na terça-feira, o Santos disputará, pela primeira vez em 15 anos, uma final do Paulista. Para disputar a decisão, o Palmeiras precisa vencer por qualquer resultado.

Contra um Palmeiras sem sete titulares -Marcos, Arce, César Sampaio, Alex, Zinho e Paulo Nunes, poupados, além de Cléber, que está contundido- o Santos, desfalcado de Andrei, suspenso, e Marcos Assunção, machucado, dominou o primeiro tempo, mas foi acuado no segundo.

O jogo começou com muita velocidade. O Santos atacava mais, e o Palmeiras tentava aproveitar o espaço criado na defesa adversária.

Como o confronto era entre duas equipes que marcam forte, as faltas, que começaram com uma pancada do volante palmeirense Galeano no meia Jorginho aos 2min, se sucediam com frequência, muitas vezes com rispidez, sem que o juiz Flávio de Carvalho ao menos advertisse os jogadores.

Taticamente, os dois times exibiam deficiências. No Santos, os laterais Ânderson e Gustavo não voltavam para marcar com a rapidez exigida pelo técnico Leão.

No Palmeiras, o meio-campo com Rodrigo Taddei, Galeano, Tiago e Jackson não conseguia criar quase nenhuma jogada, deixando os atacantes Euller e Oséas isolados na frente.

Aos 18min, depois de perder duas chances, com finalizações de Viola e Paulo Rink, o Santos abriu o placar na jogada mais característica do Palmeiras -jogada aérea.

O lateral-direito Ânderson (não Arce) cobrou falta da lateral direita, e o zagueiro Argel (em vez de Júnior Baiano ou Roque Júnior) cabeceou. A bola bateu na trave e voltou para ele, que marcou.

Depois do gol, o Palmeiras foi para o ataque e descobriu que sobravam buracos na defesa santista. Aos 20min, Oséas ajeitou de peito para Rogério, que chutou fora.

Aos 28min, foi Jackson que criou nova chance, desta vez explorando erro de marcação de Ânderson, e cruzou rasteiro. Mas Euller chegou atrasado, repetindo a maior falha do time no ataque: a finalização.

Do lado do Santos, o atacante Paulo Rink mostrava que havia valido a pena o Santos fazer a manobra contratual para conseguir inscrever o jogador no Paulista.

Quando o Santos tinha a bola, só ele recuava para armar o jogo -orientação que Leão havia feito também a Viola e Alessandro.

Aos 36min, o Santos venceu novamente a batalha aérea na área palmeirense. Num cruzamento de Ânderson, Narciso mergulhou por trás da defesa, mas testou sem força, e Sérgio pegou sem dificuldade.

Aos 45min, o Palmeiras perdeu seu técnico. Luiz Felipe Scolari reclamou do juiz e foi expulso.

Na saída para o vestiário, o técnico Emerson Leão afirmou que o time havia marcado o Palmeiras com “sabedoria”.

No segundo tempo, o Palmeiras voltou com mais disposição. Logo aos 2min, criou uma chance num chute de Rodrigo Taddei.

Aos 7min, o Palmeiras não empatou por um triz. Numa cobrança de escanteio, Zetti saiu mal. A bola caiu com Oséas, que, desequilibrado, não consegui acertar o gol.

Aos 9min, Júnior entrou livre na área -Ânderson estava longe- e chutou cruzado, mas fraco.

Mas, em seguida, o Santos ampliou -desta vez em jogada rasteira. Numa jogada pelo meio do ataque, Jorginho tocou para Paulo Rink, que com um passe curto deixou Viola na frente de Sérgio. O chute, de bico, pôs a bola no canto.

O Palmeiras continuou no ataque e, aos 18min, o zagueiro Júnior Baiano descontou na primeira vez que os palmeirenses venceram a batalha aérea na área santista. O meia defensivo Rogério cruzou da direita, e o zagueiro venceu Jean pelo alto.

Aos 30min, Leão tomou uma vaia ao trocar Paulo Rink pelo volante Marcos Bazílio, na tentativa de reequilibrar a disputa no meio.

A substituição não conteve o ímpeto palmeirense, mas os poucos momentos de ataque do Santos.

Aos 39min, Claudiomiro acertou Alex e levou o segundo cartão amarelo -e o vermelho.

Leão pôs mais um zagueiro (Valdir) e tirou o atacante Alessandro, mas o Santos, perdido, se transformou num bando.

Aos 45min, no ápice da pressão do Palmeiras, Viola deitou-se no chão reclamando de dores e forçando a entrada da maca -entrou Rodrigão.



Jogo aéreo abre semifinais do Paulista (Em 05/06/1999)

Palmeiras poupa 7 titulares, e Santos decide adotar a principal “arma’ rival no clássico de hoje, no Morumbi

Palmeiras e Santos devem fazer uma “batalha aérea” na abertura da fase semifinal do Paulista-99, hoje, às 18h30, no Morumbi.

A jogada aérea tem sido a “arma mortal” do Palmeiras nas três competições que disputa. Foram 30 gols de cabeça, sendo 8 no Paulista, 12 na Copa do Brasil e 10 na Taça Libertadores -quase 39,5% dessa forma. No total, o time marcou 76 vezes nessas competições.

Já o Santos marcou 8 de seus 32 gols (25%) no Estadual de cabeça.

O jogo, que só terá transmissão pelo sistema pay-per-view, está recebendo muito mais atenção dos santistas do que dos palmeirenses, que disputam também os títulos sul-americano e nacional.

Por causa desses jogos, o técnico do Palmeiras, Luiz Felipe Scolari afirmou que vai poupar sete titulares, entre eles o atacante Paulo Nunes, os meias Alex e Zinho, o lateral Arce e o volante César Sampaio.

Sabendo que o ponto forte rival são os ataques pelo alto, o técnico do Santos, Emerson Leão, insistiu nos treinos de cruzamento durante toda a semana.

E, como também tem vários bons cabeceadores, como os atacantes Paulo Rink e Viola, os zagueiros Jean (substituto de Andrei, que está suspenso) e Argel e até o volante Narciso, Leão decidiu que irá atacar da mesma forma.

“Nós estamos bem afiados”, afirmou o goleiro Zetti, após o treino de ontem de manhã, que encerrou a preparação do time num hotel-fazenda em Jarinu (70 km ao norte de São Paulo). “Espero que no jogo as coisas aconteçam da maneira que ensaiamos.”

Se por um lado o Palmeiras aproveita bem as chances de ataque pelo alto, o Santos tem na sua defesa dois dos principais “desarmadores” de cabeça do torneio.

Argel desvia, em média, 8,8 bolas de cabeça por partida, enquanto o volante Claudiomiro tira 7,2. Em todo o campeonato, o Santos tomou apenas três gols dessa forma. No total, o time dirigido por Emerson Leão sofreu 22 gols.

Os três melhores defensores do Palmeiras no desvio de bolas aéreas, César Sampaio, Cléber e Júnior Baiano, não jogam o clássico de hoje. O melhor deles, o volante César Sampaio, tira em média cinco bolas aéreas por jogo.

O Santos também leva vantagem porque os principais articuladores das jogadas pelo alto, Arce e Júnior, não desempenharão essa função. O lateral paraguaio será poupado, e Júnior deve ser deslocado para o meio-de-campo. Rubens Júnior será o apoiador pelo lado esquerdo do Palmeiras.
A “muralha” palmeirense, que foi quebrada na primeira final da Libertadores, diante do Deportivo Cali, tomou também apenas três gols de cabeça no Estadual.
No jogo de quarta-feira, pelo torneio continental, o atacante colombiano Bonilla garantiu a vitória com um gol dessa maneira.

A “arma mortal” também pouco funcionou naquela partida. O time alçou apenas 22 bolas na área do Deportivo. A média no Campeonato Paulista é de 42,25 por jogo.

Fila

Os dois times atravessam situações opostas em suas existências. O Palmeiras, desde que se associou à Parmalat, em 1992, vive seu período mais vitorioso. Conquistou o Brasileiro duas vezes, a Copa do Brasil, a Copa Mercosul. Neste ano, chegou à final da Libertadores e à semifinal da Copa do Brasil e do Paulista, com chances de conquistar a primeira “tríplice coroa”.

O Santos, em contrapartida, não vence um título paulista -ou brasileiro- há 14 anos. Nesse período, suas únicas conquistas foram o Rio-São Paulo de 1997 e a Conmebol do ano passado.

“O que faz um time grande são os títulos. Se uma equipe grande fica tanto tempo sem um título, é porque algo está muito errado. Se um time grande fica muito tempo sem título, deixa de ser grande”, disse o técnico santista.