Santos 1 x 1 Mogi Mirim

Data: 16/05/1999, domingo, 11h00.
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio da Vila Belmiro, em Santos, SP.
Público: 5.115
Renda: R$ 26.209,00
Árbitro: Vladimir Vassoler (SP).
Cartão vermelho: Argel (S).
Gols: Alex (22-1, de pênalti) e Gustavo Nery (37-1).

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima, Argel, Jean e Gustavo Nery; Marcos Bazílio (Sugawara), Narciso, Jorginho (Lúcio) e Rodrigo Fabri (Caíco); Alessandro e Viola.
Técnico: Emerson Leão

MOGI MIRIM
Anselmo; Paulão, Marcelo Batatais, Fábio Paulista e Ronaldo; Alexandre, Márcio, Misso e Luis Mário (Samuel); Jackson (Eduardo) e Alex (Mauro César).
Técnico: José Carlos Serrão



Santos erra muito e só empata de novo

Jogando em casa, o Santos só empatou em 1 a 1 com o Mogi Mirim na manhã de ontem.

Pela terceira vez no Campeonato Paulista-99, o time não consegue vencer equipes do interior jogando na Vila Belmiro. No domingo anterior, havia empatado com o União Barbarense (2 a 2) e em 13 de março com a Matonense (1 a 1).

A equipe lidera o Grupo 4, com 28 pontos, seis pontos na frente do Corinthians. No próximo fim-de-semana, os dois times se enfrentam em São Paulo.
Na primeira etapa, o Mogi começou melhor. Utilizando o esquema 3-5-2, o técnico José Carlos Serrão congestionou o meio-campo e não deixou espaços para as articulações ofensivas do Santos.

Aos 19min, em um contra-ataque rápido, o atacante Alex arrancou da intermediária, passou por Jorginho, por Ânderson e foi derrubado pelo lateral santista por trás dentro da área.

O time do Santos contestou a marcação do juiz Vladimir Vassoler e partiu para cima do árbitro. A confusão durou três minutos, até a cobrança do próprio Alex, que aos 22min fez 1 a 0 para o Mogi.

Aos 37min, o Santos empatou em um lance casual. Viola ajeitou a bola para Argel, que vinha de trás. O zagueiro bateu para o gol, mas o chute sem direção acabou se transformando num lançamento para o lateral Gustavo, que, livre de marcação, tocou para o gol.

Na segunda etapa, com as entradas do japonês Sugawara e de Caíco, o Santos pressionou mais, mas desperdiçou uma grande quantidade de chances de gol. Os atacantes do time acertaram três vezes a trave do rival.

Japonês entra e vira destaque

O volante japonês Tomo Sugawara, 22, estreou ontem no Santos e acabou se transformando no destaque do time.

Ele entrou no intervalo com a responsabilidade de marcar o meia Luiz Mário e depois o atacante Jackson. Anulados pelo volante japonês, os dois foram trocados.

A disposição e o estilo voluntarioso fizeram o jogador cair nas graças da torcida, que gritava a cada lance disputado pelo volante.

Para o técnico Emerson Leão, que o revelou quando dirigia o Verdy Kawasaki, do Japão, Sugawara “deu um banho de bola”.

“Não é porque é japonês que não sabe jogar futebol. Ele resolveu o nosso problema -marcou, bateu de fora da área e ganhou todas as bolas. Teve um aproveitamento de 100%”, afirmou Leão.

No ano passado, o Santos teve outro japonês, o meia Maezono, que se transferiu para o Goiás.

Além de ter sido o melhor jogador santista, Sugawara assumiu a condição de capitão do time quando Jorginho foi substituído. Ao sair, Jorginho atirou a braçadeira de capitão na direção do japonês, para que ele a entregasse a Narciso.

“Era para o Narciso, mas ele estava longe, e eu tinha de me concentrar no jogo. Aí, coloquei no braço”, afirmou Sugawara, que já fala português, com dificuldades.

Enquanto o volante era festejado, o atacante Alessandro, principal jogador do time no início do ano, foi vaiado pela torcida e criticado pelo técnico Leão e por Viola, seu companheiro de ataque.



Leão coloca titulares do Santos sob pressão na Vila

Os três confrontos que restam ao Santos na segunda fase do Campeonato Paulista -a partir do jogo de hoje pela manhã, às 11h, contra o Mogi Mirim, na Vila Belmiro- serão usados pelo técnico Emerson Leão para colocar sob tensão os jogadores titulares.

O treinador está acenando com a possibilidade de modificar a equipe na fase semifinal, colocando no time alguns reservas que vêm se destacando nos treinamentos.

“Estamos buscando alternativas porque estou vendo que vamos precisar”, declarou o técnico.

A primeira “vítima” pode ser o meia-atacante Rodrigo, cuja presença hoje entre os titulares está ameaçada. O atacante Alessandro é outro que vem sendo objeto das críticas do técnico pelo excesso de gols perdidos em treinos e jogos.

Ao mesmo tempo em que pressiona os titulares com a ameaça de sacá-los da equipe, Leão derrama elogios sobre alguns reservas.

A dupla Lúcio e Aristizábal é um exemplo. Depois de ficarem mais de seis meses em tratamento devido a lesões sofridas em 98, os dois jogadores se recuperaram e vêm ganhando destaque nos treinos.

“Eles já estão começando a se sentir adultos para voltar à equipe. Só aguardam a oportunidade”, disse Leão.

O meia Caíco, depois de ter caído em desgraça com o treinador em 98, a ponto de ter sido emprestado para o Atlético-PR, voltou a ser lembrado e é candidato à vaga de Rodrigo no jogo de hoje.

Até mesmo o volante japonês Sugawara, que chegou no início do ano, mas ainda não estreou, poderá ter sua chance. Leão diz gostar do empenho e da obediência tática do jogador, com quem já trabalhou no Verdy Kawasaki, do Japão.

Coincidência ou não, os elogios a Sugawara ganham força no mesmo momento em que o próprio treinador constata uma queda de rendimento do volante Marcos Bazílio, que ocupa o lugar do titular Marcos Assunção, machucado.

Sem Assunção, que praticamente não tem mais chances de voltar a jogar no Paulista-99 devido a uma fratura no pé esquerdo, o japonês passa a ser observado pelo técnico como um possível substituto.

Na zaga, com o titular Claudiomiro também machucado -o jogador sofreu sua segunda lesão muscular neste ano-, Leão estimula a competição entre os reservas Jean e Andrei.

Hoje, contra o Mogi, a equipe terá a oportunidade de se reabilitar diante da torcida do fraco desempenho do último jogo, em que só conseguiu empatar na Vila (2 a 2) com o União Barbarense -e devido a um gol de Alessandro aos 44min do segundo tempo.

“Precisamos de qualidade na vitória. Para isso, será necessário coordenação perfeita e não loucura e correria. Quero uma boa vitória, com uma boa apresentação. Só isso me basta”, afirmou Leão.

No Mogi Mirim, o técnico José Carlos Serrão tem dúvidas no meio-de-campo e no ataque.

No meio, Eduardo e Alexandre disputam uma vaga. Ariel e Jackson são as duas opções do técnico para acompanhar Alex no ataque.

Viola busca seu 50º gol com a camisa santista

Artilheiro do Santos no Campeonato Paulista, com seis gols, o atacante Viola terá a chance de marcar pela 50ª vez com a camisa do clube, hoje, contra o Mogi Mirim.

Os 49 gols que marcou nas 63 partidas que disputou pelo Santos dão a Viola uma média elevada, de 0,77 gol por partida. Ela é inferior, porém, às dos principais artilheiros da história do clube -Feitiço (1,41, com 213 gols em 151 jogos); Ary Patusca (1,21, com 103 gols em 85 jogos); e Pelé (0,97, com 1.091 gols em 1.115 jogos).

“Se as bolas chegarem boas, terei chances de marcar. Fazer o gol de número 50 dentro da Vila Belmiro será muito bom, uma marca muito importante”, declarou o jogador, que, depois de ter voltado ao time após 29 dias contundido, marcou nas quatro partidas que disputou.

Além de tentar impedir o êxito de Viola, o Mogi terá outra tarefa difícil, pelo menos de acordo com o retrospecto -derrotar o Santos.

Nas dez partidas entre as duas equipes na Vila, houve dois empates e o Santos venceu as outras oito. No cômputo geral, o Santos só perdeu quatro vezes do Mogi -nos demais 20 jogos, venceu 11 e empatou 9.