Palmeiras 1 x 1 Santos

Data: 07/03/1999, domingo, 16h00.
Competição: Campeonato Paulista
Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo, SP.
Público: 7.015 pagantes
Renda: R$ 103.800,00
Árbitro: Alfredo dos Santos Loebeling
Cartões vermelhos: Roque Júnior (P); Viola e Argel (S).
Gols: Alessandro (39-1) e Júnior Baiano (25-2).

PALMEIRAS
Velloso; Arce (Juliano), Júnior Baiano, Roque Júnior e Rubens Júnior (Júnior); Galeano, Rogério, Thiago e Jackson (Alex); Paulo Nunes e Oséas.
Técnico: Luiz Felipe Scolari

SANTOS
Zetti; Ânderson Lima (Rodrigão), Argel, Sandro e Gustavo Nery; Claudiomiro, Marcos Bazílio (Michel), Jorginho e Rodrigo Fabri (Jean); Alessandro e Viola.
Técnico: Emerson Leão



Expulsões marcam clássico no Morumbi

Palmeiras e Santos empatam em 1 a 1 no primeiro jogo das duas equipes no Campeonato Paulista de 1999

O primeiro clássico do Paulista-99 teve três expulsões, duas no Santos e uma no Palmeiras, que foram decisivas para que o jogo terminasse empatado em 1 a 1.

Logo a 1min40s de partida, o árbitro Alfredo Santos Loebeling expulsou o palmeirense Roque Júnior e o atacante santista Viola.

As expulsões fizeram com que ambos os técnicos modificassem suas equipes. As mudanças feitas pelo técnico Emerson Leão deixaram o Santos mais ofensivo.

Por outro lado, as alterações feitas por Luiz Felipe Scolari tornaram o Palmeiras mais defensivo.

Com a sua perda, o treinador palmeirense recuou o volante Galeano para a zaga, o que obrigou o meia Tiago a mudar também o seu posicionamento -que se tornou mais defensivo.

O santista Emerson Leão, por sua vez, não quis sacrificar o seu ataque: tirou um defensor, o lateral-direito Anderson, para colocar outro jogador de frente, o jovem Rodrigão, 20. Ou seja, o Santos ficou com mais jogadores do meio-campo para a frente. Leão justificou a mudança afirmando que uma das principais características de seu time é o cruzamento sobre a área.

Mesmo assim, foi o Palmeiras quem teve as primeiras chances de abrir o marcador. Aos 12min, o lateral Arce cobrou falta de longa distância da esquerda, e o zagueiro Júnior Baiano quase marcou.

Paulo Nunes, que completou a sua 12ª partida sem marcar gols, quase quebra o jejum aos 17min. Ele fez jogada individual pela esquerda e chutou cruzado para a defesa do goleiro Zetti.

Mudança

A partir dos 20min do primeiro tempo, o Santos passou a dominar a partida. O primeiro sinal foi um chute do lateral Gustavo Nery na trave direita de Velloso, aos 22min, após a defesa palmeirense perder a bola.

Aos 25min, num contra-ataque puxado por Rodrigão, o atacante Alessandro prendeu demais a bola e acabou perdendo a jogada, quando Rodrigo, livre de marcação, pedia para ser acionado.

Sandro, cobrando falta de fora da área com força, aos 27min, obrigou Velloso a fazer boa defesa.

Aos 31min foi a vez de Rodrigão desperdiçar outra oportunidade, completando de cabeça, por cima do travessão, cruzamento de Gustavo da esquerda.
A sequência de ataques santistas foi quebrada por um chute forte de longa distância de Tiago, aos 36min, que passou próximo à trave esquerda de Zetti.

O predomínio do Santos na primeira etapa -deteve mais a posse de bola (16min1s contra 15min21s do Palmeiras), desarmou mais (63 contra 51), acertou mais passes (87% de aproveitamento contra 83%) e foi mais eficiente nas finalizações (três certas, contra duas)- foi premiado em uma jogada de categoria. Aos 39min, Jorginho fez ótimo lançamento em profundidade para Alessandro.

O atacante -destaque da equipe do Santos no Torneio Rio-São Paulo, do qual foi o artilheiro- tirou Velloso com um leve toque e finalizou para o gol vazio: 1 a 0. No total, Alessandro finalizou três vezes- duas certas. Além disso, o atacante foi o atleta santista mais acionado durante o jogo, com 35 bolas recebidas.

Já nos acréscimos, aos 47min, Oséas protagonizou um dos mais belos lances da partida: ele recebeu dentro da grande área, ajeitou e finalizou de bicicleta, mas o goleiro Zetti fez uma boa defesa.

O Santos seguiu melhor nos minutos iniciais do segundo tempo, situação que se modificou aos 12min. O zagueiro Argel, que já tinha cartão amarelo, fez falta em Oséas e foi expulso. Leão, com nove jogadores em campo, foi obrigado a reforçar a sua defesa, tirando o meia-atacante Rodrigo e fazendo entrar o zagueiro Jean.

Durante todo o jogo, Argel fez quatro faltas. No total, o Santos cometeu 28 faltas, contra 29 dos rivais palmeirenses.

O Palmeiras passou a pressionar, e a torcida chegou a gritar gol quando, aos 14min, Galeano cabeceou nas redes, mas pelo lado de fora. Aos 18min, o lateral Júnior desceu pela esquerda, deu um corte em Marcos Bazílio e chutou, mas Zetti fez boa defesa.

Mesmo entrando na partida no segundo tempo, Júnior foi um dos atletas palmeirenses mais acionados, com 23 bolas recebidas. O volante Rogério foi o mais acionado, com 34 bolas.

O empate palmeirense surgiu de uma falta duvidosa em Juliano feita próxima à meia-lua da área santista. Rogério cobrou, a bola bateu na barreira e, no rebote, Júnior Baiano pegou com força, no ângulo esquerdo de Zetti. Nos últimos três jogos do Palmeiras- Olimpia, Cerro Porteño e Santos-, o zagueiro fez cinco gols. Ontem, chutou duas vezes.

Os dois times ainda criaram chances para vencer -o Santos com Alessandro, o Palmeiras com Alex-, mas falharam na hora da finalização.

Arbitragem é contestada

A partida de ontem teve três expulsões, todas contestadas.

No segundo minuto da partida, o zagueiro Roque Júnior e o atacante Viola se enroscaram no chão após o santista cair sobre o palmeirense num cruzamento perto da grande área.

O bandeirinha Arthur Alves Júnior, 42, que estava próximo do lance, chamou o juiz Alfredo Santos Loebeling e contou que os dois tinham se agredido. Na saída, ambos criticaram o juiz.

“Eu e o Viola vamos nos agredir por quê?”, ironizou Roque Júnior.

“O bandeirinha disse que eu fui agredido e revidei? Não acredito. O Roque Júnior é meu amigo. Já comeu churrasco na minha casa. Como é que a gente ia se agredir com um minuto de jogo?”, disse Viola, do outro lado do campo, no mesmo tom.

Após deixarem o campo, os dois foram assistir juntos à partida, nas cadeiras cativas.

No intervalo, o meia Jorginho acusou o juiz de ter “estragado” o jogo.

Aos 13min, o juiz deu o segundo cartão amarelo e expulsou o zagueiro Argel, alegando que ele dera uma cotovelada em Oséas. A expulsão provocou a saída de Rodrigo Fabri, para dar lugar ao zagueiro Jean.

Viola quer que bandeirinha seja afastado

O atacante Viola pediu ontem o afastamento do bandeirinha Arthur Alves Júnior, que foi o pivô da expulsão do santista e do zagueiro palmeirense Roque Júnior.

“Gostaria muito que o senhor presidente (da FPF, Eduardo José) Farah tomasse providência para que esse bandeirinha nunca mais possa bandeirar (sic) nenhum jogo.”

O presidente do Santos, Samir Abdul Hak, disse que, por ele, tiraria o time do campeonato. “É claro que eu não vou fazer isso, mas alguma coisa tem que ser feita.”

Adiante, Hak disse que se sentia “atado” diante dessa situação. “Não sei a quem apelar. Me ajudem. Façam um levantamento e, se der que o Santos não é o time mais prejudicado pela arbitragem, eu me penitencio”, disse aos jornalistas.

Aí, dizendo falar como “torcedor”, o dirigente afirmou que o Santos é vítima de um complô de Corinthians, São Paulo e Palmeiras para não deixá-lo vencer. “Nós fazemos um investimento enorme e nos acontece isso. Assim, se é para perder de qualquer jeito, é melhor montar um time só de juvenis, sem gasto nenhum.”

O zagueiro Argel também mostrava-se inconformado. “Ele disse que eu dei uma cotovelada. Não dei. Foi de ombro. Eu sabia que estava com cartão amarelo. Como é que não ia tomar cuidado?”

Argel acrescentou que, na sua opinião, o juiz também precisava levar o fato em conta. “Ele sabia que eu tinha o amarelo, que no seguinte eu iria ser expulso. Ele só podia me dar outro cartão se eu fizesse uma falta violenta.”

Só o técnico Leão não reclamou ostensivamente do juiz. Orientado pela diretoria a assumir uma posição mais tranquila, Leão não mencionou as palavras “juiz” ou “arbitragem” nenhuma vez, mas não deixou de dar indiretas.

“Estou muito satisfeito com a atitude dos meus jogadores, não com o resultado. Ele poderia ter sido nosso, mas não deixaram.”

Leão elogiou o meia-atacante Rodrigo Fabri, que ontem fez sua estréia pelo time santista. “Ele foi bem. Só saiu porque o Argel foi expulso.”

“O juiz erra e eu sou prejudicado”, acrescentou Rodrigo Fabri, que também discordou da expulsão de Argel. “Eu estava no lance e não vi nenhuma cotovelada.”

“Grandes” também usam torcida virtual

Mesmo com a entrada dos “grandes”, a segunda fase do Campeonato Paulista começou como a primeira, com os clubes precisando comprar ingressos para cobrir a diferença entre o público presente e o mínimo exigido pela Federação Paulista de Futebol (FPF).

Os casos mais graves aconteceram nos três jogos da capital, em que foram anunciados públicos bem maiores do que os realmente presentes. No total, cerca de 70 mil ingressos foram comprados por Lusa, Palmeiras e São Paulo.

Caso não tenham o público mínimo, de 20 mil pagantes para os cinco “grandes” e de 7.000 para os “pequenos”, os clubes não recebem a cota integral oferecida pela FPF, que, para as equipes “grandes”, é de R$ 600 mil por mando.

No Morumbi, no sábado, o São Paulo anunciou um público de 30.015 pagantes no seu jogo contra o Guarani, mesmo com o estádio com menos de 10 mil pessoas.

Caso tenha comprado 20 mil ingressos, o clube gastou R$ 120 mil, já que a FPF cobra R$ 6,00 por entrada para os clubes.

No Canindé, a Lusa, pela sexta vez no Paulista-99, precisou comprar ingressos no seu jogo contra a Portuguesa Santista. O clube anunciou um público de 29.983 pagantes, quando, na verdade, o Canindé não tinha mais do que 10 mil pessoas.

O público anunciado foi até maior do que a capacidade total do Canindé, de 25 mil lugares.

A Lusa gasta, em média, R$ 80 mil por partida para completar o público mínimo exigido pela FPF.

Ontem, no clássico Palmeiras e Santos, no Morumbi, foi anunciado um público de 40.009 pagantes, quando apenas 7.015 torcedores estavam no estádio.
Dentro de campo, a principal consequência da entrada dos “grandes” foi na média de gols.

Nos seis jogos da rodada, foram marcados 24 gols, média de quatro por partida. Na primeira fase da competição, a média ficou em 3,23 por jogo.
As partidas envolvendo as equipes “grandes” foram mais violentas -média de 54 faltas por partida. No geral, os jogos do Paulista-99 têm média de 51 infrações por jogo realizado.



Leão condiciona força total à volta de contundidos (Em 07/03/1999)

O técnico Leão afirmou que o Santos só terá “força total” em 30 ou 40 dias, quando os jogadores Aristizábal, Lúcio, Marcos Assunção e Andrei estiverem à disposição do treinador para jogar.

Os três primeiros se recuperam de contusões e estão voltando devagar aos treinamentos com bola.

O caso mais complicado é o do atacante Aristizábal, que sofreu uma ruptura dos ligamentos no Brasileiro-98. O jogador passou por uma cirurgia e só deve voltar a jogar em abril.

O meia-atacante Lúcio é o que está mais próximo de ser aproveitado por Leão. Recuperado de uma torção com rompimento de ligamentos no tornozelo direito, ele treinou várias vezes entre os reservas durante a semana que passou.

Marcos Assunção, que sofreu uma luxação no ombro direito, ficará com o braço imobilizado por mais uma semana. O zagueiro Andrei ainda está fora de forma, mas já treina com bola.

“Quando tiver todos esses atletas à disposição poderei falar que temos um grande grupo, com amplas chances de disputar o título. O problema é que temos de vencer partidas já”, disse Leão.

Um mês após contratação, Rodrigo faz sua estréia

Trocado com o Flamengo pelo volante Narciso no início de fevereiro, o meia-atacante Rodrigo só hoje fará a sua estréia com a camisa do Santos. Seu passe pertence ao Real Madrid e seu contrato com o Santos vai até o meio do ano.

Rodrigo vai entrar no lugar de Caíco e jogará pelo lado esquerdo do meio-campo santista, ao lado de Jorginho, fazendo a ligação com os atacantes Viola e Alessandro.

O jogador não acredita que terá dificuldade em se entrosar com a nova equipe. “É diferente quando ocorrem várias mudanças no time, mas no meu caso é só uma peça que o treinador está mudando.”

Disse que recebeu de Leão liberdade para atacar quando o Santos estiver com a bola. “Mas terei que voltar marcando o adversário.”

O técnico prevê um começo difícil para Rodrigo. “Seria melhor se ele pudesse ter atuado no Rio-São Paulo, porque já teria um melhor aprendizado do jogo da equipe.”

O regulamento do torneio não permitiu que Rodrigo jogasse pelo Santos, porque ele já havia atuado pelo Flamengo. “Ele está há algum tempo sem jogar e vai estrear justamente no maior clássico de São Paulo”, disse Leão.

Tabela agrada a santistas

A sequência de clássicos que o Santos começa a disputar hoje, situação criticada pelo técnico Leão, agrada aos jogadores santistas.

Três dos quatro primeiros jogos do Santos no Campeonato Paulista serão contra os chamados “grandes” do futebol paulista.

Além de Palmeiras hoje, o Santos jogará contra a Lusa no dia 20 de março, provavelmente no Canindé, e no dia 24 contra o São Paulo, na Vila Belmiro.

O time terá um jogo teoricamente mais fácil só no dia 13 de março, quando jogará em casa com a Matonense.

O técnico do Santos já afirmou que não gostou da tabela, principalmente pelo jogo de hoje. “Nós começamos de cara contra o Palmeiras, em São Paulo, e, como não há returno, não teremos a chance de enfrentá-los em casa”, disse.

Já o meia Jorginho não se importa com a sequência de clássicos. “É bom porque já vamos medindo forças. Saberemos o nosso potencial e teremos uma idéia de até onde podemos ir”, disse.

O atacante Alessandro, destaque do time no Rio-São Paulo, também gostou da tabela. “Eu acho bom começar o campeonato com clássicos. Vamos enfrentar jogadores de alto nível, que vão jogar e deixar jogar. Mas é importante que comecemos bem”, afirmou o jogador.